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Seia assinala Dia Mundial do Turismo com atividades dedicadas ao património e entradas gratuitas

Seia assinala o Dia Mundial do Turismo, nos dias 26 e 27 de setembro, com um programa que inclui entradas gratuitas no CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela, no Museu do Brinquedo de Seia e no Museu Natural da Electricidade, bem como atividades dedicadas ao património do concelho.

O percurso pela história industrial de Loriga e a oficina de construção de brinquedos associam-se também às Jornadas Europeias do Património, que decorrem sob o tema “Reviver, resistir, reinventar”. As duas propostas convidam residentes e visitantes a descobrir memórias e saberes ligados ao território.

No sábado, 26 de setembro, o Museu Natural da Electricidade promove, a partir das 10h00, um percurso pela vila de Loriga dedicado à história das fábricas de lanifícios e malhas. Entre antigas instalações fabris, cursos de água e memórias de quem viveu ao ritmo dos teares, a atividade dá a conhecer uma indústria que marcou a paisagem, o trabalho e a identidade da vila.

O Museu do Brinquedo de Seia recebe a oficina “Brinquedos com Memória: Reviver, Construir, Brincar”, dirigida a crianças e jovens, no dia 26 de setembro, das 14h30 às 16h30, e no dia 27, das 10h00 às 12h00. Os participantes vão construir um Gregório, brinquedo de madeira presente nas brincadeiras de outras gerações. Durante a oficina, poderão trabalhar, lixar, pintar e montar as peças, levando no final o brinquedo que construíram.

A participação no percurso e na oficina está sujeita a inscrição prévia e limitada às vagas disponíveis. Os formulários de inscrição estão disponíveis em visitseia.pt.

No domingo, 27 de setembro, Dia Mundial do Turismo, a entrada é gratuita no CISE, no Museu do Brinquedo de Seia e no Museu Natural da Electricidade, uma oportunidade para conhecer o património natural e cultural do concelho.

Com este programa, Seia convida residentes e visitantes a conhecer as histórias do território, a experimentar saberes de outras gerações e a valorizar o património que continua presente na vida da comunidade.

ULS Guarda assinala 18.º aniversário com inauguração das obras de requalificação no Centro de Saúde de Seia

A Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda vai inaugurar, no próximo dia 29 de setembro, às 10h30, as obras de requalificação do Centro de Saúde de Seia e das Unidades de Saúde Familiar (USF) A Serrana e Nova Estrela.

A cerimónia oficial será presidida pela Presidente do Conselho de Administração da ULS Guarda, Rita Teimão Figueiredo, e contará com a presença do Diretor Executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Professor Álvaro Santos Almeida.

Esta iniciativa marca o arranque das comemorações do 18.º aniversário da ULS Guarda, uma efeméride que assinala quase duas décadas de compromisso com a prestação de cuidados de saúde, a proximidade às pessoas e o desenvolvimento do território.

Os interessados em marcar presença deverão confirmar a sua participação até ao dia 22 de setembro através do e-mail oficial da instituição.

Uma noite mágica de piano sob o luar e as estrelas no Observatório de Travancinha

​A noite deste sábado, 19 de setembro, ficará guardada na memória de todos os que estiveram no Observatório Astronómico de Travancinha.

A 7.ª edição do Festival de Piano de Seia – Serra da Estrela (FPSE) trocou o interior de uma sala de espetáculo por este palco ao ar livre, proporcionando um concerto que uniu, de forma perfeita, a música, a natureza e a astronomia.

​Sob um céu límpido, iluminado por uma lua magnífica e um manto de estrelas, o público respondeu em grande número a esta iniciativa.

A noite quente, calma e serena, ofereceu o cenário ideal para uma experiência sensorial única,.

​A grande protagonista da noite foi Maria João de Oliveira. A jovem pianista natural de Caminha, que atualmente prossegue os seus estudos musicais na Alemanha, demonstrou uma sensibilidade e maturidade artística extraordinárias, perfeitamente sintonizadas com a atmosfera mágica do lugar.

​O público foi convidado a embarcar numa verdadeira viagem no tempo, que começou com a elegância e a delicadeza do Barroco francês de Jean-Philippe Rameau, através das peças “Les Trois Mains”, “Les Tendres Plaintes” e “L’Égyptienne”. Seguiu-se a clareza e a profunda expressividade do Classicismo de Wolfgang Amadeus Mozart, com a interpretação da Sonata em Si bemol maior, K. 333, antes de uma transição vibrante para a modernidade do início do século XX, com a enérgica “Bourrée fantastique” de Emmanuel Chabrier.

Entre o silêncio respeitoso da plateia e a envolvência do icónico baloiço iluminado e do marco do observatório, cada nota parecia ir em direção ao cosmos.

Foi, sem dúvida, um espetáculo maravilhoso, onde a música clássica tornou esta noite de sábado num acontecimento cultural inesquecível no concelho de Seia.

Condenado no Brasil por sequestro é detido na Guarda

A Polícia Judiciária, através da Diretoria do Norte, deteve um cidadão estrangeiro, com 33 anos, procurado pela autoridades brasileiras para cumprimento de uma pena de prisão de cinco anos, pela prática do crime de sequestro, ocorrido em 2017, em Ribeirão das Neves, no estado brasileiro de Minas Gerais.

A referida detenção ocorreu na cidade da Guarda, local onde o este se refugiou desde 2022, logo após ter tido conhecimento no Brasil da acusação que sobre si impendia.

O homem foi acusado de sequestrar a sua ex-companheira, mãe dos seus filhos.

Os factos reportam a 22 de dezembro de 2017, altura em que a vítima foi convidada a entrar na casa do ex-companheiro sob pretexto de conversarem, ficando privada de liberdade até ao dia 24 desse mês.

O detido vai ser agora presente ao Tribunal da Relação de Coimbra, para aplicação da medida de coação com vista à sua extradição para o Brasil.

Foto e fonte: PJ

Seia prepara nova geração de Bombeiros com Curso Profissional a iniciar no próximo ano letivo


Protocolo entre a Escola Profissional da Serra da Estrela, a Escola Nacional de Bombeiros e as três associações humanitárias do concelho de Seia resulta de um desafio lançado pela Federação dos Bombeiros do Distrito da Guarda.

A Escola Profissional da Serra da Estrela (EPSE) vai disponibilizar, a partir do próximo ano letivo, um novo Curso Profissional de Bombeiro. A iniciativa resulta de um protocolo celebrado entre a EPSE, a Escola Nacional de Bombeiros e as três Associaçõeas Humanitárias de Bombeiros Voluntários do concelho — Seia, São Romão e Loriga —, na sequência de um desafio estratégico lançado pela Federação dos Bombeiros do Distrito da Guarda (FBDG).

O projeto pretende aproximar as necessidades operacionais do terreno à formação pedagógica e certificada, abrindo portas a uma resposta formativa orientada para o futuro da carreira de bombeiro na região.

A criação deste percurso letivo concretiza um dos pilares estratégicos assumidos pela FBDG para a valorização dos elementos dos corpos de socorro no distrito. Para o Presidente da Direção da Federação dos Bombeiros do Distrito da Guarda, Cláudio Serra, o modelo pedagógico foca-se na capacitação contínua e no reconhecimento social e técnico da carreira: “Queremos transformar experiência em conhecimento, conhecimento em qualificação e qualificação em reconhecimento. É esta a visão que assumimos para o futuro dos Bombeiros e é neste caminho que continuaremos a trabalhar.”

A articulação entre a EPSE, as corporações do concelho e a Escola Nacional de Bombeiros vai permitir aos formandos o contacto direto com a realidade operacional, aliando o ensino teórico ao treino prático especializado.

Modelo formativo para replicar no distrito

Num setor frequentemente focado na resposta rápida às urgências operacionais, o investimento na formação de base surge como uma prioridade de médio e longo prazo para fixar jovens e profissionalizar o setor.
“Num tempo em que tantas vezes somos condicionados pela urgência do presente, é importante reconhecer quem aceita o desafio de olhar mais longe e construir hoje as respostas de que os Bombeiros precisarão amanhã. Este projeto só é possível porque encontrámos entidades que partilham esta preocupação e esta visão”, refere Cláudio Serra, Presidente da Direção da FBDG.

O curso a estrear na Escola Profissional da Serra da Estrela serve de projeto-piloto. A intenção do organismo diretivo distrital passa por estender a oferta formativa a outros concelhos do distrito da Guarda, adaptando o formato às especificidades de cada território.

“Seia é mais um passo num caminho que queremos continuar a trilhar. Queremos criar oportunidades, qualificar pessoas e contribuir para que a profissão de Bombeiro tenha o reconhecimento e o futuro que merece”, salienta o presidente da Federação
Com esta aliança entre o ensino profissional e a proteção civil local, o concelho de Seia posiciona-se na linha da frente da modernização e capacitação da nova geração de operacionais de socorro na região da Serra da Estrela.

A Federação dos Bombeiros do Distrito da Guarda reafirma, assim, o compromisso de continuar a trabalhar na defesa dos Bombeiros e das suas associações, promovendo soluções concretas nas áreas da formação, qualificação e valorização profissional.

Evento “Folgosa do Salvador Colorida” é adiado para março de 2027 por motivos de força maior

O evento “Folgosa do Salvador Colorida”, que estava agendado para este domingo, foi oficialmente adiado. A decisão foi anunciada esta pela comissão organizadora (“Mordomos 26/27”), que justificou o adiamento por “motivos de força maior”.

Em comunicado enviado ao JSM, a organização expressou o seu sincero pedido de desculpas aos participantes já inscritos, famílias, patrocinadores e todos os parceiros envolvidos na iniciativa.

Apesar do imprevisto, os responsáveis asseguram que o projeto não foi cancelado, tratando-se apenas de um reagendamento. A nova data está prevista para o início de março de 2027, prometendo regresso com novidades e uma dinâmica renovada direcionada ao convívio familiar.

A comissão organizadora apela à comunidade para que fique atenta aos canais oficiais de comunicação, onde serão divulgados brevemente a nova data exata e mais detalhes sobre a reprogramação do evento.

Hoje há cinema ao ar livre, no Largo da Câmara Municipal de Seia

Hoje há cinema ao ar livre, no Largo da Câmara Municipal de Seia com a projeção do filme de animação “Toy Story 5”, às 21h15. O evento, promovido no âmbito da iniciativa Cine NOS em parceria com o Município de Seia, convida famílias e amigos para uma noite de entretenimento ao ar livre.
A entrada é livre.

Mural dá as boas-vindas a Santa Marinha com símbolos da identidade local

A entrada da freguesia de Santa Marinha conta agora com um novo mural de cores vibrantes, concebido para celebrar a identidade, a memória e o futuro da comunidade local. A obra nasce no âmbito do projeto “Vila Cultural”, uma iniciativa aprovada pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) com o objetivo de promover o património e dinamizar o território através do envolvimento ativo dos mais jovens.

Concebido pelo artista senense Ricardo Cardoso, o painel artístico reúne elementos centrais da história e da tradição de Santa Marinha. Entre os símbolos destacados na composição estão as figuras do pastor e do emigrante, o histórico pelourinho e a Igreja Matriz, tecendo uma homenagem visual às raízes da terra.

O programa, direcionado a jovens entre os 14 e os 30 anos, começou a ser desenvolvido a 31 de agosto. Após 15 dias de intensa dedicação de 5 horas, esta etapa chegou hoje ao fim. Ao longo deste período, os participantes colaboram em atividades criativas e comunitárias, recebendo uma bolsa diária de 13 euros e um certificado de participação no final do projeto.

Com tons vivos e expressivos que remetem para a energia da juventude, o mural passa a funcionar como um cartão de visita à entrada da freguesia, aliando a preservação da memória coletiva à expressão artística das novas gerações.

O projeto foi concebido pelo artista senense Ricardo Cardoso. O mural, depois de concluído, irá incluir todos estes símbolos ligados à freguesia

A concretização deste mural contou ainda com o apoio fundamental da empresa Markor, do empresário santamarinhense Márcio Saraiva, que contribuiu generosamente para o projeto através da doação das tintas e pincéis utilizados na pintura.

Rafael Abreu, presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha, falou ao JSM sobre o projeto “Vila Cultural”, uma iniciativa aprovada pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ)
Ricardo Cardoso, artista plástico, foi o mentor deste projeto promovido pela Junta de Freguesia de Santa Marinha

O PSD cor-de-rosa — Quando o laranja começa a desbotar

Há coisas que custam a escrever.

Esta é uma delas.

Durante grande parte da minha vida adulta estive politicamente mais próximo do PSD do que de qualquer outro partido. Não apenas eleitoralmente. Durante vários anos fui mesmo militante, com filiação partidária, cartão e tudo aquilo a que se tem direito quando ainda acreditamos que os partidos representam ideias antes de representarem lugares.

Por isso escrevo isto com algum desconforto, mas também sem qualquer dificuldade:

este PSD envergonha-me.

Precisamente porque já dificilmente reconheço nele aquilo que durante tantos anos me fez estar mais próximo do PSD.

Há um fenómeno curioso na política portuguesa. Os partidos chegam ao poder prometendo fazer diferente e, algum tempo depois, começam misteriosamente a imitar aqueles que passaram anos a criticar.

É uma espécie de mimetismo político.

O camaleão muda de cor para sobreviver.

Em Portugal, aparentemente, muda-se de partido para continuar tudo mais ou menos na mesma.

E começo a suspeitar que Luís Montenegro decidiu estudar cuidadosamente os últimos anos de António Costa, não para perceber aquilo que devia evitar, mas para preparar uma espécie de manual de instruções.

“Como perder a confiança dos portugueses em dez lições.”

O PS recebeu uma maioria absoluta em 2022: 41,37% dos votos e 120 deputados. Dois anos depois estava reduzido a cerca de 28%.

Na minha leitura, houve um momento em que o PS começou a acreditar que maioria absoluta significava razão absoluta.

Deixou de ouvir.

Deixou de explicar.

Começou a governar com aquela maravilhosa convicção política de quem pensa:

“Eles reclamam agora, mas depois esquecem-se.”

Ora, às vezes não esquecem.

E o mais extraordinário é ver o PSD de Luís Montenegro cometer exatamente o mesmo erro — com uma pequena diferença: nem maioria absoluta tem.

**** Luís Neves e a extraordinária arte de não perceber o problema

O caso Luís Neves é provavelmente o melhor exemplo.

Convém separar as coisas, porque hoje em dia parece que ou se considera alguém culpado de todos os pecados do Código Penal ou se é obrigado a achar que deve continuar ministro até à reforma.

Eu não sei se Luís Neves cometeu algum crime.

Não sou juiz.

Não sou procurador.

E ainda bem.

Mas sei uma coisa: politicamente, considero eu e mais de 60% dos portugueses, que Luís Neves já não reúne condições para continuar como ministro da Administração Interna.

Responsabilidade política e responsabilidade criminal não são a mesma coisa.

Parece uma evidência.

Mas em Portugal as evidências precisam frequentemente de comissão parlamentar para serem descobertas.

Luís Neves foi diretor nacional da Polícia Judiciária entre 2018 e 2026. Nos últimos meses surgiram sucessivas notícias e dúvidas relacionadas com decisões tomadas durante esse período, incluindo adjudicações da PJ à Construbarcelos, empresa que realizou também obras numa propriedade da família de Luís Neves. O primeiro-ministro, ainda assim, reiterou no Parlamento a sua “confiança total e plena” no ministro.

Até aqui, tudo legítimo.

Montenegro confia.

Eu não confiaria politicamente.

Vivemos numa democracia e cada um fica com a sua opinião.

O problema começa quando aparece a palavra que aparentemente provoca urticária em São Bento:

investigar.

O Chega apresentou uma Comissão Parlamentar de Inquérito potestativa à gestão de Luís Neves na Polícia Judiciária.

José Pedro Aguiar-Branco recusou-a.

Disse que o objeto era demasiado amplo, que faltava delimitação e que uma CPI não pode ficar habilitada a escrutinar genericamente oito anos de atividade de uma pessoa.

O JPP apresentou outra, bastante mais delimitada, centrada sobretudo nos procedimentos de contratação pública e nas adjudicações à Construbarcelos.

Essa foi aceite.

Legalmente haverá certamente muitos constitucionalistas capazes de escrever 400 páginas sobre as diferenças.

Eu, como sou uma pessoa simples, fico com uma pergunta simples:

se há dúvidas, porque é tão difícil investigar?

Ainda mais curioso: como vai votar o parlamento a CPI do JPP.

O PS por exemplo?

O PS anunciou que votará contra.

Sim, leu bem.

O principal partido da oposição decidiu ajudar a inviabilizar uma comissão de inquérito relativa a um ministro de um Governo PSD/CDS.

Portugal é realmente um país extraordinário.

Até a oposição ajuda o Governo a não ser incomodado.

Se isto continuar assim, qualquer dia o Parlamento transforma-se num condomínio:

PSD e PS discutem muito nas reuniões, mas quando aparece alguém de fora a querer ver as contas do prédio descobrem subitamente que são todos primos.

E depois perguntam porque cresce o populismo.

**** Os rabos de palha continuam inflamáveis

Já escrevi anteriormente sobre a extraordinária arte portuguesa de esconder os rabos de palha.

Continuo a achar que, na política portuguesa, o problema raramente é existir rabo de palha.

O verdadeiro problema começa quando alguém aparece com um isqueiro.

No PS havia rabos de palha.

Muitos.

No PSD também há.

E talvez seja precisamente por isso que, quando chega a altura de levantar determinadas pedras, aparece sempre alguém muito preocupado com as regras sobre o tamanho permitido da pá.

Não estou a afirmar que existe qualquer conspiração entre PSD e PS.

Seria absurdo.

Eles conseguem fazer isto tudo perfeitamente às claras.

**** Mudam os protagonistas, ficam os “casos e casinhos”

Lembram-se dos famosos “casos e casinhos” dos anos de António Costa?

Pareciam episódios de uma série portuguesa que nunca chegava ao último capítulo.

Quando um desaparecia dos telejornais, aparecia outro.

Depois veio a Operação Influencer.

Buscas em São Bento.

João Galamba no centro de uma crise política.

E, para dar aquele toque tipicamente português que nenhum argumentista conseguiria inventar, 75.800 euros encontrados no gabinete de Vítor Escária, chefe de gabinete de António Costa, escondidos em livros e caixas de vinho.

Caixas de vinho.

Há países onde os escândalos políticos envolvem contas secretas em paraísos fiscais.

Nós damos sempre um toque nacional.

Se algum dia aparecer dinheiro escondido dentro de um bacalhau, teremos finalmente completado a portugalidade.

Depois chegou o PSD.

Respirámos fundo.

Agora é que seria diferente.

E apareceu a Spinumviva.

A empresa da família Montenegro originou meses de explicações, dúvidas sobre clientes, serviços prestados, declarações de interesses e incompatibilidades. É importante dizer que as averiguações realizadas acabaram arquivadas e o Ministério Público concluiu não existir notícia da prática de ilícito criminal.

Ótimo.

Ainda bem.

Mas politicamente o problema nunca foi apenas saber se havia crime.

Foi observar novamente aquele método tão conhecido dos portugueses:

primeiro desvaloriza-se.

Depois explica-se parcialmente.

Depois acusa-se quem pergunta.

Depois explica-se outra vez.

Depois garante-se que está tudo esclarecido.

E finalmente descobre-se que ainda falta esclarecer qualquer coisinha.

Onde é que já vimos este filme?

Pois.

E enquanto brincamos aos casos, alguém tem de pagar o gasóleo

Há, porém, um pequeno problema.

Enquanto a classe política discute CPIs, requerimentos, despachos, constitucionalistas e interpretações regimentais, existe um país cá fora.

E esse país tem de trabalhar.

Tem de pagar casa.

Tem de ir ao supermercado.

E, em muitos casos, tem de meter combustível no carro para conseguir chegar ao trabalho.

Em setembro, os combustíveis ultrapassaram novamente a barreira dos dois euros por litro. Numa única semana chegaram a ser antecipadas subidas de 12 cêntimos na gasolina e 15 cêntimos no gasóleo; o gasóleo atingiu mesmo valores próximos de máximos históricos.

A 16 de setembro, a própria ENSE apresentava um preço de referência de 2,065 euros por litro para o gasóleo.

Façamos uma conta muito pouco científica, mas bastante próxima da vida real.

O salário mínimo nacional em 2026 é de 920 euros.

Um trabalhador que percorra cerca de 30 quilómetros por dia útil num automóvel perfeitamente normal, com um consumo de 6,5 litros aos 100 quilómetros, pode aproximar-se dos 90 euros mensais apenas para fazer esse percurso.

Quase 10% do salário mínimo.

Só para conseguir ir trabalhar.

Ainda não comeu.

Ainda não pagou a renda.

Ainda não pagou a prestação da casa.

Ainda não pagou eletricidade, água, telecomunicações ou os cadernos dos filhos.

Mas calma.

Há boas notícias.

O Parlamento está a discutir se uma Comissão Parlamentar de Inquérito tem vírgulas a mais.

A vida melhora imediatamente.

**** Aguiar-Branco e o fantasma de Santos Silva

E faltava uma personagem para completar esta nova versão do antigo PS.

O Presidente da Assembleia da República.

José Pedro Aguiar-Branco.

Confesso que sempre tive uma imagem institucionalmente positiva de Aguiar-Branco.

Talvez por isso me desiluda particularmente aquilo que considero ser uma dualidade de critérios na questão da CPI a Luís Neves.

E aqui começa outra semelhança desconfortável.

Durante os últimos anos do PS, Augusto Santos Silva deixou demasiadas vezes a sensação — justa ou injusta — de que a presidência da Assembleia da República já não era apenas arbitragem institucional.

Transformou-se também em protagonista do combate político.

E todos sabemos como terminou.

Nas legislativas de 2024, Augusto Santos Silva falhou a eleição como deputado e deixou o Parlamento. Ele próprio disse não acreditar que os confrontos que manteve com André Ventura tivessem influenciado o resultado. Não tenho qualquer razão para afirmar o contrário.

Mas há uma lição que talvez mereça ser retirada:

o Presidente da Assembleia da República ganha quando aparece pouco e perde quando começa a tornar-se parte da notícia.

Aguiar-Branco deveria pensar nisso.

Não precisa de ser Augusto Santos Silva pintado de laranja.

Portugal já teve o original.

Não necessita de remake.

O problema não é a cor. É o vício.

É isto que mais me incomoda neste PSD.

Não é ser demasiado de direita.

Não é ser demasiado de esquerda.

É começar a parecer-se demasiado com aquilo que prometeu substituir.

O PS habituou-se ao poder.

Começou a confundir estabilidade com impunidade política.

Maioria com razão.

Crítica com perseguição.

Perguntas com ataques.

E acabou por pagar eleitoralmente um preço elevado.

O PSD deveria ter aprendido.

Em vez disso, parece empenhado numa extraordinária experiência política:

repetir os mesmos erros e esperar um resultado diferente.

Spinumviva.

Luís Neves.

CPIs bloqueadas.

Combustíveis acima dos dois euros.

Um Governo progressivamente mais fechado sobre si próprio.

E um Presidente da Assembleia que começa a descobrir o gosto de ser protagonista.

Mudam os nomes.

Mudam as cores.

Mudam os slogans.

O guião, esse, começa perigosamente a parecer o mesmo.

Passei muitos anos politicamente próximo do PSD.

Fui militante do PSD.

E talvez seja precisamente por isso que isto me incomoda mais.

Eu não queria um PS laranja.

Queria uma alternativa.

Porque para governar como governava o PS…

já tínhamos o PS.

Espetáculo “Let It Be” leva mensagem de esperança e tributo aos Beatles ao Cineteatro da Casa Municipal da Cultura de Seia


A ACR Music & Voices vai amanhã, dia 19 de setembro, levar ao palco do Cineteatro da Casa Municipal da Cultura de Seia, às 21 horas, o espetáculo “Let It Be”.

Num mundo onde os sonhos parecem cada vez mais difíceis de alcançar, quatro jovens decidem desafiar todas as expectativas ao formar uma banda feminina inspirada no percurso musical dos Beatles. Unidas pela paixão pela música, enfrentam dúvidas, preconceitos e os desafios de crescer, descobrindo que o verdadeiro sucesso nasce da coragem de permanecer fiel a si mesmo.

Através da amizade, da criatividade e da esperança, mostram que a música tem o poder de unir gerações, inspirar mudanças e manter vivo o sonho de um mundo mais livre, mais justo e mais humano.

O espetáculo, para maiores de 3 anos, promete uma noite de reflexão e entretenimento para toda a família.

Os bilhetes têm o custo geral de 10 € e já se encontram disponíveis. Há, ainda, um desconto de 50% para portadores do Cartão Jovem Municipal e Sénior Municipal; para pessoas com grau de incapacidade/deficiência igual ou superior a 60% e em situação de desemprego.