Nascido em Monte Margarida, concelho da Guarda, em 12 de junho de 1915, José Quelhas Bigotte, fez a instrução primária na sua aldeia e, em outubro de 1926, ingressou no Seminário Menor do Fundão onde permaneceu ao longo de 5 anos tendo transitado para o Seminário Maior da Guarda, em 1931 até se ordenar a 12 de março de 1938 e celebrar a primeira Missa em Monte Margarida, no dia 19 do mesmo mês, na festa de S. José.
A 14 de agosto de 1938 tomou posse da paróquia da Vila de Seia onde se manteve até que a saúde o traiu, ao fim de mais de cinquenta anos de dedicação à Igreja. Foi professor de História e Português no Colégio Dr. Simões Pereira, funções que desempenhou de 1938 a 1953. Depois de 1958 foi professor do Externato de Nossa Senhora da Conceição, em São Romão pelo período de 10 anos. Quando foi criada a Escola Preparatória de Seia, em 1968, assumiu o lugar de professor de Religião e Moral, tendo-se aposentado em 1985.
José Quelhas Bigotte que era filho de Manuel Bigotte e de Teresa Quelhas, agricultores e proprietários em Monte Margarida, matriculou-se em 1955 na Faculdade de Direito Canónico da Universidade Pontifícia de Salamanca (Espanha) que frequentou até junho de 1957 tendo obtido nesse ano a Licenciatura com a classificação de “Notável”. Em outubro de 1957 matriculou-se na Universidade Gregoriana, em Roma tendo defendido tese em 1958 com a mais alta classificação.
Foi do nosso ponto de vista, uma das figuras mais ilustres que Seia conheceu, tendo deixado enormes trabalhos escritos. Graças a sua capacidade, inteligência, cultura, coragem e determinação, o Reitor de Seia mereceu com inteira justiça a nomeação para diferentes e responsáveis cargos da Diocese feita pelos diferentes prelados do nosso distrito. Foi um forte impulsionador de obras que ele próprio criou em Seia, tais como: Patronato de Nossa Senhora de Fátima, Agasalho dos Pobres, Conferência de S. Vicente de Paula, Escuteiros, Jardim de Infância, Centro de Dia e Lar para a 3ª Idade, obras que, hoje, fazem parte do Centro Paroquial de Seia. Foi ainda pároco de São Martinho de 1939 até 1968.
Teríamos de tomar imenso tempo aos nossos leitores e abusar da sua paciência para enunciar os livros que escreveu, as revistas que publicou e os jornais que dirigiu. Vamos, por isso, limitar-nos à Monografia da Vila de Seia, ilustrada, com 400 páginas, publicada em 1945; Os Noventa anos de D. José Alves Matoso, de 130 páginas, em 1950; Escritores e Artistas senenses, em 1986 com 112 páginas; “Memórias do Reitor de Seia”, em 1991, com 510 páginas e “Monografia da Cidade e Concelho de Seia”, em 1992 com 894 páginas.
José Quelhas Bigotte, o bem conhecido Reitor de Seia, dado o seu carácter, estrutura política e social, viu-se envolvido em algumas polémicas na vila de Seia perpetradas por alguns senhores importantes daquela vila Serrana, tendo até sido acusado de informador da polícia política daquele tempo.
Doa a quem doer, há uma realidade que ninguém ousará contestar: a de que se tratava de uma das figuras mais ilustres do mais vincado carácter de um escritor de profundidade, eminente pregador que levou o nome e a importância de Seia e das suas gentes aos quatro cantos do Mundo.
Não tivemos nem tempo nem oportunidade de privar com o padre Dr. Quelhas Bigotte mas não podemos ser insensíveis ao seu real valor e à portentosa obra que deixou a todos os senenses.
Maio chega a Santa Marinha com a suavidade das flores e o simbolismo profundo do Mês de Maria. É o tempo em que as nossas atenções se voltam para a figura da Mãe, aquela que ampara, protege e une as famílias. Para a Sociedade Musical Estrela da Beira, este mês carrega uma mística muito especial: depois de termos vivido a densidade da Paixão e o rigor das ruas de Salamanca, maio surge como um renovar de esperanças. É o momento em que a nossa música se torna uma oferta àquela que é a padroeira dos nossos corações, mas é também o mês em que a nossa instituição, prestes a completar 180 anos de história, olha para o futuro com renovada ambição.
Tal como uma mãe cuida dos seus filhos, também a nossa Banda precisa do amparo da sua comunidade para continuar a soprar com força. Ajudar a sua Filarmónica é, acima de tudo, um ato de preservação da nossa identidade. Numa altura em que as cores das nossas fardas já se prepara para o brio das Marchas Populares e para celebrar a alma de Amália Rodrigues, enfrentamos o desafio premente de renovar o nosso parque instrumental. Os instrumentos são as vozes da nossa gente, mas o tempo e o uso constante exigem um investimento que nem sempre a Banda consegue suportar sozinha. Por vezes, o valor de um instrumento de qualidade profissional parece um objetivo distante, mas ele torna-se realidade quando nos unimos por uma causa comum.
Lançamos, por isso, um convite à generosidade de todos: junte-se aos seus amigos de sempre, reúna a sua família ou, num gesto de legado individual, ofereça um “sopro de vida” à SMEB. Neste momento, a nossa maior urgência prende-se com instrumentos fundamentais para a nossa harmonia: dois clarinetes (1.050€ cada), que trazem a agilidade e a doçura às nossas melodias; duas trompas de harmonia (2.200€ cada), essenciais para o corpo e para a alma do nosso som; e de uma tuba (3.500€), o alicerce sólido sobre o qual toda a arquitetura musical da Banda se apoia. Imagine o orgulho de, num futuro próximo, ver a SMEB marchar e saber que aquele som que emociona a Vila é fruto de um gesto de amizade partilhado ou de uma homenagem a quem já partiu.
Mas as novidades não ficam por aqui. Este mês de maio será o ponto de partida para um calendário inesquecível. Pedimos a todos que estejam particularmente atentos às nossas redes sociais, pois ao longo das próximas semanas faremos vários anúncios de extrema importância sobre as festividades do nosso 180.º aniversário. Estamos a preparar momentos que irão envolver toda a comunidade e que prometem honrar o passado enquanto projetamos a Banda para os próximos séculos.
Que este maio seja um tempo de dupla celebração. Enquanto honramos a Mãe no altar e em cada lar, saibamos também abraçar a “Mãe” da nossa cultura local. Seja através de um donativo em grupo para um novo instrumento ou pela simples presença entusiasta nas nossas iniciativas, a vossa ajuda é o que nos permite continuar a marchar. Porque uma Banda que sente o carinho do seu povo é uma Banda que, tal como o amor de mãe, se torna eterna. Fiquem atentos: o melhor da nossa história ainda está para ser contado.
Olha que eu vou queixar-me ao meu pai e ele é o presidente.
O teu pai é o presidente, mas o meu pai é quem tem as pistolas. Portanto, ainda levas outra tapa.
Este texto reproduz, o tão fiel quanto possível, o diálogo entre dois jovens, um rapaz e uma rapariga, e foi-me contado por quem o presenciou, amigo comum dos dialogantes, filhos, um, do presidente da república e, o outro, do ministro de estado e chefe da guarda presidencial, portanto, chefe da casa militar da presidência da república de um determinado país.
Estamos em 2014, os três jovens estudam num colégio num país estrangeiro, frequentado por elites e, no meio de uma daquelas discussões, por vezes sem sentido, de jovens adolescentes, o rapaz dá uma bofetada na rapariga, ao que se segue o diálogo acima. Recordei este episódio por entender haver alguma semelhança com os tempos que vivemos atualmente.
Os principais protagonistas dos últimos acontecimentos e os principais líderes mundiais parecem adolescentes que gerem os seus países e a geopolítica com atitudes infantis, cada um com a sua birra e a colocar-se em bicos de pés, a tentar ganhar protagonismo relativamente aos restantes.
Trump, que preside a um país que sempre teve uma tentação para se meter em guerras em outros países, apesar das suas gaffes, narcisismo, imprevisibilidade e ignorância, é quem domina a cena política e as notícias e quem tem mais influência nas nossas vidas. Isto apenas acontece porque não existe um único líder, com carisma, visão e aglutinador, em quem possamos encontrar uma esperança, incluindo na União Europeia, em declínio económico, competitivo e a perder relevância.
Chega a meter dó a maneira como a Europa é tratada, assim como algumas das declarações, ridículas e aparentemente frontais e duras, mas completamente inócuas, de alguns dos seus líderes. Não há um único líder que se salve, no meio destes miúdos crescidos a brincar à política e a jogar com as nossas vidas.
Enquanto isto, Xi Jinping, que lidera o segundo país mais populoso do mundo o que, por si, já é merecedor de apreciação, vai assistindo, com a tradicional “paciência de chinês” e a visão de um mundo com o qual evita entrar em guerras e que, ao mesmo tempo, se movimenta e esforça em ampliar as suas relações políticas e económicas e, assim, a sua influência. Sem líderes e com um protagonista principal que é, simultaneamente, presidente de uma superpotência e que tem as pistolas, o que é que se pode esperar ?
No próximo dia 10 de junho, o Rancho Folcórico de Seia comemora o seu XLVI (46º). A instituição preparou um programa diversificado que promete honrar a memória dos seus antigos membros e celebrar a vivacidade da cultura popular portuguesa.
As celebrações têm início logo pela manhã, às 08:30, com a habitual romagem aos cemitérios, um momento de homenagem e saudade. Segue-se, às 10:00, a sessão solene no Museu Etnográfico do Rancho Folclórico de Seia, onde terá lugar um dos pontos altos da efeméride: a entrega do Prémio “Isabel Patusca”.
O programa religioso decorrerá às 12:00, com a celebração da Missa Solene na Igreja Matriz de Seia. A cerimónia contará com a participação especial do próprio Rancho Folclórico de Seia, que será responsável pela vertente cantada da eucaristia.
Após o ato religioso, o Rancho e convidados reúnem-se num Almoço Convívio às 14:00, reforçando os laços de união da comunidade. A tarde será dedicada à dança e à música tradicional. Às 16:00, o palco recebe a atuação do Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo (Aveiro), trazendo as tradições da Região Vareira até ao coração da Serra da Estrela.
O evento é organizado pelo Rancho Folclórico de Seia e conta com os apoios do Município de Seia; da Junta de Freguesia de Seia; Federação do Folclore Português e Fundação INATEL.
A cidade de Seia transforma-se, a partir de hoje, num local vibrante, de cultura e animação estudantil. Organizado pela Senatuna – Tuna Mista da Escola Superior de Turismo e Hotelaria (ESTH), o XV FESTUS – Festival de Tunas Mistas na Cidade de Seia está de regresso este fim de semana a Seia.
O evento, que já se afirmou como um pilar cultural imprescindível no concelho, traz este ano seis prestigiadas tunas a concurso, vindas de vários pontos do país.
O arranque oficial das celebrações está marcado para as 00h00 desta sexta-feira. A emblemática Escadaria da Igreja da Misericórdia será o cenário da Noite de Serenatas, um dos momentos mais solenes, emotivos e característicos do romantismo estudantil.
Após a Serenata, já a partir das 01h45, a festa ruma ao Pavilhão Gimnodesportivo de Seia, inserida na programação da Semana Académica, prolongando a folia pela madrugada dentro.
Amanhã: o grande Festival de Tunas sobe ao palco da Casa Municipal da Cultura de Seia
O prato forte do fim de semana está reservado para o serão de amanhã, sábado, dia 16 de maio. A partir das 21h30, a Casa Municipal da Cultura de Seia abre as portas para o grande espetáculo. O público poderá assistir às atuações oficiais das seis tunas concorrentes, que prometem uma noite de enorme diversidade musical, cor e sã competitividade.
O cartaz de luxo desta 15.ª edição conta com as seguintes instituições representadas:
Tunesce – Tuna da Escola Superior de Ciências Empresariais do IPVC;
Isecotuna – Tuna Mista do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra;
K&Batuna – Tuna Académica Mista da Escola Superior de Educação de Coimbra;
MarnoTuna – Tuna Mista da Universidade de Aveiro;
ToU NA’boa – Tuna Mista Académica de Viseu;
Nautituna – Tuna Mista da Escola Superior Náutica Infante D. Henrique.
O festival encerra em clima de grande celebração com o regresso do público e dos estudantes ao Pavilhão Gimnodesportivo, a partir das 01h30.
A Associação Senatuna deixa o convite a todos os senenses e visitantes para se juntarem à festa, saírem à rua e viverem de perto o contagiante espírito académico que irá vibrar na cidade ao longo de hoje e de amanhã.
A Unidade Local de Saúde da Guarda (ULSG) reforçou, recentemente, o seu Serviço de Cardiologia com a integração de Almir Fontes, “um reforço há muito aguardado para a instituição e para a população da área de abrangência da ULSG”, refere a ULS da Guarda.
Especialista em Cardiologia e também professor universitário, Almir Fontes representa “uma mais-valia não apenas ao nível da prestação de cuidados de saúde diferenciados, mas também no âmbito da formação médica, da promoção da investigação e do desenvolvimento científico da instituição”.
A Presidente do Conselho de Administração da ULSG, Rita Teimão Figueiredo, recebeu ontem o novo profissional, dando-lhe as boas-vindas e sublinhando a importância da integração de mais um especialista para o fortalecimento da capacidade assistencial da instituição e para a melhoria contínua dos cuidados prestados à comunidade.
“Esta integração representa mais um passo no compromisso da ULSG com a valorização das suas equipas, a qualificação dos cuidados de saúde e o reforço da componente formativa e científica da instituição, em benefício de toda a comunidade”, refere esta Unidade de Saúde.
No passado dia 13 de maio, o Comando Territorial da Guarda, através do Posto Territorial de Vila Nova de Foz Côa, constituiu arguido um cidadão de nacionalidade marroquina, de 42 anos, por contrafação, no concelho de Vila Nova de Foz Côa.
No âmbito de uma ação de fiscalização rodoviária os militares detetaram no interior da viatura diversos artigos que ostentavam logótipos de marcas conceituadas no mercado. Das diligências efetuadas, apurou-se que os mesmos eram presumivelmente contrafeitos, procedendo-se à apreensão de 291 peças, entre vestuário e calçado, num valor aproximado de cerca de 1 854 euros.
O suspeito foi constituído arguido e os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Vila Nova de Foz Côa.
A Guarda Nacional Republicana relembra que o objetivo principal deste tipo de ações é garantir o cumprimento dos direitos de propriedade industrial, visando o combate à contrafação, ao uso ilegal de marca e à comercialização de artigos contrafeitos.
“Sinto falta de tudo um pouco — da gastronomia, das pessoas, da simplicidade e, claro, daquele ar puro da nossa serra, impossível de encontrar noutro lugar”
Natural de Paranhos da Beira, Olga Alexandre Amaro, a artista autodidata trocou as paisagens de Seia pelos Estados Unidos há mais de 25 anos. Entre a pintura, a filigrana e o restauro, Olga Alexandre encontrou na criatividade uma forma de unir os dois mundos, transformando a saudade em exposições que celebram a identidade portuguesa no Sport Club Português de Newark. Em entrevista ao Jornal de Santa Marinha, Olga recorda o desafio da emigração e celebra a concretização de sonhos na comunidade portuguesa de Newark.
Jornal de Santa Marinha (JSM): Olga, recuando no tempo, em que ano decidiu trocar as paisagens da Serra da Estrela pelos Estados Unidos e qual foi o principal motivo que a levou a emigrar? Já lá tinha família ou amigos? Com quem foi?
Olga Alexandre (OA): Emigrei para os Estados Unidos a 5 de março de 1995, numa fase em que senti necessidade de procurar novas oportunidades, tanto a nível pessoal como profissional. Não foi uma decisão fácil, porque deixar a nossa terra nunca é. O meu marido tinha uma irmã nos Estados Unidos e, com o tempo, acabámos por reencontrar pessoas conhecidas e fazer novas amizades, o que nos trouxe alguma segurança. Vim acompanhada pela minha família mais próxima — o meu marido e o meu filho mais velho — e isso fez toda a diferença nesse grande passo.
“Senti também a falta da proximidade humana a que estamos habituados em Portugal”
JSM: Chegar a um país com uma cultura tão diferente como são os EUA é sempre um desafio. O que é que lhe custou mais no processo de adaptação em Newark/Linden?
OA: O mais difícil foi, sem dúvida, a adaptação ao ritmo de vida. Tudo é mais rápido e exigente. Senti também a falta da proximidade humana a que estamos habituados em Portugal. No início, há sempre um sentimento de desenraizamento, mas, com o tempo, vamos encontrando o nosso lugar.
JSM: Apesar da distância física, de que forma é que Seia continua presente no seu dia a dia? Costuma visitar a sua terra natal com que frequência?
OA: Seia está sempre presente no meu dia a dia, quer nas memórias, quer nas tradições que mantenho. Tento visitar sempre que possível, embora nem sempre com a frequência que gostaria, devido aos compromissos profissionais e ao custo das viagens. Ainda assim, cada regresso é muito especial — é como recarregar energias.
JSM: O que é que sente mais falta em Portugal e da sua terra natal (Paranhos da Beira)? É a gastronomia, as gentes, ou aquele ar puro que só se respira na nossa região? Costuma acompanhar as notícias do concelho de Seia?
OA: Sinto falta de tudo um pouco — da gastronomia, das pessoas, da simplicidade e, claro, daquele ar puro da nossa serra, impossível de encontrar noutro lugar. Existe uma ligação muito forte às nossas raízes que nunca se perde e que, na minha opinião, os emigrantes sentem de forma ainda mais intensa.
Procuro manter-me informada sobre o que se passa em Seia e arredores; é uma forma de me sentir mais próxima. Acompanho algumas páginas nas redes sociais que me permitem seguir a atualidade local.
JSM: Muitos emigrantes vivem com a “mala pronta”. Pensa num regresso definitivo a Portugal num futuro próximo?
OA: É uma questão difícil. Ainda não tomámos uma decisão. Por um lado, não fazemos planos a muito longo prazo — preferimos viver um dia de cada vez. Por outro, os nossos filhos estão a construir as suas próprias famílias, e seria muito difícil deixá-los. Seria quase como emigrar novamente. No fundo, vivemos com o coração dividido.
“A arte sempre fez parte da minha vida. Cresci rodeada de criatividade: o meu pai, um artista multifacetado, e a minha mãe, costureira, tiveram ambos uma grande influência no meu percurso.”
JSM: Sabemos que vem de uma família de artistas. Como surgiu essa paixão pelas artes e qual a sua memória mais antiga ligada à criação?
OA: A arte sempre fez parte da minha vida. Cresci rodeada de criatividade: o meu pai, um artista multifacetado, e a minha mãe, costureira, tiveram ambos uma grande influência no meu percurso. As minhas memórias mais antigas passam por observar e participar em pequenos trabalhos manuais, experimentar materiais e criar sem receios — era algo muito natural.
JSM: Sendo uma artista autodidata, como foi o processo de aprendizagem das suas técnicas? Frequentou algum curso ou foi sobretudo um percurso de experimentação?
OA: Foi, acima de tudo, um processo de experimentação e curiosidade. Sempre tive vontade de aprender e de explorar novas ideias — essa foi a minha principal motivação. Naturalmente, fui pesquisando e acompanhando o trabalho de outros artistas, mas a maior parte do meu percurso construiu-se com prática, tentativa e erro.
JSM: Sabemos que domina a filigrana e trabalha com óleos sobre tela. Que outras técnicas utiliza e como integra o reaproveitamento de materiais nas suas obras?
OA: Gosto de explorar diversas técnicas, desde a criação de texturas com materiais reciclados até à combinação de pintura com elementos tridimensionais. No caso da filigrana, utilizo peças de joalharia tradicional portuguesa — como o coração de Viana ou crucifixos — que incorporo nas minhas obras. O reaproveitamento é uma componente essencial do meu trabalho: interessa-me dar uma nova vida a materiais que, à partida, não teriam utilidade. Cada peça acaba por contar uma história única.
JSM: Entre esculturas, pintura e joalharia, qual é o tipo de peça que mais gosta de criar?
OA: É difícil escolher, porque cada área tem o seu encanto. Em todos os projetos procuro dar o melhor de mim, de forma a alcançar um resultado que me satisfaça plenamente. Ainda assim, o restauro de móveis é, talvez, uma das áreas que mais prazer me proporciona. Transformar completamente uma peça é um processo muito gratificante.
JSM: Como se sentiu ao inaugurar a sua primeira exposição individual no Sport Club Português de Newark? Foi a concretização de um sonho?
OA: Foi um momento muito especial e emocionante. Ver o meu trabalho reconhecido e partilhado com a comunidade representou, sem dúvida, a concretização de um sonho. Foi também uma forma de celebrar todo o percurso até esse momento.
JSM: Sente que as suas origens em Seia influenciam os temas ou as cores das suas obras? Existe um “toque serrano” na sua arte?
OA: A minha arte está muito ligada ao meu estado de espírito. Muitas vezes, se interrompo um trabalho, quando regresso a ele sinto necessidade de alterar algo. Mais do que a origem geográfica, é o momento emocional que influencia o resultado final.
JSM: Qual a importância de instituições como a ProVerbo e o Sport Club Português no apoio aos artistas emigrantes?
OA: São extremamente importantes. Estas instituições criam oportunidades, dão visibilidade e ajudam a preservar a cultura portuguesa no estrangeiro. A ProVerbo, enquanto secção cultural do Sport Club Português, tem desempenhado um papel relevante ao abrir portas a artistas, escritores e poetas, tanto emigrantes como residentes em Portugal. Com o empenho de todos os envolvidos, acredito que continuará a cumprir essa missão.
“Aos que vivem fora, que continuem a levar consigo um pouco de Portugal.”
JSM: Que mensagem gostaria de deixar aos senenses espalhados pelo mundo e àqueles que permanecem na sua terra natal?
OA: Que nunca esqueçam as suas raízes e que tenham orgulho na sua origem. Aos que vivem fora, que continuem a levar consigo um pouco de Portugal. E, se não existir uma comunidade organizada no local onde vivem, que tomem a iniciativa de a criar. Manter a nossa cultura viva é fundamental — a nossa identidade é uma grande força.
Cristina Sousa, diretora Pedagógica da Escola Profissional da Serra da Estrela falou com o JSM sobre este curso que vai decorrer durante cinco dias, no mês de julho.
A Escola Profissional da Serra da Estrela e o Conservatório de Música de Seia – Collegium Musicum estão com inscrições até 28 de junho de 2026 para o Curso de Verão’26, uma iniciativa que reúne uma centena de jovens músicos das principais bandas filarmónicas e academias de música da região, nomeadamente Seia, Gouveia, Nelas e Oliveira do Hospital, da Escola Profissional da Serra da Estrela e do Conservatório de Música de Seia.
As autarquias de Seia, Gouveia, Nelas e Oliveira do Hospital estão a colaborar ativamente através de apoio logístico, complementando o trabalho das bandas filarmónicas com o ensino profissional e o ensino artístico especializado da música de excelência.
Durante cinco dias intensivos (7, 8, 9, 10 e 13 de julho) cerca de uma centena de alunos trabalharão sob a direção dos maestros Artur Pinho (cordas) e Daniel Botelho (sopros), apoiados por um qualificado corpo docente. O curso culmina em dois concertos:
• 10 julho, 21h30 – Largo da Câmara Municipal de Seia (aberto ao público, entrada livre) • 13 julho, 19h00 – Centro de Interpretação da Serra da Estrela (fechado ao público, inserido no ProfMat)
Coro de Pais
A grande novidade para este ano é a criação de “O Coro de Pais” (projeto piloto intergeracional), que reúne encarregados de educação e antigos alunos da Escola Profissional da Serra da Estrela e do Conservatório de Música de Seia em ensaios semanais durante o mês de junho e início do mês de julho, orientados pela professora Catarina Costa. A participação é gratuita, mas a inscrição é obrigatória até ao dia 24 de maio de 2026.
A Unidade de Saúde Familiar (USF) Nova Estrela (Seia) comemorou, hoje, o seu 1.º aniversário.
JSM conversou com a Coordenadora desta USF, a médica Sara Campos e a vereadora do Município de Seia, Teresa Pereira.
Este momento marca a celebração do primeiro ano de atividade desta unidade, momento que foi aproveitado para apresentar à comunidade os principais resultados alcançados, bem como os projetos estratégicos previstos para este ano de 2026, entre os quais se destaca a candidatura à implementação de uma Unidade Móvel de Saúde