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Ecos de Seia – filmes vencedores do CineEco regressam “a casa”

Após a itinerância por salas de cinema e instituições de ensino do país, os filmes premiados na 31.ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela regressam a Seia para sessões públicas, gratuitas, no Cineteatro da Casa Municipal da Cultura, até julho. De relembrar que a edição 2026 do CineEco acontece de 9 a 17 de outubro.

Todos os anos, e após cada edição, o CineEco leva o cinema ambiental a diversos públicos e territórios, promovendo a sensibilização ecológica, a inclusão e o acesso à cultura, afirmando o compromisso do Festival com a educação ambiental e a mudança social. Este ano, não foi exceção. Depois das extensões em cidades como Caldas da Rainha, Celorico da Beira, Coimbra, Faial, Vila Nova de Gaia, entre outras, o CineEco regressa “a casa” com a exibição dos filmes premiados na edição do ano passado.

Os ECOS de Seia são uma iniciativa municipal que tem como principal objetivo proporcionar não só à comunidade senense, mas a todos os interessados dos municípios vizinhos, o (re)visionamento de 15 filmes laureados da 31.ª edição. Já este mês de maio e até julho, o Cineteatro da Casa Municipal da Cultura volta assim a ser o epicentro do cinema ambiental mundial, assente em eixos temáticos relevantes: “Antropologia Ambiental”; “Metaformoses e Identidade”; “Território e Espiritualidade”, “Memória, Ativismo e Futuro”; “O Planeta em Alerta”; e “Ciclos de Água e Comunidade”.

Destaque para exibição do “Grande Prémio Ambiente”, o documentário “The Town That Drove Away” (Polónia), da dupla de cineastas Grzegorz Piekarski e Natalia Pietsch. O filme faz parte de um conjunto de dez obras que estrearam no festival de Seia, no âmbito da Competição Internacional de Longas-Metragens, e acompanha a transição para a nova cidade dos habitantes da ancestral Hasankeyf, submersa pelas águas com a entrada em funcionamento do mega-projeto hidroelétrico no território. Poderá ser (re)visto a 14 de julho pelas 21H30. Também o vencedor do P´remio “Camacho Costa”, o filme de ficção desarmante, urgente e poético, “Enquanto o Céu Não Me Espera” (Brasil) e Katwe (Uganda/Suécia), Prémio Antropologia Ambiental, voltam ao grande ecrã do Cineteatro de Seia nos dias 9 de junho e 12 de maio, respetivamente. Ao todo serão exibidos 15 filmes, todas as sessões são gratuitas, sujeita à lotação da sala.

Programa ECOS DE SEIA

12 de maio
Sessão 1 — Antropologia Ambiental: O Caso Katwe (97 min)
• Katwe (97’) – Prémio Antropologia Ambiental.

19 de maio
Sessão 2 — Metamorfoses e Identidade (86 min)
• A Clawsome Tale (22’) – Menção Honrosa Internacional.

• Cão Sozinho (13’) – Prémio Curta em Língua Portuguesa.

• Martha (7’) – Prémio de Curta de Animação.

• L’Ancien Monde (11’) – Prémio Ficção, Não Ficção e Animação.

• Aurora (20’) – Menção Honrosa Curta em Língua Portuguesa.

• O Último Pastor de Sabugueiro (6’) – Prémio Panorama Regional.

9 de junho
Sessão 3 — Território e Espiritualidade (80 min)
• Enquanto o Céu Não Me Espera (80’) – Prémio Camacho Costa.

16 de junho
Sessão 4 — Memória, Ativismo e Futuro (95 min)
• Não Haverá Mais História Sem Nós (75’) – Menção Honrosa Longa em Língua Portuguesa.

• Vânia e Valéria (20’) – Prémio Educação Ambiental.

14 de julho
Sessão 5 — O Planeta em Alerta (82 min)

• The Town That Drove Away (70’) – Grande Prémio Ambiente.

• Plastic Surgery (12’) – Prémio Curta/Média Internacional.

21 de julho
Sessão 6 — Ciclos da Água e Comunidade (63 min)
• Sukande Kasaká (30’) – Prémio Valor da Água.

• Headland (13’) – Menção Honrosa Valor da Água.

• Porta-te Bem (20’) – Menção Honrosa Panorama Regional.

O CineEco é organizado pelo Município de Seia e conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República e do Departamento de Ambiente das Nações Unidas. Conta ainda com o apoio financeiro da DGArtes.

Projeto integrARTE promove sessão aberta à comunidade no Parque do CISE

O projeto integrARTE – Projeto de Integração de Migrantes promove, no próximo dia 9 de maio, entre as 11h00 e as 16h30, uma sessão aberta à comunidade no Parque do CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela, convidando à participação de crianças, famílias e população em geral.

De participação gratuita, a iniciativa pretende criar um momento de encontro e partilha entre diferentes públicos, promovendo a inclusão e o diálogo intercultural através da arte, em contacto com a natureza.

O programa inicia-se às 11h00 com uma caminhada orientada pelo artista Miguel Ângelo, que conduzirá os participantes na exploração do espaço envolvente, com enfoque nas espécies naturais e na botânica. Pelas 13h00 realiza-se um piquenique colaborativo, sendo cada participante convidado a contribuir com um elemento para partilha. A partir das 14h30, decorre uma sessão artística orientada pela artista Liliana Bernardo, centrada na criação de uma peça coletiva — uma “toalha de mesa” com o tema “Seia para Todos”, utilizando técnicas de bordado e pintura têxtil.

O integrARTE é um projeto-piloto inovador que cruza arte, educação e inclusão social em contexto escolar e comunitário, a decorrer no Agrupamento de Escolas Dr. Guilherme Correia de Carvalho. Promovido pela Rural Move, o projeto é um dos vencedores dos Prémios Caixa Social 2025, na área da Inclusão Social e Solidariedade, destacando-se pelo seu caráter inovador e impacto junto de crianças e jovens migrantes, das suas famílias e da comunidade local.

Desenvolvido em parceria com o Município de Seia, a Universidade do Minho (responsável pela implementação da metodologia CLIL – Content and Language Integrated Learning) e a ADXTUR – Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto, o integrARTE utiliza a arte como ferramenta para promover o bem-estar emocional, o desenvolvimento de competências linguísticas e sociais e o fortalecimento de comunidades mais coesas, inclusivas e resilientes.

Ao longo dos próximos meses, o projeto continuará a dinamizar sessões artísticas regulares, reforçando o seu papel enquanto espaço de encontro entre culturas e de valorização da diversidade.

O pão que define o país volta à mesa: estão abertas as inscrições para eleger o Melhor Pão de Portugal, concurso que decorre a 30 de maio, no Museu do Pão em Seia

É já a 30 de maio que regressa o concurso “O Melhor Pão de Portugal”, numa segunda edição que promete voltar a colocar o pão no centro da identidade nacional. A iniciativa nasce de uma parceria entre o Museu do Pão e a ACIP – Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares, e já tem inscrições abertas para 2026.

Depois de uma primeira edição que mobilizou profissionais de todo o país e gerou forte impacto mediático, o concurso regressa ao Museu do Pão de Seia, a 30 de maio, com ambição renovada: encontrar o melhor pão de Portugal em 5 diferentes categorias: trigo, centeio, broa, sementes e inovação.

Na 1ª edição, que decorreu no Museu do Pão, em Seia, em 2025, foram distinguidos 5 pães, um por categoria, revelando a diversidade e riqueza da panificação nacional. Sabor, textura, aroma e apresentação ditaram as medalhas de Ouro, Prata e Bronze para os cerca de 150 pães candidatos. Para 2026, a organização estima que o concurso seja ainda mais concorrido.

As inscrições para a 2ª edição já estão a decorrer e os profissionais do setor podem consultar o regulamento e submeter a sua candidatura através do link oficial do concurso:
https://acip.pt/inscricoes-abertas-o-melhor-pao-de-portugal-2026/

A avaliação será feita por um painel de jurados especializados, tendo em conta critérios como sabor, textura, aroma, aspeto e respeito pelas técnicas tradicionais. Mas há um fator distintivo que pesa tanto quanto os outros: a autenticidade.

Mais do que pão, património vivo
Num tempo em que tudo acelera, este concurso propõe o contrário: parar para valorizar o que demora. O pão continua a ser um dos mais antigos símbolos de comunidade e o mais universal dos alimentos, desde as primeiras fornadas comunitárias às padarias de bairro que ainda hoje marcam o ritmo das cidades e vilas. Esta segunda edição quer ir mais longe: dar palco a novos talentos, preservar saberes antigos e reforçar o posicionamento do pão português como produto de excelência.

Seia celebra o espírito académico com o XV FESTUS – Festival de Tunas Mistas regressa em maio

A cidade de Seia prepara-se para ser o palco de um fim de semana memorável, repleto de música, tradição e animação académica. A Associação Senatuna – Tuna Mista da Escola Superior de Turismo e Hotelaria (ESTH) de Seia – organiza o XV FESTUS – Festival de Tunas Mistas na Cidade de Seia, evento que já se afirmou como um marco cultural no concelho e região.

As celebrações têm início oficial na sexta-feira, dia 15 de maio. Pelas 00h00, a Escadaria da Igreja da Misericórdia acolherá a Noite de Serenatas, um momento solene e memorável, característico das tradições estudantis. A noite prolonga-se com uma festa no Pavilhão Gimnodesportivo de Seia, integrada na programação da Semana Académica, a partir das 01h45.

Seis tunas a concurso

O grande espetáculo de palco está reservado para sábado, dia 16 de maio. A partir das 21h30, a Casa Municipal da Cultura de Seia recebe as atuações oficiais das tunas a concurso, prometendo uma noite de grande diversidade musical e competitividade saudável. Para encerrar o festival, a festa regressa ao Pavilhão Gimnodesportivo às 01h30.

Neste sentido, esta 15.ª edição contará com a presença de seis grupos vindos de diversos pontos do país, representando diferentes instituições de ensino superior. A saber:

  • Tunesce – Tuna da Escola Superior de Ciências Empresariais do IPVC;
  • Isecotuna – Tuna Mista do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra;
  • K&Batuna – Tuna Académica Mista da Escola Superior de Educação de Coimbra;
  • MarnoTuna – Tuna Mista da Universidade de Aveiro;
  • ToU NA’boa – Tuna Mista Académica de Viseu;
  • Nautituna – Tuna Mista da Escola Superior Náutica Infante D. Henrique.

    A Associação Senatuna convida todos os senenses a viverem este espírito académico que acontece durante estes dias na cidade de Seia.

Comemoração do Dia da Família em Seia convida à criação de memórias para o futuro

O Município de Seia assinala o Dia Internacional da Família, no próximo dia 15 de maio, com uma iniciativa no Centro de Interpretação da República Afonso Costa (CIRAC), que desafia as famílias a refletirem sobre os seus laços e a projetarem o futuro em conjunto.

Sob o mote “Cápsula do Tempo”, esta atividade participativa, que decorre das 18h às 20h, propõe a cada família a construção de um conjunto de memórias, através de mensagens e objetos simbólicos, que serão preservadas e apenas revisitadas a 15 de maio de 2029. A iniciativa pretende reforçar a importância da partilha intergeracional e da valorização dos momentos vividos em família.

Para apoiar este processo, o Município disponibiliza o “Kit da Família”, enviado para o domicílio dos participantes, que integra quatro documentos orientadores para reflexão conjunta: “Quem Somos Hoje”, “Mensagens Individuais”, “Carta da Família para o Futuro” e “Registo do Presente”.

No âmbito da comemoração, será ainda promovida a tertúlia “Construção de Memórias Familiares”, dirigida a pais e cuidadores, centrada na relevância dos pequenos gestos do quotidiano e no impacto das experiências partilhadas no desenvolvimento das crianças. Este momento incluirá também a deposição simbólica dos kits na cápsula do tempo, que ficará guardada no arquivo do CIRAC.

Em paralelo, serão dinamizadas atividades lúdicas destinadas às crianças, permitindo aos adultos participar plenamente na tertúlia.
As inscrições decorrem até ao dia 11 de maio, na página do Município https://cm-seia.pt. Para mais informações, os interessados poderão contactar através do telefone 917 314 986 ou do e-mail clds5g@cm-seia.pt.

O mundo e nós

Enquanto a China envia ajuda alimentar a Cuba, os Estados Unidos da América e Israel agridem o Irão e a Rússia mantém a sua agressão e invasão da Ucrânia. O Direito Internacional não existe e, quando existe, só funciona quando os mais fortes o reivindicam. No tempo da chamada “guerra fria”, até se podia compreender as guerras na Coreia e no Vietnam, uma vez que cada “bloco” apoiava uma das partes. Mas, mesmo com as superpotências de então – Rússia e Estados Unidos da América – a intervirem diretamente nos conflitos, faziam-no apoiando cada uma das partes não configurando, propriamente, uma agressão. Ora, o que se passa atualmente, tanto com a Ucrânia como com o Irão – e já antes na Venezuela, e no passado no Iraque e na Líbia – são e foram agressões puras, condenadas pelo Direito Internacional. Não existe motivo que fundamente, de forma válida, a intervenção na Venezuela, por parte dos Estados Unidos da América, que não demonstrou que as acusações a Maduro – de liderar uma rede de tráfico de droga – são verdadeiras. Tal como a agressão russa à Ucrânia não tem nenhum fundamento válido. A deriva de Putin, baseada numa obsessão anti NATO e anti Estados Unidos da América, não se sustenta no direito internacional, mas numa pura obsessão. Aliás, o mesmo se passa com Trump. A deriva “trumpista” não tem sustentação no Direito Internacional, mas apenas na sua obsessão individualista de querer exibir poder e força. O que impressiona nisto tudo é a total impunidade que as lideranças loucas de Israel, Rússia e Estados Unidos da América gozam, mesmo matando milhares de pessoas e “estoirando” milhares de milhões de dólares dos respetivos orçamentos. Perante este comportamento das duas superpotências e da potência regional judaica, a China contrasta com a atitude de solidariedade pacífica manifestada perante Cuba. A América bloqueia, a China ajuda. Eis a diferença.

Por cá vamos tendo um pouco mais do mesmo. Isaltino acusado de gastar muito em comida à conta da camara de Oeiras. Só que não é qualquer comida, nem é comida em qualquer sítio. Isaltino já cumpriu prisão efetiva uma vez, mas não aprendeu a lição. A ver vamos.

O Presidente Seguro não vai ser um otimista como Marcelo. Não vai colocar-se debaixo do guarda-chuva de Montenegro como Marcelo do de António Costa. O Presidente Seguro já deu o mote ao seu mandato. Vai andar por aí, em presidências abertas, e falará do que entender dever falar. Seguro lembra-se de Mário Soares. Também se lembra da eficácia das suas presidências abertas. A agenda política portuguesa será, seguramente, marcada por elas. Aguardemos.

Por aqui temos visto muita atividade municipal de interesse. Em fevereiro realizou-se a Feira do Queijo e a participação na Bolsa de Turismo de Lisboa. Em março, o Presidente Luciano Ribeiro, acompanhado da Presidente da Assembleia Municipal, Engenheira Cristina de Sousa e de dirigentes de diversas áreas técnicas do município, reuniu com os moradores da Raposeira para envolver os mesmos na discussão sobre o projeto que o executivo pretende ver implementado para a área do quele bairro. Ainda em março o Município de Seia “brilhou” com a organização e presença no dia do Concelho de Seia na Assembleia da República. Parabéns ao Município!

Recomeços sem idade

Quando falamos em desafios desenvolvimentais, tendemos a associá-los à infância e à adolescência, fases amplamente estudadas e reconhecidas pelas suas etapas específicas. No entanto, o desenvolvimento humano não se encerra nessas etapas. Ao longo da vida adulta, continuam a emergir transições internas, muitas vezes silenciosas, mas psicologicamente exigentes.
Persiste, na nossa atual cultura, a ideia de um percurso normativo de vida: formação académica, inserção profissional, matrimónio, constituição de família, etc. Ainda que estas etapas não sejam universais nem obrigatórias, funcionam frequentemente como referências estruturantes. Após a sua concretização pode surgir um estado emocional pouco claro, caracterizado por uma aparente estabilidade externa, mas acompanhado por uma sensação interna de desalinhamento. Este fenómeno pode ser influenciado pela dificuldade em identificar objetivos de vida, pela consciência da finitude e pela necessidade de redefinição da identidade. As narrativas limitadoras (“já não vais a tempo”, “é tarde demais”) refletem, em muitos casos, a internalização de expectativas sociais rígidas sobre o tempo e sobre a vida.
Importa, por isso, introduzir o conceito de recomeço não como ruptura, mas como ajustamento. Recomeçar pode traduzir-se em mudanças subtis: reorganização de prioridades, redefinição de vínculos, investimento em dimensões pessoais até então negligenciadas. São processos frequentemente invisíveis do ponto de vista externo, mas com elevado impacto no bem-estar psicológico.
A consciência da passagem do tempo, embora potencialmente geradora de desconforto, pode também constituir uma oportunidade de desenvolvimento. Neste sentido, recomeçar não implica regressar a um ponto anterior, mas sim integrar a experiência acumulada numa nova forma de estar e de viver.
O desenvolvimento ao longo da vida não é linear. É um processo contínuo de adaptação, onde cada fase traz consigo a possibilidade de reconfiguração. Assim, mais do que uma questão de idade, os recomeços são uma expressão da capacidade humana de atribuir novos significados à própria trajetória.

DEPOIS DA PANDEMIA, DA TEMPESTADE E DA GUERRA VEM A BONANÇA?

Um antigo provérbio popular pretende dizer-nos que os períodos de crise e de sofrimentos são passageiros e, habitualmente, seguidos de momentos de tranquilidade e prosperidade, mas os provérbios populares já não são o que eram.
Da mesma forma que depois da pandemia nem tudo voltou ao normal, também depois da tempestade e da guerra, a bonança não chegará a todos. Todos conhecemos exemplos, mas poucos foram aqueles que aproveitaram o período da pandemia para fazer novas criações, para reinventar o seu negócio e para renovar ou, simplesmente, para pensar numa forma diferente de enfrentar os imprevistos e as incertezas e salvaguardar um futuro mais tranquilo.
Somos uma sociedade pouco securitária, onde pessoas e instituições apenas recorrem a seguros e coberturas de risco em situações extremas ou porque são obrigadas, uma sociedade onde muita gente vive acima das suas possibilidades e necessidades, privilegiando a visibilidade, numa vida de aparência, de pequenos esquemas e de fugas ou contornos aos seus deveres, na ilusão de benefícios pessoais permanentes, tentando transmitir uma imagem de tranquilidade e prosperidade, que muitas vezes não existem. Não criam redes nem almofadas para amparar qualquer imprevisto e passam a vida a lamentar-se dos pequenos infortúnios e a apontar o dedo às falhas dos outros.
Por outro lado, também uma boa parte das empresas e instituições vive em permanente sobressalto, a viver o dia-a-dia sem preparar o futuro, sem estudar o mercado, sem se comparar com a melhor concorrência, sem potenciar e valorizar os seus colaboradores, sem manter uma relação forte e séria com os seus clientes, sem criar reservas, mas sempre a pensar no lucro fácil e rápido e a procurar o próximo subsídio.
Subvenções ou subsídios, tanto para pessoas como para empresas e instituições, é coisa que não falta neste país, nem sempre acompanhados da devida fiscalização e vigilância, procurando garantir que os beneficiários ou as atividades sejam sustentáveis.
Para aqueles para quem já não havia bonança antes desta sucessão, que não vai parar, de adversidades, também não a vão adquirir depois de passar a tempestade. Espera-se, ao menos, que aprendam com os erros do passado e adotem medidas mais preventivas.
Para as empresas e instituições, a tempestade e a guerra vão proceder a uma seleção natural, a uma purga das mais fracas ou que já estavam convalescentes e, por outro lado, à sobrevivência das mais fortes e melhor preparadas, aproveitando algumas para renovar e reinventar, fortalecendo-se ainda mais.

DEPOIS DA PANDEMIA, DA TEMPESTADE E DA GUERRA, VEM A BONANÇA?

Guerra do Irão, Novo Presidente da República, País e Classe Política

Vamos procurar de maneira muito simples e objetiva verter na escrita o nosso pensamento sobre estes temas tão atuais.
No tocante à guerra no golfo pérsico/Irão/Israel/EUA trata-se de um conflito em larga escala, do qual, verdadeiramente, ninguém sairá vencedor. É verdade e ninguém o contesta de que o bloco EUA/Israel, é muito mais poderoso em todos os aspetos, com uma enorme capacidade de destruição sustentada por avançados meios de tecnologia capazes de arrasar cidades e dizimar milhões de pessoas. O grande problema é que Trump, ou não sabe ou, pior que isso, não quer acreditar que os iranianos que visam essencialmente a exterminação do povo israelita, construíram, ao longo de anos, material de guerra e bunkers para o esconder, designadamente drones e mísseis que utilizam, refletida e habilmente, para causar fortes estragos na economia do mundo através de sucessivos ataques às reservas de petróleo dos países do golfo pérsico. E quem se vai prejudicar? Toda a população do Mundo e de um modo particular os “portuguesitos” cujas estruturas económicas apresentam já sinais de indiscutível fragilidade. Quem ganha, então, com tudo isto? A Rússia! Pelo alívio ou mesmo levantamento das sansões económicas e consequente incremento dos ataques à Ucrânia.

António José Seguro, após uma longa travessia no deserto no que concerne à política, depois de ter sido ofendido e “apunhalado” por alguns dos socialistas que, agora, espreitam uma oportunidade para se lhe juntarem, concluiu com verdadeiro sucesso o seu jejum e entrou triunfante no Palácio de Belém para suceder a Marcelo sem perder a modesta compostura que sempre exibiu. Temos cá para nós que se o “Tozé” de Penamacor for capaz de manter o traço de humildade, simplicidade e modéstia que o distingue, vai dar cartas, na medida em que ele é integro, sensato, inteligente e permanece atento ao interesse do país e dos portugueses. Não se deixará ir, facilmente, na onda de “Chegas cínicos e artistas”, socialistas desesperados ou social-democratas teimosos. Seguro, vai ser igual a si próprio: prudente e seguro.
No que diz respeito a Portugal e à Classe Política, urge que esta reflita, seriamente, e tenha presente, de forma constante e responsável, a situação internacional e os efeitos que o país e os portugueses já estão e vão continuar a sentir, ao longo dos próximos tempos. É importante e necessário que os “Venturas”, “Carneiros” e Companhias tomem consciência da gravidade da situação e ajam com sentido patriótico e de autêntica responsabilidade, deixando-se de truques e aventuras que podem conduzir Portugal ao naufrágio. Alguma vez, pensaram em receber tanto dinheiro, e o direito a tanta mordomia? Repare-se bem que falámos em receber que não em ganhar ou merecer!

O interior vive de quem nunca desiste

O futuro do interior do país não é um destino traçado, mas um caminho em construção, feito de escolhas, de visão e, sobretudo, de vontade coletiva.
Durante décadas, o interior foi muitas vezes associado à perda: de população, de serviços, de oportunidades. Mas essa narrativa ignora um dos seus maiores ativos, as pessoas que, de forma silenciosa e voluntária, mantêm vivo o pulsar das nossas terras. São homens e mulheres, mas também crianças e adolescentes que, através das associações, promovem cultura, desporto, solidariedade e comunidade, travando uma luta desigual contra a realidade de um mundo cada vez mais centrado nos grandes centros.
É graças a esse voluntariado que o interior continua ativo, dinâmico e com identidade. Que se organizam eventos, se preservam tradições e se criam espaços de encontro. Este esforço, muitas vezes invisível, merece não só reconhecimento, mas também apoio efetivo. Importa, por isso, criar condições para que estas associações tenham meios, estabilidade e incentivo para continuar a desempenhar um papel tão determinante. Sem elas, muitas localidades perderiam o pouco que ainda as une e dinamiza.
O que se espera do futuro? Um interior mais conectado, mais valorizado e mais atrativo. Um território que saiba transformar os seus recursos e a sua autenticidade em oportunidades reais. Mas esse futuro não acontecerá por acaso. Exige ação, compromisso e responsabilidade. Exige também uma nova forma de olhar para o território, onde a proximidade, a qualidade de vida e o sentido de comunidade sejam reconhecidos como vantagens e não como limitações.
E aqui impõe-se um apelo claro a quem tem responsabilidades políticas, seja ao nível local ou nacional, esteja a governar ou na oposição: unam-se em torno do que realmente importa. O interior não pode continuar refém de miudezas, de quezílias e de temas sem cabimento, que em nada contribuem para melhorar a vida das pessoas.
É tempo de colocar o bem comum acima de interesses menores e trabalhar de forma séria, consistente e colaborativa. Mais do que discursos e ruído inútil, exige-se presença, proximidade e capacidade de decisão no terreno.
O interior não precisa de discursos; precisa de soluções. Precisa de quem valorize quem cá está, de quem reconheça o papel insubstituível das suas gentes e de quem tenha a coragem de agir. Precisa também de políticas que não mudem ao sabor de ciclos eleitorais, mas que sejam pensadas a longo prazo, com estabilidade e continuidade. O interior exige compromisso duradouro e uma visão que ultrapasse agendas imediatistas.
Porque o futuro do interior constrói-se todos os dias, por quem cá vive, por quem cá luta e por quem nunca desistiu.