Início Site Página 54

O autocuidado na vida dos pais: é possível?

Ser pai ou mãe é uma experiência transformadora. Radical pelas mudanças na rotina e pela sua exigência.

Frequentemente ouvimos: “Em primeiro lugar está o meu filho”. Será o meio termo possível? Estaremos a reunir esforços para que haja um equilíbrio?

Quando o “eu fico para depois” se instala, acumula-se cansaço, o equilíbrio emocional fragiliza-se, a paciência parece cada vez menor… e o bem-estar físico e emocional diminui. Nestes casos, há um prejuízo enorme: pais cansados e exaustos não conseguem oferecer o mais importante – presença de qualidade.

Cuidar de si, pai ou mãe, não significa retirar tempo, atenção ou disponibilidade ao seu filho. Significa que está a fazer algo importante para se manter emocionalmente disponível, ativo e participativo. Quando negligenciamos as nossas necessidades básicas, o corpo e a mente dão sinais. Quando retiramos os momentos de autocuidado, os sinais agravam-se.

Relembre-se… Está focado em proporcionar o melhor ao seu filho, mas estará ele a aprender de acordo com o modelo que lhe quer ensinar? Os filhos aprendem com o que observam e tendem a imitar comportamentos.

Não conseguirá ter a rotina perfeita. Mas conseguirá trazer intenções para o seu dia-a-dia: O que preciso hoje para estar bem? Como quero viver o meu dia de hoje? O que quero mostrar hoje ao meu filho?

A parentalidade está carregada de exigências… exigência em ser presente, equilibrado, produtivo, muito paciente e estimulante. Tudo ao mesmo tempo e, por isso, uma expectativa irrealista.

Neste mundo de pressas e pressões, pergunte-se: Que modelo quero transmitir ao meu filho? Um modelo de equilíbrio e que contempla o autocuidado, ou um modelo de exaustão e superficialidade?

Presidenciais 2026

Já há quatro décadas que as eleições presidenciais não eram disputadas em duas voltas como aconteceu neste ano de 2026.
Na primeira volta o nível de abstenção foi razoavelmente baixo, 47,7%, quer função da importância que os portugueses conferem a este ato eleitoral, quer função do grande número de opções existentes, 11 candidatos, tendo também ajudado as boas condições climatéricas do dia 18 de Janeiro de 2026.

Não tendo nenhum dos candidatos a sufrágio obtido mais de 50% dos votos, passaram à segunda volta os dois candidatos mais votados, António José Seguro com 31,1% dos votos e André Ventura com 23,5% dos votos. No concelho de Seia também foram estes os dois candidatos mais votados, tendo António José Seguro obtido 34,9% dos votos e André Ventura 23%, com a abstenção a situar-se em 41,4%, portanto inferior à média nacional.

No dia 08 deste mês de Fevereiro disputou-se a segunda volta destas eleições Presidenciais, situação que já não ocorria desde o confronto entre Mário Soares e Freitas do Amaral, em 1986, tendo, nessa altura, Soares obtido mais cerca de 140 000 votos que o seu adversário e, em consequência, ascendido ao cargo de Presidente da República.

O sufrágio de 08 de Fevereiro ocorreu em circunstâncias bastantes especiais, dado que uma parte do País foi devastado, desde finais de Janeiro, por enormes tempestades que trouxeram ventos muito fortes e grande intensidade de chuva, provocando avultados prejuízos e, em várias zonas do País, falta de eletricidade, água e comunicações, situação que levou inclusive três concelhos (Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã), bem como algumas freguesias de outros cinco concelhos, a adiar as eleições para 15 de Fevereiro, abrangendo um total de cerca de 37 000 eleitores.

Apesar das más condições climatéricas a abstenção foi apenas 2,3% superior à da primeira volta, tendo havido também algum crescimento dos votos brancos, que se situaram em 3,2% assim como dos votos nulos que foram 1,8%, o que é compreensível face à existência de apenas dois candidatos a sufrágio.

António José Seguro foi inequivocamente o grande vencedor destas eleições, considerando não só a esmagadora margem que obteve, mas também o seu contexto de partida, em que as sondagens lhe atribuíam um resultado inferior a 10%, tendo ainda assim avançado de forma decidida e corajosa.

Mais de dois terços dos portugueses manifestaram a sua preferência pela moderação, pelo humanismo, pelo diálogo e pela estabilidade, elegendo como primeiro magistrado da nação uma pessoa civilizada, com sólidos valores democráticos, profundos valores éticos e morais e com uma honestidade a toda a prova.

De facto, uma vez mais, o povo português deu mostra de toda a sua maturidade e sabedoria e, colocado perante uma escolha decisiva, soube optar pelos valores que constituem marcas da nossa identidade: a verdade, a ética, a democracia, o diálogo e o humanismo.

VOTAÇÃO PORTUGAL E ESTRANGEIRO – Resultados Finais

Os resultados finais das eleições Presidenciais/2026 evidenciam uma retumbante vitória de António José Seguro que obteve mais de 3,5 milhões de votos, ou seja 66,8%, vencendo, com exceção de dois, em todos os concelhos do País!
Também no concelho de Seia a vitória de António José Seguro foi esmagadora tendo obtido 68,6% dos votos.

Animais de companhia e convivência urbana

Viver em comunidade nunca foi simples. Viver em comunidade com cães e gatos, menos ainda. Nas nossas cidades, vilas e aldeias, onde os prédios se multiplicam e os espaços são partilhados, os animais de companhia tornaram-se parte do quotidiano — e também, muitas vezes, da discórdia. Um cão que ladra quando fica sozinho, um passeio que termina sem a recolha dos dejetos, a colónia de gatos que dorme junto às escadas ou no jardim comum: situações aparentemente pequenas, mas que geram grandes conflitos entre vizinhos.

A reação habitual é mais do mesmo: discussões numa bola de neve infinita, que não ajuda ninguém, nem humanos nem animais. Um ciclo vicioso de pedir mais regras, mais multas, mais proibições! No entanto, raramente se fala do que mais falta: diálogo, empatia e bom senso.
Nem todos gostam de animais, e isso é legítimo. Mas também é legítimo que cães e gatos façam parte das famílias e da vida urbana. O problema surge quando uns ignoram os direitos dos outros. Um tutor responsável não é apenas quem alimenta e leva ao veterinário. É também quem educa, limpa e respeita os espaços comuns. Do outro lado, um vizinho responsável não é quem ameaça com queixas e polícia, mas sim quem tenta conversar antes de transformar um incómodo num conflito permanente e numa guerra sem fim.

Os gatos comunitários são outro exemplo claro desta falta de entendimento. Em vez de serem vistos como um problema a “resolver”, deveriam ser encarados como uma responsabilidade coletiva, gerida com esterilização, acompanhamento e cooperação entre moradores e autarquias. Ignorar ou hostilizar só agrava situações que poderiam ser controladas.

A convivência urbana não se constrói apenas com regulamentos e leis desajustadas à realidade. Constrói-se com pequenas atitudes diárias: um saco para dejetos no bolso sempre que passeiam o vosso animal, um local permanente para alimentação de colónias devidamente identificadas e controladas, uma conversa franca no momento certo, sentido de responsabilidade e respeito mútuo, e nunca esquecer da vontade de compreender o outro — humano ou animal. Sem dúvida que ainda temos muito a aprender, mas convido-vos a refletir: aprender a viver juntos não é, no final de contas, o verdadeiro desafio de qualquer comunidade?

Ano Novo, Velhos Problemas, Novas Oportunidades

Deste lado do mundo, em Macau, a semana foi de festa. Celebrámos o Ano Novo Chinês — e, segundo o calendário lunar, entrámos no Ano do Cavalo, símbolo de movimento e avanço. Conceitos que, como veremos, nem sempre chegam à Serra da Estrela.

O Ano Novo Chinês segue outra coreografia: três dias de feriados oficiais e um conjunto de rituais que quase parecem uma engenharia da sorte. Em Macau, o 1.º, 2.º e 3.º dias do Ano Novo Lunar são mesmo feriados obrigatórios.

O primeiro dia é, tipicamente, o “dia da origem”: família, cumprimentos, comida simbólica, gestos de renovação e aquela ideia transversal de “começar bem” — porque, por aqui, acredita-se que o começo do ano é um contrato com o resto do calendário. O segundo dia costuma ser o “dia das visitas” (família alargada, sogros, amigos, vizinhos), e o terceiro dia já tem um travo mais pragmático: há quem o trate como o dia de respirar, organizar, preparar o regresso ao trabalho — e, claro, continuar a perseguir a sorte como se ela cedesse à insistência.

E depois há o lado logístico que a Europa raramente imagina: o Ano Novo Chinês é o maior movimento migratório anual do planeta, a famosa Chunyun. Durante semanas, centenas de milhões deslocam-se em simultâneo, pressionando comboios, aeroportos e estradas. Imaginem um país com 1,4 mil milhões de habitantes quase inteiro em viagem, todos a querer chegar ao seu destino no mesmo dia.

E é aqui que faço a ponte — com respeito, mas também com ironia. Porque a vida precisa das duas coisas. Li, mais uma vez, que os acessos à Torre estavam encerrados por causa da neve — uma tradição invernal que me acompanha desde a infância. Neva na Serra, fecha-se a estrada. E todos os anos nos explicam, com ar sério, que a Serra da Estrela tem “características próprias”, como se a neve fosse um fenómeno exclusivo nosso.

Não sou especialista em meteorologia, nem em engenharia rodoviária, nem em gestão de montanha. Mas há algo que se repete com precisão suíça: a única estância de ski do mundo que parece surpreendida quando neva. Se na Suíça fechassem estradas cada vez que nevasse, metade da economia alpina estaria à espera da primavera. Em quase todo o planeta, a neve é o ponto de partida do ski. Na Serra da Estrela, é o motivo para fechar.

Há anos que sabemos que a Torre atrai visitantes. Há anos que sabemos que o turismo de inverno é uma oportunidade. E, no entanto, quando o inverno decide cumprir o seu papel, a resposta continua a ser… “voltem no verão”.

Não peço milagres nórdicos. Peço apenas que se trate a neve como aquilo que ela é na Serra: um recurso — não um incidente. Há montanhas mais altas, mais frias e mais agrestes que mantêm acessos operacionais com planeamento e gestão adequada.
A Serra não tem culpa. A Serra faz o que sempre fez. Quem insiste em fingir surpresa… somos nós.
E, já que falamos em marca, falemos da maior: o Queijo Serra da Estrela e a Feira do Queijo de Seia, que voltou a encher o Mercado Municipal de “sabores e saberes”. O queijo é o nosso embaixador silencioso: não inaugura rotundas nem faz promessas eleitorais. Mas, quando é verdadeiro, ganha qualquer discussão à mesa.

Contudo, uma reportagem recente recordou aquilo que muitos sabem e poucos admitem: nem tudo o que ostenta o nome “Serra da Estrela” honra verdadeiramente essa origem. Há menos pastores, menos rebanhos, menos leite — e a certificação, por si só, nem sempre basta para travar abusos. E num mercado exigente, confiança é tudo.

Se a marca Queijo Serra da Estrela é reconhecida, se tem procura, se é economicamente viável — e pode ser altamente lucrativa — então é tempo de pensar maior. Não para industrializar. Mas para profissionalizar e valorizar o artesanal.
É preciso aumentar rebanhos, criar condições dignas para quem vive da pastorícia e tornar a profissão atrativa para novas gerações. Valorizar o pastor não é romantizá-lo — é garantir rendimento, estabilidade e futuro.

Seia tem de assumir uma estratégia clara: “Origem + Experiência”. A Feira é excelente, mas deve ser o ponto alto de um plano anual que inclua roteiros gastronómicos, visitas a queijarias, experiências ligadas ao pão, ao cardo, à ordenha e à cura, parcerias com restauração e hotelaria e uma presença digital capaz de vender não apenas o produto, mas o território. O nosso território.

Porque, no fim, é simples: o queijo é tradição — mas é também economia. E numa terra que quer ter futuro, não faz sentido tratar uma atividade rentável como folclore sazonal.

Neuropsicologia do Amor

Ao longo do mês de fevereiro tem dominado a chuva, o frio e mesmo a tempestade intensa, com dias nublosos e temperaturas baixas. Contudo, este é o mês simbolicamente do amor, essa emoção complexa que eleva a temperatura humana e que tem sido alvo de estudo de cientistas e estudiosos ao longo da existência humana. Esta emoção/processo assume diferentes vertentes por exemplo, para os artistas traduz-se em inspiração, para muitos jovens é um delírio apaixonado, para uma mãe é cuidado extremo.

Durante séculos associámos o amor ao coração, no entanto a neurociência mostra que os processos inerentes ao amor acontecem no cérebro. Amar é biologicamente um conjunto sofisticado de processos neuroquímicos que envolvem diferentes áreas cerebrais, neurotransmissores e hormonas cada um com uma função específica.

A primeira fase do amor, a paixão, é intensa e quase avassaladora. Neuroquimicamente esta fase é marcada por um aumento significativo da dopamina, neurotransmissor associado ao prazer, à motivação e à recompensa. A noradrenalina também intervém, acelerando o ritmo cardíaco, aumentando a energia e diminuindo a necessidade de sono. Curiosamente, os níveis de serotonina tendem a diminuir, o que ajuda a explicar o pensamento obsessivo tão característico da paixão.

Com o tempo, se a relação se consolida, o cérebro muda de ritmo, a intensidade dá lugar à estabilidade. A oxitocina e a vasopressina assumem um papel central, promovendo o vínculo, a confiança e o apego emocional. São estas substâncias que sustentam o amor que cuida, que permanece, o amor de uma mãe, o amor companheiro, o amor que se constrói no quotidiano. As endorfinas contribuem para a sensação de bem-estar e segurança, criando uma experiência emocional mais serena e profunda.

Assim, o amor manifesta-se de múltiplas formas, assumindo-se como inspiração, cuidado, desejo, entrega. É emoção, mas também biologia. É poesia, mas também química cerebral, talvez por isso seja tão poderoso. Nasce no cérebro, ecoa no corpo e transforma a forma como sentimos o mundo. Mesmo nos meses mais frios, o amor tem a capacidade singular de aquecer ligações.
Afinal, o amor é mesmo a ferramenta mais poderosa de transformação humana. Não tem efeitos secundários, podemos usar e abusar.

2026: 180 anos de Música e Comunidade

Com a chegada de março, o calendário dos 180 anos ganha uma nova cor – ou melhor, um novo contraste. Depois da alegria contagiante de São Brás e da habitual vivacidade na Feira do Queijo, a SMEB prepara-se para entrar num período de introspeção e mística, mas sem nunca perder o espírito de inovação que nos trouxe até aqui.

No próximo dia 29 de março, Domingo de Ramos, convidamos a comunidade a entrar connosco na Igreja Matriz para uma experiência que romperá com o tradicional. Sob o título ‘A Luz Sombria’, a vossa banda apresentará um concerto desenhado especificamente para este espaço sagrado. Não será apenas uma sucessão de peças musicais; será uma viagem sensorial onde a música e a luz dialogam, transportando-nos do triunfo dos ramos até à solenidade da Paixão.

Este concerto serve de prelúdio para uma semana de grande intensidade e responsabilidade. Na Sexta-Feira Santa, a SMEB volta a atravessar a fronteira para cumprir uma tradição que muito nos honra: a presença em Salamanca. A convite da prestigiada Cofradía de la Vera Cruz, participaremos na emblemática Procissão do Enterro. É um intercâmbio cultural e religioso que mantemos orgulhosamente desde 2014, levando o nome de Santa Marinha e a qualidade da nossa música além-fronteiras numa das celebrações mais solenes de Espanha.
Mas, como se costuma dizer, o bom filho a casa torna, depois da solenidade em terras castelhanas, o nosso Domingo de Páscoa será vivido onde o nosso coração bate mais forte: em Santa Marinha. Estaremos presentes na nossa terra para acompanhar a Procissão da Páscoa, celebrando a Ressurreição e a vida com a comunidade que nos viu nascer há 180 anos.

Estamos a trabalhar para vos proporcionar momentos únicos e inesquecíveis neste ano histórico. Juntem-se a nós, em março e abril, nesta caminhada que une a inovação do nosso concerto, o prestígio internacional em Salamanca e a força das nossas raízes em casa.
Até breve!

O Eco das Bancadas

A violência no desporto raramente tem início no contacto físico entre atletas. Muito antes de qualquer falta dura ou entrada mais ríspida, ela germina, frequentemente, nas bancadas. Nas palavras gritadas sem filtro, nos insultos assumidos como parte do espetáculo, na desumanização do adversário, que deixa de ser visto como competidor para passar a ser tratado como inimigo. É uma violência sem marcas visíveis na pele, mas que corrói, de forma silenciosa, a essência do desporto.
Em Portugal, onde o futebol assume naturalmente o estatuto de desporto-rei, esta realidade torna-se mais visível. Ainda assim, seria redutor confiná-la aos estádios de futebol. Ela estende-se a pavilhões, campos distritais, torneios de formação e competições amadoras, onde pais, adeptos e simpatizantes, por vezes, se deixam dominar por uma paixão mal compreendida. A emoção que deveria dignificar o jogo transforma-se, assim, em pretexto para a agressão verbal, para o insulto fácil e para a crítica destrutiva que ultrapassa largamente os limites da rivalidade saudável.
Importa, por isso, questionar: será este fenómeno reflexo de uma fragilidade na cultura cívica e desportiva? Em muitos casos, a resposta tende a ser afirmativa. O desporto, na sua essência, é espaço de encontro, respeito mútuo e superação. É palco de valores como o fair play, a disciplina, a resiliência e o reconhecimento do mérito alheio. Quando estes são substituídos por hostilidade, desrespeito e intolerância, perde-se algo de essencial: a dimensão pedagógica do desporto enquanto escola de cidadania.
A violência verbal nas bancadas revela, frequentemente, dificuldade em lidar com a frustração e com a diferença. O adversário torna-se alvo de ofensa, o árbitro é visto como inimigo e o erro — inevitável em qualquer prática humana — converte-se em motivo para ataques pessoais. Tal postura não só empobrece o espetáculo desportivo, como influencia negativamente os mais jovens, que acabam por normalizar esses comportamentos.
Torna-se ainda mais preocupante quando essa agressividade surge em contextos de formação. Crianças e jovens, em plena construção pessoal e desportiva, são expostos a ambientes onde o grito se sobrepõe ao incentivo, a crítica humilhante substitui o apoio e o resultado se sobrepõe ao processo. O desporto deixa, assim, de ser espaço educativo para se tornar palco de pressão desmedida, muitas vezes alimentada por adultos que deveriam ser exemplos de equilíbrio e respeito.
Mas será o adversário, de facto, um inimigo? A própria lógica do desporto desmente essa perceção. Sem adversário não há jogo, não há superação, não há evolução. O opositor é parte indispensável do espetáculo, alguém que permite a existência do desafio e confere sentido à vitória. Tratá-lo como inimigo é deturpar o espírito desportivo e reduzir a competição a um confronto emocional, em vez de a assumir como expressão de excelência e respeito mútuo.
Promover uma cultura de respeito nas bancadas é, em última análise, promover uma sociedade mais tolerante fora delas. O estádio, o pavilhão ou o campo funcionam como microcosmos sociais, onde se refletem comportamentos e valores que depois transbordam para o quotidiano. Quando o desporto é vivido com civilidade, educa; quando é vivido com hostilidade verbal, contamina.
Num tempo em que tanto se discute a ética no espaço público, importa recordar que o desporto continua a ser uma das mais relevantes escolas informais de cidadania. As palavras que ecoam nas bancadas moldam mentalidades, influenciam atitudes e constroem (ou destroem) o ambiente desportivo. E, no fim, subsiste uma questão essencial: queremos ser adeptos que dignificam o jogo ou espectadores que o empobrecem? A resposta, silenciosa ou ruidosa, começa sempre nas bancadas.

PCP de Seia exige reforço de meios na extensão de Saúde de São Romão

A Comissão Concelhia defende o regresso dos cuidados de proximidade e critica a transferência de utentes para a sede do concelho, após o investimento recente na requalificação das instalações.

A Comissão Concelhia de Seia do PCP manifestou a sua preocupação face ao que descreve como uma “redução da resposta pública” na Extensão de Saúde de São Romão. Em comunicado enviado ao JSM, o PCP reivindica o reforço imediato dos meios do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no concelho, sublinhando que a população merece uma resposta de proximidade idêntica à que existia antes da criação das Unidades de Saúde Familiar (USF).

Instalações renovadas, menos recursos

Um dos pontos centrais da crítica do PCP prende-se com o contraste entre o investimento em infraestruturas e a carência de profissionais. Segundo a nota enviada, a extensão de Saúde de São Romão sofreu recentemente uma perda de médicos e enfermeiros de família, o que resultou na transferência de utentes para Seia.
“Não compreendemos que, perante a requalificação das instalações no passado recente, haja a redução de recursos humanos afetando a qualidade do atendimento”, lamenta a estrutura local do partido.

Impacto na população envelhecida

O partido alerta que estas limitações no acesso a cuidados atempados e dignos penalizam, de forma desproporcional, os cidadãos mais vulneráveis. A população de São Romão, caracterizada por um elevado índice de envelhecimento, baixa mobilidade e rendimentos limitados, encontra-se agora com maiores dificuldades no acompanhamento de patologias crónicas e na prevenção da doença.
”Estes constrangimentos afetam sobretudo uma população envelhecida, com menor mobilidade e rendimentos limitados, colocando em risco a prevenção da doença, o acompanhamento de patologias crónicas e a resposta em situações agudas”, refere este Partido.

Para o PCP, o SNS tem o dever constitucional de garantir o direito à saúde independentemente do local de residência. O comunicado termina com um apelo a “respostas concretas e imediatas”, defendendo que o acesso à saúde deve ser um fator de igualdade e não uma barreira para quem vive fora dos grandes centros urbanos.
Posição sobre a Extensão de Saúde de São Romão. “A saúde é um direito fundamental e não pode depender do local de residência.
A população de São Romão exige igualdade no acesso aos cuidados de saúde e respostas concretas imediatas para problemas que são confrontados com a redução de resposta na respectiva extensão de Saúde.”

Luxius Psicologia – 10 anos a cuidar das emoções em Seia (vídeo)

A empresa assinalou o seu décimo aniversário com o novo projeto “Atelier das Emoções”, reforçando o compromisso com a saúde mental e a proximidade à comunidade.

O que nasceu de um acreditar individual é hoje um pilar de referência no apoio psicoterapêutico no concelho de Seia. A Luxius Psicologia, com sede em Seia, celebrou no passado dia 2 de março, 10 anos de atividade. Mais do que uma data no calendário, o marco simboliza a resistência e a evolução de um projeto que tem transformado a qualidade de vida de centenas de utentes através de um modelo único focado no “cuidar”.

Para a Psicóloga Clínica e Educacional Susana Amaral, a Luxius afirmou-se ao longo da última década pela capacidade de converter “conhecimento em sabedoria”. Num contexto social e demográfico frequentemente desafiante, a instituição não se limitou ao apoio clínico de gabinete; desempenhou um papel ativo na quebra de estigmas e na valorização da saúde mental na sociedade atual.
“Afirmámos a Psicologia e o papel do psicólogo. Já demos prova de presença, compromisso e ética”, sublinha a fundadora, refletindo sobre um percurso que levou o nome de Seia além das fronteiras geográficas do concelho.

Resiliência em tempos difíceis

A trajetória da equipa foi particularmente testada durante a pandemia. Contudo, o período de crise funcionou como um catalisador: o trabalho que vinha sendo semeado ao longo dos anos consolidou-se, reforçando a confiança das famílias e dos utentes na estrutura.
Um dos maiores sucessos desta jornada foi o Projeto Atelier de Estimulação Terapêutica, focado no desenvolvimento de crianças e jovens. Segundo Susana Amaral, este modelo criou laços de tal forma profundos que a relação entre profissionais e utentes passou a ser descrita como “família”.

A celebração dos 10 anos serve também de rampa de lançamento para novos desafios. A empresa anunciou a conversão do seu projeto anterior no novo Atelier das Emoções, um espaço desenhado ao detalhe para oferecer um acompanhamento ainda mais especializado e adaptado às necessidades atuais da comunidade.

Com uma equipa que alia maturidade profissional a uma experiência consolidada, a missão da Luxius permanece inalterada: promover o equilíbrio psicológico de quem procura apoio. “Continuamos aqui, ao seu lado, para apoiar e orientar”, conclui Susana Amaral.

Assinado o auto de consignação para a requalificação do quartel da GNR de Seia – Investimento de 2,2 milhões de euros (vídeos)

O processo de modernização das infraestruturas do Posto da GNR de Seia deu um passo decisivo, com a assinatura do auto de consignação para a requalificação e ampliação daquelas instalações.

O documento, subscrito na manhã de sexta-feira entre a Câmara Municipal de Seia e a empresa adjudicatária – Solução Vida, marca o início oficial das obras, que têm um prazo de execução de 20 meses e um custo global que ultrapassa os 2 milhões de euros.

A cerimónia contou com a presença do Secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, que sublinhou a importância estratégica deste investimento para a segurança e bem-estar da comunidade, elogiando a proatividade da autarquia ao ter chamado a si a execução do projeto.

A obra, prevista no Decreto-Lei de Programação de Infraestruturas e Equipamentos para as Forças e Serviços de Segurança (DLPIEFSS) 2022-2026, representa um investimento de 2,2 milhões de euros.

Os encargos orçamentais serão assumidos na totalidade pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI) e atendendo ao valor da empreitada houve a necessidade de obter Visto do Tribunal de Contas.

“Dispor e investir em infraestruturas modernas, funcionais e dignas é um compromisso inabalável deste Governo para que as nossas Forças de Segurança possam exercer as suas funções com dignidade, eficácia e motivação, promovendo uma ação policial de excelência ao serviço das populações”, frisou Telmo Correia na cerimónia.

De referir que a Câmara Municipal de Seia ficou responsável pelo projeto de execução, tendo este sido aprovado pela SGMAI, em dezembro de 2023. Em março de 2024, foi celebrado o contrato interadministrativo entre o Município, a SGMAI e a GNR.

Luciano Ribeiro, o Presidente da Câmara Municipal de Seia, considera esta obra da maior importância, “pois é fundamental para aumentar os níveis de segurança, criando condições para a fixação de mais efetivos, maior autonomia e capacidade de resposta, suprindo as precárias condições em que tem funcionado o principal posto da GNR do Concelho, sem as condições mínimas de funcionalidade e operacionalidade”.

Tendo como base o programa funcional elaborado pela Direção de Infraestruturas da GNR, a empreitada visa responder às exigências operacionais e funcionais atuais, nomeadamente o novo conceito de atendimento ao público, o apoio à vítima, o acesso a pessoas com mobilidade reduzida e a melhoria das condições materiais de detenção em estabelecimento policial, entre outros.

Os trabalhos a realizar assentam na requalificação, ampliação/construção e remodelação dos vários edifícios que integram a estrutura do Posto Territorial da GNR de Seia, incidindo em três zonas distintas: posto, alojamento e moradias.

As novas instalações terão capacidade para um efetivo de 53 militares, permitindo dignificar as suas condições de trabalho e reforçar o policiamento de proximidade.