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Entre a neve e o silêncio: o Interior

:::: por Santiago Borges Ferreira – 14 anos ::::

Na sequência do fenómeno de queda de neve, e a sua efetiva queda, neste fim de semana de 24 e 25 de janeiro, achei importante dizer algo sobre o Interior, falar um pouco sobre este que é o território onde vivemos, e mais que isso, é a nossa casa!

Há muitos anos, vamos perdendo população, a cada ano ficamos cada vez mais reduzidos. Segundo os censos e o INE, a população do distrito da Guarda reduziu cerca de 17 920 habitantes, isto só na última década.

Gostaria de dizer que o número ficará só por aqui, mas isso seria mentir descaradamente ao estimado leitor/ra. Em 2021, os Censos apuraram que pelo menos 21% da população que vive no Interior têm mais de 65 anos, enquanto que a população até aos 14 anos representa apenas 12,9% dos habitantes.

É óbvio que isto são dados assustadores, que provam que a tendência de descida da população que vive no Interior – e por isso citei a do distrito da Guarda – não se vai ficar só por aqui. Nos próximos Censos, veremos, com certeza, um aumento ainda mais significativo, neste que por si só, já não é um número nada baixo.

Outra coisa que nos deve preocupar é que o Interior é um território que está cada vez mais envelhecido, os idosos são cada vez mais, e os jovens cada vez menos. Muitas das nossas aldeias, são já constituídas, na sua grande maioria, por Idosos, que para piorar têm pouca ou nenhuma atenção, seja das famílias, amigos e até mesmo das autoridades civis e políticas, que os põem à margem.

Isto tem de mudar! E têm também de nos interpelar. Não conseguimos sequer dar a devida atenção aos nossos idosos que, na infeliz maioria, vivem sozinhos, apenas com visitas nos fins de semana, de “festa por festa”. Isto não é um apontar de dedo a ninguém, é uma chamada de atenção, um grito que tem de ecoar, e que tem de nos fazer pensar.

A tendência é clara e óbvia, os idosos morrem e os jovens ou emigram ou procuram melhores condições de vida fora do Interior. Não os podemos culpar, vão à procura daquilo que não conseguem encontrar aqui, na grande maioria dos casos: uma educação superior de qualidade e um emprego bem remunerado nas suas áreas.

Mas no meio de todo este pânico – e não é para menos – renascem as nossas esperanças talvez ainda possamos ver nascer das cinzas uma nova Fénix. Quando digo isto, refiro-me que temos uma grande qualidade de vida, que é o cartão de visitas no qual temos de apostar.

Vivemos calmos, sem trânsito, sem horas e horas a fio em filas de supermercado, sem perigo generalizado, no fundo somos uma oposição às grandes cidades e à vida que nelas se vive.

Temos tanto a oferecer, isto é, tanto para além do queijo, dos enchidos e do vinho, que já são boas referências por si só. Podemos, por exemplo, oferecer algo que hoje é mais imperativo que qualquer bom queijo: a tranquilidade! Quem vive aqui, não sofre aquilo que um cidadão de cidade tende a sofrer, por exemplo, não precisa necessariamente de viver em “cubículos” apertados e muito bem pagos, como acontece nas cidades.

Sinto que temos tudo e ao mesmo tempo não temos nada, pois há tanto a fazer, que só de pensar já causa calafrios.

O futuro pertence aos jovens, e vão ser os jovens (como eu), que vão decretar o futuro do interior. Seja através do envolvimento na vida cívica e política, seja no apoio a movimentos de valorização do interior.

Para terminar, podia dizer tanto mais, mas às vezes não existe uma conclusão possível, pois isso só o tempo o dirá.

“Enquanto houver estrada p’ra andar a gente vai continuar” – “A gente vai continuar” – Jorge Palma.

Que não tenhamos medo de percorrer a longa estrada que temos pela frente, para fazer do interior um sítio onde vale de facto a pena viver!

Loja Continente Bom dia de Gouveia angariou 546 euros para a Fundação Aurora Borges no âmbito da Campanha de Natal da Missão Continente

Solidariedade que alimenta a esperança

Num gesto que reafirma o poder da união comunitária, a Fundação Aurora da Ressurreição Coelho Borges recebeu o valor de 546 euros, fruto da campanha solidária da Missão Continente.

A entrega simbólica do cheque, que decorreu na manhã do dia 26 de janeiro, marca o culminar de uma onda de generosidade que percorreu a loja Continente Bom Dia de Gouveia durante o mês de dezembro. Mais do que um valor monetário, este montante representa o carinho e a preocupação dos cidadãos para com as instituições que apoiam os mais vulneráveis na nossa região.

O impacto deste pequeno gesto

Muitas vezes, ao passarmos pelas caixas de supermercado, um pequeno donativo pode parecer insignificante isoladamente. No entanto, o resultado desta campanha prova o contrário. A união fez a força e pequenos contributos individuais transformaram-se numa enorme ajuda.

De referir que este valor, que reverte diretamente para esta instituição, chegou a quem conhecemos, permitindo à Fundação Aurora Borges continuar a sua missão essencial de prestar cuidados e apoio a quem mais precisa.

Um agradecimento de coração à loja e a todos os seus clientes

A Fundação Aurora Borges faz questão de expressar um profundo agradecimento a todos os clientes e colaboradores da loja Continente Bom Dia de Gouveia que, durante a azáfama das festas natalícias, não esqueceram o próximo. Cada euro doado em dezembro vai ser agora convertido em recursos, sorrisos e assistência.

“A solidariedade não é um ato isolado, mas uma corrente que nos liga a todos. Ver todos os clientes desta loja mobilizarem-se desta forma é inspirador”, refere a Instituição, acrescentando “que este exemplo deve servir de lembrete para todos. A sensibilidade de todos para com as causas sociais é o que define a força de uma comunidade.”

A Fundação Aurora Borges agradece a todos os que ajudaram nesta missão e que contribuíram para que este fosse um momento de grande união, solidariedade e entreajuda.

“Missão Cumprida”.

Última hora | Loja da NOS em Seia assaltada na madrugada deste domingo (em atualização)

A loja de telecomunicações da operadora NOS, localizada na Avenida 1⁰ de Maio, na cidade de Seia, foi assaltada na madrugada deste domingo, 25 de janeiro.
Até ao momento, não são conhecidos mais detalhes sobre os prejuízos ou eventuais detenções.
A Guarda Nacional Republicana (GNR), com as suas valências, já tomou conta da ocorrência e procede, agora, às diligências de investigação necessárias.
De referir que a loja tem alarme.
Continuaremos a acompanhar a situação e a atualizar assim que houver mais informações.

Maternidade da Guarda regista “boom” de natalidade com 42 nascimentos só neste mês de janeiro

O ano de 2026 começou com um sinal de esperança para a demografia da região. Quando o mês de janeiro ainda vai pouco além do meio, a Maternidade da Guarda já contabilizou 42 nascimentos. Este valor representa um aumento expressivo quando comparado com o período homólogo dos últimos dois anos. últimos dois anos.
Em 2025, foram contabilizados 31 nascimentos até à mesma data, mais quatro do que em 2024, ano em que se registaram 27 nascimentos neste período. Segundo a instituição, “estes números refletem um crescimento sustentado e contínuo, demonstrativo da crescente confiança da população numa equipa jovem, dinâmica e altamente qualificada, aliada a instalações de excelência.”
Este aumento em relação a 2024 é atribuído pela ULS da Guarda à “confiança nos seus profissionais, refletindo-se, igualmente, no volume de atendimentos nos restantes serviços que integram o Departamento da Saúde da Criança e da Mulher.” De acordo com os dados fornecidos, “no último ano, o Serviço de Pediatria contabilizou mais de 21 mil atendimentos, entre Consultas Externas e Urgências Pediátricas, enquanto o Serviço de Ginecologia e Obstetrícia ultrapassou os 9 mil atendimentos. Números que se preveem em franco crescimento com a entrada em funcionamento das novas instalações do Departamento da Saúde da Criança e da Mulher, inauguradas no final de novembro do ano passado.”
De salientar que esta mudança faz parte de um plano estratégico de modernização contínua das infraestruturas e serviços da ULS da Guarda, representando um passo decisivo na melhoria da resposta em saúde materno-infantil e da mulher na região.
Com esta evolução, a instituição reafirma o seu compromisso em proporcionar aos cidadãos um sistema de saúde mais humano, mais eficiente e preparado para o futuro.

Janeiro não resolve tudo

Todos os anos o calendário muda e surge a ideia (socialmente reforçada) de que janeiro também vai mudar a nossa vida. Janeiro é, para muitos, encarado como um botão de “reset”, mas sabias que essa perspetiva pode ser mais frustrante do que transformadora?
A mudança não respeita datas simbólicas e, raramente, surge em momentos de euforia. A mudança exige consciência, plano, tolerância ao erro, repetição e, muitas vezes, exposição ao desconforto. Por isso, o mito do “recomeço” associado a janeiro pode aumentar a culpa (“já não devia estar nesta fase”, “devia estar melhor”) e reforçar a autocrítica.
A proposta para janeiro é que olhes para este mês como um mês de continuação, de consciência, de escuta interna, sem pressa e sem julgamento. Não tentes encaixar-te em ideias sociais e culturas pré-definidas… A saúde mental não se renova com o novo ano e o teu bem-estar não começa quando ouves e/ou observas o fogo de artifício à meia noite.
A saúde mental é um processo que remete para narrativas pessoais, para contextos, recursos internos, perdas, experiências dolorosas e até traumáticas.
Por isso, afasta-te da ideia de que janeiro resolve tudo e aproxima-te de ti, do que merece cuidado, do que precisas de te afastar ou deixar ir. Todos temos as nossas histórias, os nossos tempos internos e existem processos que não seguem os calendários. A mudança ocorre quando há espaço e não quando há pressão.

Cimeira do clima no Brasil – algumas reflexões

Neste ano de 2025, entre 10 e 21 de Novembro, decorreu no Brasil, mais precisamente na cidade de Belém, na Amazónia, a 30ª cimeira mundial do Clima – a COP30 (Conferência das Partes).
A primeira cimeira deste tipo ocorreu em 1995, em Bona, e atualmente este é um evento absolutamente decisivo para análise e debate relativamente às Alterações Climáticas no nosso Planeta, bem como para definir estratégias e linhas de atuação em termos de negociações climáticas, formas de financiamento dos países mais vulneráveis afetados por catástrofes climáticas, redução mais ambiciosa das emissões de gases de efeito de estufa, transição energética e sustentabilidade.
Este ano a cimeira tinha um significado especial dado que passam 10 anos sobre a cimeira do Clima em Paris onde, pela primeira vez, foi conseguido um acordo vinculativo sobre a necessidade de garantir que o aquecimento do Planeta não ultrapasse 2ºC ou preferencialmente 1,5ºC, tendo como referência a Revolução Industrial, para assim minimizar impactos ao nível das emissões de gases de efeito de estufa e consequentemente em termos de alterações climáticas (tempestades, furacões, cheias, secas, ondas de calor…).
A COP30 realizou-se num momento decisivo em termos de luta contra
as alterações climáticas, dado que a janela de oportunidade para agir e evitar impactos irreversíveis sobre a Humanidade e a Natureza está a fechar-se muito rapidamente.
A cimeira teve como principais temas de agenda a transição nos setores da energia, indústria e transportes, a gestão sustentável de florestas, oceanos e biodiversidade, a transformação da agricultura e dos sistemas alimentares, o reforço da resiliência urbana, infraestruturas e água e a promoção do desenvolvimento humano e social.
A cimeira contou com a participação oficial de 195 países e mais de 42 000 participantes pertencentes a vários tipos de entidades: governos, organizações não governamentais, associações, empresas, representantes de diversos tipos de interesses (lobistas), tendo sido objeto de uma ampla cobertura mediática.
Em termos de conclusões da cimeira importa sublinhar a adoção de uma base comum para medir e acompanhar a prevenção de eventos climáticos extremos, o compromisso em triplicar o financiamento, até 2035, dos países ricos aos mais pobres (atualmente fixado em 300 milhões de dólares/ano), para que estes possam tomar medidas contra o aquecimento global e a maior articulação entre clima e biodiversidade, tendo, neste âmbito, havido o compromisso de afetar os primeiros milhões ao fundo TFFF — Tropical Forest Forever Facility para proteger florestas tropicais.
A maior crítica à cimeira foi a de não ter conseguido incluir nas conclusões uma calendarização para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis: petróleo, gás e carvão, o que constitui um ponto de grande impasse negocial.
Apesar de tudo, a presidência brasileira comprometeu-se a liderar a criação de um roteiro para os combustíveis fósseis, mantendo a esperança de avanços em próximas cimeiras.
Estas cimeiras são, de qualquer modo, extremamente importantes, o que fica evidente quando olhamos para os avanços conseguidos nos últimos 30 anos, e também porque o entendimento, ainda que pouco ambicioso, de 195 Países acerca do futuro do nosso Planeta é indubitavelmente um bem a preservar.
É, no entanto, necessário manter uma grande urgência na implementação rápida de medidas que permitam, ainda a tempo, transições económicas e ambientais que sejam compatíveis com a sustentabilidade do nosso Planeta.

E se os animais fizessem resoluções de Ano Novo?

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Já parou para pensar: e se os animais fizessem resoluções de Ano Novo, ou pedissem desejos? Tenho a certeza que dificilmente pediriam mais do que o essencial… Não falariam em sucesso, dinheiro ou grandes compras. As suas listas seriam curtas, simples e, ainda assim, profundamente reveladoras da sua inocência e sobre quem somos enquanto sociedade.
Talvez a primeira resolução fosse esta: ser respeitado. Respeito pelo seu espaço, pelo seu tempo, pelos seus medos e personalidade. Respeito por não serem tratados como objetos descartáveis quando crescem, envelhecem ou deixam de caber na rotina de alguém.
Para muitos animais, o Ano Novo começa com a mesma incerteza de sempre: continuar a ser invisível, ou preso a uma corrente curta, fechado num canil sobrelotado ou abandonado numa estrada qualquer.
A segunda resolução seria óbvia: abrigo. Um lugar seguro onde dormir sem sobressaltos. Não um luxo, apenas dignidade. Num país onde ainda tantos animais vivem expostos ao frio, ao calor extremo ou ao abandono, esta resolução continua por cumprir ano após ano.
Depois viria o cuidado. Cuidado diário, responsável e consciente. Alimentação adequada, assistência veterinária, esterilização para evitar ninhadas indesejadas que acabam quase sempre em sofrimento!
Cuidado que não se limita a gostar, mas que implica compromisso. Porque gostar de animais não é apenas acariciá-los quando são pequenos e dóceis; é cuidar deles quando dão trabalho, quando adoecem e exigem tempo e recursos.
No fundo, se os animais fizessem resoluções de Ano Novo, estariam a pedir-nos humanidade. Nada de extraordinário. Apenas respeito, abrigo e cuidado. Três palavras simples que dizem muito sobre o tipo de comunidade que queremos ser.
Talvez este ano possamos inverter os papéis. Em vez de imaginar o que eles pediriam, que tal assumirmos nós essas resoluções? Porque a forma como tratamos os animais não define apenas o nosso Ano Novo — define quem somos todos os dias do ano. Um feliz Ano Novo a todos, humanos e não humanos!

Quando o Natal se mede pela saudade

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O Natal tem uma estranha capacidade de nos medir a distância. Não em quilómetros, nem em horas de voo, mas na falta que sentimos das pequenas coisas que nos definem. E quando se está longe da terra, longe dos amigos e da família, essa régua estica-se até doer.
Por estes dias, em Macau, o Natal existe — mas é outro. Há luzes espalhadas pelas ruas, árvores artificiais em centros comerciais e montras cuidadosamente decoradas. Falta, no entanto, aquilo que não se compra nem se importa: o espírito. Aquele que só existe nas terras pequenas, nas gentes que se conhecem pelo nome e pela história partilhada.
Entre os portugueses que por aqui vivem, muitos aproveitam esta altura para dar um salto ao sol da Tailândia. Praia, calor, mar azul. Um destino de sonho para quem vem de fora. Para quem está longe, acaba por ser, muitas vezes, um refúgio da saudade. Mas, por mais paradisíaco que seja o cenário, trocava-o num segundo por mais um dia 24 de dezembro nas ruas de Seia.
Falta-me um pouco de tudo. Falta-me o cheiro a canela, o bolo-rei na mesa, o bacalhau, o cabrito, a roupa velha, as filhoses, os sonhos, as rabanadas. Falta-me o convívio com a família e com aqueles amigos que só conseguimos rever nesta altura do ano, como se o Natal tivesse o poder raro de nos juntar outra vez.
Faltam-me os sorrisos ao rever caras que fizeram parte da nossa infância, que cresceram connosco, que nos viram crescer. Falta-me o frio da serra e, este ano, mais ainda, pois até a neve caiu em Seia como por magia, dando um brilho especial a esta quadra.
Falta-me o reboliço das compras de última hora, feitas não por obrigação, mas por vontade de proporcionar uma consoada cheia de alegria aos mais pequenos. Falta-me a mesa cheia, o barulho de toda a gente a falar ao mesmo tempo, a lareira acesa, o caos organizado das prendas a serem abertas, a excitação dos mais novos, a paciência fingida dos mais velhos.
Falta-me o subir, como antigamente, até à velhinha igreja para a Missa do Galo, com um frio de cortar à faca, mas lá íamos nós, felizes e contentes.
Aqui, há sol e mar. Lá, há tudo o resto. E tudo o resto pesa mais.
O Natal longe da terra serve, acima de tudo, para nos lembrar de onde somos. Serve para confirmar que podemos viver noutro lugar, construir vida noutro ponto do mundo, mas há raízes que não se cortam. Apenas se esticam.
Quero, por isso, deixar uma palavra de Boas Festas a todos os meus conterrâneos de Seia. Aos que aí estão, aos que partiram e aos que, como eu, vivem esta quadra com o coração dividido.
Que 2026 sorria às nossas gentes de forma mais generosa do que os últimos anos. Que tragédias como os incêndios não se voltem a repetir. Que o nosso concelho seja revitalizado, que atraia mais jovens, que recupere uma alegria que há demasiado tempo parece adormecida.
Porque Seia merece mais. E as suas gentes também.
Boas Festas.

O plano para a paz e as nossas presidenciais

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Escrevo este articulado precisamente no dia de Natal! Nem sequer sei se será publicado, pois já foi enviado para a redação após a data limite. Mas, como o Natal é tempo de tolerância, acredito que poderá ver a luz do dia. Tal como, provavelmente, a paz no conflito Rússia. Ucrânia! Pelo menos é o que parece indiciar a proposta conjunta USA-Ucrânia enviada a Putin. Mas será assim? É que, como se dizia por cá relativamente a Espanha, parece que da Rússia também não virá nem bom vento nem bom casamento! Acredito, porém, que, nos tempos que correm, ninguém estará interessado num conflito permanente, com o desgaste inerente, quer físico quer financeiro, sacrificando as economias de bem-estar. Julgo que todos procurarão ganhar tempo com um eventual acordo de paz: Zelensky para preparar eleições e sair de palco de forma limpa ou então para apostar na renovação do seu mandato e continuar a liderar o seu país com o objetivo de integrar a União Europeia. Quanto à NATO, será difícil senão impossível. Quanto a Putin, certamente aproveitará uma eventual pausa no conflito para, além de consolidar os “ganhos” obtidos face à Ucrânia, como o fez relativamente à Crimeia, também refrescar o aparelho militar e as relações diplomáticas e económicas. Quanto à Europa, deverá aproveitar uma eventual pausa no conflito para o seu rearmamento e afinação de estratégias nas relações com a Rússia. Uma coisa é certa: a presença da NATO junto à fronteira russa será sempre um fator de instabilidade pelo que creio que se Putin não tiver a perceção clara de que a Ucrânia não aderirá à NATO a pausa na guerra será curta.

Mais de uma dúzia de candidatos às eleições presidenciais poderão baralhar, no momento do voto, alguns eleitores menos informados. Porém, os mais informados vão optando por André Ventura, Marques Mendes, Gouveia e Melo, Seguro ou Cotrim de Figueiredo. Catarina Martins e Jorge Pinto não têm grande acolhimento no eleitorado mais informado. Curiosamente, à direita é André Ventura que tem galvanizado o eleitorado com os temas bandeira do seu partido, com destaque para a imigração. Gouveia e Melo é o “enfant terrible” quer para Marques Mendes quer para António José Seguro. É o “irritante” de ambos. Que têm gasto munições a tentar descredibilizar a candidatura de Gouveia e Melo. À esquerda, confesso que tanto Catarina Martins como Jorge Pinto são quem, no meu entender, têm acrescentado valor aos debates. Os restantes passam o tempo a zurzir argumentos para descredibilizar os adversários. No global, os debates com os candidatos às presidenciais de 18 de janeiro foram, na minha perspetiva, de baixa qualidade. Aguardemos pelo resultado final.

Jornais no interior

Notícias recentes vieram alertar que oito distritos do interior, onde se inclui o distrito da Guarda, podem ficar sem a distribuição diária de jornais e revistas a partir de janeiro e, no pior dos cenários, vão receber jornais uma vez por semana.
Na verdade, já em setembro último, a VASP, a empresa responsável pelas distribuição de jornais e revistas, tinha alertado que se encontrava numa “situação financeira exigente” e que estaria a reavaliar as rotas de distribuição em distritos do interior, reclamando apoios por parte do governo.
Recentemente, os diretores de todos os jornais de informação generalista diária e de todos os semanários, assim como das revistas de informação geral e temática, e de todos os diários desportivos, assinaram um manifesto, num “alerta à democracia e em defesa da imprensa”, reforçando a chamada de atenção para este risco.
Trata-se, de facto e se tal se confirmar, de um prejuízo imediato para todos aqueles que, no interior, querem e precisam de ser informados, é um atentado à democracia e ao direito à informação e o assumir que existem dois países diferentes.
Mas existe alguma hipocrisia neste assunto. Antes de discutirmos os jornais no interior, deveríamos discutir o problema dos jornais do interior.
Desde há alguns anos que têm vindo a ser desenvolvidos estudos sobre os “desertos de notícias” no interior. Em 2023, esse estudo revelava que 61 concelhos em Portugal, cerca de 20% dos concelhos do país, não tinham qualquer jornal ou rádio, constituindo comunidades abandonadas, porque ficam sem informação local de imprensa e rádio, tornando-se dependentes das televisões e rádios nacionais para informação do país e do mundo e de meios informais.
Sou um forte adepto da imprensa local e regional. Sou assinante das versões impressas de um jornal nacional e de três jornais locais e regionais. Os jornais locais vão desaparecendo, de que Seia é um exemplo, e a maioria dos jornais locais e regionais ainda existentes estão dependentes de associações e fundações que suportam, financeiramente e em recursos humanos, a sobrevivência desses jornais.
Por isso defendo que antes ou, paralelamente, aos apoios à distribuição dos jornais e revistas nacionais, deveriam ser garantidos apoios aos jornais e revistas locais e regionais.
Apoios que não se limitem a garantir a sobrevivência ou adiar a morte dos existentes, mas que também incentivem a criação de novos jornais verdadeiramente independentes, com equipes de jornalistas, gráficos e outros profissionais qualificados.
JORNAIS NO INTERIOR