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O Verão e os animais de estimação

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Chegou o Verão e com ele as temperaturas extremas também. À semelhança do que acontece connosco, também os animais têm de se adaptar às condições climatéricas, por isso trago-vos algumas indicações e conselhos para um verão mais seguro para famílias multi-espécies.

1. O Calor e os Riscos para os Animais
Durante o verão as temperaturas podem subir bastante, os animais de estimação enfrentam riscos sérios associados ao calor. Cães e gatos são muito mais sensíveis a golpes de calor do que nós, e tudo pode acontecer de forma demasiado rápida e fatal. Sinais como respiração ofegante excessiva, fraqueza, vómitos ou gengivas muito vermelhas devem ser sinais de alerta. Para prevenir estas situações, é fundamental garantir que os animais têm sempre acesso a água fresca e limpa, e a locais de sombra, evitando passeios nas horas de maior calor. Um erro comum e perigoso é deixar os animais dentro de carros estacionados! Mesmo com as janelas entreabertas, a temperatura no interior pode atingir níveis fatais em poucos minutos. A prevenção começa com a consciência de que, para os nossos companheiros de quatro patas, o verão exige cuidados redobrados!

2. Cuidados Específicos com Cães e Gatos
No verão, muitos tutores acreditam que tosquiar os cães e gatos os ajuda a suportar melhor o calor, mas nem sempre é verdade. Em algumas raças, o pêlo funciona como isolamento térmico e protege contra queimaduras solares. Animais de pêlo claro ou com zonas sem pêlo devem, aliás, usar protetor solar com alto índice de proteção, especialmente no focinho, orelhas e barriga. Nesta época, também aumentam os parasitas como pulgas e carraças, que podem transmitir doenças graves, pelo que é essencial manter a desparasitação em dia. Ao proteger o seu animal, está igualmente a proteger toda a sua família!

3. Viajar com Animais
Felizmente existem cada vez mais alojamentos “pet friendly”, onde as famílias com animais são recebidas com conforto e boas condições, permitindo que toda a família – de duas e quatro patas – desfrutem das férias juntos. Contudo, é importante frisar que viajar com animais exige alguns cuidados para garantir uma experiência segura e tranquila para todos. Os cães e gatos devem ser transportados em caixas apropriadas ou com cintos de segurança próprios, nunca soltos no carro – para além de ser ilegal, é demasiado perigoso para todos os ocupantes do carro. É importante também levar consigo a documentação do animal, incluindo boletim de vacinas atualizado, medicações habituais e o contacto de emergência do veterinário mais próximo (em caso de necessidade, poupamos tempo). Caso o seu animal fique muito ansioso ou enjoado nas viagens de carro, exponha estas questões ao seu veterinário habitual: existem estratégias (e medicamentos também) para reduzir o enjoo de movimento e a ansiedade associada a este tipo de viagens fora da rotina.

4. O Problema do Abandono no Verão
Durante os meses de maior calor e férias, o abandono de cães e gatos dispara em Portugal — estima-se que mais de 40 000 animais são deixados nos Centros de Recolha Oficial todos os anos, sendo muitos deles durante o verão. Frente a esta triste realidade, torna-se essencial a sensibilização da comunidade para inverter esta tendência. Procure ajuda, o abandono não é nem nunca será uma solução!

5. Dicas de Passeios e Atividades Seguras na Serra
A Serra da Estrela oferece trilhos e paisagens ideais para passeios com cães, especialmente em zonas mais frescas e com acesso a água, como o Covão d’Ametade, o Vale do Rossim ou as margens da Lagoa Comprida. Estes locais permitem caminhadas seguras e agradáveis, tanto para donos como para os seus companheiros de quatro patas. No entanto, é essencial ter atenção ao risco de incêndio, comum nestes meses de verão. Evite caminhar em áreas de mato seco em dias muito quentes ou de vento, leve sempre água fresca para si e para o seu animal e mantenha-o preso por trela para evitar que se afaste ou entre em zonas perigosas. Caso não tenha a certeza de que o piso está demasiado quente para as patinhas do seu cão, faça a seguinte experiência: coloque as costas da sua mão sobre o piso (por exemplo, asfalto) e conte 7 segundos: se a sua mão não tolera 7 segundos, as almofadinhas plantares do seu cão ou gato também não vão suportar!

Em caso de dúvida ou para mais informações contacte-me através do email ritam_costper@hotmail.com ou nas redes sociais @beehaviourbyritapereira.

Bom Verão e boas férias a todos, sempre com segurança. Lembrem-se: a segurança começa com a preparação!

Perfecionismo emocional ou sucesso com (im)perfeição?

Cuidar de ser feliz é um processo aturado, minucioso, mas ao alcance de todos. Esta busca de empenho e dedicação interna inclui-se na lista de tarefas de autocuidado. Um dos principais motivos que impulsiona o recurso a cuidados de saúde, por parte de muitos de nós, são as emoções.

Falar de emoções implica lembrar que as mesmas em tudo dependem das redes de comunicação interneural mais ou menos enriquecidas e adensadas pelos neurotransmissores responsáveis pela disseminação de informações sobre as funções biológicas. Estes neurotransmissores nem sempre atuam sozinhos e, muitas vezes, aliados aos neuromodeladores determinam o tom mais ou menos “entusiástico” com que a mensagem é percepcionada pelo receptor. É neste “bailado” entre mensagens e mensageiros, ordens para “avançar” ou “bloquear” determinados processos e comportamentos que vive a complexa rede neural que compõe o cérebro.

De um modo geral, podemos dizer que as emoções têm como propósito principal cuidar da sobrevivência do ser humano. Porém, se as funções das emoções estão associadas à adaptação e sobrevivência, por que experienciamos dor com elas?

Existem diversos fatores que concorrem para esse sofrimento, tais como a história emocional da pessoa, o contexto em que a reação emocional é ativada, a modelagem sobre a emoção experienciada, as expectativas futuras do indivíduo, as emoções sobre as próprias emoções e as influências culturais.

A capacidade de sentir do ser humano está muito associada à facilidade com que é capaz de atribuir significados. As emoções são geradas segundo uma perspetiva inata e sensorial onde uma ativação automática de resposta emerge integrada numa avaliação do ambiente. Ao longo do percurso de vida essas respostas automáticas vão sendo integradas com as 5 partes da emoção: sensações, crenças, objetivos, comportamentos, e tendências interpessoais. Formam-se, assim, os esquemas emocionais (estruturas de memória) que sintetizam afetos, emoções, cognições e tendências para a ação de forma automática e que estão relacionados aos mecanismos implícitos, inconscientes e idiossincráticos constituídos na “lenda pessoal” de cada indivíduo.

  • Através do cuidar das emoções cada um de nós pode aprender a viver uma vida plena experienciando todas as tonalidades das emoções. A realidade é que não é possível evitar deceções ou fugir da dor. O objetivo é viver uma vida a mais aberta e enriquecida possível, incluindo as emoções mais desagradáveis.
  • O segredo está em aprender a normalizar o que nos parece disruptivo e construir uma vida com significado mesmo com o inevitável sofrimento.
  • O desafio é substituir o perfecionismo emocional pela amplitude e espaço interno para lidar com a imperfeição e alcançar o propósito de vida pessoal com sucesso.

Água Doce – um recurso precioso, mas escasso

A água doce é essencial à vida e constitui um elemento necessário para quase todas as atividades humanas, além de ser uma importante componente da paisagem e do meio ambiente.

Torna-se necessário, por isso, analisar a importância da água doce, a sua distribuição, os desafios que enfrentamos e as soluções que podemos adotar para garantir a sua conservação e o seu uso sustentável.

A água doce deve ser gerida como um bem comum, não como uma mercadoria, dado que considerar a água como um negócio irá deixar para trás os que não podem aceder ou pagar os preços de mercado, sendo a água indispensável à sobrevivência da Humanidade.

De toda a água existente no Planeta, cerca de 97,2% é salgada e apenas 2,8% é água doce. Da água doce existente cerca de 69% encontra-se congelada nas calotas polares e nos cumes das altas montanhas, cerca de 30% localiza-se no subsolo e o restante 1% em rios e lagos.

A água doce tem uma baixa concentração de sais minerais, o que a torna adequada para consumo humano e utilização agrícola tendo, portanto, um papel fundamental no funcionamento dos ecossistemas e na manutenção da biodiversidade e impactando, fortemente, com a saúde e a qualidade de vida das pessoas.

A maior parte da água doce é utilizada na irrigação de plantações (70%), sendo que dos 30% restantes aproximadamente 20% são utilizados pela atividade industrial e 10% são destinados a consumo humano, existindo escassez de água potável em diversas regiões do globo, muito devido a uma gestão inadequada dos recursos hídricos.

Nos últimos anos, o consumo de água no mundo aumentou substancialmente para fazer face ao crescimento populacional e às maiores necessidades em termos de produção agrícola tendo em vista alimentar cerca de 8 biliões de pessoas.

A ONU declarou, em 2010, que possuir acesso à água potável e ao saneamento básico é um direito humano essencial. No entanto, ainda hoje muitas pessoas continuam privadas desse direito dado que, a nível mundial, cerca de 2 biliões de pessoas não têm água potável de qualidade.

A importância deste recurso levou a ONU a decretar o Dia Mundial da Água, que se comemora a 22 de Março de cada ano, sendo que também a sociedade civil se está a mobilizar para esta causa de que é exemplo a iniciativa H2Off: Hora de fechar a torneira.

Esta iniciativa pretende estimular a reflexão sobre o uso da água, consciencializando para que seja mais eficiente e equilibrado. O desafio consiste em fechar a toneira por uma hora entre as 22H00M e as 23H00M de cada dia 22 de Março.

Para responder à crescente falta de água doce e potável vários países têm avançado com centrais de dessalinização que “transformam” a água do mar em água doce.

Por exemplo em Israel, onde a precipitação média anual diminuiu significativamente e a população duplicou nos últimos 30 anos, o País foi obrigado a recorrer à dessalinização em larga escala, com base em 5 centrais dessalinizadoras que produzem cerca de 600 milhões de m3 por ano.

Portugal possui uma central de dessalinização a funcionar desde 1980, na ilha de Porto Santo, que fornece água potável para os cerca de 5 000 residentes da ilha e para os turistas, tendo capacidade para abastecer 35 000 pessoas e, em breve, irá ser construída uma outra central de dessalinização no Algarve.

Uma outra forma de gerir a escassez de água será reciclar as águas residuais e efetuar a sua utilização para a rega de projetos agrícolas e jardins.

Em Israel 85% dos terrenos agrícolas é regado com água de esgotos reciclada e purificada. Portugal, atualmente, apenas recicla 1,2% das águas residuais para rega de espaços verdes, campos de golfe e alguns projetos agrícolas, havendo o objetivo de chegar a 20% até 2030.

É, portanto, imperioso e também urgente fazer uma utilização consciente e eficiente deste recurso essencial e precioso para a vida que é a água doce.

A Nova Ferramenta do Comércio Local

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Por Matias Nogueira – Videógrafo

O vídeo vertical está a transformar a forma como os negócios locais comunicam com os seus clientes. Plataformas como Instagram, TikTok e Facebook Reels abriram portas a uma nova maneira de contar histórias: rápida, próxima e visual.

Já não se trata de grandes produções, mas de criar vídeos autênticos, em formato vertical, pensados para o telemóvel e para captar atenção em segundos.

Mostrar os bastidores do negócio, partilhar um testemunho ou lançar uma campanha num vídeo de 30 segundos pode gerar mais impacto do que anúncios tradicionais.

O importante é ser direto, genuíno e estratégico. Para quem tem um café, loja, salão ou serviço local, o vídeo vertical é hoje uma ferramenta poderosa e acessível para crescer.

A presença digital já não é opcional, é vital para chegar mais longe, com poucos meios, mas com criatividade e consistência.

A saúde mental nas pausas e nos silêncios

Desacelerar também é cuidar da saúde mental.

Com o verão e com as férias surgem os planos com família e amigos. Viagens, almoços e jantares prolongados, idas à praia, ao rio e à piscina… É, para alguns, um período de maior entusiasmo, mas nem sempre de descanso. Há quem diga que precisa de “férias das férias”.

A verdade é que até no lazer nos esquecemos de abrandar.

Horários para acordar, para o pequeno-almoço, para as idas à praia, tudo marcado no relógio. As rotinas estão enraizadas e carregamos o ritmo acelerado que nos acompanha em todos os outros dias do ano.

Descanso mental é mais do que não trabalhar e mais do que as horas de sono. É permitir que o corpo respire e a mente acalme. É dar espaço para o silêncio, para as pausas e para o ócio consciente. É um estar sem fazer nada produtivo, essencial para uma vida com menores níveis de ansiedade e para uma vida com rumo, com sentido.

Neste espaço de tranquilidade conectamo-nos connosco próprios, com os nossos valores, com as nossas emoções.
Nem todos conseguimos tirar férias, ir para hotéis ou casas de praia. Nem todos temos companhia para o fazer (e, por isso, o verão não é um período de entusiasmo!). Ainda assim, conseguimos descansar.

Precisamos de estar e gostar da nossa companhia, de minutos de silêncio, de refeições calmas e sem distrações.
Este verão o que precisa pode ser apenas a sua permissão para parar.

Lista de Candidatos à Assembleia de Freguesia de Travancinha

Autárquicas2025

O Jornal de Santa Marinha divulga a lista dos candidatos que concorrem às diferentes Assembleias de Freguesia do Concelho de Seia. Serão publicadas gradualmente as várias listas concorrentes.

Lista de Candidatos à Assembleia de Freguesia de Travancinha

  1. Paulo Jorge da Costa Monteiro
  2. David Pereira Costa
  3. Maria Luísa Fernandes Pereira
  4. Renata Cristina Fernandes Simões
  5. Rodrigo Miguel Amaral Esquina
  6. Vânia Alexandra Santos Figueiredo
  7. Hélder António Amaral Lopes Borges

Suplentes

  1. Joana Sofia da Costa Morais
  2. José Luís Garcia Lopes
  3. Jorge da Cruz Alves
  4. Beatriz da Conceição Nunes
  5. Cláudio Rafael Borges Figueiredo

Conheça as restantes listas e tudo o que se passa na secção do JSM: Autárquicas2025

Lista de Candidatos à Assembleia de Freguesia de Sazes da Beira

Autárquicas2025

O Jornal de Santa Marinha divulga a lista dos candidatos que concorrem às diferentes Assembleias de Freguesia do Concelho de Seia. Serão publicadas gradualmente as várias listas concorrentes.

Lista de Candidatos à Assembleia de Freguesia de Sazes da Beira

  1. José Carlos Alves da Costa Freire da Silva
  2. Leni Mendes Lages
  3. Beatriz Dias Figueiredo
  4. Hugo Rafael Brito Abrantes
  5. Fábio Carreira Fernandes
  6. Claudia Cristina Martins Ortigueira
  7. Miguel de Brito Duarte

Suplentes

  1. Carlos Miguel Brito Fernandes
  2. Alexandra Dias Figueiredo
  3. Joaquim João Marques Dias Paixão
  4. José Carlos Brito Silva
  1. Carlos João Fernandes Santos
  2. Sylvie Brito Martins
  3. André Costa Martins
  4. Mariana Lages Brito
  5. José da Costa Figueiredo
  6. Marco Filipe Mendes Pina
  7. Rita Figueiredo Marques

Suplentes

  1. Jessica Marisa Esteves de Brito
  2. Diogo Filipe Fernandes Brito
  3. José Luís Campos de Brito
  4. Liliana Fernandes Lopes
  5. Mário Fernandes Figueiredo
  6. Manuel Duarte Mendes
  7. Maria Luísa dos Santos Gouveia

Conheça as restantes listas e tudo o que se passa na secção do JSM: Autárquicas2025

Ossário do Cemitério Municipal de Seia foi benzido na manhã de sábado. A anteceder a cerimónia realizou-se uma visita orientada à arte tumular

O ossário do Cemitério Municipal de Seia foi benzido, na manhã de sábado, pelo padre Joaquim Pinheiro, marcando o momento da conclusão da requalificação das obras neste espaço.

O investimento, no valor de 227.613,34 euros, foi concluído no início deste ano e representa uma melhoria significativa das condições de acolhimento e dignificação deste espaço municipal.

A requalificação do espaço abrangeu a melhoria das acessibilidades a todos os espaços interiores, a requalificação da capela existente, bem como a valorização de todo o espaço interior, ao nível dos pavimentos e das infraestruturas. A intervenção incluiu, ainda, a construção de um ossário e a edificação de um novo espaço de apoio e manutenção contíguo ao cemitério.

Antes da bênção, a arqueóloga Rita Saraiva conduziu uma visita inédita à arte tumular, revelando pormenores surpreendentes, símbolos escondidos e as histórias de quem marcou a comunidade. Foi a primeira iniciativa do género no concelho — e mostrou que o cemitério é também um espaço de cultura e património, onde se cruzam memórias, curiosidades e verdadeiras obras de arte.

Escola Superior de Turismo e Hotelaria (ESTH) de Seia com apenas 3 colocações das 54 disponíveis

A Escola Superior de Turismo e Hotelaria (ESTH) de Seia do Instituto Politécnico da Guarda (IPG) continua a ter diversas dificuldades na colocação de alunos, uma vez que acaba de ter apenas três colocações das 54 disponíveis.
O curso de Gestão Hoteleira não teve nenhuma entrada das 20 vagas. O curso de Turismo e Lazer teve 1 colocação das 12 vagas disponíveis, enquanto o curso de Restauração e Catering também não teve nenhuma colocação das 12 vagas e o curso de Gestão do Turismo e Hospitalidade teve 2 colocações das 10 vagas.
Ou seja, a ESTH de Seia teve apenas 3 colocações em 54, referente aos 4 cursos.

Em contrapartida, na Guarda, e apesar da quebra nacional, que deixou o ensino superior com menos seis mil alunos do que no ano passado, o IPG registou procura elevada em várias áreas de formação. Enfermagem e Educação Básica preencheram a totalidade das vagas disponíveis, enquanto Mecânica, Informática Industrial e Desenho de Equipamento e Ambientes registaram taxas de ocupação muito positivas. A Escola Superior de Saúde teve mais colocados que em 2024: passou de 101 no ano passado para 113 em 2025, subindo a sua taxa de ocupação de 65,2% para 66,5%

Nesta 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso de 2025, o IPG recebeu 278 estudantes colocados na, o que representa uma quebra de 28% na sua taxa de ocupação, a qual baixa de 61% em 2024 para 33% este ano.

Segundo os dados oficiais do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, as universidades perderam em média 6% e os politécnicos 20%. Continua a agudizar-se a concentração no litoral: as instituições de ensino superior (IES) do litoral cresceram para 76% do total de alunos colocados, face aos 72% de 2024.
“Tivemos bons resultados em alguns cursos, o que demonstra a confiança que muitas famílias continuam a depositar no Politécnico da Guarda. Mas é inegável que o aumento sucessivo de vagas nas grandes instituições do litoral criou uma concorrência profundamente desigual”, afirma Joaquim Brigas, presidente do IPG. Joaquim Brigas sublinha que “esta realidade prova que a política de coesão territorial continua a ser um título vazio, apesar de existir um ministério com esse nome. Só com medidas concretas de promoção do ensino superior fora dos grandes centros será possível um país equilibrado e competitivo, capaz de assegurar às empresas locais inovação, ciência e qualificação de recursos humanos”.

O IPG aguarda agora pela 2.ª fase de candidaturas, em que espera preencher a maioria dos cursos, à semelhança dos anos anteriores. “Faremos tudo para recuperar a dinâmica de procura e continuaremos a afirmar o IPG como ator fundamental para o desenvolvimento num território de baixa densidade”, conclui Joaquim Brigas.

Correia Plácido e Sousa (CPS), uma empresa de Seia em grande crescimento, especializada em engenharia e manutenção industrial, com projetos espalhados pela Europa

A história da CPS começa em 2022, quando foi fundada com a designação Cruz Plácido e Seabra, Lda., fruto da iniciativa conjunta de Hélder Fernando Correia Plácido, Paulo Cruz e Ricardo Seabra.

Com o passar do tempo e a evolução do negócio, a empresa passou por uma reestruturação que levou à adoção da atual designação: Correia Plácido e Sousa (CPS). Esta mudança reflete uma homenagem de Hélder Plácido à sua esposa, que partilha o sobrenome “Sousa”, e ao seu pai, mantendo assim a identidade das siglas que marcaram o início da atividade. Hoje, a CPS é gerida exclusivamente por Hélder Plácido, único sócio da empresa, e especializa-se em manutenção industrial e engenharia, com projetos espalhados por vários países da Europa. O compromisso permanece o mesmo: oferecer soluções técnicas de excelência e contribuir para a modernização e eficiência da indústria.

A Correia Plácido e Sousa (CPS) é uma empresa que tem a sua sede em Seia, na zona industrial, embora o atual do sócio não tenha ligações prévias com a região. Hélder é de Aveiro e a sua esposa é de Coimbra. A mudança para Seia aconteceu devido à esposa de Hélder, Diana, ter aceite o desafio de se mudar para Seia por intermédio do Fundo Crest, fundo este que foi proprietário dos Queijos Tavares. Na altura, Diana trabalhava em Lisboa na área financeira e Hélder em Madrid, para a multinacional alemã Sick AG. A vinda da esposa para Seia permitiu que as viagens fossem muito mais fáceis. “Conseguia visitá-la mais facilmente, porque são cerca de três horas de Madrid a Seia”, refere Hélder Plácido. Com este vai e vem, Hélder começou a conhecer pessoas do concelho. Nomes como Filipe Fraga e Paulo Cruz abriram os seus horizontes. A partir daqui, a oportunidade de negócio, na área da manutenção industrial e engenharia, surgiu, tal é a carência destes serviços na região.

A empresa iniciou a sua atividade com três sócios (sendo dois com atividade direta) e um colaborador. Durante os primeiros anos, manteve um crescimento razoável, e até finais de 2024 contava com cerca de seis colaboradores e diversos projetos em diferentes partes do mundo.

 No entanto, a partir de março de 2025, fruto do trabalho desenvolvido e da confiança conquistada junto dos seus clientes, a empresa registou um crescimento acelerado. Atualmente, conta já com mais de 50 colaboradores e projeta que, até finais de 2026, este número pelo menos duplique.

A grande maioria dos funcionários atua no estrangeiro, sobretudo em projetos por toda a Europa, permanecendo no exterior por períodos que variam conforme a duração de cada projeto. Hélder Plácido destaca que a empresa tem como prioridade garantir boas condições de trabalho e alojamento aos seus colaboradores, disponibilizando boas condições de alojamento, viaturas e cobrindo todas as despesas. “Aquilo que quero para mim, quero para os meus colaboradores.” A experiência de ter trabalhado fora de Portugal reforçou este compromisso, garantindo que a equipa recebe o melhor tratamento possível.

Hélder Plácido, um empresário com uma visão de futuro e experiência com mercados internacionais

Hélder Plácido começou a sua carreira na Nestlé, onde o seu pai e avô também trabalharam. Mais tarde, juntou-se à Meivcore, uma empresa que, na altura, estava a nascer e que teve um enorme crescimento. Aqui, começou como eletricista e chegou a gestor de projetos e montagem elétrica. A sua experiência profissional foi predominantemente no estrangeiro, o que lhe deu facilidade em trabalhar neste mercado. A sua inquietude era tão grande que, no mesmo dia em que saiu da Nestlé, colocou-se a caminho da Espanha para começar a trabalhar na Meivcore. Foram cerca de 10 anos nesta empresa, onde diz ter crescido bastante e estar grato por todas as oportunidades que teve para crescer.

A Separação dos Sócios e o Crescimento da Empresa

No final do ano passado, Hélder Plácido fez um balanço e propôs, então, a compra das quotas dos sócios, que aceitaram a proposta e concordaram em se separar amigavelmente.

Com a empresa agora sob a sua total propriedade, este ano Hélder começou com projetos maiores e, por isso, o número de colaboradores teve de aumentar. A mão-de-obra é maioritariamente portuguesa, mas também inclui trabalhadores de outras nacionalidades como brasileira, ucraniana, espanhola e paquistanesa. Hélder expressa o desejo de contratar mais pessoas da região de Seia, pois acredita que o futuro da zona trará oportunidades de emprego.

 Serviços, Mercado e Dificuldades

A CPS, Lda é especializada em engenharia e manutenção industrial. Inicialmente, a sua área de atuação era a engenharia eletrónica e eletrotécnica. Mais recentemente expandiu os seus serviços para engenharia mecânica e de estruturas. A empresa também oferece serviços de automação, ajudando as empresas a otimizar processos e máquinas, o que é especialmente útil para combater a escassez de mão-de-obra na região.

Alguns dos clientes são da região, no entanto a empresa opera numa escala global, com a maioria dos seus projetos e colaboradores estar fora de Portugal, nomeadamente na França, Espanha, Finlândia e Bélgica. Desafios Um dos principais desafios que a empresa enfrenta em Seia é a mentalidade dos empresários da pequena indústria local, onde, segundo Hélder Plácido, é mais difícil de convencer a investir a longo prazo em manutenção e melhorias.

“É muito difícil fazer com que eles entendam que estão a investir na própria qualidade, evitando paragens intempestivas de máquinas, que lhes vai causar grandes transtornos. A adaptação a este tipo de mentalidades custou-me um bocadinho, mas creio que é perfeitamente normal”, refere. No entanto, Hélder salienta a importância de otimizar e investir na qualidade para evitar problemas futuros.

Refere também que apesar do crescimento e internacionalização da empresa e da região para o qual tem contribuído não é acompanhado pelas entidades da região que deveriam estar muito mais envolvidas no dia-a-dia das empresas da região, a desertificação do interior só se combate com a criação de emprego de qualidade para isso é essencial que o poder local esteja mais ligado ás empresas porque são estas as que iram proporcionar a criação dos mesmos, atrair uma multinacional de peso é chave para esta cidade e para isso basta olhar para o exemplo das cidades vizinhas (Mangualde, Oliveira do Hospital e Nelas).

A participação nas Jornadas Mundiais da Juventude

Em 2023, a empresa teve a oportunidade de participar num projeto de grande visibilidade, as Jornadas Mundiais da Juventude, onde a empresa foi responsável por toda a infraestrutura elétrica e de telecomunicações. Este projeto, apesar de ter trazido algumas dificuldades e muitas horas de trabalho, deu à empresa a confiança para enfrentar projetos maiores. Hélder Plácido diz mesmo que “em termos de número de pessoas, este foi o maior evento alguma vez realizado em Portugal. E nós, com as nossas limitações, trabalhando cerca de 16 hortas por dia, sábados, domingos e feriados, conseguimos implementar tudo aquilo que nos foi solicitado”. E acrescenta: “Não é por sermos uma estrutura pequena que não conseguimos fazer coisas grandes ou metermo-nos em projetos grandes.”

Hélder Plácido acredita no potencial de crescimento da região de Seia e fala em projetos futuros como a vinda do Grupo Sonae e a barragem de Girabolhos que, na sua opinião, poderiam dinamizar mais a economia local.

Projetos Futuros para Seia

Hélder mencionou vários projetos que, segundo ele, irão nascer em Seia e que irão exigir mais mão-de-obra local. Destaca a nova empresa do Grupo Sonae, a Capwatt com um projeto de produção de Biometano, a instalar em Seia que já está em fase de licenciamento; a empresa de hidrogénio, a HEN; a construção da Barragem de Girabolhos, que Hélder defende veementemente, apesar das questões ambientais, argumentando que a barragem teria um enorme impacto positivo na economia da região, atraindo grandes empresas e profissionais com altos salários, e que, por sua vez, iria dinamizar o comércio, os restaurantes e o setor hoteleiro. Além disso, a barragem justificaria melhorias na infraestrutura rodoviária, como a conclusão do IC6 e um acesso mais direto à A25, e ajudaria a garantir o abastecimento de água. “Tudo isto tem um enorme impacto direto. Este investimento poderá potenciar, posteriormente, a construção de hotéis, a criação de alguns desportos aquáticos aqui em Seia, a criação de novas infraestruturas, restauração, empresas… Tudo isto poderá justificar o início e conclusão da construção do IC6 e um acesso mais direto à A25. Mas o fator mais importante para mim é o de podermos guardar a água.”.

Hélder Plácido acredita e espera que este projeto, que agora entrou no caderno de prioridades para o Governo, venha a ser construído, porque “seria um bom negócio para a região”. Ao defender a construção da Barragem de Girabolhos e a chegada de novos projetos a Seia, Hélder Plácido acredita que estas iniciativas são cruciais para o desenvolvimento económico local. Embora a sua empresa beneficie destes projetos, o empresário vê-os como uma oportunidade de crescimento para toda a região, com um impacto direto nos negócios locais.

Hélder compara esta situação ao projeto da barragem no Vouga, onde o aumento do movimento e do dinheiro levou alguns donos de restaurantes a venderem os seus negócios no final da obra, por saberem que nunca mais teriam um volume de trabalho tão elevado.

Atuação no Mercado Mundial

Atualmente, a CPS está a trabalhar como parceiro da empresa Kayros em Liege, num enorme projeto liderado pelo grupo Cobra, subsidiária do grupo ACS, liderado por Florentino Pérez, num projeto de construção, comissionamento e start-up de ciclo combinado com capacidade para produção de 870MW.

Em França a empresa está com a TCPI France, num projeto de Parque Eólico offshore flutuante piloto de 30 MW – Leucate / Le Barcarès (Occitânia – França).

Para além destas, neste momento estão, também, com a Pasaban SA, empresa de referência no fabrico de máquinas cortadoras de papel e com obras com a subsidiária do grupo Meivcore em Espanha, com o grupo Sonae, Finsa entre outras de menor dimensão.

Fotos: Projeto de 1 ano na multinacional Stora Enso indústria de papel

Ligação Pessoal e Profissional com Seia e a sua visão para a região

Hélder, que é natural de Aveiro, explica que a decisão de fundar a empresa em Seia foi mais do que estratégica. Reconhece que abrir uma empresa em Aveiro, perto da universidade, seria mais fácil para atrair talento. Mas, a sua paixão pela serra e a prática de ciclismo na juventude, juntamente com o facto de ter criado raízes e estabelecido a sua família em Vila Nova de Tazem, o motivaram a fixar-se na região.

Menciona que o seu objetivo não é apenas o lucro, mas sim o crescimento para toda a comunidade. Para isso, acredita que é fundamental dinamizar a economia local, de modo a proporcionar um aumento do número de restaurantes e para que as taxas de ocupação dos hotéis da região fiquem a 100 por cento. Sugere que a Escola Superior de Turismo e outras instituições locais deveriam adaptar os seus cursos para atender às necessidades da indústria agroalimentar da região, como a formação de queijeiros.

A aposta na formação prática é outra sugestão que Hélder refere e, neste campo, diz que a sua empresa recebe estagiários para lhes proporcionar um contacto com a realidade do mundo do trabalho, mostrando-lhes as dinâmicas e o esforço que a manutenção industrial exige, incluindo a necessidade de viajar e estar fora de casa por longos períodos.

Em suma, Hélder Plácido tem uma visão a longo prazo para o desenvolvimento de Seia, baseada na sua experiência e na sua ligação pessoal à região. Acredita que o crescimento da sua empresa está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento da economia local.

Apoio ao Comércio Local

Hélder faz questão de comprar bens e serviços no comércio local de Seia. Argumenta que é fundamental apoiar a economia local e que a proximidade dos fornecedores é uma mais-valia em momentos de aperto e que nem sempre o preço é o fator decisivo nas suas escolhas.

Lutar contra a Crise

O empresário admite que o crescimento acelerado tem os seus desafios, mas acredita que a sua área de atuação e a mão-de-obra qualificada, é sempre necessária, mesmo em tempos de crise. Por isso, pretende solidificar a empresa antes que uma crise económica chegue, para garantir a sustentabilidade do negócio a longo prazo. “Acredito que vamos ter uns anos pela frente bastante duros, porque o crescimento vai ser enorme nos próximos meses e anos, algo que cria a suas dificuldades numa jovem estrutura. Mas vamos chegar onde eu quero. E a partir daí tudo tornar muito mais sustentável apesar de não se tornar mais fácil. Por isso, Hélder Plácido mostra-se confiante de que a empresa alcançará a sua solidez financeira.

 Fotos de obras em França

Visão de Gestão e Crescimento

Hélder Plácido demonstra uma visão ambiciosa e uma filosofia de gestão focada no crescimento sustentável, na valorização dos colaboradores e no apoio à economia local. A crescer muito rapidamente e a trabalhar com clientes de grande dimensão, a faturação da empresa tem aumentado exponencialmente. Em 2023, a faturação foi de 230 mil euros, no ano passado cerca de 400 mil, e a previsão é de ultrapassar 1 milhão de euros este ano, superando a meta de 700 mil inicialmente estipulada. Este crescimento abrupto, de 150% a 200%, demonstra a capacidade e a confiança que a empresa transmite aos seus clientes.

Mas há que salientar que todo este sucesso está, também, ligado à estratégia de recrutamento e motivação. Hélder aposta na contratação de talentos jovens, nomeadamente da região de Seia, e em modelos de remuneração que vão além do salário mínimo. A sua ideia é que os colaboradores se sintam parte ativa e importante do negócio, dando-lhes mais autonomia e um sentimento de propriedade, para que se sintam mais motivados. A ideia passa, também, por contratar jovens licenciados nesta área das engenharias, mas tudo a seu tempo, porque, como diz, “as pessoas não se formam todos os dias e a nossa forma de contratar é dando-lhes melhores condições, pagando mais que a concorrência. E, claro, a motivação maior que alguém nesta vida pode ter, sem ser o dinheiro, é sentir que está a trabalhar em algo que se vai refletir na vida pessoal de cada um. Por isso, aquilo que eu pretendo é que eles tenham muita independência nos projetos, mercados ou clientes que abrem que angariem. Quanto melhor conseguirem gerir o seu projeto, melhor será o retorno financeiro não só para a empresa, mas para o próprio e para os colaboradores que estão na obra”, explica.

Fotos: Obra em Liege

Futuro próximo da CPS

Hélder planeia adquirir ou construir um pavilhão próprio na zona industrial já no próximo ano, que incluirá departamentos de engenharia eletrotécnica, mecânica e estruturas. O objetivo é ganhar capacidade técnica de execução obras na sua totalidade, subcontratando os serviços a outras empresas locais e reforçando a capacidade do setor metalomecânico da região.

Concluindo

A Correia Plácido e Sousa é hoje um exemplo de como visão empreendedora, experiência internacional e ligação ao território podem impulsionar um negócio sustentável. Hélder Plácido resume a sua filosofia empresarial com as seguintes palavras:

“Quero crescer, mas quero crescer com as pessoas certas e da forma certa. Não é só faturar: é criar valor, dar estabilidade e contribuir para uma região que tem tudo para se desenvolver.”

Com um modelo de gestão assente na valorização dos colaboradores, inovação e aposta local, a CPS prepara-se para se tornar uma referência europeia no setor da manutenção industrial, sem esquecer as raízes que a fizeram nascer em Seia.