A Guarda Nacional Republicana (GNR), no âmbito das celebrações das aparições de Fátima, vai intensificar, a partir de hoje, dia 3, e até ao dia 14 de maio, as ações de patrulhamento nas principais vias de acesso à cidade de Fátima e ao seu Santuário, com o objetivo de apoiar e garantir a segurança dos peregrinos durante as suas deslocações. Será igualmente reforçado o policiamento no interior do Santuário e nas zonas envolventes.
Tratando-se de um evento de grande impacto nacional e internacional, que reúne milhares de fiéis de todo o mundo, a GNR prevê um elevado número de peregrinos a efetuarem o percurso a pé, em grupos numerosos e em vias com tráfego intenso, bermas estreitas ou mesmo inexistentes, aumentando o risco de atropelamentos. Este considerável aglomerado de pessoas exige uma especial preocupação nos aspetos relacionados com a segurança rodoviária.
A Operação “Peregrinação Segura 2025” será realizada em duas fases:
1.ª fase – de 3 a 11 de maio, através da orientação do esforço de policiamento para as vias mais críticas, designadamente as vias utilizadas pelos peregrinos pedestres e envolventes dos locais do evento e respetivos eixos viários de acesso, bem como para a sensibilização dos peregrinos;
2.ª fase – de 12 a 14 de maio, focada na garantia da segurança durante as celebrações religiosas que decorrem no Santuário de Fátima e zonas envolventes.
Nesse sentido, e uma vez que este aglomerado significativo de pessoas implica uma preocupação acrescida nos aspetos relacionados com a segurança, a GNR aconselha os peregrinos a adotarem os seguintes comportamentos durante o percurso:
· Andar em fila indiana;
· Sinalizar o início e o fim dos grupos;
· Circular preferencialmente pela berma, nunca pela estrada, devidamente sinalizados com coletes refletores;
· Caminhar sempre na berma contrária ao sentido do trânsito;
· Evitar locais onde seja proibida a circulação de peões;
· Não usar auscultadores, auriculares, nem fazer uso do telemóvel durante a caminhada;
· Não andar sozinho(a) durante a noite;
· Ter especial cuidado ao atravessar as vias.
Na cidade de Fátima e no Santuário, a GNR recomenda ainda:
· Chegar atempadamente, de forma a evitar filas prolongadas;
· Não deixar bens à vista no interior das viaturas, devendo guardá-los na bagageira antes de estacionar;
· Transportar sempre consigo os documentos pessoais, evitando deixá-los no veículo;
· Não transportar a carteira/telemóvel no bolso de trás ou na mochila. Sempre que possível, guarde-os num bolso da frente ou numa bolsa com fecho que esteja sempre em contato com o corpo;
· Evitar andar com grandes quantias de dinheiro, divida-o e distribua-o por vários locais;
· Não levar bens de valor, nem objetos que sejam ostensivos;
· Ter sempre o telemóvel com bateria e o contacto dos demais elementos do grupo;
· Logo após o fim das cerimónias, sair de forma calma e gradual, evitando as filas prolongadas;
· Nunca perder de vista os idosos e crianças que o acompanham, devendo ter sempre consigo um contacto de um adulto do grupo.
O Jornal de Santa Marinha recebeu, durante a tarde da última terça-feira, dia 29 de abril , 90 alunos do 8⁰ ano, da Escola Guilherme Correia de Carvalho ( Seia).
A visita destes alunos à redação do JSM proporcionou uma aproximação destes jovens com o mundo do jornalismo e da comunicação social. Esta experiência foi uma maneira de despertar o interesse dos estudantes pela leitura de notícias, pela produção de conteúdos informativos e pela importância da imprensa regional na sociedade.
Tiveram, ainda, a oportunidade de conhecer a evolução tecnológica do Jornal de Santa Marinha ao longo dos seus 32 anos de existência e de conhecer o dia a dia de um jornal, desde a procura da notícia e a confirmação da sua veracidade, até à edição final, passando pelas diversas etapas de produção, como a reportagem, a fotografia, a redação e o design.
Para além do jornal físico, tiveram também oportunidade de conhecer a outra aposta do Jornal: a sua presença online. Ficaram a conhecer como é feita a publicação de notícias em tempo real assim como a facilidade de comentar e partilhar artigos nas redes sociais. De forma simples, compreenderam como a notícia pode ser difundida de forma quase imediata, alcançando um público global em apenas alguns segundos.
Tiveram igualmente, a oportunidade de conhecer os estúdios de rádio, onde é produzida a emissão “A Voz da Solidariedade”.
Durante a visita, os alunos foram, ainda, desafiados a dar voz às suas ideias e a experimentar o papel de jovens autores, sendo convidados a escrever textos de opinião, reflexão ou criatividade para a nossa secção “Jovens Pensadores“. Este espaço está aberto a todos os jovens que queiram partilhar pensamentos, inquietações ou visões sobre o mundo que os rodeia, incentivando a participação ativa na vida cívica e no debate público.
Este contato direto com os profissionais da área e com o ambiente de trabalho foi, por certo, bastante enriquecedor para a formação destes jovens.
A experiência contribuiu, certamente, para o desenvolvimento do senso crítico e da capacidade de análise dos estudantes em relação às informações que lhes chegam.
Para além do JSM, o alunos puderam visitar outros espaços em Santa Marinha, nomeadamente, o Museu da Paróquia, o Centro Interpretativo da Ovelha Serra da Estrela (CIOSE) e Museu da Sociedade Musical Estrela da Beira.
Esta atividade destinou-se a consolidar alguns conhecimentos/conteúdos e aprendizagens de diferentes disciplinas através do contacto com o património natural, cultural, oral e construído da freguesia de Santa Marinha, no concelho de Seia.
A partir de amanhã, dia 1 de maio, Seia volta a ser o palco da adrenalina, superação e comunhão com a natureza, com a realização da terceira edição do Racenature Serra da Estrela. O evento de BTT decorre até dia 4 e reunirá alguns dos melhores betetistas nacionais, bem como atletas e entusiastas da modalidade oriundos de vários pontos do país.
Organizado pela Cabreira Solutions, em parceria com o Município de Seia, o Racenature Serra da Estrela distingue-se por ser uma prova de BTT com orientação por GPS, um formato que obriga os participantes a navegar por percursos sem marcações físicas no terreno. Esta exigência acrescenta um nível de dificuldade extra à prova, testando não só a resistência física dos atletas, mas também a sua capacidade de leitura de terreno e navegação autónoma.
Ao longo de quatro dias de competição, os participantes enfrentarão três etapas em linha e um prólogo, num total de cerca de 200 km. O prólogo, com cerca de 15 km, realiza-se na quinta-feira e servirá para definir quem enverga a camisola de líder em cada escalão. Na sexta-feira disputa-se a etapa rainha, com cerca de 70 km, percorrendo alguns dos caminhos mais montanhosos e técnicos da Serra da Estrela. As etapas de sábado e domingo, com cerca de 60 km cada, consolidarão a classificação final e levarão os participantes a descobrir algumas das Aldeias de Montanha da região.
Mais do que uma competição, o Racenature Serra da Estrela é uma experiência de superação individual, onde o respeito pela natureza, o espírito de camaradagem e a promoção do território assumem papel central. Com paisagens de cortar a respiração e percursos únicos no coração do Parque Natural da Serra da Estrela, esta é uma oportunidade ímpar para atletas e famílias descobrirem tudo o que o território tem para oferecer.
No passado dia 25 de abril realizou-se o Campeonato Nacional de Masters de 10.000 em Pista, na Marinha Grande.
O atleta Isaías Peralta representou o Maratona Clube Vila Chã conquistando o título de vice-campeão do escalão de M75.
No dia 27 de abril realizou-se o VIII Nelas Trail Running, na vila de Nelas. O Maratona foi representado pelo atleta Joaquim Almeida que conquistou o 1.º lugar do Trail Curto, no escalão de M60.
Nesse mesmo dia realizou-se, além-fronteiras, a XVIII Media Maraton Ciudad Rodrigo. O Maratona foi representado por cinco atletas. No escalão de Seniores, Afonso Mendonça classificou-se em 10.º lugar. No escalão de M40, António Rodrigues terminou a prova em 14.º lugar. No escalão de M50, Figueiredo classificou-se em 6.º lugar e José Gonçalves completou a prova na 25.ª posição. Por fim, no escalão de M60, Jacinto Correia conquistou o 2.º lugar do pódio.
No passado dia 8 de abril decorreram as nomeações dos prémios “Portugal Cinco Estrelas 2025”, na qual o Bolo Negro de Loriga foi reconhecido.
Com a atribuição deste prémio, o Bolo Negro de Loriga passa a integrar um conjunto de referências que se destacam pela excelência e tradição, contribuindo para a promoção da Vila de Loriga e do seu concelho. O prémio reconhece não só a qualidade e o sabor único do Bolo Negro, mas, também, o seu papel na preservação da cultura e património loriguense.
O trabalho árduo de promoção e divulgação nos últimos 10 anos por parte da Confraria da Broa e Bolo Negro traduz-se em mais este reconhecimento para Loriga e para as suas gentes. O Prémio Cinco Estrelas é um prestigiado sistema de avaliação que reconhece produtos, serviços e marcas que se destacam pela excelência e satisfação dos consumidores em Portugal.
Luís Costa, da Confraria do Bolo Negro de Loriga, agradece às cerca de 500 mil pessoas, “que votaram para que este prémio fosse possível.” Agradece, igualmente, “à Loripão e Câmara Municipal de Seia. Sem eles este prémio não seria possível. Loriga, o sabor de ser único.”
Figueiró da Serra, no norte da Serra da Estrela, será o palco de um fim de semana prolongado de ação comunitária para a prevenção de incêndios. O evento decorre de 1 a 4 de maio e é promovido pela Associação Veredas da Estrela, em parceria com a Fundação Montescola e a Associação Verdegaia, da Galiza. A iniciativa insere-se no projeto europeu “De Monte a Monte – Territórios Resilientes”, que promove estratégias participativas de regeneração ecológica e resiliência climática em regiões rurais de Portugal e Espanha.
Durante quatro dias, Figueiró da Serra e Gouveia acolhem oficinas, saídas de campo, ações de voluntariado e encontros comunitários, com especialistas e participantes dos dois lados da fronteira. O programa é diversificado e acessível a todos os públicos, com várias atividades abertas à participação de crianças e famílias – como o Bioblitz (1 de maio), uma exploração da floresta à procura de vida selvagem, a ação de controlo de mimosas (1 de maio), ou a oficina de construção de caixas-ninho para chapins e morcegos (3 de maio), especialmente pensada para toda a família.
A manhã de sábado (3 de maio) inclui também um dos destaques da programação: uma ação prática de gestão florestal, que servirá como campo de experimentação de boas práticas ecológicas de prevenção de incêndios, como as chamadas faixas vivas — zonas de vegetação autóctone que promovem a biodiversidade e funcionam como barreiras naturais ao fogo. Esta abordagem, dinamizada em parceria com o grupo Faixas Vivas, será aplicada no terreno com a orientação do biólogo Manuel Malva, co-fundador da Associação Milvoz.
“Desde que fundámos a Veredas da Estrela, temos procurado aliar a prevenção de incêndios à conservação e regeneração de ecossistemas afetados pelos incêndios de 2017 e 2022. Nesta atividade queremos perceber melhor como uma faixa viva pode funcionar como aliada para proteger pessoas e ecossistemas”, explica Corinna Lawrenz, presidente da Associação Veredas da Estrela.
Para complementar esta atividade, a segurança no trabalho florestal será abordada numa oficina orientada por Bruno Vilela, especialista galego com vasta experiência na formação de operadores de motosserra e brigadas de proteção civil.
O programa conta, ainda, com a participação de Elizabete Marchante, investigadora da Universidade de Coimbra e especialista em espécies invasoras, que orientará uma oficina prática de controlo de mimosas e uma formação e ação de campo em Gouveia, em parceria com a Câmara Municipal, dedicada à recuperação de um ecossistema ripícola afetado pela proliferação de plantas exóticas.
A iniciativa culmina a 4 de maio com uma assembleia comunitária aberta ao público, com a participação das Brigadas Deseucaliptizadoras da Galiza, num momento de partilha de experiências, desafios e caminhos comuns para um futuro mais resiliente.
O projeto “De Monte a Monte – Territórios Resilientes” pretende fortalecer a capacidade das comunidades para responder aos desafios das alterações climáticas e da perda de biodiversidade, com base na ação local, na partilha de conhecimentos e na cooperação transfronteiriça. O projeto é co-financiado pelo programa Erasmus+ da União Europeia.
Um homem, de 69 anos, foi hoje encontrado sem vida, caído no chão da sua residência, em Santa Marinha (Seia). Ao que tudo indica, a vítima não era vista desde terça-feira.
Eram cerca das 12.20h quando os Bombeiros Voluntários de Seia foram acionados pelo CODU de Coimbra para esta situação.
No local estiveram três elementos dos BV Seia, com uma viatura, GNR de Seia, com dois elementos e um meio e SIV de Seia, com dois elementos.
O óbito foi declarado no local pela Delegada de Saúde e a vítima foi transportada para o Instituto de Medicina Legal da Guarda.
O despovoamento das comunidades do interior não é apenas um problema estatístico ou uma questão a ser resolvida exclusivamente pelo poder político. É um desafio que nos diz respeito a todos: a quem escolheu viver nestes territórios, a quem sente o peso da sua história e a quem acredita no seu futuro. Não podemos esperar por soluções que venham de fora. Se queremos um interior vivo, dinâmico e sustentável, temos de ser nós os primeiros a arregaçar as mangas.
O associativismo é uma das formas mais eficazes de fazer a diferença. Sempre que uma associação organiza um evento, recupera uma tradição, dinamiza um espaço ou cria uma oportunidade para os mais jovens, está a contribuir ativamente para que o interior seja um lugar mais atrativo para viver. São estas pequenas ações coletivas que fazem a diferença, que fortalecem o tecido social e que transformam desafios em possibilidades.
A cultura e as artes têm um papel fundamental neste processo. A participação em associações culturais que promovam o teatro, a música e outras expressões artísticas é essencial para despertar crianças e jovens para o mundo das artes e incentivar a criatividade. Projetos deste tipo não só enriquecem a vida da comunidade, como ajudam a combater o isolamento e a atrair pessoas para o território, promovendo um ambiente mais dinâmico e inspirador.
O desporto é outro fator de coesão e dinamização do interior. Colaborar com clubes desportivos locais é contribuir para a criação de espaços onde crianças, jovens e adultos possam desenvolver hábitos de vida saudáveis, espírito de equipa e sentido de pertença. O desporto não é apenas uma atividade recreativa – é uma ferramenta poderosa para unir comunidades, atrair visitantes e fomentar o desenvolvimento local.
Ao mesmo tempo, a preservação das tradições e da cultura regional deve ser uma prioridade. O interior tem um património riquíssimo que merece ser valorizado e promovido. Eventos como as feiras do queijo em Seia e noutras localidades vizinhas demonstram o potencial que existe quando se aposta na identidade local como motor de desenvolvimento. Estas iniciativas não só atraem turistas e dinamizam a economia, como também reforçam o orgulho da população nas suas raízes e tradições.
Por outro lado, o poder local tem um papel essencial, mas a sua ação só será verdadeiramente eficaz se contar com o envolvimento das populações. As autarquias podem criar infraestruturas, promover políticas de fixação de pessoas e atrair investimento, mas nada disto terá impacto real se as comunidades não se mobilizarem, se não houver participação ativa, propostas concretas e vontade de construir um futuro melhor.
Se escolhemos viver no interior, então também escolhemos cuidar dele. Precisamos de estar atentos, de contribuir, de dar ideias, de apoiar iniciativas e de assumir a responsabilidade pelo território que queremos deixar às próximas gerações. Isso pode significar desde participar numa associação local até apoiar o comércio da terra, desde dinamizar um projeto comunitário até simplesmente valorizar e divulgar o que de melhor existe na nossa região.
O interior não tem de ser sinónimo de abandono ou de falta de oportunidades. Pelo contrário, é um território cheio de potencial, onde a qualidade de vida, a proximidade entre as pessoas e a riqueza cultural podem ser os motores de um novo ciclo de desenvolvimento. Mas nada disto acontece por inércia. A revitalização do interior precisa de ação, precisa de todos.
É tempo de nos envolvermos, de fazermos acontecer.
É já amanhã, dia 22, que a sede da União de Freguesias de Santa Marinha e São Martinho vai acolher, a partir das 18 horas, um convívio comunitário.
Este é um momento especial de encontro, partilha e união das comunidades. O evento conta, ainda, com o hastear da Bandeira de Mérito Social 2025, uma distinção atribuída recentemente.
“Os clientes finais do que fazemos na HFA estão por todo o mundo. Costumamos dizer que a eletrónica está em todo o lado e… nós fabricamo-la.”
A empresa tecnológica HFA está a desenvolver um componente de fibra ótica para a gigante americana de telecomunicações Verizon, uma das maiores operadoras do mundo.
Carlos Alves nasceu no Congo, mas desde muito cedo veio para a Lapa de Tourais (Seia), onde passou a sua infância e fez os seus estudos primários. Frequentou o liceu em Seia e, quando acabou os estudos secundários, saiu, como tantos outros jovens, para o ensino superior. Licenciou-se em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações pela Universidade de Aveiro e, mais tarde, tirou uma especialidade em Engenharia da Qualidade. Foi em Águeda, onde reside, que começou a trabalhar numa empresa, na altura, ligada à área da metalomecânica e onde deu início ao departamento de eletrónica. Após 10 anos de trabalho, Carlos Alves e dois outros colaboradores decidiram comprar o negócio da empresa para a qual trabalhavam e criar, em 1995, a HFA – Henrique, Fernando & Alves, S.A. A empresa iniciou a sua atividade com 10 colaboradores e, hoje, tem cerca de 400. Já o Grupo HFA, formado por várias empresas, com produtos próprios, nas áreas de telecomunicações, de energia, cidades inteligentes, iluminação etc., conta com mais de 800 colaboradores.
Carlos Alves divide o seu tempo por várias empresas das quais é administrador. Com mais de 30 anos de experiência em eletrónica, tem estado envolvido em inúmeros projetos tecnológicos, primeiro na área de desenvolvimento e, mais tarde, como gestor de topo.
Atualmente é, ainda, embaixador na Universidade de Aveiro e Conselheiro do Departamento de Eletrónica e Informática (DETI) da Universidade de Aveiro e da Escola Superior Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA) e Embaixador da ONU para os Objetivos de Sustentabilidade (ODS) da ONU.
A HFA é uma empresa com 30 anos de experiência na indústria eletrónica. Os clientes finais da HFA estão por todo o mundo. A título de exemplo, a empresa produz placas que estão a funcionar na Estação Espacial Internacional e em satélites em órbita terrestre e, também, nos submarinos e fragatas da Marinha Portuguesa.
Com grande ligação a Seia, este empresário não esquece o concelho que o viu crescer e, por isso, gostava de criar uma delegação ou uma empresa tecnológica no concelho. Contudo, como diz, “sozinho nada se consegue.” Para tal, considera que“é preciso criar condições para ter pessoas com talento, ter os diversos fornecedores por perto. Tem que se começar por criar condições para que aqueles que vivem em Seia e vão estudar fora, tenham condições de voltar, e assim começar a ter pessoas com formação na zona que atraia as empresas.”
Jornal Santa Marinha (JSM): O Carlos Alves não é natural de Seia, mas tem uma forte ligação ao concelho. Fale-nos de si, onde reside, qual a sua formação académica…
Carlos Alves (CA): Nasci no antigo Congo Belga, mas muito cedo vim para a Lapa de Tourais onde passei a infância e fiz os estudos primários. Em seguida, frequentei o Liceu em Seia, seguindo, posteriormente, para a Universidade de Aveiro, onde obtive a licenciatura em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações e, mais tarde, uma especialidade em Engenharia da Qualidade. Atualmente resido em Águeda, onde se localiza a empresa HFA de que sou administrador. Para além disso, sou atualmente embaixador na Universidade de Aveiro e Conselheiro do Departamento de Eletrónica e Informática (DETI) da Universidade de Aveiro e da ESTGA – Escola Superior Tecnologia e Gestão de Águeda e Embaixador da ONU para os Objetivos de Sustentabilidade (ODS) da ONU.
JSM: Em 1995 criou uma empresa em Águeda de Eletrónica e Telecomunicações, a HFA-Henrique, Fernando & Alves, S.A. Fale-nos da história desta empresa, da sua evolução, em que áreas atua…
CA: Quando terminei a licenciatura na Universidade de Aveiro fui trabalhar para Águeda onde iniciei o departamento de eletrónica numa empresa que trabalhava na altura na área da metalomecânica. Após 10 anos de trabalho, conjuntamente com dois outros colaboradores, decidimos criar a empresa HFA comprando o negócio da empresa para a qual trabalhávamos na altura. A título ilustrativo, a HFA iniciou com 10 colaboradores e hoje tem cerca de 400.
JSM: Quais os investimentos que têm feito ao longo dos anos, os projetos em que estão envolvidos e os produtos que estão a desenvolver?
CA: Ao longo do percurso empresarial fui co-fundador de outras empresas na área tecnológica e, agora, divido o tempo por várias empresas das quais sou administrador. Com mais de 30 anos de experiência em eletrónica, tenho estado envolvido em Inúmeros projetos tecnológicos, primeiro na área de desenvolvimento e, mais tarde, como gestor de topo.
Dos projetos em que me envolvi destaco a digitalização da rede de telecomunicações em Portugal, há 40 anos atrás e, na ultima década, as redes de novas geração com a introdução da fibra. A criação e ser membro de associações empresariais que muito contribuem para a atração de talento e investimento na região onde trabalho, também são outros projetos dos quais faço parte.
JSM: No ano passado, a HFA anunciou que adquiriu equipamentos de produção altamente especializados na área da microeletrónica. Em causa está o XFP NG-PON2 ONU. Que produto é este, para que serve e para quem está a ser produzido?
CA: É um produto desenvolvido por uma das nossas empresas que trabalha na área da fotónica e que é a única solução no mundo, de momento, para multiplicar por 10 a largura de banda de um equipamento terminal, que disponibiliza sinal em fibra (NG-PON2). O cliente é uma das maiores operadoras do mundo (Verizon) nos EUA. Temos um contrato de 5 anos de fornecimento desta tecnologia. Trata-se de um produto complexo que exige uma grande quantidade de testes e controlos rigorosos.
JSM: Este produto foi adquirido através de um investimento de cerca de cinco milhões de euros, financiado pelo PRR, no âmbito da Agenda Microeletrónica. De que se trata esta agenda e de que forma ela é importante para o aumento da capacidade produtiva.
CA: A Agenda da Microeletrónica é um consórcio criado no âmbito das Agendas Mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência em Portugal. Envolve um conjunto de 17 parceiros e visa posicionar Portugal na linha da frente no mercado de chip design, chip packaging, assemblagem eletrónica e reciclagem de REEEs, com capacidade para fornecer a Europa e outros mercados globais. Os investimentos concentram-se no aumento da capacidade produtiva nacional, no desenvolvimento de tecnologias avançadas, I&D, formação e capacitação de recursos humanos, internacionalização da imagem do setor e na reciclagem sustentável de resíduos.
JSM: A HFA pensa criar algum produto tecnológico próprio?
CA: O Grupo HFA, formado por várias empresas, tem produtos próprios, nas áreas de telecomunicações, de energia, cidades inteligentes, iluminação etc.
JSM: Sabemos bem do elevado preço da energia em Portugal. Isto não torna menos competitivo o vosso produto final? Ou têm soluções alternativas? Atualmente é muito importante a sustentabilidade do meio ambiente. Sabemos que a HFA tem vários compromissos nesta área. Como é feito o trabalho nesta área ambiental, uma vez que os resíduos utilizados por empresas tecnológicas são altamente poluentes?
CA: A preocupação pela Sustentabilidade e pela Ética nasceu de uma forma espontânea e natural na HFA e foi amadurecendo e ganhando uma estrutura sólida ao longo do tempo. A política de Responsabilidade Social da empresa focaliza-se, fundamentalmente, nas questões sociais, económicas e ambientais, relativas a situações do quotidiano da empresa e na interação com todas as partes interessadas. Para nós, a sustentabilidade esteve sempre presente ao longo dos 29 anos de existência. Não é uma moda! Sempre defendemos que uma empresa deve prestar contas e responsabilizar-se pelo seu impacto na sociedade. Sempre fomos transparentes nas nossas atividades e em todos os momentos fizemos por ter um comportamento ético, respeitando os interesses das partes interessadas e tentar seguir as normas internacionais do respeito pelo estado de direito. Na HFA fazemos a separação de resíduos e trabalhamos com os clientes e fornecedores para reduzir o desperdício eletrónico e transformar os resíduos em recursos.
Na HFA investimos em tecnologias que nos permitem reduzir o impacto ambiental das nossas operações e aumentar a eficiência energética. Um dos exemplos é a utilização de fornos com consumo de energia mais eficiente, que nos ajudam a reduzir, significativamente, o gasto energético durante o processo de produção, mantendo a qualidade dos nossos produtos. Além disso, utilizamos o verniz clean, que é uma solução mais ecológica para proteger os nossos circuitos eletrónicos. Este verniz reduz a emissão de compostos orgânicos voláteis (COVs), contribuindo para um ambiente de trabalho mais seguro e para uma menor poluição ambiental. Estas iniciativas fazem parte do nosso compromisso com a sustentabilidade, alinhando a inovação tecnológica com a responsabilidade ambiental.
JSM: A HFA tem uma forte presença no mercado nacional, mas também internacional. Com que clientes e países trabalham?
CA: Os clientes finais do que fazemos na HFA estão por todo o mundo. Costumamos dizer que a eletrónica está em todo o lado e… nós fabricamo-la. Na Europa, trabalhamos com os principais players da indústria automóvel, nas telecomunicações, aos equipamentos que produzimos asseguram as comunicações, por exemplo, em França, EUA, Brasil, República Dominicana, Israel e, claro, Portugal. Temos placas produzidas por nós a funcionar na Estação Espacial Internacional e em satélites em órbita terrestre e também nos submarinos e fragatas da Marinha Portuguesa.
JSM: As parcerias são fundamentais para o sucesso das empresas. Também a HFA trabalha com parceiros que são uma mais-valia para a concretização dos seus objetivos. De que forma é que estas colaborações são essenciais para a consolidação e avanço da empresa?
CA: Fazemos parte de uma cadeia de valor e nada pode ser feito sozinho. É necessário criar relacionamentos de longo prazo e entender o negócio do parceiro. É preciso humildade e ver o todo e muitas empresas não estão preparadas para isso. Leva tempo de aprendizagem (é como namorar antes do casamento), mas as pessoas não têm tempo, mas como diz a canção do velho Bob Dylan, os tempos estão a mudar… times are changing. As questões são complexas, dependem de empresa para empresa, mas acredito que uma visão clara e compartilhada é essencial, assim como a capacidade (inclui negociação) de criar relacionamentos em que todos ganham. Acho que a nossa melhor vantagem é a capacidade de nos adaptarmos às necessidades dos nossos clientes e, quanto a mim, não é uma questão de aptidão, mas de iniciativa.
“Não é o mais forte da espécie que sobrevive, nem o mais inteligente que sobrevive. É o que é mais adaptável à mudança.” Charles Darwin … há mais de 150 anos.
JSM: O mercado eletrónico é muito competitivo e exigente. Por isso torna-se tão importante uma empresa recorrer a técnicos especializados e a constantes formações, para uma melhor aposta na qualidade, na inovação e na excelência. Neste campo, como atua a HFA? Esta empresa conta com quantos colaboradores?
CA: A empresa tem cerca de 400 colaboradores e o Grupo tem mais de 800. O ambiente empresarial é muito competitivo, com todas as empresas a quererem atrair os melhores talentos. Procuramos recursos humanos de longa duração, que ambicionem ter um emprego como projeto de vida e estabilidade profissional. Sentimos dificuldade em estimular e reter o talento de profissionais que cada vez mais valorizam ambientes cosmopolitas e é difícil competir com Barcelona, Zurique ou Berlim. Mas investimos no desenvolvimento e o bem-estar dos nossos colaboradores, valorizando-os como a força vital da HFA e temos conseguido atrair e reter.
JSM: Há cerca de um mês, a HFA atribuiu, pelo quarto ano consecutivo, bolsas de estudos a estudantes da região de Águeda. Este é outro compromisso que a HFA quer continuar a manter…
CA:Na HFA, acreditamos que a educação transforma vidas. É por isso que promovemos iniciativas que garantem acesso inclusivo e equitativo à educação, capacitando pessoas para um futuro mais sustentável. Através da atribuição de bolsas de estudo, visitas escolares, estágios e parcerias com escolas e universidades, trabalhamos para que mais pessoas tenham acesso a uma educação de qualidade e estejam preparadas para construir um futuro melhor para todos.
JSM: Vem frequentemente a Seia? Como caracteriza este concelho? E em termos tecnológicos?
CA:Sempre que posso vou a Seia, visitar a família. Em termos tecnológicos penso que o concelho está bem servido, nomeadamente de fibra e tem empresas que estão a trabalhar bem nas suas áreas. Penso é que o concelho tem que saber comunicar melhor. Dentro do concelho e externamente. Precisamos de atrair pessoas e investimentos, mas temos de dizer quem somos, como nos organizamos para os receber e como iremos corresponder às suas expetativas. O concelho tem que trabalhar na internacionalização da região de Seia, ao nível da captação e instalação de capital/empresas e divulgação de competências e recursos em mercados internacionais, então teremos de ser muito práticos, ajustados a uma sociedade em mudança, com diferentes perspetivas de vida e com novas ambições para a sua vida profissional.
JSM: Por estar ligado a esta terra, alguma vez pensou em criar uma delegação ou uma empresa tecnológica em Seia?
CA: Sim gostava, mas como já disse antes sozinho nada se consegue. É preciso criar condições para ter pessoas com talento, ter os diversos fornecedores por perto. Tem que se começar por criar condições para que aqueles que vivem em Seia e vão estudar fora, tenham condições de voltar, e assim começar a ter pessoas com formação na zona que atraia as empresas. Pessoas nas áreas da gestão, da engenharia, nas TICE, na química etc etc.
JSM: O concelho de Seia tem tido, ao longo dos anos, dificuldades em criar condições para atrair novos investimentos, novas empresas em diversas áreas e até mesmo fixar recursos ou atrair turistas e população. Na sua opinião isto deve-se a quê?
CA: Não sei ao que se deve, mas o diagnóstico já deve estar feito pelos atores locais, mas no processo de atração e retenção de pessoas existem quanto a mim 3 prioridades:
Serviços de saúde – Sem saúde nada se faz; Agricultura – Porque é necessária comida para alimentar as pessoas; Educação – Precisamos de ter pessoas competentes e melhores cidadãos.
É importante valorizar o ensino profissional, aprendizagem ao longo da vida, a ligação das empresas aos estudantes e fomentar a possibilidade de os jovens experimentarem antes de decidirem por uma “carreira”.
Existem depois uma série de outros pontos importantes: Um serviço de emigração local, Habitação, Mobilidade, Escolas (desde infantários à Universidade – polo de Turismo), zonas de lazer, Centros de Dia e IPSS, centros de divertimento, Justiça…
Mais do que atração de empresas âncora, é preciso trabalhar e fomentar a cooperação multissetorial das empresas que já existem no concelho, até porque este é um tema que importa a todos os setores. Ao promover projetos conjuntos entre diferentes setores, visando por exemplo, a incorporação digital e focando no desenvolvimento, reutilização, conseguimos abranger vários desafios de diferentes setores, e ainda, alavancamos áreas conexas como o desenvolvimento de software, materiais, logística, otimização de processos, etc.
JSM: Como se monta uma estratégia de atrair e fixar pessoas na Região Centro? Como isso se faz? Que tipo de educação se oferece ajustada às necessidades? Que perfil de pessoas querem nos vossos quadros?
CA: Temos que perceber como funcionam as redes que estão envolvidas na construção das políticas públicas e que têm impacto no desenvolvimento económico local. A ideia é identificar, em cada local,quais os agentes e instituições que mais influências têm na tomada da decisão e através de indicadores, ajudar os autarcas a prestar um melhor serviço aos munícipes. Estou preocupado com o trabalho da comunicação social que só vai à procura das coisas más, nomeadamente o estado de direito e a corrupção, aquisição dos serviços diretos etc, etc.
Os nossos políticos não percebem que somos muito pequeninos à escala europeia. Uma cidade média europeia tem 300 000 habitantes. Parece-me, às vezes, que os municípios não querem trabalhar em conjunto. Interessa é haver planeamento, juntos encontrar novas redes, ter pessoas de outras cidades/municípios. Precisamos de atores políticos que puxem pela Região Centro.
JSM: Que projetos pretende implementar futuramente? Esses projetos poderão passar por Seia?
CA: É minha intenção continuar na área dos semicondutores e microeletrónica e temos a ideia de trabalhar na área do chip design e chip packinging dos semicondutores, que necessita de equipamento muito específico e pessoas altamente treinadas, que nós ainda não temos e que temos que atrair para Águeda e formar. Neste momento parece-me difícil atraí-las para Seia.Talvez um projeto mais ligado às tecnologias digitais, por exemplo, desenvolvimento de software, que só precisamos de computadores e fibra, seja mais fácil de implementar em Seia. Mas quem sabe, talvez um projeto ligado à área da formação para quadros das empresas, aproveitando as condições da região de Seia em termos de turismo e a boa gastronomia.
Deixo aqui uma mensagem de confiança e otimismo para os jovens, dizendo que está tudo por fazer. Precisamos de novas formas de produzir energia, novas formas de mobilidade, novas formas de produção, novas formas de fazer trabalhar, novas formas de valorizar o tempo que estamos juntos, mas não nos podemos esquecer que o que fazemos para nós mesmos, morre connosco. Só o que fazemos pelos outros e pelo mundo permanece.