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Produção d’Fusão projeta Loriga no mapa internacional da “La Nuit du Cirque”

Nos dias 15 e 16 de novembro, Loriga recebe dois espetáculos internacionais de circo contemporâneo, no âmbito da La Nuit du Cirque — evento mundial que celebra a criação circense contemporânea.

A Escola Dr. Reis Leitão será o palco do encerramento da Temporada Cultural “Um Lugar à Varanda”, iniciativa promovida pela Produção d’Fusão nas Aldeias de Montanha de Valezim e Loriga. Pela primeira vez, a La Nuit du Cirque, celebração nascida em França em 2019, chega à Serra da Estrela, marcando a presença da região nesta rede internacional de programação cultural.

A La Nuit du Cirque é uma iniciativa internacional dedicada ao circo contemporâneo, promovida pela associação Territoires de Cirque, com o apoio do Ministério da Cultura de França e de várias redes europeias. Todos os anos, durante um fim de semana, centenas de cidades em França e noutros países acolhem espetáculos, demonstrações e eventos participativos que evidenciam a vitalidade e diversidade da criação circense atual.

Em Loriga, o programa inclui dois espetáculos:

15 de novembro (sexta-feira), às 18h“Gregarious”, da Companhia Soon Circus, combina acrobacia e comédia, com uma fusão fluída entre competição e colaboração, a destacar temas como trabalho em equipa, amizade e rivalidade.

16 de novembro (sábado), às 15h“Rima”, de Alan Sencades e Alvin Yong, une técnicas de circo e movimento, tendo como linguagem central a Roda Cyr, como um símbolo de conexão entre duas peças consoantes dentro do mesmo (uni)verso. O público é convidado a identificar-se com essa experiência de uma procura de uma casa, um lar, um abrigo.

A Temporada Cultural “Um Lugar à Varanda” decorreu entre setembro e novembro, prolongando o verão cultural nas aldeias e promovendo o diálogo entre as comunidades locais e as artes contemporâneas.

Sérgio Alves lança o seu livro dia 8 de novembro, na Biblioteca Municipal de Seia

Intitulado “Cartas dos Grandes e Graves Prejuízos – Relatos da Invasão Francesa nos Concelhos de Seia e Gouveia”, o livro será apresentado no dia 8 de novembro, pelas 15h, na Biblioteca Municipal de Seia.

“Cartas dos Grandes e Graves Prejuízos – Relatos da Invasão Francesa nos Concelhos de Seia e Gouveia”, da autoria de Sérgio Alves, vai ser será apresentado no próximo dia 8 de novembro, pelas 15h00, na Biblioteca Municipal de Seia.

Resultado de uma investigação historiográfica minuciosa, esta obra convida o leitor a mergulhar nas sombras de um tempo de dor e resistência, através das palavras autênticas dos curas e párocos que testemunharam a devastação provocada pelas tropas napoleónicas.

As cartas, escritas entre 1810 e 1811, revelam a dimensão humana da guerra — o desespero das populações, a destruição das igrejas e capelas, os saques e incêndios, e a perda irreparável de vidas e bens. Mas também deixam transparecer a força e a fé de comunidades que, mesmo perante a tragédia, não deixaram que a memória se perdesse.

Com uma linguagem acessível e um rigor histórico exemplar, Sérgio Alves reconstrói, documento a documento, o retrato de uma região marcada pelo conflito, onde Seia e Gouveia se tornam palco de histórias de coragem e sofrimento. Mais do que uma simples recolha de fontes, o livro propõe uma leitura viva do passado, aproximando o público contemporâneo das vozes que, há mais de dois séculos, denunciaram os “grandes e graves prejuízos” infligidos pelas invasões francesas.

Cada carta é um fragmento de memória que, reunido com tantos outros, forma um testemunho coletivo da resistência das gentes da Serra da Estrela.

Com esta obra, Sérgio Alves reafirma o seu compromisso com a preservação da história local e a valorização do território, continuando o caminho iniciado com o seu primeiro livro, “Por entre marcos e padrões – A história dos limites de São Romão”.

Sérgio Alves, natural de São Romão, é licenciado em História pela Universidade de Coimbra. Tem-se dedicado ao estudo e valorização da história e memória do concelho de Seia, procurando dar nova vida aos documentos e às vozes que moldaram a identidade das suas gentes.

Transição na Juventude Socialista de Seia –  Hugo Abreu eleito novo presidente

A Juventude Socialista (JS) de Seia elegeu a Lista A, encabeçada por Hugo Abreu, como a nova direção concelhia. As eleições, realizadas na sede do Partido Socialista no passado dia 1 de novembro, assinalam o início de um novo ciclo para a estrutura, após quatro anos de liderança de Gonçalo Dias.

Hugo Abreu eleito novo presidente da JS

Hugo Abreu, de 23 anos e vice-presidente cessante, assume a presidência com o objetivo de “dar continuidade a um caminho” de superação e crescimento, propondo uma JS mais “próxima, participativa e interventiva” nas causas locais, como o acesso à habitação e a fixação de jovens no concelho.

O dever cumprido de Gonçalo Dias

Gonçalo Dias – Presidente cessante

A eleição decorreu após a decisão do presidente cessante, Gonçalo Dias, de não se recandidatar. Numa mensagem partilhada a 25 de outubro, Gonçalo Dias fez um balanço dos quatro anos (2021-2025) à frente da JS Seia. “Saio com a convicção de dever cumprido: recuperámos o que se tinha perdido e assegurámos o futuro da nossa estrutura,” afirmou Gonçalo Dias.

O mandato de Gonçalo Dias foi marcado pela reconstrução e resiliência da estrutura, destacando iniciativas como: a celebração do 25 de Abril com “Memórias da Liberdade”; a formação de jovens através da “Rota do Conhecimento”; a organização da XII Edição do WinterFest, que reuniu cerca de 300 jovens de todo o país e o aumento da presença da JS Seia nas listas do Partido Socialista nas últimas Autárquicas, com 16 candidatos.

Deixou um agradecimento à sua família, “por toda a paciência e apoio”, e à sua “equipa — Alexandre, Ana Rita, Daniela, Hugo, Matilde, Afonso e Raúl — que nunca desistiu e esteve sempre na linha da frente, independentemente das circunstâncias.” Disse ter sido “um enorme privilégio liderar esta estrutura. O futuro está em boas mãos — e estarei sempre por perto.”

Continuidade e ambição com Hugo Abreu

A candidatura de Hugo Abreu, apresentada a 30 de outubro, baseou-se na consolidação das conquistas da direção anterior. O novo presidente destaca a JS Seia como uma “casa comum, um espaço de participação, de aprendizagem e de crescimento coletivo.”

A sua plataforma eleitoral centra-se em temas cruciais para a nova geração, procurando transformar a “inquietação em ação”: acesso à habitação; ação climática; direito à educação de qualidade e a criação de atrativos para a fixação de jovens em Seia.

Pretende “que a Juventude Socialista de Seia continue a ser um espaço de ideias, de compromisso e de resposta aos desafios do presente mas, acima de tudo, um espaço onde cada jovem se sinta representado e ouvido”, pode ler-se em comunicado enviado ao JSM.

Conquistas e nova estrutura

Ainda segundo o comunicado, durante o último mandato, “a JS Seia não só reergueu a sua credibilidade, como também alcançou um crescimento notável, tornando-se atualmente a maior concelhia do distrito da Guarda em número de militantes.”

Os novos órgãos sociais são compostos por:

Presidente: Hugo Abreu
Vices Presidentes: Alexandre Alvo e Daniela Cabecinha

Secretariado: Matilde Martins; Francisco Flor; Ana Rita Santos; Afonso Cardoso; Beatriz Branquinho; Nuno Campos; Vitor Nércio; Mariana Pinheiro e Samuel Coelho.

Mesa da Assembleia Concelhia:
Presidente: Raúl Ramos
Membros: Duarte Cabete; Sara Ascensão e César Sério.

Representantes na Comissão Política do Partido Socialista:
Gonçalo Dias e Alexandre Alvo.

Os novos órgãos concelhios assumem agora a missão de “manter e reforçar este desempenho, garantindo que a política continua a ser um espaço de interesse e desenvolvimento para a juventude do concelho.”

A nova direção, que representa uma “Juventude que inspira”, segundo o lema da lista vencedora, promete estar “sempre por perto” para guiar o futuro do projeto em Seia.

Maratona Clube Vila Chã brilha no grande prémio “Cidade de Viseu”

O Maratona Clube Vila Chã teve uma participação notável na 63.ª edição do Grande Prémio Internacional “Cidade de Viseu”, que se realizou no passado dia 2 de novembro. Quatro atletas representaram o clube, alcançando resultados de destaque, com duas presenças no pódio.

Os atletas do Maratona demonstraram excelente forma em diversas categorias, consolidando a presença do clube nas provas de fundo regionais e nacionais.

O destaque da representação do Maratona Clube Vila Chã vai para a experiência e resiliência dos atletas dos escalões mais velhos, que garantiram o segundo lugar em duas categorias distintas: M55: o atleta Virgílio Figueiredo alcançou um excelente 2.º lugar, subindo ao pódio para receber a prata neste escalão; M60: Jacinto Correia replicou o feito de Figueiredo, terminando o Grande Prémio também na 2.ª posição do seu escalão, numa prova que exigiu grande esforço e determinação.

A prestação do clube foi completada com resultados sólidos em outros escalões, demonstrando a abrangência e o potencial do Maratona

No escalão de M40, António Rodrigues classificou-se na 8.ª posição, ficando no top 10 de uma das categorias mais competitivas da prova. Já no escalão mais jovem, a atleta Ema Rodrigues obteve o 20.º lugar na prova de Benjamins, um resultado que sublinha o trabalho do clube na formação e a promessa de futuro.

A 63.ª edição do Grande Prémio Internacional “Cidade de Viseu” reafirmou a importância do evento no calendário nacional de atletismo e o compromisso do Maratona Clube Vila Chã com a modalidade, com a ambição de continuar a colecionar pódios e bons resultados nas próximas competições.

Hospital Sousa Martins requalifica e amplia Psiquiatria com apoio do PRR

A Unidade Local de Saúde da Guarda (ULS Guarda) avança com um investimento crucial na modernização dos seus serviços, focado na requalificação e ampliação do edifício do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Sousa Martins (HSM). O investimento global, no valor de 2 936 664,15 € (IVA incluído), abrange os anos de 2025 e 2026, sendo financiado em 1 500 000,00 € pelo PRR e em 1 436 664,15 € por recursos próprios da ULS Guarda, E. P. E. e visa melhorar significativamente as condições estruturais, funcionais e assistenciais para utentes e profissionais.

O passo decisivo para a concretização desta obra foi a publicação da Portaria n.º 614/2025/2, que autoriza a ULS Guarda a repartir os encargos financeiros ao longo dos anos de 2025 e 2026.

A intervenção insere-se no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), cujo projeto demonstra um compromisso partilhado entre o financiamento europeu e os recursos da ULS Guarda para a saúde mental na região.

Esta requalificação é descrita pela ULS Guarda como um “investimento estratégico” que visa a modernização da rede de cuidados de saúde mental. A intervenção reforçará a capacidade de resposta do serviço de Psiquiatria do Hospital Sousa Martins, garantindo um ambiente mais adequado e eficaz para o tratamento e acompanhamento dos utentes.

A Portaria n.º 614/2025/2 produz efeitos a partir da data da sua assinatura, permitindo à ULS Guarda iniciar os procedimentos necessários para a concretização da obra e o consequente reforço da qualidade dos serviços prestados na área da saúde mental na Guarda.

Vila Nova de Foz Côa – Quatro detidos por caça em área de proteção

 O Comando Territorial da Guarda, através do Serviço da Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) de Pinhel, com a colaboração do Posto Territorial de Vila nova de Foz Côa, deteve, no dia 2 de novembro, quatro homens, com idades compreendidas entre os 61 e os 73 anos de idade, por caça em área de proteção, no concelho de Vila Nova de Foz Côa.

No âmbito de uma ação de fiscalização ao exercício do ato venatório, os militares da Guarda detetaram os suspeitos, que se encontravam a caçar em terreno não cinegético, nomeadamente, próximo de um Itinerário Principal (IP2), sendo esta zona considerada área de proteção.

No decorrer da ação foi possível apreender diverso material, do qual se destaca:  quatro armas de caça; quatro cartas de caçador; quatro livretes de manifesto de arma e 12 cartuchos carregados com chumbo.

Os detidos foram constituídos arguidos e os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Vila Nova de Foz Côa.

A Guarda Nacional Republicana (GNR) relembra que existem áreas de proteção onde o exercício da caça é interdito, devido ao risco que pode representar para a vida, saúde ou tranquilidade das pessoas, ou pela possibilidade de causar danos materiais. Entre estas áreas incluem-se: praias de banho e respetivos terrenos adjacentes; terrenos adjacentes de estabelecimentos como escolas, hospitais, prisões, lares de idosos, de proteção à infância, instalações militares ou de forças de segurança, entre outros serviços sensíveis; infraestruturas como estações radioelétricas, faróis, portos marítimos e fluviais, aeroportos, instalações turísticas, parques de campismo e desportivos; Instalações industriais e de criação animal, bem como terrenos circundantes a estas áreas, numa faixa de 500 metros de proteção; povoados, numa faixa de proteção de 250 metros e vias de comunicação, incluindo estradas nacionais (EN), itinerários principais (IP), itinerários complementares (IC), autoestradas, estradas regionais das Regiões Autónomas (ER) e linhas de caminho de ferro, numa faixa de proteção de 100 metros.

O cumprimento destas medidas é essencial para garantir a segurança e o bem-estar da população e a proteção dos bens e infraestruturas.

A Guarda Nacional Republicana, através do Serviço da Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), tem como preocupação diária a proteção ambiental e dos animais. Para o efeito, poderá ser utilizada a Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520), funcionando em permanência para a denúncia de infrações ou esclarecimento de dúvidas.

Cineclube de Seia/AAIS abre ciclo com a estreia de “Lavagante”

Os amantes da sétima arte em Seia têm um encontro marcado esta quarta-feira, dia 5 de novembro, na casa Municipal da Cultura de Seia, com o regresso das sessões de cinema do Cineclube de Seia, promovidas pela Associação de Arte e Imagem de Seia (AAIS).

O ciclo tem início às 21h00 e arranca com a exibição de “Lavagante”, o mais recente filme do realizador Mário Barroso (2025).

“Lavagante” é um filme que mergulha o espetador no turbulento início dos anos 1960 em Portugal, durante a ditadura salazarista. A narrativa, descrita como uma “história de amor e enganos”, desenrola-se num cenário de repressão e resistência.

O filme aborda temas como a ação da polícia política (PIDE); a censura e as perseguições e as prisões e a revolta estudantil que marcou a época.

O argumento tem um peso histórico e cultural significativo, sendo o último argumento escrito pelo falecido António-Pedro Vasconcelos, adaptado da última obra literária de José Cardoso Pires.

O elenco conta com nomes de destaque do cinema português, incluindo Francisco Froes, Nuno Lopes, Júlia Palha e Leonor Alecrim.

As sessões do Cineclube de Seia continuam a ser acessíveis a toda a comunidade, com preços simbólicos:

  • Associados da AAIS: 1€
  • Não Associados: 2€

O Cineclube de Seia/AAIS convida assim o público a iniciar este novo ciclo cinematográfico com uma obra que promete não só entretenimento, mas também uma reflexão sobre um período crucial da história portuguesa.

“Sabores que Constroem” em Santiago (Seia) – Almoço Solidário para construção da sede do Grupo de Cantares Casa Velha de Santiago

O “Grupo de Cantares Casa Velha de Santiago” (Seia) está a promover uma iniciativa solidária com o objetivo de angariar fundos para a construção do seu edifício-sede. O evento, denominado “Sabores que Constroem “ é um almoço que promete unir a comunidade em torno de uma causa nobre.​O almoço está agendado para o dia 9 de novembro (domingo), pelas 13 horas, e terá lugar em Santiago. A ementa, tradicional e reconfortante, inclui: ​sopa de peixe; ​lombo com legumes; ​batata loura; ​arroz branco; ​vinhos, sumo, água e café e sobremesas variadas

​Os valores de participação, que se revertem integralmente para o projeto de recuperação, são os seguintes: ​não sócios: 20 “tijolos”; ​sócios: 18 “tijolos” e crianças (6 aos 12 anos) 10 “tijolos”

​A imagem da futura sede da associação, com uma traça moderna mas que respeita a identidade local, ilustra o sonho que a comunidade pretende concretizar. O evento conta com o apoio visível de uma figura pública ligada à culinária.

​”Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado”, é a frase que inspira este movimento, conforme divulgado.

​As inscrições para este almoço solidário podem ser feitas através dos seguintes contactos: 965621838 e 966576538, ou ainda pelo número 963600995 (rede móvel nacional).

​Todos são convidados a participar neste momento de convívio, sabor e solidariedade, contribuindo ativamente para a edificação do futuro espaço do Grupo de Cantares “Casa Velha”.

Crónicas do Oriente — O Camboja, entre a dor e a doçura

Por João Ferrão

Há viagens que não se medem em quilómetros, medem-se em horizontes. E há horizontes que só a Ásia é capaz de oferecer.


A quem tem a possibilidade de o fazer, digo com convicção: visitar a Ásia, nem que seja uma vez na vida, é uma experiência que transforma. Não apenas pelas paisagens de cortar a respiração, pelas praias de postal ou pelos aromas que se misturam entre o incenso, o jasmim e o caos das ruas. Mas, sobretudo, pela oportunidade rara de olhar o mundo através de culturas que nos são profundamente diferentes — e, nesse espelho, redescobrirmos o que somos.

Um dos primeiros países que visitámos neste lado do mundo foi o Camboja.
Foi uma viagem por três regiões tão distintas quanto complementares: Phnom Penh, a capital caótica e vibrante; Sihanoukville, a janela marítima que mistura o exotismo com a ambição moderna; e Siem Reap, onde o passado se ergue em pedra, em templos que parecem suspensos no tempo.

Até hoje, foi uma das viagens mais marcantes da minha vida.

Para quem não conhece a sua história, o Camboja é um país que carrega nas costas o peso de uma tragédia recente. Nos anos 70, sob o regime de Pol Pot e dos Khmer Vermelhos, viveu uma das ditaduras mais brutais do século XX — um genocídio que ceifou a vida de quase dois milhões de pessoas. O país foi reduzido a ruínas humanas e materiais, mergulhando numa pobreza que ainda hoje deixa marcas profundas.

E, no entanto, é difícil encontrar um povo mais afável, mais sorridente, mais genuinamente gentil.

O Camboja é um exemplo de como a bondade pode florescer mesmo sobre as cinzas da dor.
Começamos a nossa viagem pela capital, Phnom Penh — e é exatamente o que aconselho a quem deseje visitar o Camboja.
É aqui, mais do que em qualquer outro lugar, que recai o peso da História.

Entre as ruas barulhentas e o movimento constante, esconde-se uma cidade que vive com as cicatrizes à flor da pele. A visita às antigas prisões, hoje transformadas em museus, e sobretudo aos Killing Fields, é uma experiência que ninguém esquece.

Ali, o silêncio tem uma presença quase física — absorve-nos, consome-nos, e por breves instantes conseguimos sentir, sem nunca o termos vivido, a dor de um povo inteiro.

Por isso, recomendo começar por aqui: porque terminar umas férias com tamanha carga emocional não será talvez a melhor forma de regressar a casa.
Durante a estadia em Phnom Penh, ficámos alojados num pequeno hotel (The Pavilion) de arquitetura francesa, acolhedor e rodeado por um verde refrescante que parecia proteger-nos do ruído e do calor da cidade.

Esse charme colonial, ainda visível em muitas fachadas e avenidas largas, é herança do período em que o Camboja integrou a Indochina Francesa, entre meados do século XIX e meados do século XX.
Os franceses deixaram marcas profundas na organização urbana, na gastronomia e até na forma de viver: cafés com varandas de ferro forjado, padarias onde o cheiro do pão fresco se mistura com o incenso dos templos, e uma nostalgia latente que persiste nas esquinas mais antigas.
É curioso como um país tão marcado pela dor conseguiu preservar também esta elegância serena, uma mistura improvável de Oriente e Ocidente que torna Phnom Penh uma cidade de contrastes — e talvez por isso, inesquecível.
Este hotel onde ficámos situava-se a poucos minutos do Palácio Real, uma das visitas obrigatórias de Phnom Penh.

Erguido no final do século XIX, o Palácio Real é um testemunho vivo da herança khmer e da influência francesa, com os seus telhados dourados e jardins meticulosamente cuidados. Lá dentro, o Pavilhão de Prata, com o chão revestido por milhares de azulejos de prata maciça, guarda relíquias sagradas e uma serenidade quase espiritual.
É impossível não sentir ali uma certa continuidade — como se o país, apesar de tudo o que sofreu, ainda encontrasse na figura do rei um fio de unidade e esperança.
Hoje, o Camboja mantém uma monarquia constitucional, encabeçada pelo Rei Norodom Sihamoni, um soberano de perfil discreto e profundamente respeitado, mais símbolo de equilíbrio do que de poder político efetivo.

O palácio, com a sua imponência tranquila, é o espelho dessa mesma realidade: um país que tenta conciliar a tradição e a modernidade, o passado e o futuro.
Phnom Penh é uma cidade que revela os seus encantos lentamente, e há muito mais para descobrir para além do peso da sua história. O Mercado Central, com a sua cúpula art déco e um colorido que parece desafiar o tempo, é um labirinto de aromas, tecidos e vozes onde se sente o pulso autêntico da vida local.

Vale também a pena visitar o Museu Nacional, guardião das mais belas esculturas do império khmer, ou caminhar ao entardecer pelo passeio ribeirinho junto ao rio Tonlé Sap, onde monges de túnicas açafrão se misturam com famílias, vendedores e viajantes, todos em harmonia com o pôr do sol que tinge as águas de dourado.

Phnom Penh é isso mesmo: uma cidade de contrastes — entre o sagrado e o profano, o antigo e o moderno, a dor e a esperança.
Depois de alguns dias a mergulhar nesta mistura intensa de emoções, seguimos viagem de autocarro rumo a Sihanoukville, no sul do país. Foram várias horas de estrada, atravessando campos de arroz, vilas adormecidas e um verde sem fim que parece acompanhar-nos como promessa de descanso.

O destino: o mar, e com ele, uma nova forma de descobrir o Camboja — mais leve, mais solar, mas não menos inesquecível.
Sihanoukville, quando a visitei, era ainda um refúgio de serenidade.
As ruas eram simples, a arquitetura discreta, e as praias estendiam-se quase desertas, com aquele silêncio de lugares que ainda não foram descobertos. Quase não havia hotéis de luxo, nem o turismo massificado que hoje domina a paisagem.

Desde então, a cidade transformou-se profundamente: onde antes havia coqueiros e areia branca, ergueram-se casinos e torres de vidro, impulsionados por um investimento estrangeiro — sobretudo chinês — que mudou o ritmo e a alma do lugar.
Tive a sorte de conhecer Sihanoukville antes dessa metamorfose, quando o encanto estava precisamente na sua simplicidade, no som das ondas e na ausência de pressa.
Ainda assim, ao sul da cidade subsistem ilhas quase intactas, pequenos paraísos como Koh Rong ou Koh Rong Samloem, onde o tempo parece suspenso.

São o destino perfeito para quem procura uns dias de repouso depois da revolução de sentimentos vivida em Phnom Penh — o lugar ideal para deixar que o mar devolva a leveza ao espírito.
Enquanto estávamos em Sihanoukville, aproveitámos para visitar, durante dois dias, a região de Kampot, uma das zonas mais encantadoras do sul do Camboja.
Entre montes suaves e campos verdejantes, explorámos magníficas quintas de borboletas e as famosas plantações de pimenta preta, consideradas entre as melhores do mundo.

A pimenta de Kampot é uma herança dos tempos coloniais franceses e tornou-se símbolo de qualidade e orgulho nacional. Não é por acaso que, em qualquer restaurante local, o prato obrigatório é o caranguejo com pimenta de Kampot — uma combinação perfeita entre o sabor do mar e o perfume da terra.

A cidade conserva ainda belos edifícios da era francesa, com fachadas coloridas, janelas de madeira e varandas rendilhadas, que nos transportam a uma época em que o Camboja fazia parte da Indochina Francesa e Kampot era um pequeno porto comercial cheio de vida e elegância discreta.

Mas o que mais nos tocou nesta visita não foram apenas as paisagens ou os sabores.
Foi o lado humano, profundamente comovente. Entre cafés e escolas, é comum ver cartazes e programas que convidam os estrangeiros a “adotar” simbolicamente uma criança, tornando-se seus patrocinadores nos estudos.
É uma forma simples, mas comovente, de contribuir para o futuro de um povo que ainda carrega as marcas de um passado cruel.
Ver o sorriso das crianças, o brilho nos seus olhos e a esperança que renasce através da educação é, talvez, a maior lição que o Camboja oferece a quem o visita: a de que, mesmo depois de tanta dor, há sempre espaço para recomeçar.
Finalmente, viajámos para Siem Reap, e que melhor destino para terminar a viagem do que aquele que quase todos conhecem, ainda que apenas através do cinema?

Foi aqui que se imortalizaram as ruínas de Angkor Wat, cenário do filme Lara Croft: Tomb Raider, que levou ao mundo a imagem mágica dos templos cambojanos perdidos na selva.

Mas a realidade ultrapassa em muito qualquer ficção. Angkor Wat, construído no século XII, foi o coração do poderoso Império Khmer e é hoje um dos maiores complexos religiosos do planeta — um monumento dedicado originalmente a Vishnu, mais tarde convertido ao budismo, e que permanece como símbolo máximo da identidade cambojana.

Caminhar entre as suas torres e relevos é viajar no tempo, sentir o eco de uma civilização que ergueu pedra sobre pedra a sua própria eternidade. O nascer do sol em Angkor é uma daquelas experiências que as palavras dificilmente traduzem: quando o primeiro raio de luz atravessa as torres douradas e se reflete no espelho de água, compreendemos porque o povo do Camboja, apesar de tudo, nunca perdeu a fé.

Nas redondezas, é também imperdível a visita às “floating villages”, as aldeias flutuantes do lago Tonlé Sap.
Casas, escolas, igrejas e até mercados erguem-se sobre palafitas ou flutuam sobre balsas de madeira, adaptando-se ao ritmo das águas que sobem e descem com as estações.
É um retrato comovente da capacidade humana de se reinventar, mesmo quando o mundo em volta parece sempre em movimento.

a cidade de Siem Reap é hoje uma mistura perfeita entre tradição e modernidade. De dia, os mercados locais enchem-se de cores, cheiros e vozes — especiarias, sedas, esculturas, sorrisos.
À noite, a famosa Pub Street transforma-se num mosaico de luzes, música e aromas de cozinha de rua, onde se cruzam mochileiros, artistas e curiosos vindos de todas as partes do mundo.
Siem Reap tem a energia vibrante das cidades que vivem para receber e a serenidade das que sabem acolher.

Regressámos a casa com a alma cheia — e com a vontade certa de um dia voltar.
Porque o Camboja, como toda a Ásia, tem esse poder raro: o de nos fazer sentir pequenos diante da sua grandeza, e ao mesmo tempo enormes por termos tido o privilégio de a conhecer.

Viajar por estas terras não é apenas ver o mundo — é descobrir, em cada sorriso e em cada templo, um pedaço de humanidade que nos recorda o que realmente importa.

Mostra de Gastronomia: Aromas e Sabores da Montanha à mesa de 23 restaurantes em Seia

Cerimónia de inauguração decorreu hoje no Mercado Municipal de Seia

A partir de hoje e até dia 9 de novembro , Seia volta a ser o destino de quem aprecia os sabores genuínos da serra da Estrela. A Mostra de Gastronomia “Aromas e Sabores da Montanha” promove o melhor da cozinha regional, num evento que celebra a cultura, as tradições e a autenticidade gastronómica serrana. A abertura oficial do evento decorreu durante a tarde de hoje, no Mercado Municipal de Seia, e contou com a presença de Luciano Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Seia; Rui Ventura, presidente da Comissão Executiva Turismo Centro de Portugal; Célia Gonçalves, Secretária Executiva da  ADIRAM – Associação de Desenvolvimento Integrado da Rede das Aldeias de Montanha; Ricardo Guerra, diretor da Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia (ESTHS) e Cláudio Figueiredo, vereador do turismo da Câmara Municipal de Seia.

Ainda no decorreu da inauguração, a chef Inês Beja, da Escola Superior de Turismo e Hotelaria – IPG, realizou um showcooking para os restaurantes aderentes dedicado à gastronomia serrana. Este momento reuniu, também, alguns produtores e artesãos locais, que apresentaram produtos típicos do território. 

Durante dez dias, o concelho transforma-se no palco de uma verdadeira viagem pelos sabores da montanha, destacando pratos típicos como o cabrito assado, o borrego, o bacalhau com broa, a truta, o afamado Queijo Serra da Estrela, o requeijão, os enchidos, o mel e o icónico Bolo Negro de Loriga, sem esquecer o toque distinto do medronho e os premiados vinhos do Dão, sub-região da Serra da Estrela.

A edição deste ano conta com a adesão de 23 restaurantes, que irão integrar nas suas ementas os produtos e receitas tradicionais, e com um conjunto de iniciativas paralelas, que reforçam a ligação entre o território, os produtores e a gastronomia.

Entre os destaques do programa estão o Mercado de Sabores, as aulas de culinária com a chef Inês Beja e o chef Hélio Loureiro, atividades que convidam à descoberta e à partilha dos saberes e sabores locais.

No dia 8 de novembro, o Mercado Municipal de Seia volta a ser palco do Mercado de Sabores, entre as 9h30 e as 13h00 — um espaço de encontro e partilha entre produtores locais, confrarias e visitantes, onde se celebram os sabores autênticos da Serra da Estrela. O queijo, o requeijão, o mel, os enchidos, o pão e a broa assumem o protagonismo deste mercado, que combina tradição e inovação.

A presença das Confrarias do Requeijão com Doce de Abóbora e da Broa e Bolo Negro de Loriga reforça esta ligação às raízes gastronómicas do concelho, valorizando o saber-fazer local.

Entre os momentos altos da edição, destaca-se a participação especial do chef Hélio Loureiro, embaixador do evento, que estará presente às 10h30, no Mercado de Sabores, para uma demonstração culinária inspirada nos produtos endógenos de Seia, partilhando com o público a sua experiência e paixão pela cozinha tradicional portuguesa.

A Mostra decorre em simultâneo com outras festas e eventos gastronómicos do concelho, que evidenciam a vitalidade e diversidade das tradições locais: a Festa dos Santos em Travancinha, a Festa da Castanha na Lapa dos Dinheiros, a Festa das Sopas nos Bombeiros Voluntários de Loriga (eventos que se realizam a 1 de novembro) e a Noite das Caçoilas no Sabugueiro (a 8 de novembro).

A Mostra de Gastronomia “Aromas e Sabores da Montanha” é uma iniciativa do Município de Seia, em parceria com a Rede de Aldeias de Montanha e a Escola Superior de Turismo e Hotelaria – IPG, e constitui uma oportunidade única para redescobrir a autenticidade da cozinha do concelho de Seia, valorizar os produtos locais e promover o património gastronómico da região.

Entre os aromas da serra e os sabores que enchem a alma, há muitos motivos para visitar Seia e saborear o melhor da montanha