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“Cada vez que deixamos a nossa terra, é como se fôssemos arrancados de uma parte do nosso ser. Não há lugar como o nosso lar, independentemente dos mundos que conheçamos; existe uma ligação umbilical impossível de romper.”

Vem a Seia uma a duas vezes por ano e o que mais destaca “é a resiliência de alguns senenses – essa capacidade de, mesmo tendo oportunidades noutros destinos, escolherem permanecer e lutar pelo concelho.” E acrescenta que “Seia precisa de líderes com visão, com coragem para fazer diferente e com vontade de transformar este potencial em realidade. Porque a matéria-prima está cá – só falta trabalhá-la com a intensidade e a inteligência que merece.”

António João Ferrão (AJF): Sou senense, nascido em Seia em 1974, sob os cuidados do renomado Dr. Guilherme, cuja dedicação ao bem público ainda ecoa na memória dos mais antigos; e, como Seia clama por figuras carismáticas como a dele, se eu nascesse hoje, provavelmente seria num hospital da Guarda, Viseu ou Coimbra – contudo, tenho orgulho de pertencer a uma geração que pode afirmar com convicção e orgulho: sou senense de gema.

AJF: Em 2012, decidi embarcar nesta aventura. Antes disso, graças à presença de familiares que já residiam e trabalhavam aqui, tive a oportunidade de visitar o território e mergulhar no encanto único da região. Ao chegar à Ásia pela primeira vez, o impacto inicial é marcado pelos cheiros e pela humidade – a princípio estranhos, mas que logo se entranham. Nessas visitas, pude sentir a magia das metrópoles vibrantes, a sofisticação da tecnologia de ponta e experimentar os sabores exóticos de uma cozinha que, à primeira vista, me era totalmente inédita. Foi, numa dessas viagens, de forma surpreendentemente improvável, que reencontrei um professor da faculdade, que me convidou para lecionar numa universidade local – convite que aceitei no verão de 2012, dando início a uma aventura transformadora e repleta de descobertas.

AJF: Já se passaram 13 anos nesta terra cheia de contrastes, onde aprendi a amar cada detalhe. Em Macau, a convivência entre modernidade e tradição cria um estilo de vida singular – um ambiente urbano dinâmico, onde o luxo dos grandes casinos e hotéis se contrapõe à portugalidade presente na arquitetura, nos becos que evocam os bairros típicos de Lisboa e nas placas com nomes de ruas ainda em português.

AJF: A minha formação académica é em Engenharia Informática. Atualmente desempenho funções de liderança no departamento de informática de uma empresa em Macau, com forte incidência em projetos no setor dos casinos, e, paralelamente, transmito a minha experiência enquanto docente, ministrando disciplinas de informática e governação digital numa universidade de Macau.

AJF: Não, a integração não foi particularmente difícil, sobretudo graças ao apoio dos meus compatriotas, tanto no âmbito pessoal como profissional. Naturalmente, integrar-me com a comunidade portuguesa ocorreu de forma fluida, enquanto a adaptação à comunidade chinesa impôs desafios – principalmente devido às barreiras linguísticas e às diferenças culturais. Esses obstáculos, contudo, enriquecem a experiência de viver no outro lado do mundo.

AJF: Infelizmente, cada vez menos portugueses permanecem em Macau. A pandemia impulsionou a saída de muitos e as restritas condições para obter o cartão de residente têm contribuído para essa diminuição. Atualmente, a residência só se consegue mediante contrato de trabalho que cumpra rigorosos requisitos impostos pelo governo, que define as áreas com carência de recursos e permite a contratação apenas de estrangeiros considerados verdadeiras mais-valias para essas vagas. Embora os salários sejam mais atrativos, o elevado custo de vida e as exigências para o visto de trabalho dificultam a captação de mais portugueses para o mercado de trabalho em Macau.

AJF: Apesar da transferência da administração para a China há 25 anos, o legado português em Macau permanece vivo. A arquitetura e a gastronomia são evidentes: o Centro Histórico, inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO, é uma das provas mais marcantes desse passado. Além disso, o sistema jurídico de Macau, estruturado a partir do modelo português, reflete claramente a influência de tempos passados, sendo visível na organização dos tribunais e nos procedimentos legais que ainda vigem. Quanto à língua, ela poderia ter sido a marca de maior impacto, mas Portugal sempre adotou uma visão predominantemente económica em vez de histórica ou geopolítica sobre Macau – uma atitude que, lamentavelmente, ainda se nota hoje.

AJF: A língua portuguesa, infelizmente, tem-se tornado cada vez menos presente em Macau. Fora da comunidade portuguesa – e dos macaenses (mais velhos) – é raro ouvir o nosso idioma a ecoar nas ruas ou estabelecimentos, sendo praticamente inexistente e de utilidade no setor privado, embora continue a ser uma das línguas oficiais do território.

AJF: Sim, tenho dois filhos, o Gabriel de 7 anos e o Vicente de 4 anos.

AJF: Ambos falam português e inglês fluentemente. Frequentam escolas de matriz portuguesa, onde também têm aulas de mandarim – o mais velho, por exemplo, está no primeiro ciclo da Escola Portuguesa de Macau. Contudo, como em casa não usamos o mandarim, a fluência nessa língua ainda representa um desafio para eles.

AJF: Eles nasceram aqui em Macau. Para eles, esta terra é o seu lar e a adaptação foi, por si só, natural.

AJF: Gosto de desfrutar das coisas simples: recebo amigos em casa, adoro cozinhar (dizem que herdei a paixão pela cozinha do meu pai) e aprecio longos serões à volta da mesa, um hábito que, com toda a certeza, vem das minhas raízes serranas e da calorosa tradição de bem receber, tão característica das gentes de Seia.

Além disso, vivendo em Macau, aproveito sempre que posso para aventurar-me pela China continental ou por Hong Kong, onde cada visita se revela repleta de descobertas surpreendentes. Para se ter uma ideia, nas proximidades de Macau encontram-se cidades como Zhuhai, com cerca de 2 milhões de habitantes; Cantão, com 15 milhões e Shenzhen, com 17 milhões, que se destaca como uma das cidades mais evoluídas do mundo, símbolo de inovação e dinamismo urbano. Por outro lado, destinos como a Tailândia, as Filipinas, Camboja ou o Vietname estão a apenas 2 a 4 horas de voo, permitindo-nos explorar lugares que, na minha juventude, eram tangíveis apenas no universo dos sonhos.

AJF: Sempre que me fazem essa pergunta, lembro-me da canção “Para os Braços da Minha Mãe”, de Pedro Abrunhosa. Cada vez que deixamos a nossa terra, é como se fôssemos arrancados de uma parte do nosso ser. Não há lugar como o nosso lar, independentemente dos mundos que conheçamos; existe uma ligação umbilical impossível de romper. Acredito que qualquer emigrante, onde quer que se encontre, compartilha desse sentimento profundo.

AJF: Falta-me, sobretudo, a proximidade da família e daqueles amigos da meninice, que, por mais mundo que percorramos e pessoas que conheçamos, permanecem sempre connosco, como se, mesmo distantes, continuassem a crescer ao nosso lado.

E depois, sinto falta de tudo o que a nossa serra e as nossas gentes nos proporcionam: da gastronomia, das paisagens deslumbrantes, do ar puro e da água fresca e natural. Recordo com carinho os convívios espontâneos, as gentes acolhedoras das aldeias e até aquelas noites em que se terminava numa garagem desconhecida, a saborear uma chouriça assada, acompanhada de um copo de vinho servido diretamente da pipa. – Momentos simples, mas profundamente enriquecedores e que nos ficam gravados na memória para todo o sempre.

AJF: Infelizmente, não tantas vezes quanto gostaria. A distância e os compromissos profissionais limitam as visitas a, no máximo, uma ou duas vezes por ano.

AJF: Saí de Seia com 18 anos, numa época em que a cidade fervilhava de vida e juventude. O que mais me surpreende, e respondendo à sua pergunta, é que, sempre que regresso ao longo destes 33 anos, a sensação é a de uma autêntica viagem ao passado. Nota-se muito pouca mudança, como se o tempo tivesse congelado num daqueles momentos de vídeo em que tudo está em movimento e, de repente, todos ficam imóveis, suspensos no tempo. Uma estagnação difícil de compreender. Mas o pior é que aquilo que, de facto, mudou, parece ter mudado para pior.

AJF: Sempre que me é possível, procuro acompanhar as notícias da minha terra, seja através das redes sociais, seja pelos meios de comunicação locais. Aproveito para aplaudir o serviço que prestam, destacando, por exemplo, o Jornal de Santa Marinha, cuja persistência merece reconhecimento, resistindo e garantindo que ainda seja possível ter acesso a notícias locais. No entanto, sinto que, mesmo neste campo, as opções são cada vez mais limitadas. Faz falta um maior dinamismo na comunicação social do concelho, tanto na imprensa escrita como na rádio, para que a informação local não se perca.

AJF: O que mais destaco é a resiliência de alguns senenses – essa capacidade de, mesmo tendo oportunidades noutros destinos, escolherem permanecer e lutar pelo concelho. E não posso deixar de mencionar o encanto intemporal do Parque Natural da Serra da Estrela, que, apesar de todos os desafios, continua a preservar a sua essência.

AJF: O que dizer? As evidências estão por todo o lado. Foram décadas de promessas vãs, de projetos falhados, de decisões políticas desastrosas que não só não resolveram os problemas de Seia, como os agravaram.

O exemplo mais paradigmático desse desnorte é o que fizeram no Largo da Feira – um verdadeiro monumento à incompetência. Que idiotice foi aquela? Como é possível gastar dinheiro dos contribuintes para criar algo sem qualquer sentido, sem utilidade, sem visão? E chamam-lhe Porta da Estrela? Mais valia terem dado outro nome àquela aberração algo que refletisse melhor a inutilidade do espaço, sem propósito, sem identidade e sem qualquer benefício para a cidade.

E o pior é que nem era preciso ser um génio para perceber que aquele espaço poderia ter sido transformado em algo útil, vibrante, integrado no desenvolvimento da cidade. Bastava bom senso.

E enquanto isso, Seia definha. Nos últimos anos perdeu quase 24% da sua população. Basta percorrer o centro da cidade para ver as ruas desertas, as lojas fechadas, os negócios locais que resistem sabe-se lá com que sacrifício para manter as portas abertas.

Venderam-nos sonhos e entregaram-nos ruínas. Estamos perante um concelho estagnado, sem gente, sem emprego e sem atratividade para fixar os mais jovens.

Seia e todo o concelho encontram-se neste estado devido a anos de más decisões políticas, marcadas pela incompetência sucessiva de quem governou sem visão nem estratégia. E digo isto com alguma contenção, para não usar termos ainda mais duros para descrever aqueles que permitiram que a nossa terra chegasse a este ponto.

AJF: Sou daqueles que, mesmo diante das adversidades, procuram sempre encontrar o lado positivo. E Seia, continua a ser um concelho com um enorme potencial. Tem uma localização privilegiada, no coração da Serra da Estrela, uma riqueza natural incomparável, um património histórico e cultural que poderia ser muito mais valorizado, e um conjunto de recursos que, se bem aproveitados, poderiam transformar a economia local e reverter o declínio populacional.

Os jovens partem porque não encontram aqui um futuro. O turismo, que poderia ser um motor de desenvolvimento, continua a ser explorado de forma amadora e sem estrutura.

Seia tem tudo para ser um destino turístico de referência, um polo de inovação ligado à montanha, à sustentabilidade e à gastronomia. Tem espaço para se afirmar na área do desporto de alta performance, tem condições para atrair investimento e reter talento.

Mas para isso, é preciso quebrar este ciclo de marasmo, de promessas vãs e de política de remendos.

Seia precisa de líderes com visão, com coragem para fazer diferente e com vontade de transformar este potencial em realidade. Porque a matéria-prima está cá – só falta trabalhá-la com a intensidade e a inteligência que merece.

Enquanto há vida, há esperança. E é nisso que devemos focar-nos.

AJF: Por agora, o nosso projeto de vida familiar está enraizado em Macau, e, a menos que surjam mudanças significativas a nível profissional, não equacionamos um regresso a curto prazo. No entanto, a médio prazo, a intenção é voltar a Portugal – e, quem sabe, a Seia. Seia está e estará sempre presente, não apenas na memória, mas também como uma possibilidade real para o futuro.

AJF: Quero deixar uma palavra de reconhecimento e gratidão aos jovens que decidem ficar e lutar pelo futuro da nossa terra. Seia tem um potencial imenso, e é fundamental lembrar que o futuro está nas vossas mãos. Tenham ousadia, intervenham no espaço público, façam valer as vossas ideias – porque vocês têm valor e podem ser a mudança que Seia precisa.

Aos emigrantes, envio um forte abraço, porque só nós sabemos a falta que a nossa terra nos faz.

Sei que Seia tem, espalhados pelo mundo, emigrantes de enorme valor, e seria essencial a criação de uma plataforma que unisse essa diáspora, permitindo restabelecer laços e raízes com a nossa terra.

Bem hajam!

Pinhel – Detido por posse ilegal de arma

O Comando Territorial da Guarda, através do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) de Pinhel, deteve, no dia 10 de março, um homem de 66 anos por posse ilegal de arma, no concelho de Pinhel.

No âmbito de uma investigação pelo crime de ameaças, que decorria há cerca de quatro meses, os militares da Guarda deram cumprimento a três buscas, uma domiciliária, uma em veículo e outra em armazém. A operação culminou na detenção do suspeito por posse ilegal de arma e na apreensão de: uma caçadeira; uma pistola e 18 cartuchos;

O detido foi constituído arguido e os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Pinhel.

Seia promove ação de formação sobre a Metodologia de Cuidados Humanitude

O Município de Seia, em parceria com o Instituto da Segurança Social, I.P. – Centro Distrital da Guarda, promove a Ação de Formação “Metodologia de Cuidados Humanitude – A importância da relação e a sua profissionalização na prestação de cuidados”, nos dias 14 e 21 de março, na Casa Municipal da Cultura de Seia.

Esta formação, de 12 horas, dirige-se essencialmente a dirigentes e diretores/as técnicos/as das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) com respostas sociais na área da população idosa e/ou com deficiência ou incapacidade, podendo ser alargada a coordenadores/as de equipa, outros técnicos e colaboradores das instituições.

A metodologia de Cuidados Humanitude promove uma abordagem centrada na pessoa cuidada, mais do que na tarefa, contribuindo para a humanização dos cuidados, o bem-estar dos utentes e a melhoria da qualidade dos serviços prestados pelas instituições. Implementada em diversas organizações, esta filosofia valoriza a relação entre cuidador e pessoa cuidada, fornecendo técnicas que profissionalizam o cuidado e evitam intervenções em força ou não consentidas.

A formação será ministrada por Amélia Martins, licenciada em Serviço Social, pós-graduada em Neuropsicologia Clínica e doutorada em Psicologia Cognitiva pela Universidade de Coimbra. Conta com uma vasta experiência na implementação da metodologia Humanitude em Portugal, Espanha e Itália, sendo co-fundadora e formadora na Cooperativa Via Hominis e membro do IGM Portugal.

A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição obrigatória, na página de internet do Município (cm-seia.pt).

Seia acolhe a 1.ª Taça Internacional de Downhill nos dias 15 e 16 de março

O Bike Park de Vila Cova à Coelheira, no concelho de Seia, volta a ser o cenário da 1.ª Taça Internacional de Downhill, que decorrerá nos dias 15 e 16 de março. A prova, integrada no calendário da União Ciclista Internacional (UCI) como competição de categoria C1, é também pontuável para a Taça de Portugal de Downhill, apresentada pela SHIMANO.

Com um traçado de 1.700 metros, a pista – inaugurada em 2022 nos terrenos baldios da freguesia de Vila Cova à Coelheira – tem sido amplamente reconhecida pela sua exigência técnica e pela envolvência paisagística singular. Este ano, a experiência dos adeptos será ainda mais intensa, com a criação de uma zona dedicada ao público, que inclui um espaço de restauração e um ecrã gigante para acompanhar a transmissão em direto da prova.

O evento é organizado pela Estrela Ativa – Associação de Desenvolvimento Turístico e Desportivo da Serra da Estrela, pela Associação de Ciclismo da Beira Alta e pela Federação Portuguesa de Ciclismo, contando com o apoio do Município de Seia e da Junta de Freguesia de Vila Cova à Coelheira.

A competição promete atrair alguns dos melhores pilotos mundiais da modalidade, proporcionando um espetáculo de grande emoção e adrenalina, consolidando-se como uma referência no panorama do downhill em Portugal.

Sabugal – Resgate de corço ferido

O Comando Territorial da Guarda, através do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da Guarda, resgatou, no dia 6 de março, um corço (Capreolus capreolus) ferido, no concelho do Sabugal.

Na sequência de um alerta por parte de um popular a dar conta de que o animal se encontrava ferido na berma da Estrada Nacional (EN) 16, no referido concelho, os elementos do SEPNA deslocaram-se para o local, onde procederam à recolha do espécime.

O animal resgatado foi transportado para o Centro de Recuperação de Animais Selvagens (CERVAS), em Gouveia, para monitorização do seu estado de saúde, recuperação e posterior libertação no seu habitat natural.

A Guarda Nacional Republicana, através do SEPNA, tem como preocupação diária a proteção ambiental e dos animais. Para o efeito, poderá ser utilizada a Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520) funcionando em permanência para a denúncia de infrações ou esclarecimento de dúvidas.

“Quem viu Seia e quem a vê”

Não nos cansamos de dizer que o Jornal de Santa Marinha é um Jornal aberto a todas as correntes de opiniões, desde que não se ofendam pessoas ou Instituições.
No entanto, como sempre o fizemos e faremos, nunca deixaremos de dar a nossa opinião quer ela seja a favor ou contra a A, B ou C porque ela é justa. Assim vamos debruçar-nos sobre o que era Seia e o seu concelho há cerca de 60 anos e a Seia que hoje temos e onde vivemos.
Verificamos que todos os presidentes da Câmara Municipal, no seu tempo, tentaram fazer o melhor que sabiam dentro das possibilidades e vimos sempre Seia a crescer, a industrializar-se, a abrir Escolas, um Politécnico, as ruas e avenidas, a alindarem-se e a progredirem ao nível do comércio… enfim… um cem números de coisas que nos leva a dizer “quem viu Seia e quem a vê”.
É possível que muita gente, por pura cegueira, ignorância ou má-fé, só saiba apontar pequenos defeitos, tentando desconhecer o que existiu e existe. Sim, porque Seia tem tido presidentes de Câmara à altura, que têm conseguido tudo o que lhes é possível. Não quer dizer que, de mandato para mandato de um presidente de Câmara, não transitem problemas que todos aqueles que vieram depois tivessem de resolver. O que é certo é que resolveram, não obstante da crítica quase sempre acintosa de alguns que, para estes, nada está bem.
Estamos a chegar à eleição de um novo Presidente da Câmara e já andam por aí alguns “saltaricos”, “porque só se alimentam de ervas daninhas”, a dizer coisas e loisas do atual Presidente Dr. Luciano Ribeiro. Quanto a nós, tem feito um trabalho impecável, numa altura em que a situação do País está difícil.
Como aconteceu com os seus antecessores, Luciano Ribeiro, em conjunto com a sua equipa, continua a acabar obras que estavam em andamento: a remodelar os serviços e a estrutura do Centro de Saúde; as obras na Escola Secundária; o novo projeto do quartel da GNR… e, ao mesmo tempo, a manter uma Câmara não endividada. A isso chama-se boa gestão. Mas, também, não se tem esquecido das freguesias do concelho.
Como ainda só lá vão pouco mais de 3 anos de mandato, com certeza que há obras que se irão realizar e, auguramos nós, que se mantenha como presidente para concluir todo o trabalho a que se propôs.
É muito cedo, ainda, para se fazer um balanço daquilo que terá de ser concretizado em 4, 8 ou 12 anos. Aí, sim, cá estaremos para, honestamente, criticar o que foi bem ou mal feito. Não nos podemos esquecer que “Roma e Pavia não se fizeram num dia”.
Aos apressados que na ânsia de chegar ao poder tudo dizem e mandam dizer, pedimos que tenham calma “porque só aqueles que têm muitos defeitos e poucas qualidades, conseguem ver os pequenos defeitos daqueles que têm grandes qualidades.”
No entanto, a seu tempo, as populações dirão de sua justiça.

Indecoroso, vergonhoso, obsceno

Cinquenta anos de Democracia deveria constituir tempo mais que suficiente para que partidos e políticos adotassem as regras fundamentais por que devessem pautar a sua conduta privilegiando sempre e de maneira inequívoca, a seriedade, a imparcialidade, a verdade e o respeito por quem os elege como forma de conquistarem a aprovação e o aplauso dos portugueses. Infelizmente, nada disso tem acontecido. Partidos e políticos têm dado mostras exactamente do contrário através de comportamentos e atitudes inequivocamente vergonhosas e repugnantes, de tal modo que Sá Carneiro, Camões, Pessoa, Afonso Costa, Jorge Sampaio, Mário Soares, Augustina Bessa Luís e tantos mais, estão fartos de darem tantas voltas nos sítios onde repousam. E se os mortos se mostram tão desassossegados como se sentirão aqueles que, felizmente, ainda estão vivos como Ramalho Eanes e Francisco Pinto Balsemão?
De facto, só quem seja cego, surdo e mudo poderá acreditar nem que seja apenas por uns instantes, no palavreado barato e fantasioso dos políticos que dizem uma coisa e fazem outra carregando exemplos completamente abomináveis que concorrem para o fim da Democracia que os valorosos militares ofereceram ao povo português.
Já não resta muito tempo para que nos vejamos envolvidos nas campanhas eleitorais para as autarquias e Presidência da República. Com gente desta, o que resta ao povo português? Pura e simplesmente não votar o que não será nada bom ou, então, escolher, cuidadosamente, as pessoas para os órgãos políticos, privilegiando os independentes, sem filiação partidária, sérios, capazes e decididos numa perspectiva de olharem para Portugal e para os portugueses.
Temos de ser coerentes com os princípios da verdade, da justiça e do respeito e fazer com que os nossos representantes que urge escolher, tenham como alvo apenas e tão só Portugal e os portugueses.
A nosso ver, não se torna necessário recordar os inúmeros e tristes exemplos da política e políticos. Bastará atentarmos nos recentes casos que se prendem com o Chega e o Bloco de Esquerda. No primeiro que citamos são horripilantes as atuações dos deputados municipais e do Parlamento. No BE são os próprios líderes a corporizarem comportamentos reprováveis no que toca ao despedimento de trabalhadoras grávidas.
Está na hora para dizermos basta e responsabilizar toda essa gente pelo asqueroso papel com que nos têm “brindado”, gerador, inquestionavelmente, da morte da Democracia.

Sustentabilidade do Planeta: é urgente atuar

A temática da Sustentabilidade tem vindo a ganhar enorme relevância na economia e na sociedade, sendo absolutamente crítico manter a visibilidade do tema, dado que a situação atual é de imensa gravidade e merece a maior das atenções e preocupações.

A Sustentabilidade pode definir-se como o processo que permite satisfazer as necessidades do presente sem comprometer as necessidades das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades, garantindo o necessário equilíbrio entre crescimento económico, ambiente e bem estar social.

Os sinais atualmente existentes são alarmantes dado que as alterações climáticas estão a ser tão rápidas que põem em causa a capacidade de adaptação de muitas plantas e animais sendo de realçar que, nas últimas cinco décadas, desapareceram da face da Terra uma grande quantidade de espécies animais.

Existem, por outro lado, muitas evidências de que o impacto do aquecimento global afeta todas as regiões do Mundo: as calotas polares estão a derreter e o nível da água do mar está a subir, os fenómenos meteorológicos extremos estão a tornar-se cada vez mais frequentes, a pluviosidade está a aumentar nalgumas regiões e noutras existe um número cada vez maior de vagas de calor e as secas estão a agravar-se.
As causas fundamentais para estas alterações resultam do facto do atual sistema produtivo e modelo de desenvolvimento social estarem baseados na queima de carvão, petróleo e gás natural, queima que liberta dióxido de carbono para a atmosfera, o qual é responsável pelo aumento dos gases com efeito de estufa que provocam o aquecimento do Planeta Terra.

O dióxido de carbono é o principal gás com efeito de estufa produzido pela atividade humana e é responsável por mais de 60 % do aquecimento mundial, sendo que atualmente a sua concentração na atmosfera é 40% mais elevada do que início da revolução industrial.

O abate da floresta em larga escala (desflorestação) tem também enorme impacto no aumento da temperatura, dado que as árvores ajudam a regular o clima e absorvem o dióxido de carbono presente na atmosfera, pelo que quando são abatidas estes efeitos benéficos desaparecem.


A estes dois fatores acrescenta-se ainda o aumento da atividade de pecuária intensiva (como resposta às necessidades resultantes do aumento populacional), nomeadamente de gado bovino e ovino. De facto, o processo digestivo destes animais produz grande quantidade de gás metano, o qual é também responsável pelo incremento de concentração na atmosfera de gases com efeito de estufa e pelo consequente aumento do aquecimento.
O aquecimento global elevou o nível médio da água do mar em 20 cm nos últimos 100 anos o que coloca já em risco várias ilhas e zonas costeiras densamente povoadas (EUA, Ásia, …), sendo de referir que as três últimas décadas foram mais quentes do que qualquer outra década desde 1850 (ano em que começou a haver registos).
A comunicação social tem vindo a dar ênfase a estas preocupações com a sustentabilidade e o meio ambiente, até pela existência de vários movimentos e protestos nacionais e internacionais, sendo esta temática também uma das principais preocupações da Organização das Nações Unidas.

O estado do Planeta obriga a alterações significativas em termos de economia e sociedade para garantir a sustentabilidade futura, a qual depende quer de pequenos gestos individuais, quer de alterações estruturais a nível das empresas, instituições, governos e sociedade em geral. O estado do Planeta obriga a alterações significativas em termos de economia e sociedade para garantir a sustentabilidade futura, a qual depende quer de pequenos gestos individuais, quer de alterações estruturais a nível das empresas, instituições, governos e sociedade em geral.
A nível de empresas e instituições será importante uma maior responsabilidade social e clareza nas campanhas de comunicação e marketing realçando os benefícios para a sociedade dos produtos sustentáveis, a redução da utilização de plástico nos processos produtivos, uma gestão mais eficiente de resíduos, um maior esforço de inovação para introdução no ciclo económico de produtos amigos do ambiente, bem como a definição de normas e estímulos pelos Governos que promovam processos e atuações mais sustentáveis.

A adoção de pequenos gestos individuais, que estão ao alcance de cada um de nós, contribuirá também muito positivamente para uma maior sustentabilidade do Planeta nomeadamente através do incremento das práticas de reciclagem e de reaproveitamento de resíduos, da redução da utilização de plásticos, da poupança e reaproveitamento de água, assim como a intensificação da mobilidade elétrica, nomeadamente através da utilização de veículos elétricos, assim como a adoção de comportamentos e estilos de vida mais consentâneos com a minimização dos impactos de natureza climática.

Importa reconhecer que a atuação para assegurar a sustentabilidade do Planeta é extremamente urgente e uma missão e responsabilidade de todos.

ESBANJÁMOS 5 MILHÕES DO SEU DINHEIRO. QUEREMOS OUVIR A SUA OPINIÃO!

Era também por aqui que devia começar o inquérito de avaliação de satisfação da obra de requalificação urbana denominada “Porta da Estrela”.

A avaliação desta requalificação tem vindo a ser manifestada de várias formas mas, para uma séria avaliação sobre o que e como foi feito, era importante incluir, no texto de introdução ao inquérito, o custo inicial da obra, o prazo de execução e os respetivos desvios.

A câmara municipal até pode investir uns tostões numa obra mas, mesmo com tostões, deve avaliar necessidades, custos e definir prioridades.

Mais ainda quando se trata de milhões, exige-se que a câmara municipal seja rigorosa nos investimentos em função duma estratégia que promova o desenvolvimento do concelho e o bem-estar das populações.

Nenhum destes requisitos foi cumprido para a decisão sobre esta requalificação e o resultado final é incompatível com o dinheiro “gasto” na obra, longe da desejada “referência no domínio da mobilidade urbana”, conforme referido no texto de introdução ao inquérito.

Convém ainda referir que há um equívoco, para não dizer uma mentira, quando se refere que “a operação Porta da Estrela está concluída”. Poderão estar concluídos os trabalhos do âmbito da empreitada de construção civil mas, isso, por si só, não poderá ser entendido como a requalificação urbana e paisagística da área central da cidade.

Não cabe na cabeça de ninguém classificar de requalificação paisagística o atual aspeto da “rotunda das pedrinhas”.
E fazia parte da requalificação a não utilização da construção já batizada de “crematório” ? O município colocou-se a jeito para o batizarem dessa forma, ao não ocupar o espaço nem dar mostras de saber qual o destino que pretende dar àquele abscesso, a não ser o de queimar o dinheiro dos contribuintes. Chegou a falar-se que seriam transferidos para lá os serviços e valências do atual posto de turismo, mas só confirma o nível de incompetência e a falta de visão.

Há perguntas feitas no questionário, como são exemplo as relativas às condições de circulação para bicicletas e para os transportes públicos (autocarros/táxis), que só podem ser entendidas com ironia.

E não venham com o argumento de que esta obra foi ideia do “anterior”. Luciano Ribeiro estava lá, era vice-presidente e não me recordo de lhe ouvir algum reparo. Penso mesmo que Luciano Ribeiro teve tempo e argumentos para reverter parte da obra, mesmo com custos, mas revelava alguma sensatez e, com inteligência, seria compreendido e com ganhos para o seu lado.

Como já vi escrito, e bem, aquela área urbana já precisa ser requalificada, assim como precisa ser requalificado o executivo da câmara, e não é preciso tanto dinheiro.

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O “trumpismo” e outros assuntos mais caseiros….

Vivemos tempos sombrios em que o amanhã apresenta um nível de imprevisibilidade preocupante. A visão que Trump tem da América no mundo é assustadora. Egoísta, direi até irresponsável, essa visão coloca em perigo, na conjuntura atual, em primeiro lugar a Europa democrática e a Ucrânia, obviamente, mas não deixará de fazer danos à própria nação americana. A Europa, o Canadá e eventualmente o Japão e até a China isolarão a América de Trump e a Rússia de Putin, já que ambos os líderes não são confiáveis e adoptam uma postura perigosa na abordagem das relações internacionais. Trump parece esquecer as origens da maioria do povo americano – a Europa. As posições que está a adoptar ameaçam o estatuto internacional dos Estados Unidos da América uma vez que tanto a Europa como a China, o Japão e o Canadá, perante a “ameaça trumpista”, podem aliar-se e adotar políticas comerciais e outras que compensem a arrogância de Trump. E quem perderá serão os americanos. No plano militar, existe uma estrutura montada, a NATO, que pode muito bem servir de base à necessária estrutura europeia de defesa. Se a NATO desaparecer, a nova estrutura pode muito bem surgir sobre ela, claro que sem os americanos. A deriva trumpista pode não passar de um pesadelo, mas que pode precipitar o menos desejável, pode, pelas afirmações que Trump profere. Esperemos que a diplomacia consiga fazer o que a irracionalidade não está a conseguir.

A reversão da agregação de freguesias sofreu um ligeiro revés. O Presidente vetou a Lei que foi aprovada na Assembleia da República, creio que para surpresa de muitos. O que terá levado Marcelo a vetar uma lei que não tinha substância material propriamente dita, a não ser afirmar quais as freguesias que seriam desagregadas? A proximidade das autárquicas, apresentada, no final, como a razão fundamental para o veto, não parece colher como argumento principal, já que o Presidente sabe que o seu veto é superável e terá de aprovar se o veto for superado. Creio que alguém próximo de Miguel Relvas ou o próprio terão feito chegar a Belém pormenores do que se foi passando na Assembleia da República, nomeadamente a alteração das conclusões do grupo de trabalho. Miguel Relvas manifestou, até de forma pouco elegante, a sua discordância com a desagregação. Chamou “baixo clero” aos deputados que participaram no processo de desagregação. Provavelmente, o Presidente quis marcar uma posição de compromisso com a posição de Miguel Relvas. O veto é político. E Marcelo manifestou, claramente, na fundamentação do veto, a sua posição anti desagregação.

Já está, em princípio, completa a “lista” dos candidatos à liderança do Municipio de Seia para as autárquicas de 2025. O PSD e o JPNT apresentam o mesmo candidato: Paulo Hortênsio. Trata-se de um candidato forte, pois tem um “histórico” que o favorece, foi quadro dirigente no Municipio de Seia, conhecendo ainda grande parte dos funcionários da Câmara Municipal, foi Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Seia mais do que um mandato. Trata-se de um candidato com fortes laços em Seia e conhecedor do funcionamento de uma Câmara Municipal que poderá atingir um bom resultado nas próximas autárquicas. João Tilly, que concorre pelo CHEGA, beneficiará da sigla, mas esta já está em declínio no país. Veremos se João Tilly consegue um resultado animador, o que parece duvidoso. Quanto a Luciano Ribeiro parte, quanto a mim, com vantagem. Apesar da fragilidade crescente do tecido económico, o Município tem gerido os “dossiers” sem problemas. O Centro de Saúde de Seia está próximo da conclusão do seu restauro, as obras na Escola Secundária começaram, muito em breve começarão as obras do Serviço de Emprego e Formação Profissional de Seia. Claro que Luciano Ribeiro tem pontos fracos, as que nem a oposição sabe explorar. A saúde não está bem no concelho. É preciso pulso forte e vontade firme em falar com os responsáveis. Em Seia e na capital do distrito. A solução dos diversos problemas na saúde pressupõe muito diálogo.