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Original ou cópia?

Quem sou eu? O que penso sobre mim? Tenho boas ideias, opiniões e sentimentos sobre mim próprio/a?
De uma forma muito resumida, uma auto-estima positiva significa ter bons sentimentos e pensamentos sobre nós, significa sentirmo-nos bem connosco próprios.

A auto-estima permite-nos tomar decisões, ter comportamentos congruentes com os nossos valores, aceitar as nossas falhas e pontos fracos, reconhecer áreas fortes e capacidades. Significa investir num trabalho pessoal que é: ser único e não ser uma cópia dos outros ou do que eles parecem ser ou fazer!

Pessoas com baixa auto-estima têm pensamentos negativos sobre si, sentem-se mal consigo próprias, criticam-se porque falharam, sentem-se inseguras e comparam-se, excessivamente, com os outros. Têm pensamentos de que não merecem coisas boas e que os outros parecem conseguir tudo menos eles. Procuram aceitação e aprovação dos outros, o que pode levar a copiar comportamentos, estilos ou atitudes de pessoas que consideram bem sucedidas ou confiantes. Limitam-se a “seguir a receita”, esperando que, os resultados que observam nos outros, sejam também os deles.

Num processo guiado pelo Psicólogo, as pessoas com baixa auto-estima encontram-se! Encontram respostas para a perguntar “Quem sou eu?”, percebem o que moldou e determinou o seu funcionamento, trabalham no seu autoconhecimento, reconhecem os seus pontos fortes e fracos, tornam-se mais resilientes e aceitam os erros, as falhas e as inseguranças. Trabalham, de forma responsável e estruturada, em prol do que tantas vezes ouvimos: “a melhor versão de si próprios”.

Seremos nós um original ou uma (tentativa de) cópia de quem parece ser valorizado?

Parabéns Luxius Psicologia – Saúde e Desenvolvimento Lda.!

9 anos de existência e já a sentimos como uma entidade com carisma e um percurso firme sempre no caminho da qualidade e humanidade dos seus serviços.

Iniciou pela vontade, motivação e sonho da sua fundadora, a Psicóloga Susana Amaral.

Inicialmente vislumbrámos um projeto com asas para voar mas com muito caminho para percorrer. Fomos pioneiros como projeto, na nossa região, bem como no panorama nacional. Hoje, conseguimos perceber que contribuímos verdadeiramente para a afirmação da Psicologia em Portugal. Estabelecemos parceria com a Ordem dos Psicólogos Portugueses e temos colaborado determinantemente para o desenvolvimento e afirmação de muitos colegas Psicólogos que espalham a missão de cuidar em prol da Saúde Mental e do Bem-estar.

Pertencemos ao grupo Luxius, que integra a empresa de Contabilidade e Consultoria, a qual nos apoiou e serviu de “trampolim” para a consolidação da Luxius Psicologia.

Com identidade própria, deve à sua mentora, coordenadora e equipa, atualmente com cerca de 20 elementos, o seu trajeto trilhado num panorama económico frágil, onde a saúde mental estava relegada para um plano envolto em tabus e onde tínhamos de provar que uma equipa especializada em saúde psicológica e mental pode fazer acontecer verdadeiras transformações nas vidas individuais e coletivas de uma população (crianças, jovens e séniores).

Na Luxius Psicologia encontra diferentes abordagens terapêuticas, uma equipa empenhada que realiza intervisão e supervisão de casos clínicos. A formação clínica e educacional acompanha a evolução no desenvolvimento de planos e protocolos específicos e adaptados a cada cliente. Dispomos dos mais atuais recursos de avaliação e intervenção psicológica.

O seu propósito é o nosso objetivo de trabalho!

Estamos a alargar horizontes e já chegámos a outras partes do país, nomeadamente Viseu e Águeda. Fomos estabelecendo diversas parcerias que nos ajudam a consolidar trilhos à luz da ciência e com um modelo integrativo, holístico e humano. Prezamos valores como a solidariedade, a partilha, a honestidade, a lealdade e o amor ao próximo.

Uma palavra de profunda gratidão a todos os que diariamente nos apoiam e incentivam o nosso trabalho, mesmo nos dias mais desafiantes.

À nossa família, amigos, aos nossos parceiros, destacando a Clínica GoSmile e a Clínica Carreiro Martins.

A si que confia diariamente na nossa equipa, MUITO OBRIGADO!
Celebre connosco, este aniversário!

As 7 maiores curiosidades sobre gatos

Na edição anterior trouxe-vos algumas curiosidades sobre o olfato incrível dos cães. Na edição deste mês, trago-vos algumas curiosidades felinas que nos fazem gostar ainda mais dos nossos queridos gatinhos:

  1. Comunicação única: Os gatos têm uma forma especial de comunicar com os outros gatos, mas não só: eles geralmente usam sons diferentes quando miam para as pessoas, adaptando as suas vocalizações para chamar a atenção dos humanos!
  2. Habilidades de salto: Os gatos são incríveis nos saltos em altura! Podem chegar a saltar até seis vezes a altura do seu corpo, o que os ajuda a caçar e explorar o seu ambiente com facilidade.
  3. Sentido de olfato apurado: O olfato dos gatos é muito mais apurado do que o dos humanos. Eles têm cerca de 200 milhões de células olfativas (em comparação com os nossos 5 milhões), o que os ajuda a detectar cheiros e feromonas com grande precisão!
  4. Dorminhocos: Os gatos são conhecidos por serem grandes dorminhocos, e com razão: por dia passam cerca de 12 a 16 horas a dormir! Este facto é normal e facilmente entendemos o motivo: eles são predadores naturais e precisam de energia para suas atividades de caça.
  5. Patas macias e silenciosas: As patas dos gatos são projetadas para serem silenciosas. Eles têm almofadas macias que ajudam a absorver o som enquanto se movem, permitindo que eles se aproximem das suas presas sem serem notados.
  6. Ronronar: O ronronar dos gatos não é apenas um sinal de contentamento e felicidade. Eles também ronronam quando estão stressados, doentes ou com dores/feridas, pois o ronronar tem um efeito calmante e curativo para eles próprios.
  7. Cauda: A cauda dos gatos não serve apenas para o seu equilíbrio: ela também é uma ferramenta de comunicação. Os gatos usam a posição e o movimento da cauda para expressar as suas emoções. Por exemplo, uma cauda ereta geralmente indica felicidade e confiança, enquanto uma cauda baixa pode sinalizar medo ou submissão. O contexto é muito importante para conseguirmos perceber a emoção subjacente à posição da cauda, aliada aos restantes sinais corporais e faciais do gato.
    Espero que tenham achado esses factos sobre gatos tão fascinantes quanto eles são. Se quiser saber mais, é só perguntar!
    Em caso de dúvida, contacte-me através do email ritam_costper@hotmail.com ou nas redes sociais @beehaviourbyritapereira

Branding: Para além do Logótipo e do Slogan da Marca

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No mundo atual, onde os consumidores estão cada vez mais informados e têm expectativas elevadas, o branding das marcas deve superar a mera criação visual e oferecer uma experiência integral, consistente e autêntica que reflita os valores dos consumidores e que alimente o seu desejo por conexões verdadeiras com as marcas.
Nesse sentido, a autenticidade tornou-se a pedra angular do branding moderno. As marcas que comunicam as suas verdadeiras intenções, processos e valores de forma transparente tendem a criar ligações mais profundas e duradouras com os consumidores.

Para este ano, a expectativa é que as marcas estejam recetivas a demonstrar com clareza as suas práticas, incluindo questões de sustentabilidade, ética e responsabilidade social. A transparência, mais do que desejada, é exigida pelos consumidores que querem saber exatamente o que estão a apoiar com o seu poder de compra.
Além disso, a personalização é outro elemento que tem redefinido o conceito de branding.

Com a ajuda de tecnologias avançadas, as marcas são capazes de oferecer experiências personalizadas que respondem às necessidades dos consumidores e também antecipam os seus desejos futuros. Variando desde produtos customizáveis até comunicações de marketing que se adaptam com base no comportamento dos consumidores.

A ligação social e comunitária torna-se uma componente essencial do branding moderno. As marcas que se envolvem ativamente com as suas comunidades e que participam em questões sociais ganham a admiração e o respeito dos consumidores.

É imperativo que as marcas respondam às expectativas dos consumidores, mas também que as antecipem. Em 2025, o sucesso das marcas será medido pela qualidade dos produtos ou serviços oferecidos, mas também pela capacidade de criar um impacto positivo e significativo na vida dos consumidores e na sociedade em geral.

As marcas que irão prosperar serão aquelas que conseguem integrar estes valores em cada aspeto do seu branding, estabelecendo-se como líderes de mercado e como verdadeiros parceiros na jornada dos seus consumidores.

JOSÉ MUCHATA
Co-Founder da dappin – Agência de Marketing

Desafios nos Cuidados à Demência

Por Pedro Lopes – Tesoureiro do Conselho Diretivo da Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros

O acesso a cuidados de saúde de qualidade para pessoas com demência é um desafio global, particularmente para aqueles que vivem em regiões rurais. Um estudo sistemático internacional apontou diferenças significativas entre populações urbanas e rurais, indicando que as pessoas com demência em áreas rurais apresentam maior mortalidade, menos visitas a médicos, mais hospitalizações, menor acesso a serviços domiciliares e maior uso de antipsicóticos (Arsenault-Lapierre et al., 2023). Contudo, a realidade portuguesa apresenta alguns aspetos distintos.
Um estudo comparativo entre 54 idosos revelou que aqueles residentes em áreas rurais relatam uma melhor perceção da qualidade de vida em dimensões físicas e psicológicas, comparados aos idosos urbanos (Instituto Politécnico de Bragança). Outro estudo, focado em freguesias rurais do norte de Portugal com 339 participantes, mostrou que 41,3% dos idosos vivem sozinhos e 60,2% possuem baixo grau de instrução.

A prevalência de doenças osteoarticulares (75,2%) e o uso excessivo de medicamentos (87,3%) evidenciam desafios importantes, especialmente entre as mulheres, que relataram maior sentimento de solidão e pior perceção da qualidade de vida (Arsenault-Lapierre et al., 2023).

A discrepância entre os dados portugueses e o estudo internacional pode ser atribuída a fatores culturais e sociais. Enquanto a revisão internacional sugere que o acesso limitado a serviços especializados prejudica a saúde dos idosos rurais, em Portugal, a estrutura comunitária parece mitigar esses impactos. Pequenas comunidades frequentemente oferecem um suporte social mais forte, compensando, em parte, a falta de recursos formais.
No entanto, não se pode ignorar os desafios existentes. O projeto “SINDIA: Desigualdades sócio-espaciais na demência”, em curso, até 2026 na Universidade de Coimbra, busca compreender como o local de residência influencia a progressão da demência e o acesso aos cuidados. Esses estudos serão fundamentais para o desenvolvimento de políticas de saúde mais equitativas, considerando tanto indicadores objetivos como a perceção subjetiva dos idosos.

Assim, a questão central não é apenas a desigualdade na distribuição de recursos, mas também como diferentes realidades culturais moldam a experiência da velhice e da doença. Portugal apresenta um cenário singular, onde o desafio está em equilibrar a perceção positiva dos idosos rurais com a necessidade de ampliar o acesso a cuidados especializados. O desenvolvimento de políticas adaptadas às especificidades regionais é essencial para garantir que a população envelheça com dignidade e suporte adequado.

Apesar dos desafios, há razões para acreditar num futuro mais promissor. Com um olhar atento e medidas concretas, podemos construir uma sociedade mais inclusiva, onde todas as pessoas com demência recebam o respeito e os cuidados de saúde que merecem. O caminho pode ser longo mas só o compromisso coletivo permitirão um envelhecimento mais digno e humano para todos.

Biblioteca Municipal de Seia reforça modernização com novos equipamentos tecnológicos

A Biblioteca Municipal de Seia foi uma das 13 bibliotecas integradas na Rede Intermunicipal das Bibliotecas das Beiras e Serra da Estrela (RIBBSE) a receber novos equipamentos informáticos, no âmbito do processo de modernização e digitalização da rede. A entrega oficial decorreu a 24 de fevereiro, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (BMEL), na Guarda.

Este investimento insere-se na medida C04-i01-m01 – Modernização da Infraestrutura Tecnológica da Rede de Equipamentos Culturais, integrada no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) – Recuperar Portugal, que visa adaptar as infraestruturas culturais às novas exigências digitais.

Ao todo, foram distribuídos 98 equipamentos informáticos pelas bibliotecas dos municípios parceiros, reforçando o acesso ao conhecimento e à informação. A modernização tecnológica permitirá à Biblioteca Municipal de Seia melhorar a experiência dos seus utilizadores, oferecer novos serviços e garantir maior acessibilidade digital à comunidade local.

A sessão de entrega, realizada na Sala Tempo e Poesia da BMEL, contou com a presença de representantes da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE) e dos municípios associados.

Com este reforço tecnológico, a CIMRBSE reafirma o seu compromisso com a inovação e sustentabilidade das bibliotecas da região, promovendo uma rede cultural mais inclusiva, moderna e preparada para os desafios digitais do futuro.

BiblioLED – Leitura e Empréstimo Digital gratuito através da Biblioteca Municipal de Seia

Os utilizadores da Biblioteca Municipal de Seia passaram a ter acesso a centenas de livros digitais e audiolivros através da BIblioLED. A nova biblioteca pública digital, permite fomentar hábitos de leitura, a literacia digital e facilitar o acesso gratuito, acessível e fácil a livros.

A plataforma BiblioLED, disponível gratuitamente para todos os leitores inscritos numa das bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, é um serviço promovido e administrado pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e gerido pelas Redes Intermunicipais de Bibliotecas Públicas aderentes.

Esta plataforma oferece acesso a uma vasta coleção de títulos, disponível através da app móvel (BiblioLED) ou do leitor online biblioled.gov.pt, em qualquer lugar, 24 horas por dia, 7 dias por semana, durante todo o ano.

Para utilizar este serviço de forma gratuita, os utilizadores precisam de estar inscritos na Biblioteca Municipal de Seia.

“A música, a semente de muitas gerações”

Em Cabeceira de Bastos reside uma banda filarmónica que está a dar que falar. Na sua direção, o Senhor Luís Rodrigues, fala-nos um pouco sobre a banda filarmónica da sua terra e a SMEB, tendo a mesma opinião, gostaríamos de partilhar com os nossos amigos este ideais.
Desde a Grécia Antiga, os filósofos Aristóteles e Platão defendiam que a música era essencial para a educação, acreditando que funcionava como um instrumento que moldava o caráter humano e promovia o equilíbrio entre emoção e razão. Luís Rodrigues, reforça que o ensino da música às crianças é uma das mais belas formas de preservar e enriquecer a cultura da nossa população. Esta transmissão de conhecimento atravessa séculos e desempenha um papel vital no desenvolvimento dos mais jovens.
Em Portugal, muitos defendem e acreditam que a música é uma força transformadora da sociedade. Tornar a aprendizagem da música acessível para todos, independentemente da sua origem, é democratizar o acesso à educação musical, para que todas as crianças, possam beneficiar do seu poder de formação.
Luís refere que a história das bandas filarmónicas em Portugal demonstra como estas se tornaram pilares culturais e sociais da nossa comunidade. Estas formações musicais, não apenas transmitem técnicas instrumentais, como também mantêm viva uma identidade coletiva que resiste à erosão temporal. Através do ensino desta arte, conseguimos preservar e fortalecer valores essenciais para o desenvolvimento integral das crianças.
A prática musical coletiva incentiva a cooperação e a empatia, ensinando as crianças e os jovens a ouvir e a respeitar o espaço do próximo. Aprender um instrumento e tocá-lo em conjunto desenvolve habilidades sociais e emocionais, preparando-nos para desafios futuros em diversas áreas da vida.
As bandas filarmónicas também ensinam sobre valores, responsabilidade e o verdadeiro significado de pertencer a um grupo, incutindo, desde cedo, que sem trabalho árduo não atingiríamos os nossos objetivos. Ensinar música às crianças é, em essência, ensinar-lhes a viver em harmonia com os outros e com o mundo, perpetuando uma tradição de cultura e aprendizagem ao longo da história.
A SMEB considera a sua escola de música o berço dos músicos, a mãe musical dos nossos filarmónicos e é por isso que aposta numa formação cada vez mais profissionalizada. A direção de tudo tem feito para poder responder às exigências da sociedade e às necessidades dos nossos alunos, por isso, sem eles a banda não tardará de deixar de existir.
Como disse Luís Rodrigues, “sem trabalho árduo não atingiríamos os nossos objetivos”, a música é um hobbie, é por gosto sim, mas também exige uma dedicação excecional e contínuo trabalho.
A escola da SMEB precisa também da vossa ajuda. Vamos juntos formar a geração futura?

Tiago Branquinho, um emigrante senense por terras alemãs. A sua inquietude levou-o a sair da sua zona de conforto e, atualmente, trabalha numa Câmara Municipal

Tiago Branquinho é senense e está na Alemanha desde 2014. Emigrou numa altura em que os pais se encontravam numa situação financeira difícil. Por isso, o motivo da sua saída foi, precisamente, de os ajudar. A decisão não foi nada fácil. O caminho era incerto, mas a sua coragem e resiliência levaram-no a este país onde começou a trabalhar, como tantos outros emigrantes: numa gelataria. A sua inquietude levou-o a sair da sua zona de conforto e trocou “o certo pelo incerto”. Hoje diz ter tido a sorte ao seu lado e, atualmente, trabalha numa Câmara Municipal, onde é responsável por manter o arquivo digital e respetiva base de dados da cidade operacionais 24 horas por dia.

Tiago Branquinho diz que “ser emigrante é um caminho desafiador, mas também uma oportunidade de crescimento pessoal e de abraçar novas culturas e formas de ver o mundo.” Nunca esquece as suas raízes e do que mais sente saudades é mesmo da comida da mãe.

Tiago Branquinho (TB): Decorria o ano de 2014 quando isso aconteceu. A decisão não foi nada fácil. Naquela época, Portugal enfrentava muitos problemas económicos e os meus pais estavam numa situação financeira débil. Esse foi o motivo que me levou a fazê-lo. Para ajudá-los.

TB: Escolhi a Alemanha, porque já tinha alguns familiares no país, tios e primos. Foram eles, que, de certa forma, me ajudaram a encontrar trabalho.

TB: Não. Emigrei sem contrato de trabalho. Só dias após a minha chegada à Alemanha é que foram tratados todos os trâmites legais.

TB: O meu primeiro trabalho na Alemanha foi comum ao de muitos outros emigrantes do concelho: funcionário numa gelataria. Tive a sorte de ir para Hannover que é uma grande cidade e que me mostrou o mundo de outra forma.

TB: No final de 2022, quando a época de trabalho estava a terminar, decidi que, talvez, estivesse na hora de sair da minha zona de conforto. Olhando para trás, digo que foi uma loucura! Troquei o certo pelo incerto. Troquei o conforto de trabalhar para alguém que me acolheu como um filho, para me inscrever no Centro de Emprego Alemão. Troquei aquilo que tinham sido os meus primeiros anos da vida adulta, por algo que eu nem sequer visionava, algo imprevisível. Ninguém imaginava o que estaria por vir. Sim, hoje tenho a sorte de trabalhar numa Câmara Municipal na Alemanha. Mas isso não teria sido possível se, em setembro de 2022, não tivesse tomado aquela decisão e arriscado. A decisão prendeu-se muito pelo facto de ter completado 30 anos de vida nesse mesmo ano e, ao olhar para todos os sonhos que tinha em jovem, apercebi-me que o tempo é impiedoso e que não pára. Se o tempo, que é o bem mais precioso que temos, não espera por nós, porquê esperar para lutar por aquilo que são os nossos sonhos?

TB: Atualmente sou responsável por manter o arquivo digital e respetiva base de dados da cidade operacionais 24 horas por dia. A cultura de trabalho nas Instituições alemãs é muito diferente daquela que conhecemos e estamos habituados. A Câmara Municipal abre portas logo às 6h30min da manhã. Isso faz com que tenha que acordar às 5h para ir trabalhar. A minha primeira tarefa do dia é verificar se os nossos servidores estão em pleno funcionamento. O restante do dia de trabalho é dividido entre reuniões com outros Departamentos da Câmara, assistência a colegas que estejam com dificuldades em armazenar/procurar por documentos e, em determinados dias, realizar algum tipo de manutenção ao sistema usado na gestão de arquivos.

TB: O restante do meu dia é dedicado à minha família. Em conjunto com a minha mulher e o meu filho, aproveitamos o que nos resta do dia para dar longas caminhadas perto de casa, em família, enquanto falamos de como foi o nosso dia. Já ao fim-de-semana, optamos por viajar para longe, inclusive visitar países vizinhos, para que o nosso filho tenha um leque diferenciado de experiências que possam, de alguma forma, um dia quiçá, ser-lhe úteis no seu futuro, tanto pessoal como profissional.

TB: Quando cheguei em 2014, a adaptação não foi difícil. A cultura alemã, embora bastante diferente da nossa, nunca foi um problema. Já no que toca à língua, ainda hoje é um desafio. A língua é complexa e todos os dias aprendemos algo novo. A língua alemã é considerada uma das mais difíceis do mundo, e não o é por acaso, ela é capaz de nos desafiar diariamente e a obrigar-nos a estar num aprendizado constante. Contudo, os reais desafios apareceram em 2022 quando arrisquei mudar de vida. Nessa altura, sim, foi difícil. Também por conta da forma como o mundo se encontra nos dias que correm. Atualmente os emigrantes na Alemanha, e por conta dos Partidos mais extremistas, não são vistos com bons olhos. E isso, infelizmente faz-se sentir no nosso dia-a-dia.

TB: A Alemanha é um país difícil para se viver. A exposição solar é pouca, o frio no Inverno é bastante severo e o típico alemão não é tão hospitaleiro quanto o português.

TB: Atualmente estou a viver numa cidade tão grande como Seia. Os portugueses que conheço aqui podem contar-se pelos dedos de uma mão. A experiência mostrou-me que as grandes comunidades portuguesas estão concentradas, lá onde as oportunidades de trabalho são maiores. E, claramente, as oportunidades existem em maior número nas cidades maiores, como é caso de Düsseldorf, Hamburgo, Berlim, Munique… Portanto, nesse aspeto, a Alemanha também não é muito diferente, comparativamente àquilo que acontece em Portugal.

TB: Sim, é! E só mesmo vivenciando esta experiência é que se aprende a valorizar o que tínhamos antes, mesmo que fosse pouco.

TB: Essa é a pergunta que mais tenho feito a mim próprio nos últimos tempos…

TB: O desejo é enorme. Hoje, e já com um filho, as prioridades são outras. E julgo que isso irá influenciar bastante na/a decisão. Agora, quando será o regresso? Não consigo dizer já. Mas acredito que não faltará muito.

TB: Algum do meu tempo livre é reservado a trabalhar em pequenos projetos. Talvez, alguns deles nunca cheguem a sair do papel. Contudo, de tudo farei por seguir os meus sonhos e construir algo que beneficie a cidade. Relativamente a esta temática, irei usar aquela máxima que diz ” O segredo é a alma do negócio”.

TB: O concelho de Seia é um local esquecido pelas altas instâncias nacionais. Infelizmente, o concelho é apenas reconhecido por causa da neve no inverno. Só que, o concelho tem muito mais para oferecer ao longo de todo o ano. O concelho de Seia é um território com imensa história. Riquíssimo em diversos aspetos. Uma zona imensamente rica em tradições, tradições essas que, infelizmente, se têm vindo a perder ao longo do tempo. A região é feita de pessoas resilientes, trabalhadores extremamente capacitadas para fazer a diferença no espetro nacional. Se olharmos para a história do nosso Portugal, vemos que inúmeros ilustres da Historia do nosso País, nasceram em Seia. Esses mesmos fizeram, de alguma forma, a diferença em Portugal. Podemos, dentre eles, nitidamente destacar o Dr. Afonso Costa. Não o menciono por acaso. Acho que ele foi uma pessoa ilustre e mais, julgo e estou convencido que dentro de muitos senenses, existe um pequeno Afonso Costa, “Afonsos” esses, acorrentados e oprimidos internamente, porque, infelizmente, nunca tiveram as oportunidades necessários para ir mais além. Como fomos esquecidos por Lisboa durante muito tempo, começámos a olhar para nós mesmos como pessoas que apenas guardavam ovelhas, faziam queijos e trabalhavam no campo. Não estou, de forma alguma, com as minhas palavras a menosprezar esses belos e árduos trabalhos. Não! Muito pelo contrário. Faço menção a isto, porque estou plenamente convicto que as gentes do interior são capazes de muito mais. Portanto, na minha opinião, o que mais caracteriza a nossa região, são as pessoas que lá vivem e que nunca deixaram de lutar. É a sua resiliência. “São as gentes da nossa terra”.

TB: Honestamente? Da comida da minha mãe.

TB: Ser emigrante é, sem dúvida, um caminho desafiador, mas também uma oportunidade de crescimento pessoal e de abraçar novas culturas e formas de ver o mundo. A experiência de viver longe do nosso país traz tanto de dificuldades quanto de momentos de grande aprendizagem e adaptação. Para todos aqueles que vão agora começar esta jornada, o meu conselho é nunca perderem a esperança e lembrar que, embora o caminho seja longo e muitas vezes árduo, as experiências que ganhamos ao longo dele são valiosas. É importante manter contacto com as nossas raízes e lembrarmo-nos delas; mas por outro lado sermos abertos ao novo, pois cada passo fora da nossa zona de conforto ajuda-nos a descobrir mais sobre nós mesmos e sobre o mundo que nos rodeia. O emigrante tem um papel fundamental na construção de pontes entre culturas, e isso, no fim, só enriquece a nossa sociedade.

IV Gala Anual do VOZES EM ½ PONTA

O VOZES EM ½ PONTA realizou a sua Gala Anual no passado dia 22 de fevereiro, no Solar de Maceira (Seia). A Gala contou com a presença de três centenas de membros da Família VOZES EM ½ PONTA, incluindo alunos, artistas, staff, familiares e simpatizantes.

Para a organização, esta foi uma “noite memorável, emocionante e inspiradora” que contou com várias homenagens a entidades e figuras que mais se destacaram e apoiaram o VOZES EM ½ PONTA na temporada 2023/24. A Gala serviu, também, para se anunciarem diversos espetáculos, performances e eventos previstos para decorrer ao longo do ano de 2025.

No palco da IV Gala VOZES EM ½ PONTA foram premiados, com especial destaque, as alunas Cheila Mota e Lara Amaro, bem como os patrocinadores que se destacaram pelo seu apoio, nomeadamente, Diogo Fernandes, da Solvida Group, Susana Almeida, da Bordados Ponto X e Conceição Silva, da FloriEstrela.

Os Fundadores aproveitaram esta noite especial para agradecer à sua comunidade pelo apoio constante que têm recebido ao longo dos últimos 8 anos de existência.