O governo levou tempo a perceber a dimensão da tragédia e das consequências da tempestade “Kristin” e acrescentou dimensão à tragédia ao tardar a mobilizar e fazer mobilizar os meios necessários para acudir à situação.
É óbvio que o impacto nas infraestruturas principais de energia, telecomunicações e água foram de tal dimensão, como nunca antes tinha acontecido e para um fenómeno meteorológico para o qual não foram dimensionadas, que apenas a ignorância, má fé, oportunismo político ou vocação para estar contra, por parte de entidades às quais se exige bom senso e serenidade, podem explicar a manifestação de incompreensão para o facto de essas redes não terem sido, e em casos pontuais ainda não foram, repostas em tempo mais curto.
A somar a tudo isto, temos as particularidades que fazem parte do nosso ADN mental; esperar e improvisar, em vez de aprender com o passado, planear, priorizar, coordenar e liderar com responsabilidade.
Mais uma vez, e esta não será a última, sobraram o passa-culpas, a incompetência e a ausência de responsabilidade e faltaram a coordenação entre as várias entidades (proteção civil, bombeiros, militares, poderes públicos e privados, etc) e a liderança e autoridade centralizadas.
Mas mesmo com todas estas falhas, os danos humanos e materiais poderiam ter sido minimizados. Mas a habitual falha no investimento na manutenção de infraestruturas, meios e equipamentos e na prevenção e segurança, ajudaram a multiplicar os estragos. E aqui, desde o poder central ao local e passando por entidades públicas, poucos se salvam. Bombas de extração de água que não funcionaram por falta de manutenção preventiva, diques que colapsaram por falta de supervisão, muros e taludes com deficiente construção, ruas urbanas e estradas que inundaram por falta de drenos adequados e limpeza das vias de escoamento, são alguns dos exemplos. Todos conhecemos, à porta de casa, sarjetas, drenos e canais de escoamento de águas pluviais que nunca foram sujeitos a supervisão, manutenção e limpeza…desde a sua construção.
Por uma razão muito simples; prefere-se gastar dinheiro em festas e eventos com orçamentos avultados mas com entradas gratuitas, do que investir em manutenção, prevenção e segurança.
Já aqui manifestei a minha frontal oposição à gratuitidade de acesso a eventos onerosos para o erário público. Por outro lado, estudos revelam que, por cada euro investido em manutenção preventiva, se poupam oito euros em reparação e danos materiais.
Estou convencido que nada mudará no futuro, pelo que continuaremos a ter orçamentos generosos para festas, e tímidos para prevenção e segurança de pessoas e bens.
Voltaremos ao tema após a próxima “Kristin”, se sobrevivermos.
FESTA OU PREVENÇÃO E SEGURANÇA ?




