O Irão, o mau tempo e as boas notícias

Quando a edição do Jornal de Santa Marinha, deste mês de fevereiro, vir a luz do dia, será altamente provável que o presidente Trump já tenha ordenado o início das hostilidades contra o Irão. O reforço militar americano no médio oriente, o aumento da repressão em Teerão e o estado de negação permanente dos dirigentes iranianos e – pormenor importante – o aumento significativo do movimento militar na base americana das Lages, nos Açores, são fatores que aumentam a convicção de que um “ataque” americano ao Irão está iminente. Convém sublinhar a importância de uma eventual intervenção dos americanos no Irão: o pragmatismo na política e nas decisões e atos deve ser visto como uma virtude, pois, mesmo na Venezuela, se aparentemente existiu um atentado à soberania de um país, não deixou, supostamente, de se estar perante a defesa de um interesse de elevado valor para os E.U.A. – a aniquilação de uma alegada organização de produção e tráfico de droga também alegadamente dirigida pelo presidente venezuelano. Creio que muitos estarão de acordo na afirmação de que, tanto na Venezuela como no Irão, são valores e interesses muito importantes para o ocidente que estão ou estiveram em jogo. A luta contra os traficantes de droga e a defesa de direitos e liberdades, vulgares no ocidente, bem como “castigar” os ditadores que protagonizam, num caso, a dita ligação a uma organização de produção e tráfico de droga e, no outro, a repressão das liberdades elementares à dignidade humana, são, sem dúvida, atos que um espírito pragmático deverá encarar como objetivamente justificados pela proteção dos valores que os mesmos têm em vista, ainda que quem lidere o processo tenha outro tipo de pecados imperdoáveis.

O país foi fustigado por fortes intempéries que deixaram vastas regiões com prejuízos elevados e milhares de pessoas com as suas “vidas” gravemente afetadas. Durante quase duas semanas, as televisões quase que esqueceram a Ucrânia e Gaza e centraram a sua atenção no país e na tragédia emergente. Ainda bem que assim foi. O país falou muito sobre causas e efeitos, remédios e soluções. Também falou em dinheiro e no cuidado a ter com a sua gestão. Para evitar aproveitamentos e corrupção. Confesso que, no calor da tragédia, o que mais me impressionou, negativamente, foi a existência de furtos de geradores, combustível dos mesmos e de outros bens essenciais. Vergonhoso como da tragédia também há quem se aproveite. E caiu uma ministra. E foram feitas acusações ao governo. E o governo responde com a nomeação de um ministro com “currículo”. Ter sido diretor de um organismo que nos tem dado provas de elevada competência só pode tranquilizar-nos quanto à escolha de Montenegro. Mas, verdade se diga, não há culpados na tragédia. A intempérie foi de tal monta que se tornou impossível agir de outro modo. Porém, será na reconstrução que se verá a capacidade de cada um atuar. Os municípios afetados terão de acelerar procedimentos e os ministérios envolvidos terão de adotar medidas sem burocratização. Deve existir fiscalização, mas à posteriori. Regras? Já existem, muitas. Na construção, por exemplo. Fiscalize-se depois, para ser rápido. Quem não cumprir as regras, terá que corrigir depois. A responsabilização é de todos, do dono da obra e de quem a executa, que deve conhecer as regras e as técnicas. Mas, repito, deve existir fiscalização. Acompanhamento, sem ser impedimento ou entupimento.
Da nossa “terra” têm chegado boas notícias. Do ensino superior, que parece mexer, e do “nosso” hospital, que parece voltar a ter atividade acrescida. Impõe-se, assim, que se felicite quem dirige e quem trabalha nas duas instituições. O reforço da importância, tanto da Escola Superior de Turismo e Hotelaria como do Hospital Nossa Sr.ª da Assunção, beneficiam não apenas as populações e estudantes envolvidos, como dignificam quem trabalha nas duas entidades e também o IPG e a ULS da Guarda.

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