A sociedade tem vindo a evoluir na forma como encara a paternidade e o papel dos pais na vida das crianças. O “Dia do Pai” não é apenas uma data para celebrar, mas um momento de reflexão sobre a paternidade ativa e o impacto que esta tem na família e na sociedade.
Em Portugal, comemoramos este dia a 19 de março, em homenagem a São José, mas a sua importância vai muito além das tradições religiosas.
As expectativas sobre o papel paterno têm evoluído. Hoje reconhece-se que não se trata apenas de prover materialmente, mas de estar presente emocionalmente e participar ativamente na educação e nas rotinas diárias.
A investigação mostra que a qualidade da relação entre pai e filho/a, incluindo níveis de proximidade e conflito, está ligada a como as crianças se adaptam social e emocionalmente, mesmo em contextos de risco.
A evidencia científica tem demonstrado que a presença do pai durante a gestação, o parto e o pós-parto beneficia toda a família favorecendo uma transição mais equilibrada e saudável para a parentalidade. Para a mãe, aumenta a confiança e a segurança durante os cuidados ao bebé, influenciando diretamente o desenvolvimento das competências maternas, contribuindo para uma recuperação mais rápida. Para a criança, fortalece os laços emocionais e estabelece um vínculo essencial para o seu bem-estar a longo prazo. A Organização Mundial da Saúde tem promovido um modelo assistencial que incentiva a participação ativa do pai desde o início.
Os Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica (EE-ESMO) desempenham um papel crucial na promoção do envolvimento paterno desde o pré-natal até o pós-parto. Como profissionais de saúde, podem promover o empoderamento dos pais através de ações educativas, incentivando e facilitando a interação e o envolvimento do pai nos cuidados ao recém-nascido. Programas de educação parental, consultas de acompanhamento e apoio emocional são estratégias eficazes para incentivar a participação ativa dos pais.
A paternidade ativa vai além do momento do nascimento. A participação do pai nas tarefas domésticas e nos cuidados diários da criança cria um ambiente de cooperação, reduzindo desigualdades de género e promovendo relações conjugais mais saudáveis. Pais que participam no parto relatam um sentimento profundo de ligação e compromisso com os seus filhos. O envolvimento desde o primeiro momento não só reforça os laços familiares, mas também contribui para uma sociedade mais igualitária, onde a parentalidade é encarada como uma responsabilidade partilhada. As entidades empregadoras também desempenham um papel fundamental ao oferecer licenças parentais alargadas e horários flexíveis, permitindo que os pais estejam mais presentes nos primeiros anos de vida dos filhos/as.
O momento do parto, tradicionalmente centrado na figura materna, tem vindo a integrar cada vez mais o pai. No Bloco de Partos e Bloco Operatório do Serviço de Obstetrícia A da Unidade Local de Saúde de Coimbra, a presença do pai é incentivada, permitindo-lhe participar em momentos significativos como o corte do cordão umbilical e os primeiros cuidados ao recém-nascido, participação no contato pele com pele, entre outras. Estas experiências significativas fortalecem o vínculo emocional e afirmam a paternidade de forma marcante.
Neste “Dia do Pai”, devemos reforçar o compromisso com uma paternidade ativa e responsável. Pequenos gestos diários fazem a diferença: ler uma história antes de dormir, ajudar nos trabalhos de casa ou simplesmente estar presente nos momentos importantes da criança. A verdadeira essência de ser pai vai muito além de um dia no calendário, é um compromisso diário de amor, cuidado e dedicação. Ao promovermos uma visão mais inclusiva e igualitária da parentalidade, construímos uma sociedade mais justa e equilibrada para as futuras gerações. E os EE-ESMOS, como profissionais de proximidade, podem e devem ser aliados fundamentais na promoção desta nova visão da paternidade.
Autores:
Ana Catarina Maduro**
Anabela Semedo**
Catarina Cortesão**
Sofia Cosme **
**- Enfermeira ESMO, no Bloco de Partos e Bloco Operatório da Obstetrícia A, da ULS de Coimbra






