A notícia dos trezentos animais em cativeiro e objeto de maus tratos foi bastante impressiva, quer pelo número de animais quer pelo aparato que as televisões mostraram. Sobretudo o aparato das “forças” quase policiais. Quanto aos animais, eram cães, praticamente os únicos seres não humanos que são objeto de tratamento diferenciado, mas para melhor. Se fossem gatos, galinhas, patos, ratos, coelhos etc. seria diferente, talvez com direito a notícia, mas sem direito a serem defendidos por um “exército”. A incoerência de quem diz defender os animais não é apenas chocante, mas hipócrita. A maioria defende o seu animalzinho doméstico e pouco mais. Apesar das manifestações aparatosas e com um número significativo de participantes, ou seja, apesar do barulho, continuo a acreditar que a maioria não sobre valoriza a questão animal de forma irracional. Para existir coerência então deveriam, os que fanatizam a causa animal, deixar de ingerir carne e peixe marisco, moluscos e por aí. E combater o abate animal para alimentação humana. Quando isso acontecer, estarei com eles, pois essa é a verdadeira coerência e postura de defesa de igualdade de tratamento. Tudo o resto é egoísmo e hipocrisia. Tal como noutros “temas” mais ou menos sensíveis, deve haver muito cuidado para evitar confusão e inversão de valores.
A alteração à legislação laboral foi chumbada, mas a prestação social única foi aprovada. O CHEGA nunca quis fazer o jeito ao governo e, por isso, ajudou a chumbar a alteração à legislação laboral pretendida pelo governo. Ao contrário da Iniciativa Liberal, o CHEGA não é um partido de ideologia e muito menos liberal, já que não passa de uma espécie de partido nacional-socialista, que tem pretensões de controlo do aparelho do estado e um comportamento politicamente populista, que o levou a não aceitar a retirada de direitos aos trabalhadores, mas acenando com a redução da idade da reforma como “moeda” de troca para aprovar as alterações propostas pelo governo à legislação laboral. Não existiu seriedade na posição do CHEGA relativamente a esta questão, ao contrário da posição do Partido Socialista na Prestação Social Única. Aqui, não existiu demagogia, mas sentido de responsabilidade relativamente à importância da aprovação da Prestação Social Única para o PRR. E relativamente ao qual importantes investimentos em Seia também estão em causa, como a Escola Secundária de Seia e o Centro de Emprego e Formação Profissional.
O Município de Seia tem sabido trazer ao concelho importantes eventos desportivos que impactam significativamente a economia local, sobretudo o alojamento e a restauração. O investimento através da política de subsídios às coletividades ou pagando diretamente a quem organiza os eventos não deixa de ser uma decisão estratégica que impulsiona toda a economia local e não apenas o setor da hotelaria e restauração. Claro que o setor privado não pode ficar à espera de subsídios, devendo mostrar dinamismo e iniciativa. As coletividades devem motivar os seus sócios e adotar práticas de comunicação com os mesmos para os integrar nas suas atividades. As empresas precisam de cativar clientes demonstrando capacidade de ser alternativa e de satisfação do cliente dentro das suas áreas de negócios. E Seia tem, felizmente, algumas empresas que prestam um serviço de qualidade e têm uma excelente relação com o cliente. O que Seia não tem é dimensão. Não tem Seia e muitas outras localidades situadas no interior. Mas não há que dramatizar. Para ganhar dimensão é necessário população e infraestruturas. Seia tem as segundas. Falta-lhe a primeira. Já o disse e repito: a imigração é uma janela de oportunidade para o crescimento do interior.



