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Richiesoul conquista os palcos da Europa com a sua música eletrónica

Ricardo Figueiredo emigrou para a Suíça há cerca de 10 anos. É natural de São Romão e a procura de novas oportunidades, tanto profissionais como pessoais, levou-o a deixar para trás a família e os amigos.

A adaptação a este novo país foi feita gradualmente e a língua foi o principal obstáculo que teve de contornar. Sendo a Suíça um país com uma qualidade de vida acima da média, mas também, de oportunidades, foi aqui que Ricardo Figueiredo conseguiu realizar um sonho antigo: produzir a sua própria música. Começou como DJ, mas rapidamente, passou a fazer as suas próprias músicas. Com o tempo foi aprimorando as suas produções, acabando por conquistar espaço no panorama eletrónico. Tem tido várias solicitações para mostrar o seu trabalho em vários palcos do mundo, mas especialmente nos da Europa e o seu nome artístico “Richiesoul” já é conhecido por muitos. Aliás, quem acompanha o seu trabalho sabe que pode esperar sets energéticos e produções envolventes.

Ricardo Figueiredo (RF): Decidi emigrar para a Suíça há alguns anos, mais propriamente, 10 anos, à procura de novas oportunidades, tanto profissionais quanto pessoais. A Suíça sempre me atraiu pela sua qualidade de vida, segurança e organização. Atualmente, vivo no Cantão de Valais e tenho conseguido equilibrar a minha vida profissional e a minha paixão pela música.

RF: Não foi uma decisão fácil. Deixar a família, os amigos e a nossa terra nunca é simples, mas encarei-a como um desafio e uma oportunidade de crescimento. Felizmente, com o tempo fui-me adaptando e criando raízes aqui.

RF: A Suíça é um país muito organizado e estruturado, com uma economia forte e uma cultura de respeito e disciplina. O custo de vida é alto, mas as oportunidades de trabalho são boas. Quanto aos emigrantes, o acolhimento depende muito da região e da mentalidade das pessoas. É um país com muita qualidade de vida e oportunidades, mas, também, tem seus desafios, como qualquer outro lugar.

RF:A adaptação foi feita de uma forma gradual. A língua foi um dos maiores desafios, mas com o tempo fui aprendendo e hoje já me sinto confortável.

RF: Desde cedo a música sempre fez parte da minha vida. Comecei como DJ, mas rapidamente senti a necessidade de produzir as minhas próprias músicas para expressar melhor a minha identidade musical. Com o tempo, fui aprimorando as minhas produções e conquistando espaço na cena eletrónica.

RF: Sim, tenho investido bastante, tanto em termos de tempo quanto financeiramente. Produzir música exige dedicação, equipamentos e muito estudo. Mas é algo que faço com paixão e foco.

RF: Através das redes sociais, plataformas de streaming e, claro, tocando em eventos. Também conto com o apoio de alguns contactos no meio, mas ainda faço muito trabalho independente.

RF: As minhas músicas já chegaram a vários países, especialmente à Europa, onde a música eletrónica tem bastante força.

RF: Neste momento dedico-me mais à produção, mas já tenho alguns contactos para eventos futuros.

RF: A inspiração vem de diferentes experiências de vida, emoções e até mesmo de outros estilos musicais. Gosto de misturar referências para criar algo único.

RF: Já trabalhei com alguns artistas e produtores do meio eletrónico, com o intuito de agregar novas sonoridades ao meu trabalho. 

RF: As minhas músicas estão disponíveis nas principais plataformas de streaming, como Spotify, Apple Music e Beatport, além de serem tocadas em rádios de todo o mundo e sets de DJs.

RF: Sim, aos poucos tenho construído o meu nome no panorama eletrónico. Quem acompanha o meu trabalho sabe que pode esperar sets energéticos e produções envolventes.

RF: Sim! Estou sempre a trabalhar em novas músicas e, em breve, terei novidades. Produzo as minhas faixas no meu estúdio, onde passo grande parte do tempo aperfeiçoando o meu som.

RF: Sempre que posso, faço questão de mencionar as minhas origens e levar um pouco de Portugal para onde quer que vá.

RF: Portugal sempre será a minha casa. Se um dia houver uma boa oportunidade, posso considerar voltar.

RF: Um lugar cheio de história, cultura e pessoas acolhedoras. É sempre bom voltar e sentir essa ligação especial.

RF: Sempre que posso. Quando volto, gosto de aproveitar a gastronomia, rever amigos e recarregar energias.

RF: Acho que incentivar ainda mais a cultura e a música poderia trazer novas oportunidades para os jovens talentos da região.

RF: Sim, há momentos difíceis, especialmente quando estamos longe da família e dos amigos. Mas também é uma experiência enriquecedora.

RF: Acreditem nos vossos sonhos e nunca deixem de lutar pelo que realmente querem. O caminho pode ser difícil, mas a paixão pelo que fazemos sempre nos leva adiante.

ARTIS 2025 – Apresentação do livro “A Enigmática Travessia do Atlântico Sul 1922” com a presença do autor Marco Pitt

Enquadrado no tema do Festival ARTIS 2025 “Mobilidade e Transportes” vai ser apresentado, esta sexta-feira, dia 16, pelas 21 horas, no Centro Interpretativo de Seia, o livro “A Enigmática Travessia do Atlântico Sul 1922”, com a presença do autor Marco Pitt.

Este livro que é, em si, um enigma, faz parte de um projeto totalmente concebido pelo autor e foi inicialmente apresentado na cerimónia das Comemorações do Centenário da Travessia Aérea do Atlântico Sul e contou com a presença do Presidente da República, altas patentes da Marinha e Força Aérea, familiares de Sacadura Cabral e de diversas personalidades.

“A Enigmática Travessia do Atlântico Sul 1922” é um “gamebook” com 55 enigmas, baseado em transcrições do Relatório da Travessia do Capitão de Fragata, Arthur de Sacadura Freire Cabral, aquando da épica viagem Lisboa-Rio de Janeiro em 1922, realizada com o Almirante Carlos Viegas Gago Coutinho.

Envolto em ilustrações dos aviões, locais e mapas, este livro, pretende dar a conhecer as várias etapas e dificuldades dessa autêntica epopeia.

Os participantes serão convidados a interagir com o autor, que estará disponível para uma sessão de autógrafos, no final do evento.

Osijek uma cidade da Croácia que ainda hoje guarda cicatrizes da Guerra da Independência 

(notícia relacionada Politécnico da Guarda lidera projeto europeu para modernizar rádios locais e candidata mais  2,5 milhões a Bruxelas)

Osijek é uma cidade localizada na Croácia. Situa-se na margem direita do rio Drava, perto das fronteiras com a Hungria e a Sérvia e é o centro administrativo do condado de Osijek-Barânia.

A cidade foi danificada durante a Guerra da Independência da Croácia (1991-1995), mas foi reconstruída. Contudo, ainda mantém edifícios com marcas visíveis deste conflito.

Durante a guerra, a cidade de Osijek foi fortemente bombardeada pelo Exército Popular Jugoslavo (JNA) e por forças sérvias locais. Estima-se que cerca de 6.000 projéteis de artilharia atingiram a cidade entre agosto de 1991 e junho de 1992.

Embora grande parte dos danos tenha sido reparada ao longo dos anos, ainda é possível encontrar edifícios com cicatrizes da guerra, como buracos de bala e marcas de estilhaços nas fachadas. Alguns desses edifícios foram preservados como memoriais, enquanto outros simplesmente nunca foram totalmente restaurados.

Um exemplo notável é a Concatedral de São Pedro e São Paulo, que sofreu danos significativos durante os bombardeios e cujas marcas ainda podem ser vistas. Além disso, em várias partes da cidade, especialmente nas áreas que ficaram mais diretamente na linha de frente, existem edifícios residenciais e comerciais com as marcas da guerra.

Essas marcas servem como um lembrete da violência do conflito e do sofrimento que a população de Osijek vivenciou.

Algumas pontos a visitar

Historicamente, foi habitada desde os tempos romanos, quando era conhecida como Mursa. Passou por diferentes domínios ao longo dos séculos, incluindo o Império Otomano e o Império Austro-Húngaro.

A cidade possui um rico património cultural e histórico, com destaque para a fortaleza barroca de Tvrda.

Osijek é um importante centro económico e cultural da Croácia oriental, com uma universidade significativa. É conhecida pela sua produção de cerveja, sendo sede da cervejaria mais antiga da Croácia, fundada em 1687.

 A cidade oferece diversas atrações turísticas, incluindo o Parque Natural de Kopački Rit nas proximidades, museus e uma longa calçada ao longo do rio Drava.

Osijek tem uma forte tradição musical, especialmente ligada à música tambura.

Aqui também se pode encontrar uma arquitetura interessante, com influências barrocas e austro-húngaras, especialmente visíveis na cidadela de Tvrda.

Quem visita Osijek não pode deixar de fazer a passagem por uma ponte pedonal suspensa e moderna, um dos símbolos da cidade, especialmente bonita à noite quando se ilumina.

No centro ergue-se a Catedral de São Pedro e São Paulo, uma imponente igreja neogótica com uma torre alta que domina a paisagem da cidade.

Politécnico da Guarda lidera projeto europeu para modernizar rádios locais e candidata mais  2,5 milhões a Bruxelas

(notícia relacionada Osijek uma cidade da Croácia que ainda hoje guarda cicatrizes da Guerra da Independência)

A Rádio Antena Livre (Gouveia) e outras rádios locais de Portugal, Croácia, Eslováquia e Macedónia do Norte estiveram em Osijek (cidade da Croácia), no âmbito do programa NEWAVES, um projeto liderado pelo Instituto Politécnico da Guarda (IPG) e que contou com um orçamento de mais de 900 mil euros. Neste projeto, Portugal, Croácia, Macedónia do Norte e Eslováquia juntaram-se para promover competências digitais e combater a desinformação no jornalismo radiofónico, modernizando e privilegiando, ao mesmo tempo, as rádios dos territórios de baixa densidade populacional. O objetivo é introduzir inovação, ajudar a aumentar as audiências de rádios regionais na Europa e tornar o setor mais competitivo.
Para os jornalistas presentes, “esta foi uma semana de muita aprendizagem, mas, sobretudo, de troca de impressões entre os colegas de outras rádios portuguesas e não só, mas também de muito convívio.”

Na conferência de encerramento do projeto, que decorreu de 5 a 9 de maio, em Osijek, na Croácia, foi feito um balanço muito positivo da primeira fase, na qual a plataforma criada recolheu 86% de aprovações e tem já mais de trinta rádios registadas.

Os resultados dos testes-piloto apresentados na Croácia revelaram que a navegação na plataforma foi considerada “fácil” (38%) ou “muito fácil” (62%) por quem a utiliza, obtendo a sua usabilidade geral a classificação de “satisfatória” (63%) ou “muito satisfatória” (37%). Os utentes e profissionais entrevistados expressaram a vontade de continuar a usar a plataforma e disseram que a recomendariam a outras rádios.

Joaquim Brigas, presidente do IPG, disse ter sido “muito compensador para o Politécnico da Guarda ouvir dos seus parceiros internacionais o elogio aos bons resultados deste projeto concebido para criar uma plataforma digital para rádios locais, ajudando-as a compartilhar conteúdos, a combater notícias falsas e desinformação e a tornarem-se mais sustentáveis, mesmo em tempos muito difíceis como aqueles em que vivemos. Um outro bom indicador do sucesso desta primeira fase do projeto é o facto de outras universidades da Espanha, Suécia, Roménia e Itália se terem juntado a nós na candidatura apresentada a Bruxelas para uma segunda fase”.

Ainda para o presidente do IPG, “com a transição digital, os média dos territórios de baixa densidade populacional estão a enfrentar em toda a Europa inúmeros desafios que têm um impacto significativo na forma como as pessoas se relacionam com as rádios e como consomem os seus conteúdos”.

Segundo Handerson Engrácio, docente no IPG e gestor de projeto, “o NEWAVES é uma colaboração transnacional de conteúdos radiofónicos que permite a este setor aceder a uma plataforma digital de conteúdos. É uma experiência que permitirá a comunicadores, jornalistas, alunos e instituições de ensino superior partilhar conhecimento, fazer formação e incrementar a competitividade no setor dos média, principalmente em zonas europeias de baixa densidade populacional e de recursos limitados. O foco nas rádios locais é fundamental para este projeto que simultaneamente procura ter um impacto positivo ao nível da sustentabilidade económica, ambiental, cultural e social”.

Fátima Gonçalves, docente no IPG, refere que com este projeto “pretendemos encorajar a cooperação sistémica entre profissionais das rádios locais para melhorar a viabilidade e a competitividade do jornalismo produzido profissionalmente. A plataforma digital a desenvolver em rede permitirá o intercâmbio de boas práticas e irá, certamente, permitir a disseminação de conteúdos radiofónicos locais e regionais de forma a tornar o jornalismo mais cooperativo, sustentável e resiliente”.

Entretanto, o IPG, através deste projeto, já apresentou à Comissão Europeia uma candidatura para uma segunda fase que irá abranger universidades e rádios de Espanha, Suécia, Roménia e Itália.

Esta segunda fase chama-se “NEWAVES+”, prevê um financiamento de 2,5 milhões de euros e contemplará mais recursos de Inteligência Artificial, de marketing, de recursos humanos e de novos modelos de negócios. A plataforma colaborativa que já está funcional, bem como os cursos gratuitos de e-learning que estão acessíveis, serão agora desenvolvidos em novas redes de intercâmbio de boas práticas. Serão também partilhados conteúdos radiofónicos locais e regionais, contribuindo para tornar o jornalismo mais cooperativo entre as rádios aderentes, mais sustentável e mais resiliente.

O projeto prevê ainda um programa de mobilidade para profissionais; formação e capacitação de estudantes e especialistas; desenvolvimento de uma metodologia de análise e avaliação da qualidade dos conteúdos; e a criação de uma rede que permite o intercâmbio de boas práticas, melhorando a colaboração entre os parceiros e aumentando a competitividade no setor.

Na Croácia, Joaquim Brigas agradeceu a todos os membros do consórcio NEWAVES “pela forma como apoiaram as responsabilidades que o Politécnico da Guarda assumiu com a liderança deste projeto”. Dirigindo-se aos parceiros iniciais e aos que se juntaram para a segunda fase, o presidente do IPG afirmou que “juntos, continuaremos a contribuir para a melhoria das comunicações das rádios regionais e para a qualidade da informação disponível para as comunidades locais em áreas europeias de baixa densidade”.

Apresentado, na Guarda, Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais 2025

Foi apresentado esta terça-feira, 13 de maio, no Auditório do Paço da Cultura da Guarda, o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR 2025), numa sessão promovida pela Comunidade Intermunicipal da Região Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE).

O evento reuniu representantes de diversas entidades com responsabilidade na proteção do território e no combate aos incêndios rurais, reforçando a cooperação institucional e o compromisso partilhado com a segurança das populações e a resiliência da região.

Durante a sessão foram abordadas medidas estratégicas de prevenção, fiscalização, vigilância e resposta, com intervenções do ICNF, dos Comandos Distritais da PSP da Guarda e de Castelo Branco, dos Comandos Territoriais da GNR e ainda da ANEPC, da Liga dos Bombeiros Portugueses e da AFOCELCA, entre outros.

O Presidente da CIMRBSE, Luís Tadeu, destacou a importância da articulação entre entidades e a necessidade de manter um esforço contínuo e coordenado para enfrentar os desafios impostos pelos incêndios rurais.

Após o encerramento, os participantes visitaram a exposição estática do DECIR 2025, patente na Praça Luís de Camões, onde estiveram em destaque os meios e recursos operacionais disponíveis para a próxima fase crítica do ano.

A CIMRBSE agradeceu a presença de todas as entidades e comunicação social e reafirmou o empenho na defesa do território e na promoção de uma cultura de prevenção e segurança.

A Páscoa no concelho de Seia: memórias e tradições

A Páscoa tem associada um profundo sentimento religioso dado que para os Cristãos marca a Ressurreição de Jesus Cristo três dias após a sua crucificação, simbolizando a vitória da vida sobre a morte.

Associado a este significado religioso existem, contudo, alguns costumes e tradições, sendo objetivo do presente artigo recordar/evidenciar os que têm maior significado no concelho de Seia e que refletem a riqueza cultural e religiosa do nosso concelho.

Uma das tradições que continua a ser praticada em algumas freguesias do concelho é a Amenta das Almas que consiste numa oração/canto noturno para evocar as almas dos entes já falecidos, efetuado em todas as sextas-feiras da Quaresma junto de cruzamentos, encruzilhadas ou de “Alminhas”, que são pequenos oratórios de culto às almas do Purgatório. Com alguma frequência os grupos de Amenta das Almas promovem, também na Quaresma, um encontro anual com intervenções de todos os grupos.

Em Domingo de Ramos existe a tradição de realização da Procissão dos Ramos em que, nomeadamente as crianças, mas também alguns jovens, ostentam ramos com algum tamanho e devidamente enfeitados com vários tipos de guloseimas. Ainda em Domingo Ramos existe, em várias localidades do concelho, a tradição do almoço ser grão de bico dado que, como nesse Domingo a Missa tem uma maior duração, permite a compatibilização com a cozedura do grão que também é demorada, para além de haver uma superstição de não se deverem comer hortaliças em Domingo de Ramos.

Acrescente-se ainda que os Ramos Benzidos são guardados para posteriormente fazer as cruzes que serão colocadas nos campos em dia de Santa Cruz (03 de Maio) para proteção dos terrenos e das culturas agrícolas.
Refira-se também a existência da tradição, em algumas freguesias, nomeadamente em S. Romão e Seia, de realizar em sexta-feira Santa a Procissão do Enterro do Senhor, cerimónia noturna que reúne os fiéis num percurso de recolhimento e oração.

Entre as tradições de Páscoa em Portugal, e também no concelho de Seia, está o hábito de padrinhos e madrinhas dar o folar, ou seja, um presente, aos seus afilhados e afilhadas que simboliza a fartura, a união e a amizade.

Um costume que no passado era generalizado em todas as localidades do concelho, que atualmente se mantém em muito poucas, era a Visita Pascal ou Compasso Pascal em que o Pároco visitava as casas de todos os paroquianos anunciando a Ressurreição de Cristo, dando a Cruz a beijar e abençoando os lares e seus habitantes, havendo o costume de efetuar a bênção total da casa aquando da primeira visita. A Visita Pascal era devidamente anunciada pelo toque de uma campainha e constituía um dos “momentos altos” das festividades da Páscoa nas diversas localidades. Esta tradição permitia uma aproximação das famílias dado que os familiares faziam questão de “beijar a cruz” em casa uns dos outros.

Dado o grande número de localidades existentes, em algumas delas esta Visita Pascal era realizada no Domingo a seguir à Páscoa, denominado como Domingo da Pascoela.

Registe-se ainda uma outra tradição significativa do tempo Pascal no concelho de Seia que é a Festa de São Bento, já com bastantes anos de história e que é sempre celebrada na segunda-feira de Páscoa em Torroselo, incluindo no seu programa várias procissões e outro tipo de manifestações religiosas.

AFONSO COSTA RECORDADO DE 4 EM 4 ANOS. COINCIDÊNCIAS

Oliveira Marques, um dos historiadores que mais estudou e escreveu sobre a vida e a obra de Afonso Costa, afirmou que ele foi “porventura, entre 1910 e 1930, o mais querido e o mais odiado dos Portugueses”.

Para se ter uma ideia da dimensão destes sentimentos para com Afonso Costa, um seu grande admirador, José Carneiro, um industrial nortenho, tinha em casa uma estátua em prata em tamanho natural, e um dos seus mais ferozes críticos, Homem Christo, considerado o maior panfletário português do século XX, chegou a ameaçá-lo de lhe dar um dia “uma cacetada”.

Mas, quer se queira quer não, este político senense é uma figura incontornável, sendo impossível escrever a história de Portugal dos períodos do fim da monarquia e início da república sem lhe fazer referência.

Também por isso, esteve bem o executivo da câmara municipal na recuperação do edifício da antiga escola primária e na sua reconversão naquele espaço temático cultural e, ainda melhor, no reposicionamento da estátua de Afonso Costa, erigida em 1981, numa cerimónia participada e sentida, durante o mandato de Jorge Correia, que proferiu um discurso cuja leitura recomendo, pela sua genuinidade e para memória do momento vivido.

Para muitos o CIRAC e a homenagem a Afonso Costa começa e acaba no dia da festa e nas fotografias do dia, onde aparecem como figurantes, mas é bom recordar e registar o caminho percorrido até aqui.

Recuemos 8 anos, a 2017, e mais propriamente a junho. Estamos em ano de eleições autárquicas, a CMS anuncia a criação do CIRAC e formaliza conversações para a cedência do espólio de um admirador de Afonso Costa.

Foi preciso esperar 4 anos para que essas conversações fossem conclusivas e para que em outubro de 2021, novamente ano de eleições locais, o então presidente da câmara, já eleito um novo executivo, promovesse uma visita ao local, num momento algo insólito, e durante o qual previa a abertura do CIRAC em maio do ano seguinte, no 85º aniversário da morte de Afonso Costa.

Filipe Camelo enganou-se, ou enganaram-no, pois foi necessário aguardar outros 4 anos, ou por novas eleições locais, para que, finalmente, se procedesse à abertura oficial do CIRAC, no passado dia 25 de março, a pretexto de comemorar um episódio menor, face à notável e preenchida vida de Afonso Costa e face ainda a outros episódios bem mais marcantes como, por exemplo e a verificar-se durante o corrente ano, o facto de se comemorar o centenário da sua presidência da delegação portuguesa na Sociedade das Nações, o embrião da ONU, instituição que viria a abandonar por ter sido demitido na sequência do golpe militar de 28 de maio de 1926.

Afonso Costa, querido e odiado em vida, exilado na vida e na morte, entre aqueles que o idolatraram e os que o perseguiram, ficam aqueles que dele se aproveitaram, na sua terra.

AFONSO COSTA RECORDADO DE 4 EM 4 ANOS. COINCIDÊNCIAS

Todos a votos no dia 18 de maio. Queremos um governo capaz de resolver os problemas deste país

No momento em que escrevemos este Editorial ainda estamos em choque pela notícia da morte de sua Santidade Papa Francisco. Todo o mundo católico ficou atónito, muito embora se verificasse que a saúde de sua Santidade já era bastante débil.
Como católico que somos não podíamos ficar indiferentes perante o desaparecimento de uma figura que deixa os católicos mais pobres. Sua Santidade deixa-nos uma mensagem de humildade que todos nós devíamos seguir e imitar. Os pobres e os mais desfavorecidos da sociedade eram dois dos principais temas de luta deste Homem bondoso e desprovido de bens materiais. Seguir o seu exemplo é, e será sempre, o nosso lema. Obrigado Papa Francisco, pelos exemplos de vida.

Vamos ter no dia 18 de maio as eleições legislativas. Já não vamos ter outra edição até àquela data. Por isso, vamos fazer a nossa reflexão sobre tão importante acontecimento para o povo português. Os portugueses têm obrigação e o dever cívico de irem votar naquele dia, pois vai partir da atitude de cada um de nós, o próximo governo.
Dentro do expecto politico temos partidos para todos os gostos. No entanto, na nossa opinião, existem alguns partidos com ideologias que se aproximam mais para ser governo.

Uma das muitas questões que o futuro governo terá de resolver é o grave problema que se prende com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) que, atualmente e infelizmente, não é um serviço para todos. Não é concebível ter urgências encerradas ao fim de semana, deixando as pessoas desprovidas de cuidados, reféns de interesses económicos que nada servem as pessoas especialmente os mais necessitados.

Seja qual for o partido que ganhe e venha a formar governo, quiçá, os profissionais de saúde (médicos) devem ter a obrigatoriedade de prestar serviço no sistema público por um período determinado. Esta pode ser uma medida a adotar por parte do partido vencedor e que vá ao encontro dos princípios fundadores do SNS.

Outro problema grave e que parece não ter fim à vista é a área da habitação. Há que lhe dar a urgência que merece. Temos a noção que as rendas praticadas são incompatíveis com os salários auferidos.

O governo que nos governa ou aquele que nos venha a governar não pode manter-se de braços cruzados perante a grave situação existente no país. Terá de pôr mão nos especuladores que até aqui têm tido campo livre para exercer a seu bel-prazer a sua atividade especulativa. Naturalmente que pertence ao governo travar estas situações abusivas que, infelizmente, não tem feito, ou antes, tem estimulado.

Em qualquer dos casos, mesmo que o futuro voto da maioria dos portugueses recaia na AD ou PS estes devem fazer acordos com partidos verdadeiramente democráticos e não com aqueles que, pela sua linguagem e atitudes embora falando dos pobres e dos desprotegidos, não passam de falsas promessas.

Assim, no dia 18 de maio, não fique em casa, vá votar, para não corrermos o risco de ficarmos com o mesmo governo ou pior.

Não podíamos passar a data do 25 de Abril, dia que nos foi concedida a liberdade, sem deixar de lhe fazer uma referência. Além de ser um dia em que o povo saiu à rua e se manifestou de uma forma incrível apoiando os militares de Abril, também nós, nos sentimos felizes por fazer parte dessa mole humana indiscritível. Ah! Se os jovens, mulheres e homens, hoje com 40 anos, soubessem como vivíamos antes de 25 de Abril, certamente que teríamos cidadãos mais politizados e que dariam mais importância às políticas e políticos que defenderam e defendem os valores de Abril.
Viva o 25 de Abril. Hoje e sempre!

Política do “Bota abaixo”. Quem se lixa é o mexilhão!…

O país está farto e os portugueses cansados das brincadeiras, das jogadas e das irresponsabilidades dos políticos de agora que um saudoso e brilhante advogado – Carlos Candal – tratava por rapazinhos. Na verdade, é por demais evidente que o governo de Luís Montenegro estava a operar transformações qualitativas importantes para a vida dos portugueses tomando medidas que, ao longo de oito anos, os socialistas não conseguiram concretizar apesar de, repetidamente, o prometerem.

Vamos ter novas eleições legislativas e porquê?

Apenas e tão só porque o menino Pedro Nuno Santos e a sua dama de honor, Alexandra Leitão, não aprenderam nem conhecem outra forma de atuar que não seja a do tacticismo de um “bota abaixo” sem precedentes. Se papéis desses fossem corporizados como também o são, por Ventura ou Mariana Mortágua, ninguém ficaria surpreendido; agora por alguém que sonha ser um dia Primeiro Ministro de Portugal, é triste, lamentável e vergonhoso. Para todos esses meninos de coro que fazem da política a sua profissão, devia haver sobremaneira uma preocupação dominante: Portugal, os portugueses e a situação internacional. Pode ser que o povo português esteja desperto, reflita, seja fino e lhe dê a resposta que merecem. Não se pode brincar com coisas sérias nem mesmo quando se é pequenino.


É verdade que Luís Montenegro podia ter sido mais esclarecedor e as suas respostas mais pormenorizadas e céleres mas convenhamos que fossem elas quais fossem jamais seriam satisfatórias para socialistas, bloquistas ou “venturistas”. O objetivo desses políticos que há muito escolheram a atuação pautada pelo “bota abaixo”, é desgastar, atropelar e bloquear os governos que produzem, agem e trabalham por Portugal e pelos portugueses. Não, senhor Pedro Nuno Santos, assim nunca lá chega! Os portugueses sabem bem o que querem para si e para o país. Razão tinha o dr. António Costa quando, com o saber e a habilidade política, que se lhe reconhecem, o “esfrangalhou” nas eleições para Secretário-geral do Partido Socialista.


Se os procedimentos de Luís Montenegro são legais, que mais é preciso? Saber a cor dos vestidos da mulher ou o nome das namoradas dos filhos? Vamos ser sérios e reconhecer o trabalho do governo! Se aos jornalistas dá uma onda para levantar o véu da vida de muitos dos políticos da Assembleia da República e das Câmaras Municipais o país vai ficar atónito! E depois, senhores Pedro Nuno Santos, Ventura e Mariana Mortágua? “Quod tibi non vis alteri ne facias” – “Não faças a outrem o que não queres que te façam”.

“Uma viagem pela Semana Santa”

Na Sociedade Musical Estrela da Beira, a Semana Santa é um marco importante na nossa época musical, trabalharmos deste novembro com esta meta em mente e ocupamos muitos ensaios a otimizar o máximo possível o repertório para esta altura do ano.

Este ano, pela primeira vez, pensamos, criamos, aprimoramos, refinamos e executamos o nosso primeiro concerto de Semana Santa. Foi apresentado, no passado dia 13 de abril, que foi o primeiro dia de Semana Santa, o Domingo de Ramos. Sabendo que a música tem uma capacidade única de transmitir emoções e criar laços profundos entre as pessoas, apresentámos temas que representassem os sentimentos e eventos marcantes da Semana Santa, deixamos aqui um pequeno resumo para quem não pôde estar presente:

Domingo de Ramos, a marcha “Era uma vez”, de Mike Garcia, alterna temas alegres – que espelham a euforia popular – e sombrios, que prenunciam a Paixão de Cristo. Os trompetes simbolizam a esperança da multidão em Jesus, e o tema repetido oferece um “raio de luz” nos momentos mais escuros, culminando num motivo final que antevê a ressurreição.

Segunda-feira Santa, a Saudação à Senhora da Hora de Nogueira, de Fernando F. Costa (há mais de 50 anos), a solenidade e majestade convidam à introspeção e à purificação do coração, preparando-nos para os mistérios que se aproximam e renovando o compromisso com o Evangelho.

Terça-feira Santa, Em Spiritus Sanctus, Carlos Almeida, maestro e colaborador de bandas portuguesas, apresenta uma marcha de rica melodia e harmonia, elevando o espírito e convidando à contemplação da mensagem de Cristo.
Quarta-feira Santa, a marcha Nirodha – Em Memória de Hélder Fernandes, de Rogério Barros, envolve-nos numa melancolia profunda. O nome (que significa cessação do sofrimento) evoca a dor da separação e a esperança de reconciliação, recordando-nos o sofrimento de Jesus e a promessa de redenção.

Quinta-feira Santa, La Cruz Divina, de Manuel Castrejón Navarro, dedicada à Cofradía de la Santa Vera Cruz de Salamanca, transporta-nos pela solenidade do sacrifício de Cristo, convidando-nos a renovar o amor e o serviço ao próximo, ao ritmo dos ecos da “Cruz divina”.

Sexta-feira Santa, Duas marchas – Mater Mea (Ricardo Dorado Jaineiro) e Soledad Franciscana (Abel Moreno Gómez) – unem emoção profunda e ritmo marcante para nos acompanhar no caminho de dor de Jesus, expressando a perda e a esperança de redenção.

Sábado Santo, em Mi Amargura, de Víctor M. Ferrer Castillo, a melodia melancólica, porém esperançosa, reflete a tristeza do dia e a promessa de vida. O solo de saxofone alto, repetido e enriquecido, culmina numa conclusão poderosa de devoção.

Domingo de Páscoa, “Nostalgia Eterna”, de Rubén Bustos Romero, celebra a ressurreição com música vibrante, exaltando a alegria, a renovação da fé e a vitória da vida sobre a morte. E assim se fez uma viagem musical pelo que iria ser a semana santa.

A nossa banda ainda se deslocou até Salamanca para participar na Semana Santa de Salamanca a pedido da confraria de La Vera Cruz, mas devido às contrariedades meteorológicas não foi possível começar a procissão.
E, finalmente, terminámos a Semana Santa com a tradicional Procissão da Páscoa que é um serviço que a nossa Banda oferece à Povoação, uma tradição que já é muito longínqua.