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Ara Shoes Portuguesa em Seia anuncia novo despedimento coletivo de cerca de 63 trabalhadores

A empresa de fabrico de calçado ara Shoes Portuguesa, Unipessoal, Lda. iniciou um novo processo de despedimento coletivo que abrange cerca de 63 trabalhadores. Tal como tem vindo a ser justificado em outras alturas, a comunicação oficial, com data de 13 de agosto, invoca novamente razões tecnológicas e estruturais decorrentes da crise macroeconómica que afeta os seus principais mercados europeus de exportação.

Para tentar conter o impacto financeiro e contornar o sobredimensionamento da estrutura, a administração anunciou ajustes diretos no processo produtivo em Seia, nomeadamente, o fim do turno da noite num setor e a redução da operação de injeção, passando a operar com apenas duas máquinas em vez de três.

A ara Shoes diz assegurar o pagamento da compensação legal mínima e manifesta a intenção de propor, em fase de negociação, o pagamento integral das indemnizações previstas na lei. A primeira reunião da fase de negociações está agendada para o dia 1 de setembro de 2026, às 10h00, nas instalações da fábrica em Seia.

O histórico recente de despedimentos

O novo corte de 63 postos de trabalho não é um episódio isolado, mas sim o capítulo mais recente de um desmantelamento sucessivo da capacidade produtiva da fábrica de Seia, que no seu período de maior fulgor chegou a empregar cerca de 800 pessoas.
O primeiro grande golpe, em março de 2024, resultou do encerramento forçado do mercado russo devido à guerra na Ucrânia, somado aos primeiros sinais de arrefecimento do consumo na Zona Euro. Foram 130 os trabalhadores que saíram.
Apenas quatro meses depois, em julho a empresa desferiu o maior corte da sua história recente, com o despedimento de 180 trabalhadores, justificando-o com o agravamento da crise económica nos seus três principais mercados de destino: Alemanha, França e Áustria.
Em fevereiro deste ano, foram 39 os trabalhadores que entraram em lay-off. A justificação: uma quebra superior a 20% nas encomendas para a coleção primavera/verão por “motivos de natureza tecnológica e estrutural”.
No passado dia 13 mais seis dezenas de colaboradores (66) foram convocados para uma reunião que culminará em mais um despedimento coletivo.
Em pouco mais de dois anos, a unidade fabril de Seia acumula a perda de mais de 415 postos de trabalho, uma redução drástica que ilustra a fragilidade da fábrica perante a sua total dependência da casa-mãe (ara Shoes GmbH, na Alemanha) e do mercado da Europa Central.

Enquanto o país está de férias a SMEB dá música

O mês de agosto traz consigo aquele perfume inconfundível de verão, o regresso ansiado das nossas gentes, as praças cheias e o ritmo pausado das férias. É o tempo por excelência para desacelerar, reencontrar raízes e celebrar nas tradicionais festas e romarias que pontilham a nossa região. Mas para que a magia do verão aconteça nas ruas, nos arraiais e nas procissões, há uma engrenagem viva que não pode dar-se ao luxo de parar. Enquanto a maioria aproveita o merecido descanso, os músicos, o Maestro e a Direção da Sociedade Musical Estrela da Beira vestem a farda de trabalho e transformam o calor abrasador e o cansaço acumulado em pura harmonia.
Tocar numa banda filarmónica em pleno agosto é uma verdadeira maratona de entrega e paixão. Por trás de cada alvorada logo pela manhã, de cada marcha de rua sob o sol inclemente e de cada concerto pela tarde a dentro, estão horas incontáveis de ensaios exaustivos, abdicação de momentos em família e uma logística exigente que a Direção assegura longe de todos os holofotes. Contudo, o trabalho desta época estival vai muito além do que se vê no palco. É precisamente agora, em pleno pico de trabalho, que a Direção desdobra esforços nos bastidores a planear o futuro: a alinhar os detalhes das grandes comemorações do nosso Aniversário e a preparar a abertura de mais um ano letivo da nossa Escola de Música, garantindo que as portas continuam abertas para acolher e formar os futuros talentos da nossa terra.
Este espírito de missão ganha uma dimensão ainda mais emocionante neste ano. Ao celebrarmos os nossos 180 anos de história, cada nota soprada neste verão transporta a memória de quase dois séculos de gerações de santamarinhenses que, tal como os de hoje, abdicaram do seu tempo livre para manter viva a chama da nossa instituição. É essa continuidade histórica que nos enche de orgulho e nos dá forças para enfrentar uma das agendas mais preenchidas de sempre.
A todos os nossos executantes, ao nosso Maestro e à equipa diretiva que trabalha sem descanso — seja a organizar serviços, a preparar os festejos ou a estruturar o ensino musical —, deixamos o nosso mais sentido e profundo reconhecimento. E a quem cruzar o nosso caminho nas ruas e nas praças neste mês de agosto, deixamos um apelo: quando ouvirem a nossa Banda passar, saúdem estes homens e mulheres. Eles são o coração batente de Santa Marinha e a prova viva de que a cultura e a nossa dedicação não tiram férias!

Próximos serviços da banda:
02 de agosto 09h00 – Santíssimo Sacramento – Sabugueiro
08 de agosto 09h00 – S. Sebastião – Rapoula do Côa (abugal)

Carta aberta aos políticos, deputados e chefes dos partidos

Decidimos dirigir esta carta aberta aos políticos, deputados e chefes dos partidos na esperança de que chegue ao conhecimento de muitos e sobretudo daqueles cujo peso e influência possam determinar mudanças no rumo das políticas tão desejadas pela esmagadora maioria dos portugueses. Só o receio, a cobardia ou o desleixo de muitos impede que o grito de revolta do nosso povo chegue aos quatro cantos de Portugal. Diz quem sabe que “a caridade bem praticada começa por casa”. A falar ninguém atrapalha os nossos políticos sejam eles apenas porta-vozes dos partidos ou até mesmo seus líderes. Mas, meus caros leitores, ao fim de 50 anos de democracia, de promessas, palavreado barato, falta de aprumo e dignidade, é tempo de dizer: BASTA.
Num país pequeno como o nosso e cheio de problemas em que a pobreza cresce, os sem-abrigo esquecidos e abandonados se multiplicam, os lares estão cada vez mais depauperados para atacar a problemática social, o que se passa a nível da Assembleia da República, de pensões vitalícias, “arranjismos” e mordomias? Simplesmente uma execrável vergonha que provoca vítimas e gera agudas preocupações aos Ramalho Eanes, Jerónimos de Sousa, e tantos, tantos outros.
Quando é que um Presidente da República promove, apoia e dá voz a alterações das regras que determinem a redução substancial do número de deputados, acabe com as mordomias de que gozam, ponha fim a viagens sem razão aparente e justa, dite o fim de pensões vitalícias que se transformaram em vergonha nacional, investigue a verdade sobre a justeza e oportunidade dos subsídios de deslocação, habitação e transporte dos deputados? Seremos nós, porventura, um país que nada em milhões de euros sem depender de quem quer que seja? Ou, bem pelo contrário, somos uns pobrezinhos da Europa que, dependem de tudo e todos, aonde se pagam ainda salários do terceiro mundo e pensões de miséria? Que querem e pensam os políticos de Portugal? E os deputados? Desejam continuar a viver num verdadeiro “regabofe”, atirando o país de grandes figuras históricas para a lama?
Tenham vergonha! Reflitam seriamente! Respeitem o povo e não queiram “matar” a democracia e a independência!

“HOUSTON, TEMOS UM PROBLEMA”

A frase ficou célebre e teve origem na missão Apollo 13, quando, no dia 13 de abril de 1970, um tanque de oxigénio da nave explodiu, a mais de 300.000 quilómetros da terra. O objetivo principal, a alunagem, foi abortado e o foco principal foi transferido de modo garantir o regresso dos astronautas à terra, tarefa que muitos consideravam impossível. Foram mobilizados todos os recursos humanos experientes e capazes, que responderam “sim” à chamada e contribuíram para trazer a tripulação de volta à terra, com vida, após a grave explosão. O episódio, várias vezes apresentado como o maior “fracasso de sucesso” da história, foi vertido para o cinema com o filme Apollo 13 (1995), protagonizado por Tom Hanks.
Lembrei-me deste FILME à medida que fui acompanhando o “filme” da polémica da avaliação dos exames de acesso ao ensino superior. O ministro da educação já tinha deixado boa impressão na sua passagem pelo governo anterior, apesar da curta duração, impressão que passou a certeza no exercício da função durante este governo, mostrando competência, ser conhecedor do sistema educativo e dos dossiers, serenidade e uma vontade reformista. Até ao dia de hoje (22), dia em que o ministro concedeu uma entrevista ao canal público, Fernando Alexandre mostrou que é o homem certo no lugar certo. Aliás, se não o fosse, partidos da oposição e a FENPROF não se teriam apressado a pedir a sua demissão. Alguém que, na sua opinião, acha que o comboio vai desgovernado e sem controle, sugere, como solução, mandar o maquinista fora, é alguém que não quer participar na solução, mas sim livrar-se de responsabilidades e ainda tirar proveito próprio da situação, mesmo que isso signifique lançar o comboio e os passageiros no abismo.
Enquanto uns assumiram a sua responsabilidade, de esclarecer, de avaliar as provas, de manter as escolas abertas, de manter serenidade e confiança no processo, outros, tirando os que adoeceram, ocuparam o tempo a criar petições, plataformas e a enviar mensagens aos pais e encarregados de educação, incitando-os a “protestar”, “reclamar” e “não aceitar”, ignorando as palavras “colaborar”, “esclarecer” e “cooperar”. Temos um problema, pelo que, a estes, recomendo ver e aprender com o FILME.
O Presidente da República também entrou a meio do filme, com uma intervenção curta, “os alunos e os encarregados de educação não podem ser prejudicados”. Que sorte a de Portugal em ter um PR que, com a sua superior clarividência e mergulhado no seu discreto exercício do poder, nos tranquiliza e incentiva desta forma. Se para alterar ou corrigir o sistema de ensino, ou outro, for preciso parar ou interromper, mesmo prejudicando os alunos e pais, não há que hesitar. Não seria a primeira vez que acontecia no nosso país.
A coincidência em ambos os acontecimentos, foi o comportamento da comunicação social. Ignorou inicialmente a missão por a considerar banal e sem novidade, não transmitiu a primeira comunicação da tripulação para terra, posição que alterou, radicalmente, a partir do momento em que lhe cheirou a dramatismo e a desgraça.
“HOUSTON, TEMOS UM PROBLEMA”

Liderança, precisa-se!

Um esforço de abstração permite-nos estabelecer uma comparação entre a atualidade e os tempos da guerra fria, e, se quisermos recuar no tempo e na História, o tempo da 2ª guerra mundial e, até, o tempo contemporâneo da queda do muro de Berlim e do desmembramento da “União Soviética”. Esse esforço de abstração permitirá encontrar uma característica comum aos diversos “tempos” que antecederam a atualidade e que parece estar ausente, hoje, do palco mundial.

Efetivamente, o que parece não existir hoje e existiu nos tempos que referi são – ou foram – as lideranças. Para o bem e para o mal, nos tempos da “guerra fria” existiam lideranças fortes que condicionavam e determinavam os destinos do mundo e de países, lideranças que procuravam “vender” ideologias ou formas de vida para conquistar o apoio de populações inteiras. Para o bem e para o mal, essas lideranças conseguiram encontrar equilíbrios que permitiram que o Mundo fosse evoluindo numa lógica que, também devido a lideranças fortes – na Polónia com Lech Walesa e na URSS com Mikhail Gorbatchov – acabou contrariada originando o desmembramento da União Soviética e a queda do Muro de Berlim. Mesmo a 2º grande guerra mundial foi consequência de uma liderança forte, um espírito inconformado que conseguiu liderar um processo de aglutinação coletiva e dirigi-lo para a guerra.

Os grandes saltos da humanidade enquanto comunidade sociocultural e política são, afinal, resultado da intervenção de lideranças fortes, ativas e resilientes. E os tempos atuais comparam no grande contraste face ao passado, mais e menos recente. É que, atualmente, não se descortinam lideranças, vivendo o Mundo um circunstancialismo estranho, com a “demissão” de importantes atores – caso da China, que prefere manter um neutralismo relativo face aos desvarios de Trump e Netanyau e apoia a Rússia por contraposição aos americanos. A diplomacia económica da China pode ser insuficiente se o ocidente ficar estrangulado com a continuação dos conflitos no Médio Oriente e as consequências que isso traz para as economias de todo o ocidente e não só.

Da União Europeia não se pode esperar nenhum processo de liderança porque continuará “atrelada” à América de Trump e Macron e Sánchez não parecem conseguir liderar processos capazes de aglutinar. Putin até parecia ir no bom caminho, quando se entendia com Merkel, e, entretanto, ia construindo uma teoria contra os americanos e a própria União Europeia, centrada na defesa do multilateralismo.

A invasão da Ucrânia e a suposta intromissão em eleições americanas deitou por terra as teorias de Putin uma vez que o que Putin contestava acabou por se concretizar com toda a plenitude em Trump: uma única superpotência a fazer o que bem lhe apetece em qualquer parte do Mundo! E Putin ao confinar a sua intervenção militar e política a um país vizinho demonstrou incapacidade ou desinteresse em influir no Mundo, de resto tal como Trump, cujo espírito aparentemente justiceiro apenas se limita a exibir força sem consistência argumentativa e com inconsequência de atitudes. Veja-se a Venezuela e o Irão, onde não fundamenta devidamente as intervenções e não tem um comportamento consequente.

O Mundo precisa de lideranças fortes, determinadas e sem reações, apenas, pontualmente temperamentais como de Lula da Silva, mas com uma ideia mobilizadora para o Mundo e para as relações entre os seus povos.

Autocuidado – A coragem de desligar o interruptor

Autocuidado é uma palavra que se tornou muito familiar, sendo que a encontramos nas redes sociais, nas revistas, nos podcasts, nas conversas entre amigos. É fácil encontrar informação sobre massagens, alimentação saudável, exercício físico, rotinas matinais, banhos relaxantes ou momentos de lazer. É um facto que todas estas opções são importantes no leque das ações de autocuidado. Contudo, será que é aí que ele começa?
Ao longo dos anos de prática clínica, tenho percebido que existe um paradoxo curioso. Nunca se falou tanto de autocuidado e, simultaneamente, nunca encontrei tantas pessoas profundamente afastadas de si próprias. Vivemos numa sociedade que nos ensinou a acelerar. Aprendemos a viver num tempo sem tempo. Os dias transformaram-se numa sucessão de tarefas, responsabilidades, notificações, decisões e compromissos que se entrelaçam numa velocidade quase impossível de acompanhar. Quando finalmente chegamos ao final do dia, resta-nos, muitas vezes, apenas a exaustão. A exaustão física e mental tem uma característica associada, torna-nos “surdos”. Deixamos de escutar o corpo quando nos pede descanso. Ignoramos as emoções porque “agora não há tempo”. Silenciamos a nossa voz interior porque há sempre algo mais urgente para resolver. Esta questão torna-se ainda mais problemática porque aquilo que não escutamos não desaparece, apenas encontra outras formas de se manifestar (não segue pela “autoestrada” encontra alternativas secundárias).
A psicologia e a neurociência mostram-nos que o nosso organismo não foi concebido para permanecer continuamente em estado de alerta, pois quando vivemos durante demasiado tempo sob níveis elevados de stress, o cérebro privilegia os circuitos da sobrevivência. A atenção torna-se mais estreita, a flexibilidade diminui, a criatividade reduz-se e o corpo permanece preparado para responder a ameaças, mesmo quando elas já não existem. É precisamente aqui que o verdadeiro autocuidado ganha significado. Autocuidado não é apenas aquilo que fazemos, mas é também a forma como nos escutamos. Autocuidado é permitir a curiosidade que nos leve a notar, observar e escutar as nossas genuínas necessidades internas. Talvez a resposta seja algumas vezes dormir, pedir ajuda, dizer “não”, chorar… Talvez seja, simplesmente, permanecer alguns minutos em silêncio sem sentir necessidade de preencher todos os espaços com produtividade. Quando desligamos o interruptor da produtividade constante, surgem perguntas que durante muito tempo conseguimos manter em silêncio, surgem emoções adiadas, surgem dúvidas, surgem medos. Para muitos de nós parar pode assustar, pois pode significar perder o controlo. É como se o comboio onde seguimos viajasse permanentemente em modo TGV e em que abrandar parece perigoso ou fraqueza. Parece significar que já não somos suficientemente competentes, suficientemente fortes ou capazes. A verdade é que muitas vezes estamos a alimentar crenças antigas que confundem valor pessoal com desempenho. Assim, o desafio será conseguirmos retirar tarefas da lista, descansar sem culpa, ter coragem para não corresponder sempre a tudo e a todos. Não é egoísmo cuidar de nós é amor-próprio, é assertividade em valorizar.
Encontrar tempo para nós pode significar permitirmo-nos viver com conteúdo, proximidade e presença.

Espaço +, um Projeto de Comunidade em São Romão

Num tempo marcado pela velocidade e pela progressiva fragmentação dos laços sociais, há ainda lugares onde o essencial encontra espaço para existir. O Espaço + é um desses exemplos. Um projeto criado pela Freguesia de São Romão que nasce da vontade de cuidar da comunidade, preservar memórias e aproximar gerações.
Mais do que um local de atividades, o Espaço + afirma-se como um verdadeiro ponto de encontro. Ali, partilham-se histórias, cruzam-se experiências de vida e constroem-se relações que dão sentido ao quotidiano. É um espaço onde o saber não se limita ao que está escrito, mas vive nas mãos de quem ensina e na curiosidade de quem aprende.
Entre linhas de croché, novelos de lã e os artigos criativos que ali nascem, perpetuam-se saberes que fizeram parte do dia a dia de outras gerações. Crianças e jovens descobrem essas técnicas com naturalidade, mas levam consigo muito mais do que uma aprendizagem manual: levam tempo partilhado, atenção e afeto.
Por vezes, esse encontro ganha uma dimensão mais profunda. No meu caso pessoal, a minha filha Inês, que não conheceu os avós maternos e perdeu a avó Sara quando tinha apenas um ano e meio, encontrou no Espaço + algo que não se ensina nem se planeia. Encontrou pessoas que a acolhem com carinho, que a escutam e que a tratam como neta. Encontrou, de forma simples e espontânea, “outros avôs e avós”. Pessoas que, sem obrigação, mas com uma generosidade imensa, lhe dão colo, tempo e presença, como se o laço existisse desde sempre. E nesse gesto silencioso revela-se uma das maiores virtudes deste projeto: a capacidade de criar ligações onde antes existiam ausências.
Com dezenas de inscritos, o Espaço + tornou-se rapidamente um espaço de referência na freguesia, refletindo uma necessidade real de proximidade e de pertença. Para muitos, representa não uma ocupação de tempos livres, mas um lugar de encontro, de reconhecimento e de valorização pessoal.
Num contexto em que o isolamento social, sobretudo entre a população mais idosa, é uma realidade crescente, iniciativas como esta assumem um papel determinante. Combatem a solidão não com grandes estruturas, mas com algo muito mais poderoso: presença, escuta e comunidade.
O impacto de projetos como este ultrapassa já os limites de São Romão. No concelho, começam a surgir iniciativas inspiradas nestes modelos, sinal de que a sua essência responde a uma necessidade mais ampla e partilhada.
O Espaço + demonstra que o desenvolvimento de uma comunidade não se mede apenas por indicadores materiais, mas também pela capacidade de criar ligações humanas significativas. Porque, no fim, são esses laços, feitos de tempo, memória e afeto, que sustentam verdadeiramente o sentido de pertença e, no fundo, aquilo que nos faz comunidade.

Turismo Sustentável

A nível mundial o Turismo representa atualmente cerca de 10% da economia e do emprego (em Portugal representa cerca de 20%), sendo um setor com um enorme potencial para contribuir para o Desenvolvimento Sustentável dos Países.
Importa, contudo, garantir que o Turismo é uma atividade económica Sustentável e que, tendo em conta os interesse dos visitantes, assegura também o bem estar das comunidades locais e garante a preservação do ambiente no presente e no futuro.
Um turismo sustentável deve, portanto, fazer um uso adequado do território e dos diversos tipos de recursos naturais (fauna, flora, paisagem, rios, oceanos, montanhas, etc), respeitar a autenticidade sociocultural das comunidades e assegurar que as atividades económicas sejam viáveis a longo prazo.
O Turismo está normalmente associado a deslocações em viagem devendo os turistas “sustentáveis” ter sempre a preocupação de conservar a vida selvagem, preservando os animais, os habitats naturais e o ambiente, utilizando, sempre que possível, quer hotéis, quer restaurantes sustentáveis, ou seja estabelecimentos em que exista preocupação deliberada com a origem e a otimização da quantidade dos recursos utilizados e o tratamento adequado dos resíduos.
Sempre que possível os turistas deveriam optar por empreendimentos em que tivessem sido utilizados materiais sustentáveis na sua construção, que adotem práticas de redução da utilização de plástico e de eficiência na utilização da água e que incentivem à economia circular.
Portugal desenvolveu uma visão Estratégica para o Turismo assente na afirmação do setor como um hub para o desenvolvimento económico, social e ambiental em todo o território assente em vários objetivos nomeadamente no aumento da procura turística no País e nas suas várias regiões, no crescimento mais acelerado das receitas do que das dormidas, no alargamento da atividade turística ao ano inteiro e no aumento das qualificações da população empregada no Turismo.
A região da Serra da Estrela, e o nosso concelho de Seia em particular, têm todo o interesse e vantagem em garantir que o seu modelo de desenvolvimento turístico seja Sustentável, em perfeita harmonia com a Natureza que é a nossa grande vantagem competitiva, evitando erros cometidos em outras regiões quer em Portugal, quer no estrangeiro.
Importa, portanto, dar a devida atenção a alguns alertas, como por exemplo o facto de em Maio/2026 a Grécia ter decidido limitar número de camas em zonas turísticas mais sobrelotadas.
Em Junho/2026, o autarca de Porto Santo, na Madeira, veio afirmar que vai refrear a construção de novos hotéis e apostar que a sua ilha seja um destino “refúgio de sentidos” e não para turismo de massas.
Também nos Açores, face à massificação de turistas em determinados locais, foram adotadas medidas de preservação da Natureza, nomeadamente na Lagoa do Fogo, um dos postais mais icónicos da ilha de São Miguel, que já não é possível de visitar de carro para quem é turista na ilha, existindo em alternativa autocarros que se apanham uns quilómetros antes da cratera do vulcão.
Também alguns ambientes tradicionais e pitorescos que atraem os turistas necessitam ser preservados para não serem vítimas do seu sucesso, como por exemplo aconteceu em Alfama, um dos bairros mais populares de Lisboa, que perdeu uma grande parte dos seus residentes forçados a sair pela subida das rendas ou pelo não renovar de contratos, face à maior rentabilidade do Alojamento Local, pelo que a freguesia a que pertence Alfama, perdeu 22% da população entre 2011 e 2021.
Por outro lado, muitos dos residentes que se mantém queixam-se do excesso de turistas que causam mais lixo, barulho e preços exorbitantes em restaurantes e cafés, existindo ruas inteiras só quase de Alojamento Local, onde já não vive praticamente ninguém e quase se fala só em inglês
Em Sintra também tem havido indignação contra o turismo excessivo, com os moradores a colocar faixas no centro histórico com frases como “Queremos Sintra viva e habitada, não ao turismo de massas!”, protestando contra a transformação da vila num “parque de diversões” e queixando-se que a zona histórica está a perder os seus habitantes, com muitos a abandonarem o centro devido à falta de condições e ao aumento dos custos, transformando a área numa zona focada apenas no visitante
Em síntese, o Turismo constitui um poderoso acelerador do desenvolvimento económico, nomeadamente para o concelho de Seia, sendo necessário que o seu crescimento seja devidamente compatibilizado com a preservação quer do Ambiente, quer da Natureza, assim como com o aumento do bem estar das populações locais.

Sabe cuidar de si tão bem quanto cuida dos outros?

Existem pessoas que sabem cuidar de toda a gente, mas não sabem o que fazer quando são elas a precisar de cuidado. Certamente conheces alguém assim…
Essa pessoa talvez responda rapidamente a mensagens e/ou chamadas, antecipa necessidades, ajuda, organiza, resolve, acolhe… Normalmente, são adultos emocionalmente exaustos. Adultos que têm dificuldade em pedir ajuda, que colocam os outros como prioridade, não descansam e ainda se culpam quando o fazem, que tendem a querer “parecer fortes”, mas que vivem permanentemente em estado de alerta. Serão estes os adultos funcionais?
No meio desta disponibilidade, o problema não é apenas o eventual cansaço, mas também a sua identidade. Estará a autoestima destas pessoas a ser alimentada pelo cuidado aos outros?
Cuidar dos outros é profundamente humano. Mas também é humano cuidar de nós próprios ou precisar de colo.
Há pessoas que passaram uma vida inteira a cuidar, mas já pensou que, quando gostamos de alguém, também desejamos que essa pessoa cuide de si? Não por obrigação, mas porque queremos a sua presença, a sua saúde e o seu bem-estar ao longo do tempo. Quando gostamos verdadeiramente de alguém, não queremos apenas cuidar dessa pessoa. Queremos também que ela se cuide.
Aprender a cuidar de si não começa com grandes mudanças. Começa com algo mais simples e, ao mesmo tempo, mais difícil: permitir que alguém cuide de nós sem culpa. No entanto, as pequenas escolhas do dia a dia também promovem esse cuidado. Neste verão, escolha aprender a dizer “não” sem justificar excessivamente; reconhecer sinais de cansaço antes da exaustão; permitir pausas sem culpa; pedir ajuda quando é necessário, em vez de tentar fazer tudo sozinho; escolher relações onde também há espaço para receber e não apenas para dar; respeitar limites físicos e emocionais.
No fundo, cuidar de nós próprios é também isto: sair do modo de sobrevivência e começar a incluir-nos na equação da nossa própria vida.

Programa de combate à vespa asiática destrói mais de duas centenas de ninhos em Oliveira do Hospital

A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, através do Serviço Municipal de Proteção Civil, já procedeu à destruição de 241 ninhos de vespa velutina no concelho desde o início de 2026, resultado de um trabalho contínuo de vigilância, monitorização e intervenção desenvolvido em todo o território.

De acordo com o mais recente relatório de atividades do Gabinete de Proteção Civil e Defesa da Floresta da Câmara Municipal, entre janeiro e agosto foram dedicados 48 dias de trabalho exclusivamente à identificação e destruição de ninhos desta espécie invasora, que causa impactos negativos na apicultura, no ambiente e na biodiversidade.

Os dados, apresentados na reunião de Câmara realizada a 13 de agosto, revelam que julho foi o mês de maior incidência, concentrando praticamente metade das ocorrências registadas este ano. Só nesse mês, o Serviço Municipal de Proteção Civil eliminou 119 ninhos, ao longo de 19 dias de intervenção, refletindo o período de maior atividade da vespa velutina e a pronta resposta das equipas municipais.

O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, destaca que “este é um trabalho que exige empenho permanente, rapidez de atuação e proximidade com os cidadãos”, sublinhando que o Serviço Municipal de Proteção Civil “tem vindo a reforçar, ano após ano, a sua capacidade de resposta, intervindo sempre que são comunicadas novas ocorrências”.

Comparativamente ao mesmo período do ano passado, quando tinham sido destruídos 210 ninhos até agosto, verifica-se este ano um aumento de cerca de 15 por cento, correspondente a mais 31 ninhos eliminados.

“Esta evolução demonstra, por um lado, a persistência da presença da vespa velutina no território e, por outro, a eficácia do trabalho de deteção precoce e de resposta desenvolvido pelo Município, em estreita articulação com a população”, refere José Francisco Rolo, reforçando que o combate à vespa velutina, “constitui uma das prioridades do Município no âmbito da proteção civil e da preservação ambiental”.

A identificação e destruição de ninhos de vespa no concelho é, para o presidente da Câmara Municipal, José Francisco Rolo, “sinal de que as pessoas estão despertas e atentas para este problema”, uma vez que, na maioria das vezes, “é a população que primeiramente identifica os ninhos, dando o alerta para os serviços municipais”.

Consciente da importância das abelhas para o equilíbrio dos ecossistemas, o Município de Oliveira do Hospital mantém uma estratégia ativa de combate à vespa velutina, complementada por medidas de apoio ao setor apícola.

Nesse âmbito, a Câmara Municipal desenvolve um trabalho contínuo de vigilância e controlo desta espécie invasora, assegurando a identificação e destruição de ninhos e colónias através de uma equipa especializada, dotada dos meios e equipamentos necessários.

O método de combate utilizado recorre, maioritariamente, a uma espingarda de paintball, que permite atingir os ninhos localizados nas copas mais altas das árvores, utilizando munições com uma substância específica que assegura a sua destruição.

A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital apela, por isso, à colaboração de toda a população, solicitando que qualquer suspeita da presença de ninhos de vespa velutina seja comunicada de imediato ao Serviço Municipal de Proteção Civil, através do telefone 238 605 250, contribuindo para um combate mais eficaz a esta espécie invasora.