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Arrifana (Seia) prepara-se para acolher “Noite de Fados” com jantar convívio


O Centro Cultural e Recreativo (C.C.R.) “Os Viriatos”, da Arrifana, Seia, vai promover uma “Noite de Fados” acompanhada por um jantar convívio, marcada para o próximo dia 24 de outubro.

O evento, que tem como mote “Sons de Portugal – A alma de Portugal em cada acorde”, contará com a atuação do grupo de fado e promete unir a gastronomia tradicional à música portuguesa.

O programa tem início pelas 19h30m e o jantar está marcado para as 20 horas (inclui entradas, sopa, prato principal, sobremesa, bebidas e café). A atuação do grupo de fados acontece às 21h30m.

As inscrições encontram-se abertas até ao dia 19 de outubro e podem ser efetuadas na sede da instituição ou através dos contactos telefónicos disponibilizados pela organização (966 895 283, 965 528 801 ou 962 409 844). O custo de participação é de 25 “fados” por pessoa, sendo que para crianças até aos os 12 anos o valor é de 12,50 “fados”.

Dado que os lugares são limitados, a organização recomenda a inscrição antecipada para garantir o acesso ao evento, que contará igualmente com um esmerado serviço de bar.

CineEco arrancou em Seia: Três décadas a ligar o cinema ambiental ao mundo

O festival de cinema ambiental CineEco arrancou esta sexta-feira com uma programação que une a reflexão crítica sobre o planeta e a valorização do talento local.

Na sessão inaugural, Luciano Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Seia destacou a importância do festival se realizar ao longo de mais três décadas em Seia, permitindo mostrar um festival único ao mundo.

Desejou a todos um bom festival de cinema e incentivou o público a divertir-se com cada um dos filmes.
​Pediu, também, para que, no fim, todos reflitam sobre o que viram e pensem em como o mundo pode ser diferente a partir desta experiência.

​Os programadores, Cláudia Santos e Daniel Oliveira, destacaram a diversidade de géneros e formatos em competição, incluindo curtas e longas-metragens de ficção, documentário e animação. Além da seleção oficial, o evento conta com sessões dirigidas ao público infanto-juvenil e workshops temáticos, como um encontro dedicado à relação entre filosofia e cinema.

​A intervenção inicial sublinhou o papel do festival não só no debate sobre os riscos e desafios ambientais contemporâneos, mas também na apresentação de soluções e movimentos cívicos que promovem a mudança. O evento reforçou ainda a ligação à Serra da Estrela, destacando o envolvimento da comunidade e de criadores locais na construção e dinâmica do festival.

A sessão inaugural prosseguiu com a apresentação do espetáculo “Memória do Barro”, a cargo do grupo Trigo Limpo – Teatro ACERT.

“Não falamos de morte, cuidamos da vida”: o compromisso inabalável da equipa dos Paliativos de Seia

Hoje comemora-se o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos e o JSM foi ao encontro da equipa de profissionais do Hospital de Seia que cuida, diariamente, de quem mais precisa.

​No Hospital Nossa Senhora da Assunção, em Seia, os Cuidados Paliativos não são sinónimo de fim de vida, mas sim de dignidade, apoio e esperança adaptada a cada dia. Composta por profissionais dedicados que enfrentam diariamente o sofrimento extremo com humanidade e empatia, a equipa multidisciplinar desmistifica o estigma associado a este acompanhamento.

​Liderada pela médica internista e paliativista Luciana Frade, a unidade acolhe doentes com diversas patologias graves e complexas. “Os cuidados paliativos destinam-se a todos os doentes que tenham um diagnóstico ameaçador da vida. Esse diagnóstico não precisa de ser na sua fase terminal, pode ser precocemente no diagnóstico. As disfunções de órgão crónico, como insuficiências cardíacas e renais, ou síndromes demenciais, cumprem critérios para serem referenciados”, destaca Luciana Frade. A médica reforça ainda que o foco vai além da patologia: “O seu sofrimento global é aquilo que realmente nos importa e daí sermos uma equipa multidisciplinar que apoia todas as dimensões: psicológica, social e clínica.”
​Integrada na Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, a estrutura atua em três valências — internamento, equipa comunitária e equipa intra-hospitalar.

O polo de Seia dispõe de 11 quartos individuais que garantem a privacidade necessária para acolher os doentes e as suas famílias. “Os doentes nunca vêm sós, não sofrem sozinhos”, afirma a enfermeira Alexandra Almeida. “Esta possibilidade de ter um quarto privado permite a presença das famílias de uma forma muito mais próxima. Inclusivamente, permite que um cuidador possa permanecer as 24 horas com o doente, se entender que isso é um benefício.”

​Para além do apoio na unidade, o acompanhamento no domicílio desempenha um papel essencial na qualidade de vida dos doentes e no combate a preconceitos. O enfermeiro responsável pela equipa, João Coelho, salienta que “a maior parte de nós vai morrer e isso é certo, mas enquanto cá andamos temos que ter algum sentido. Nós falamos muito em vida, procuramos falar pouco em morte.” João Coelho faz questão de desconstruir o mito do internamento sem regresso: “Nós temos doentes que admitimos e damos alta. O doente pode precisar de cuidados paliativos numa determinada fase da sua trajetória e depois deixar de ter essa necessidade.”

​Lidar constantemente com situações de elevada carga emotiva exige uma forte coesão entre todos os elementos. Perante o desgaste do dia a dia, a equipa encontra na entreajuda e na própria sensibilidade a força para continuar. 

​Apesar dos desafios diários e da escassez de recursos humanos, a equipa dos Cuidados Paliativos de Seia mantém-se firme na missão de proporcionar um acompanhamento de proximidade, ajustando a esperança e garantindo conforto e dignidade a quem mais precisa.

“Não falamos de morte, cuidamos da vida”, afirma o enfermeiro João Coelho.

Seia assinalou o Dia Internacional do Enfermeiro de Emergência no CISE. “Os enfermeiros não mudam o Mundo, mas mudam o Mundo de alguém”

​O Auditório do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE), em Seia, acolheu ontem as comemorações do Dia Internacional do Enfermeiro de Emergência, numa iniciativa promovida pela Equipa de Enfermagem do Serviço de Urgência Básica (SUB) do Hospital Nossa Senhora da Assunção. O evento, aberto à comunidade, combinou palestras de esclarecimento e workshops práticos focados na literacia em saúde e na prestação de primeiros socorros.

​A jornada começou durante a manhã com sessões práticas nas quais o público tive a oportunidade de treinar manobras de Suporte Básico de Vida (SBV) e desobstrução da via aérea. Além do treino prático, a equipa partilhou informação essencial sobre a atuação perante emergências médicas graves — como o Enfarte Agudo do Miocárdio e o Acidente Vascular Cerebral (AVC) — e explicou a aplicação dos critérios de gravidade da Triagem de Manchester.

​No período da tarde, as apresentações focaram-se na gestão de cuidados urgentes e nas especificidades do trabalho pré e intra-hospitalar. Entre as intervenções destaque para o papel do enfermeiro no serviço de urgência, onde foi abordada a gestão multifacetada das intervenções clínicas. Destaque para a triagem, o suporte vital em situação crítica, a monitorização contínua e a aplicação da metodologia ISBAR para a comunicação segura durante a passagem de testemunho entre equipas.

Sublinhou-se a dimensão holística do cuidar, a educação para a saúde na preparação para a alta e a importância da competência emocional ao gerir situações de elevado stress e na comunicação de más notícias.

​Desafios da emergência no interior

Apresentaram-se os meios do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) e discutiram-se as particularidades regionais do concelho de Seia — nomeadamente a dispersão populacional, o envelhecimento, a orografia acentuada e o impacto do turismo sazonal na procura dos serviços de saúde.

​Sob a premissa de que “os enfermeiros não mudam o Mundo, mas mudam o Mundo de alguém”, a iniciativa reforçou o compromisso da enfermagem local com a segurança, a empatia e a aproximação dos cuidados de emergência à comunidade de Seia.

Guarda – Recolha de ave debilitada

O Comando Territorial da Guarda, através do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) do Destacamento Territorial da Guarda, procedeu, no dia de ontem, 7 de outubro, à recolha de um gaio-comum, no concelho da Guarda.

A ave, que se encontrava debilitada, foi encontrada por um popular, que a entregou nas instalações do Canil Municipal da Guarda. Após a comunicação à Guarda, os elementos do SEPNA deslocaram-se ao local, onde procederam à recolha e ao acondicionamento da ave, garantindo a sua segurança e integridade.

Posteriormente, o gaio-comum foi encaminhado para o Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS), em Gouveia, onde ficará sujeita a avaliação e acompanhamento veterinário, com vista à sua recuperação e posterior devolução ao meio natural.

A Guarda Nacional Republicana, através do SEPNA, mantém como prioridade a proteção da natureza e da biodiversidade, apelando à colaboração da população na comunicação de situações de risco ou de eventuais infrações ambientais, através da Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520), disponível 24 horas por dia

De 9 a 17 de outubro – CINEECO arranca amanhã em Seia com Mercado e Filmes e Memória de Barro

Seia veolta a ser o centro do cinema ambiental internacional com nove dias dedicados à exibição de filmes nacionais e internacionais que dão visibilidade e propiciam a reflexão sobre as grandes questões ambientais da atualidade.

A 32.ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela – CINEECO começa esta sexta-feira, dia 9, com o Mercado de Filmes e sessão inaugural com o espetáculo Memória de Barro (Trigo Limpo, Teatro ACERT).

Na manhã e tarde desta sexta-feira, o Auditório da Casa Municipal da Cultura de Seia (10H30) e o Mercado Municipal de Seia (14H30) vão ser pontos de networking com encontros entre produtores, realizadores e jovens estudantes.

O Mercado de Filmes promove um frente a frente entre aspirantes a realizadores e produtoras, realizadores e/ou argumentistas num espaço privilegiado para a troca de ideias e apresentação de obras inéditas.

A partir das 21H30, o Auditório Municipal de Seia recebe a sessão inaugural da 32.ª edição do CineEco com o espetáculo Memória do Barro, sobre Barro e Mulheres, com uma linguagem poética e metafórica em que o barro se revela mais do que matéria-prima. Uma olaria é habitada por três forças femininas: a Mulher de Negro, a Oleira, e a criança que se torna Aprendiz. Num diálogo silencioso, a relação entre a Oleira e a Aprendiz transcende a mera aprendizagem do ofício: usam a arte como forma de expressão, de cumplicidade e de resistência. A peça convida a uma reflexão sobre a presença das mulheres no universo da olaria, onde a rotina diária, a dureza do trabalho e o silêncio da solidão se transfiguram numa memória de afeto e dignidade, moldada perante as incertezas dos tempos.

Realizadores / Autores: Trigo Limpo Teatro Acert Co-criação e Interpretação : Sandra Santos e Xana Monteiro Mais informações sobre o espetáculo, neste link

Filmes em competição

A 32.ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela voltou a ter uma participação significativa de filmes candidatos à Seleção Oficial – das 410 obras (entre filmes de ficção e documentários, nacionais e internacionais, em vídeo, película ou digital), integra 103 filmes de 34 países: 86 obras concorrem às seis secções competitivas da programação oficial do CineEco.

Só na Seleção Internacional de Longas-Metragens, 10 documentários são estreia absoluta em Portugal e retratam narrativas ambientais pertinentes sobre modelos económicos, os novos desafios do ativismo ambiental, apartheid climático, migrações ambientais, espécies, habitats e exploração de recursos em cinco continentes.

Informação adicional

O CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela é um dos festivais de cinema sobre ambiente mais antigos do mundo, que se realiza em Seia em outubro e de forma ininterrupta, desde 1995, por iniciativa do Município de Seia.
O CineEco oferece ao público em geral uma programação cuidada e cinematografias pouco conhecidas e alternativas em relação ao mercado tradicional.

O formato do certame assenta num conjunto de atividades desenvolvidas ao longo de oito dias, com entrada gratuita. Além da vertente competitiva, o CineEco inclui também uma componente educativa e diversas atividades paralelas, como conferências, concertos, workshops, exposições, mercado de filmes, contribuindo para uma cidadania ativa no domínio do desenvolvimento sustentável, valorização do território, educação e enriquecimento do conhecimento ambiental e cinematográfico.

Fora das datas do festival e ao longo de todo o ano, tem lugar uma vasta rede de extensões por todo o país, dando oportunidade ao público a visualização de filmes que fazem parte da programação oficial, que é um dos fatores diferenciadores do festival.

O CineEco é organizado pelo Município de Seia e conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República e do Departamento de Ambiente das Nações Unidas. Conta ainda com o apoio financeiro da DGArtes.

A programação do Festival é da responsabilidade de Cláudia Marques Santos, Daniel Oliveira e Tiago Alves.

Seia – um ano depois

* Nas eleições autárquicas de 2025, a candidatura «Sim! Juntos por Seia», encabeçada por Miguel Caetano, pelo PSD/JPNT, venceu em Seia, assumindo a gestão da Junta de Freguesia.

Ao completar-se o primeiro ano de mandato, o Jornal de Santa Marinha regressa à freguesia no âmbito da iniciativa «Dar voz às freguesias — Um ano depois», para ouvir o presidente sobre o trabalho desenvolvido e os desafios que se colocam à comunidade.

Nesta entrevista, Miguel Caetano destaca a reorganização administrativa e a recuperação da capacidade operacional como marcas dos primeiros doze meses de gestão, após a desagregação da antiga União das Freguesias. Aborda também os constrangimentos financeiros e humanos que a Junta enfrenta.

Ao mesmo tempo, aponta baterias ao futuro, com prioridades para o próximo ano centradas na melhoria do espaço público, no reforço das parcerias culturais e no incentivo à participação jovem.


«Sabemos que a Junta não tem competências nem recursos para resolver todos os problemas. Mas assumimos o compromisso de procurar respostas, reivindicar os meios necessários e continuar a trabalhar para que a Freguesia de Seia avance.»

Miguel Caetano, Presidente da Junta de Freguesia de Seia

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Miguel Caetano (MC): Quando nos apresentámos aos eleitores, assumimos três compromissos claros: Revitalizar, Valorizar e Cuidar. Um ano depois, continuamos fiéis a essas prioridades. Este primeiro ano foi marcado por muito trabalho e reorganização necessária para adaptar a Junta da freguesia de Seia à nova realidade resultante da desagregação da antiga União das Freguesias.

Na revitalização do Centro Histórico, procurámos ter um papel ativo. Criámos oportunidades em parceria com associações e outras entidades, promovendo e apoiando iniciativas no centro da cidade e nas anexas. Assim, contribuímos para trazer pessoas para a rua e dar vida a espaços que queremos cada vez mais dinâmicos.

Este caminho está apenas a começar. Queremos continuar a apostar na cultura, no comércio e na animação dos espaços públicos, criando condições para que o Centro Histórico tenha mais vida e movimento ao longo de todo o ano.

Também demos os primeiros passos na área do Turismo de Experiências, estabelecemos contatos e procurámos identificar novas formas de valorizar o território, a Serra e as nossas aldeias. Temos um património rico, que queremos dar a conhecer através de experiências capazes de criar oportunidades para a economia local.

Na vertente de Cuidar, uma das prioridades mais concretas foi recuperar capacidade operacional. Com a desagregação da antiga União das Freguesias, a nova Freguesia de Seia ficou sem um equipamento essencial para muitos trabalhos de limpeza, manutenção de caminhos e espaços públicos: o trator.

Não nos limitámos a identificar essa dificuldade. Procurámos uma solução e estamos agora em condições de concretizar a aquisição de um novo trator, que será um investimento importante para reforçar a capacidade de intervenção da Junta.

Este equipamento permitirá melhorar a resposta dos nossos trabalhadores, reduzir tempos de execução e libertar recursos para outras necessidades.

Não prometemos resolver todos os problemas num ano. Comprometemo-nos a começar a cumprir e a criar condições para fazer mais. Foi esse o trabalho que desenvolvemos. Hoje, conhecemos melhor o território, os seus desafios e as expectativas da população. O próximo passo é transformar esse conhecimento numa intervenção mais consistente e próxima das pessoas.

MC: A principal dificuldade tem sido responder à dimensão da Freguesia de Seia e às necessidades da população com os meios de que atualmente dispomos.

A Freguesia de Seia tem cerca de 6.000 habitantes e uma área próxima dos 20 km², abrangendo a cidade e várias localidades. Para responder a esta realidade, contamos atualmente com apenas três trabalhadores no quadro: uma administrativa e dois operacionais. Ao longo do ano, procurámos reforçar temporariamente a equipa em articulação com o IEFP. Ainda assim, os meios disponíveis não nos permitem estar em todos os locais com a frequência que gostaríamos.

Quero, por isso, deixar uma palavra de reconhecimento aos nossos trabalhadores. Tenho muito orgulho na dedicação e no sentido de responsabilidade que demonstram todos os dias. Mesmo com recursos limitados, fazem um esforço acrescido para responder às necessidades da Freguesia e da população.

A outra grande dificuldade é de natureza financeira.

A desagregação da antiga União das Freguesias criou uma nova realidade administrativa, mas os recursos financeiros não acompanharam essa mudança na medida necessária. O Contrato Interadministrativo de Delegação de Competências celebrado com o Município tem mais de dez anos, e os valores nele previstos já não refletem as responsabilidades assumidas nem os custos atualmente suportados pela Junta.

Consideramos também que a distribuição do Fundo de Financiamento das Freguesias após a desagregação não teve suficientemente em conta a dimensão, a população e as necessidades específicas da Freguesia de Seia.

Temos apresentado estas preocupações de forma responsável e institucional. Não pedimos privilégios. Pedimos condições adequadas para exercer as competências que nos estão atribuídas e responder às necessidades da população.

Apesar das limitações, temos procurado encontrar alternativas através de uma gestão rigorosa, da criação de parcerias e da procura de apoios. Mas há matérias em que é necessário reforçar os meios financeiros e humanos para que possamos dar uma resposta diferente.

É esse trabalho de reivindicação e negociação que vamos continuar a desenvolver junto do Município e das restantes entidades. No fundo, queremos garantir que os recursos disponíveis estão ajustados às responsabilidades que temos e às necessidades da população.

MC: A participação dos cidadãos é essencial ao poder local. Para conhecer os problemas no terreno e ouvir quem vive em cada localidade, procurámos aproximar os órgãos da freguesia da população.

Por isso, das três Assembleias de Freguesia realizadas neste primeiro ano, duas decorreram fora da sede da Junta: uma em Vodra e outra na Póvoa Velha.

Foi uma decisão consciente. Queremos que as Assembleias de Freguesia sejam também momentos de proximidade e diálogo com a população. Realizá-las nas localidades permite-nos conhecer melhor os problemas e ouvir quem vive diariamente a realidade de cada terra.

Ao mesmo tempo, demos um passo importante na concretização da Freguesia Digital, uma das medidas que apresentámos na campanha. Através da aplicação GesAutarquia – Freguesia de Seia, os fregueses podem comunicar ocorrências, sinalizar problemas e partilhar preocupações sem terem de se deslocar à sede da Junta.

A participação também passa por estes novos canais. Nem todos têm disponibilidade para estar numa Assembleia ou deslocar-se presencialmente aos serviços, e por isso entendemos que a Junta deve disponibilizar diferentes formas de contacto.

Queremos continuar a fortalecer esta relação ao longo do mandato. A participação cívica não se esgota no momento do voto: constrói-se todos os dias, com diálogo, proximidade e envolvimento na vida da freguesia.

MC: Se este primeiro ano foi dedicado à organização, ao conhecimento do território e à criação de condições para agir, queremos que o próximo seja marcado por uma maior capacidade de concretização no terreno.

Identificámos as principais necessidades e conhecemos melhor os recursos e as limitações da Junta. Estamos, por isso, em melhores condições para definir prioridades e avançar com intervenções que respondam às necessidades da população.

Uma das áreas onde queremos evoluir é na manutenção e valorização do espaço público, reforçando progressivamente os equipamentos e os meios disponíveis. A aquisição do novo trator será importante neste processo, permitindo aumentar a capacidade operacional e dar uma resposta mais eficiente às necessidades do território.

Queremos também envolver mais a comunidade nas decisões sobre o futuro da freguesia. O Orçamento Jovem Participativo, que apresentámos na campanha, continua entre os nossos objetivos. Pretendemos criar condições para que os jovens apresentem as suas ideias e participem diretamente na escolha de projetos para a comunidade.

Queremos continuar a levar a Junta às diferentes localidades, melhorar os canais digitais e criar mais oportunidades de diálogo com a população. O grande desafio do próximo ano é traduzir a estrutura que construímos em intervenções concretas. Queremos que o trabalho desenvolvido se torne visível no território e faça diferença no dia a dia das pessoas.

MC: Nos próximos meses vamos reforçar uma área que consideramos importante para a dinâmica da cidade: a criação de iniciativas através de parcerias.

Recentemente, aprovámos em Assembleia de Freguesia protocolos de colaboração com a Associação Empresarial da Serra da Estrela (AESE) e a Associação Artes e Imagem de Seia (AAIS).

Através destas parcerias, queremos facilitar a realização de pequenas iniciativas por parte de empresários, artistas e agentes culturais, com a colaboração da Junta. A intenção é criar uma programação mais diversificada, apoiar quem tem ideias e contribuir para que a cidade tenha mais atividade ao longo do ano.

Não falamos necessariamente de grandes eventos. Por vezes, pequenas iniciativas, realizadas em diferentes espaços e com a participação da comunidade, são suficientes para criar movimento e dar nova vida à freguesia.

Um exemplo foi o evento recentemente realizado nos Jardins do Palácio da EDP, um dos espaços mais emblemáticos da cidade. Esta iniciativa mostrou o que queremos promover: criar parcerias, dar uso aos espaços e proporcionar novas experiências à população.

A sua realização foi possível graças à parceria entre a E-REDES e a Freguesia de Seia, que permite utilizar aquele espaço para a realização de eventos.

Queremos valorizar e aprofundar esta parceria, dando nova vida a um espaço de grande qualidade que, durante muitos anos, esteve pouco acessível à comunidade.

Queremos uma Seia com mais cultura, criatividade e iniciativa empresarial, onde os espaços existentes sejam aproveitados e vividos pelas pessoas.

MC: A mensagem que quero deixar é, acima de tudo, de compromisso e confiança.

Este primeiro ano mostrou-nos a dimensão dos desafios, mas confirmou também a capacidade, a iniciativa e a vontade de fazer que existem na nossa comunidade.

Esta equipa continuará a trabalhar todos os dias em benefício da freguesia, procurando responder às necessidades da população e melhorar a sua qualidade de vida com os recursos de que dispõe.

Neste caminho, contamos com o contributo de todos os membros da Assembleia de Freguesia, independentemente das suas posições. Acreditamos que o diálogo e a diversidade de perspetivas ajudam a tomar melhores decisões.

Queremos também manter com o Município uma relação de diálogo e cooperação, dando continuidade ao trabalho conjunto e procurando soluções para as necessidades da freguesia.

Contamos também com as nossas coletividades, associações, empresários e instituições, que desempenham um papel essencial na vida de Seia.

Uma freguesia constrói-se com as pessoas: com a sua participação, a sua iniciativa e a vontade de contribuir para o bem comum. Deixo, por isso, um convite aos fregueses: participem, apresentem sugestões, coloquem questões e ajudem-nos a identificar o que pode ser melhorado. As Assembleias de Freguesia e o Dia de Receção aos Fregueses são oportunidades importantes de contacto, a par dos outros canais presenciais e digitais que queremos continuar a reforçar.

Sabemos que a Junta não tem competências nem recursos para resolver todos os problemas. Mas assumimos o compromisso de procurar respostas, reivindicar os meios necessários e continuar a trabalhar para que a Freguesia de Seia avance.

Este primeiro ano foi de aprendizagem e de construção. Nos próximos, queremos transformar esse trabalho em resultados cada vez mais visíveis na vida da freguesia.

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* A ordem de publicação das entrevistas é definida pela data de receção de todos os elementos necessários à sua publicação.

A Seleção não é Cristiano Ronaldo. E Cristiano Ronaldo não é a Seleção

Pela memória. Pela gratidão. E pelo respeito que todos os outros grandes da nossa história também merecem.

Apaixonei-me verdadeiramente pela Seleção Nacional aos 17 anos.

Corria o dia 30 de junho de 1991.

Nesse dia, acompanhado por familiares, fiz a pé o caminho do Lumiar até Benfica. Para se ter uma ideia de como Lisboa era diferente, ainda nem sequer existia o Centro Comercial Colombo.

Entrei pela primeira vez no velho Estádio da Luz.

E aquilo que encontrei lá dentro nunca mais saiu de mim.

Mais de 120 mil portugueses.

Um estádio absolutamente esmagador.

Uma final de um Campeonato do Mundo.

Do outro lado, o Brasil. E, para um miúdo de 17 anos, o Brasil parecia uma espécie de gigante mitológico do futebol.

Portugal podia tornar-se campeão do mundo.

Do Mundo.

É verdade que já tínhamos chegado a esse Olimpo dois anos antes. A 3 de março de 1989, curiosamente em Riade, Portugal derrotara a Nigéria por 2-0, com golos de Abel Silva e Jorge Couto, conquistando o primeiro título mundial da história das seleções portuguesas.

Mas agora eu estava lá.

À minha frente estavam Luís Figo, Rui Costa, João Pinto, Jorge Costa, Peixe, Rui Bento, Paulo Torres, Brassard, Capucho e tantos outros.

Do outro lado, um Brasil onde jogavam, entre outros, Roberto Carlos e um loirinho de quem provavelmente muitos já se esqueceram: Paulo Nunes. Que prazer era vê-lo com uma bola nos pés.

Passaram 90 minutos.

Depois 120.

Zero a zero.

Vieram os penáltis.

E Portugal ganhou.

Foi o êxtase.

Vibrei como talvez nunca tivesse vibrado até então.

Cristiano Ronaldo?

Tinha seis anos.

E Portugal já era, pela segunda vez, campeão do mundo.

Foi naquele estádio, no meio daquela multidão, que aprendi uma das coisas mais bonitas que o futebol alguma vez me ensinou:

a Seleção Nacional é de todos nós.

Ali não havia Benfica.

Não havia Sporting.

Não havia Porto.

Ali só havia Portugal.

E naquele momento aquelas palavras que tantas vezes cantámos ganharam outro significado:

Heróis do mar, nobre povo,

Nação valente, imortal,

Levantai hoje de novo

O esplendor de Portugal.

E levantaram. Bem alto.

Entre as brumas da memória,

Ó Pátria, sente-se a voz

Dos teus egrégios avós,

Que há de guiar-te à vitória.

E guiaram-nos. À vitória.

E depois marchámos nós, pelas avenidas de Lisboa, num estado de perfeita felicidade.

Não sonhávamos sequer com Cristiano Ronaldo.

Talvez por ter aprendido assim a gostar da Seleção, por ter aprendido a senti-la desta forma, me custe tanto aquilo a que temos assistido nos últimos anos: a tentativa de transformar a história da Seleção Nacional na história de Cristiano Ronaldo.

Não são a mesma coisa.

Nunca foram.

E nunca serão.

Pior ainda é a ideia, tantas vezes repetida, de que sem Cristiano Ronaldo Portugal nunca teria chegado onde chegou.

Como se o futebol fosse um desporto individual.

Como se os outros dez estivessem lá apenas para fazer número.

A Seleção já existia antes de Ronaldo

Antes de Cristiano Ronaldo já Portugal tinha conhecido Eusébio da Silva Ferreira.

Mário Coluna.

José Águas.

José Augusto.

António Simões.

Humberto Coelho.

Manuel Bento.

Jordão.

Fernando Gomes.

Chalana.

Carlos Manuel.

Paulo Futre.

É verdade que não existiam Facebook, Instagram, YouTube ou TikTok.

E, às vezes, penso no que seria hoje a dimensão mundial de Eusébio se tivesse jogado na era das redes sociais.

Ou de Chalana.

Ou de Futre.

Que dimensão teria Paulo Futre, com aquela irreverência, aquela velocidade, aquele talento absolutamente eletrizante, se cada finta sua circulasse pelo planeta inteiro segundos depois de acontecer?

Depois daquele Mundial de 1991 comecei a acompanhar a Seleção ainda mais de perto.

Ainda por lá andavam João Pinto e Veloso.

Surgiam Fernando Couto, Rui Barros, Paulo Sousa e Cadete.

E ainda havia Futre. Meu Deus, que jogador era Futre. Não me canso de dizer.

Depois chegaram à Seleção A aqueles miúdos que eu tinha visto serem campeões do mundo.

Figo.

Rui Costa.

João Vieira Pinto.

Jorge Costa.

E ainda hoje me lembro daquele remate de Figo contra Inglaterra no Euro 2000. Aquela bomba que deixou David Seaman pregado ao relvado.

Ou daquele golo de Rui Costa contra a Inglaterra no Euro 2004. Ainda hoje me arrepio.

Depois vieram Vítor Baía, Sérgio Conceição, Costinha, Pauleta, Nuno Gomes, Simão, Deco, Ricardo Carvalho, Miguel, Maniche, Tiago, Ricardo Quaresma, Raul Meireles.

Depois Pepe.

Nani.

João Moutinho.

E depois Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Rúben Dias, João Cancelo, Vitinha e tantos outros.

E no meio desta extraordinária história apareceu Cristiano Ronaldo.

Provavelmente o melhor jogador português de sempre. Seguramente o mais internacional. O melhor marcador da história da nossa Seleção. Um dos maiores futebolistas que o mundo alguma vez viu.

Mas um deles.

Talvez o maior.

Mas não o único.

Um intérprete extraordinário de uma história coletiva.

Porque futebol sem coletivo não é futebol.

Cristiano Ronaldo não é proprietário da Seleção Nacional.

Nunca foi.

Nos últimos anos parece ter-se instalado uma espécie de religião.

Ou se defende Cristiano Ronaldo em tudo, sem reservas, ou se passa imediatamente a fazer parte do grupo dos ingratos, dos invejosos, dos que o odeiam.

Não se pode criticar.

Não se pode questionar.

Não se pode simplesmente dizer: «Aqui esteve mal.»

E quando ouvimos alguns dos seus defensores falar da Seleção, a sensação é quase surreal.

Parece que Portugal jogou vinte anos com onze Ronaldos.

Cristiano defendia.

Cristiano recuperava bolas.

Cristiano assistia.

Cristiano marcava.

Cristiano ia à baliza.

Cristiano treinava.

Cristiano apanhava as bolas.

No fim apagava as luzes do balneário.

E provavelmente ainda conduzia o autocarro até ao hotel.

Não.

Cristiano Ronaldo foi absolutamente fundamental para Portugal durante duas décadas.

Negá-lo seria intelectualmente desonesto.

Mas Pepe também lá estava.

Ricardo Carvalho também.

Deco também.

Figo também.

Nani também.

Quaresma também.

João Moutinho também.

Rui Patrício também.

Bruno Alves, José Fonte, Raphaël Guerreiro, Renato Sanches e tantos outros também.

Em 2016.

Eu já vivia em Macau.

E um emigrante sente o seu país de forma diferente.

Não digo que o sinta mais.

Nem menos.

Sente-o de outra maneira.

Era 10 de julho de 2016.

Em Macau já ia madrugada dentro.

Lembro-me perfeitamente de estar num pequeno café por baixo de minha casa, do meu amigo Nelson, rodeado por alguns portugueses e macaenses.

Como sofremos naquela noite.

Portugal chegou à final depois de uma competição duríssima. Empatámos os três jogos da fase de grupos. Em sete partidas, vencemos apenas uma dentro dos 90 minutos.

Cristiano marcou três golos e foi importantíssimo.

Também isso faz parte da verdade.

Mas, na final, Ronaldo saiu lesionado aos 25 minutos.

Portugal perdeu a sua maior estrela.

E depois aconteceu algo que talvez alguns tenham esquecido.

Portugal continuou.

Em casa do adversário.

Continuou.

Defendeu.

Sofreu.

Resistiu.

Lutou.

E aos 109 minutos apareceu um homem chamado Éder.

Recebeu a bola.

Avançou.

Rematou.

Golo.

Éder.

Não Cristiano Ronaldo.

Éder.

O herói improvável.

O homem em quem quase ninguém apostava.

O homem que colocou milhões de portugueses a chorar.

Em Macau, do outro lado do mundo, eu também chorei.

Que orgulho.

Que alegria.

Que sensação maravilhosa foi, nos dias seguintes, chegar ao trabalho e ser português.

A distância não apagava nada.

Talvez até ampliasse tudo.

E é por isso que me incomoda quando hoje se diz que «Cristiano Ronaldo nos deu o Europeu».

Não.

Portugal ganhou o Europeu.

Rui Patrício ganhou o Europeu.

Cédric ganhou.

Pepe ganhou.

José Fonte ganhou.

Raphaël Guerreiro ganhou.

William Carvalho ganhou.

Renato Sanches ganhou.

André Silva ganhou.

João Mário ganhou.

Nani ganhou.

João Moutinho ganhou.

Quaresma ganhou.

Éder ganhou.

Cristiano Ronaldo ganhou.

E todos aqueles que nem sequer entraram em campo naquela noite também fizeram parte daquela conquista.

Foi Portugal que ganhou.

Essa é a beleza de uma equipa.

Todos contam.

E, por vezes, aquele de quem menos esperamos torna-se o herói.

Respeitar o passado não é dar-lhe um lugar cativo

Cristiano Ronaldo tem hoje 41 anos.

Isso não apaga nada.

Os cinco Bolas de Ouro continuam lá.

Os golos pelo Manchester United, Real Madrid, Juventus e Portugal continuam nos livros.

Os recordes continuam lá.

A história está escrita.

E ninguém sério pretende apagá-la.

Mas existe uma diferença gigantesca entre respeitar a história e conceder à história um lugar cativo no presente.

No futebol não existem lugares cativos.

Ou pelo menos não deveriam existir.

Cristiano Ronaldo deve jogar se o selecionador entender que, naquele jogo, naquele sistema, naquele momento e perante aquele adversário, é a melhor solução para Portugal.

Exatamente como qualquer outro.

A titularidade depende da forma.

Da táctica.

Do adversário.

Do comportamento.

Do profissionalismo.

Do rendimento.

Da dinâmica que um jogador cria com os companheiros.

Não depende do nome.

Muito menos do currículo.

Durante demasiado tempo não senti que fosse assim com Roberto Martínez.

E isso fez mal à Seleção.

Águas passadas.

Quando Ronaldo quis sair do Manchester United, fê-lo convencido de que ainda teria um lugar de protagonista na elite europeia.

O mercado respondeu.

O grande clube europeu disposto a oferecer-lhe esse papel não apareceu.

Ronaldo seguiu então outro caminho.

A Arábia Saudita.

É legítimo.

Mas não podemos fingir que disputar o campeonato saudita aos 41 anos equivale a jogar todas as semanas na Premier League, La Liga, Bundesliga ou Champions ao mais alto nível.

Se Cristiano Ronaldo fosse hoje ainda o melhor jogador do mundo, ou o segundo, o terceiro ou o quarto, estaria provavelmente no Real Madrid, Barcelona, Bayern, Liverpool, Arsenal, Manchester City ou noutro clube desse patamar.

Mas não está.

Está no Al-Nassr.

E isso não diminui aquilo que foi.

Apenas diz alguma coisa sobre aquilo que é hoje.

E chegamos então ao episódio recente.

Cristiano Ronaldo não foi titular frente à Noruega.

Aqueceu.

Não entrou.

Não gostou.

E abandonou o estágio da Seleção Nacional.

Pode haver conversas que desconhecemos.

Pode haver promessas que terão sido feitas.

Pode haver coisas mal explicadas.

Cristiano anunciou que, a seu tempo, contará a sua verdade.

Quando falar, ouvirei.

Claro que ouvirei.

Mas há um facto que nenhuma versão futura poderá alterar:

quando a Seleção continuava concentrada e ainda tinha jogos para disputar, o capitão decidiu ir embora.

Os colegas ficaram.

Ele saiu.

E para mim isso pesa.

Muito.

Porque de Cristiano Ronaldo, precisamente por ser Cristiano Ronaldo, eu esperava mais.

Esperava que, com 41 anos, depois de mais de duas décadas de Seleção, fosse ele a ensinar aos mais novos aquilo que significa representar Portugal mesmo quando não se joga.

Esperava que colocasse o braço sobre Gonçalo Ramos e lhe dissesse:

«Vai. Marca dois. Eu estou aqui contigo.»

Isso seria liderança.

Isso seria grandeza.

Isso seria transformar uma carreira extraordinária num legado ainda maior.

Porque ser capitão quando o nosso nome aparece sempre no onze inicial é relativamente fácil.

Ser capitão quando se fica no banco é que revela verdadeiramente o capitão.

E esta dificuldade de Cristiano Ronaldo em aceitar que pode deixar de ser a primeira opção não nasceu ontem.

Em 2022, no Manchester United, Erik ten Hag confirmou que Ronaldo se recusou a entrar como suplente frente ao Tottenham.

Saiu antes do final.

Foi afastado do jogo seguinte.

No Mundial desse mesmo ano houve tensão quando Fernando Santos o colocou no banco.

Agora surgiu Jorge Jesus.

Novo treinador.

Nova situação em que Cristiano deixa de ser automaticamente titular.

Novo conflito.

Podemos continuar a chamar a isto «mentalidade vencedora».

Mas começa a ser necessária muita imaginação.

Existe uma linha que separa a ambição da incapacidade de aceitar que, numa equipa, quem decide quem joga é o treinador.

Se há queixinhas, diga-as quem as tem

E entretanto apareceu novamente Piers Morgan.

Curioso.

O mesmo Piers Morgan.

Amigo de Cristiano Ronaldo, surgiu agora a garantir que Jorge Jesus teria feito determinados compromissos ao jogador e que depois não os teria cumprido.

Pode ser verdade.

Pode não ser.

Eu não estava nessas conversas.

Piers Morgan, tanto quanto sei, também não.

Mas para mim existe aqui uma questão ainda mais simples.

Se Cristiano Ronaldo considera que Jorge Jesus lhe mentiu, que o enganou, que lhe faltou à palavra ou que o desrespeitou, então diga-o.

Cristiano Ronaldo.

Com o seu nome.

Com a sua voz.

De frente.

Não precisa de mandar recados através do amigo Piers Morgan.

Sobretudo porque já vimos este filme.

Em 2022 foi precisamente Piers Morgan o escolhido para a entrevista em que Ronaldo ajustou contas com Erik ten Hag e com o Manchester United.

Disse então que não respeitava o treinador porque, segundo ele, o treinador também não o respeitava.

Pouco depois, saiu do Manchester United.

Uma vez é uma entrevista.

Duas vezes começa a parecer um método.

E um homem cuja imagem foi construída durante décadas sobre coragem, determinação, frontalidade e capacidade de enfrentar tudo e todos não precisa certamente de um jornalista inglês para lhe servir de porta-voz.

Quem tem queixas, que tenha também coragem para as dizer pela própria boca.

Sobretudo quando é capitão de Portugal.

Depois aconteceu aquilo que o futebol costuma fazer às teorias sobre homens insubstituíveis.

Portugal entrou em campo.

Sem Cristiano Ronaldo.

E jogou.

Ganhou.

Voltou a ganhar.

Qualificou-se.

Isto prova que Portugal é melhor sem Ronaldo?

Não.

Seria tão intelectualmente desonesto afirmá-lo como dizer que Portugal só sabe jogar quando Cristiano está em campo.

Prova apenas uma coisa muito mais simples:

Portugal consegue continuar sem ele.

Como continuou depois de Eusébio.

Depois de Futre.

Depois de Figo.

Depois de Rui Costa.

E como um dia continuará depois de Bruno Fernandes, Bernardo Silva ou Vitinha.

É assim que funciona o futebol.

Os jogadores passam.

A camisola fica.

E quando Pedro Proença transforma aquilo que aconteceu num «mal-entendido», confesso que fico perplexo.

Porque se um capitão abandona uma concentração depois de não jogar e, poucos dias depois, tudo é reduzido a um simples mal-entendido, então é legítimo perguntar onde acabam as regras e onde começa o estatuto.

Uma Seleção não pode ter 25 jogadores sujeitos às decisões do treinador e um 26.º com direito de veto emocional sobre essas decisões.

Até um cabelo

Talvez pareça insignificante, mas lembro-me daquele episódio no Mundial de 2022 contra o Uruguai.

Bruno Fernandes cruzou.

A bola entrou.

Cristiano festejou convencido de que lhe tinha tocado.

Discutiu-se de quem era o golo.

Analisaram-se imagens.

Falou-se de sensores.

Falou-se do cabelo de Ronaldo.

No fim, o golo foi atribuído a Bruno Fernandes.

E Bruno disse algo muito mais importante do que saber a quem pertencia estatisticamente o golo: pareceu-lhe que Ronaldo tinha tocado, mas pouco interessava.

Portugal tinha marcado.

É isto.

Portugal marcou.

Porque numa Seleção deveria existir primeiro o nome escrito na frente da camisola.

Só depois aquele que está escrito nas costas.

Sobre o selecionador. O selecionador não é funcionário do capitão

Um selecionador nacional não existe para proteger o ego da sua maior estrela.

Existe para escolher aqueles que considera serem os melhores onze para ganhar um jogo.

Pode escolher Ronaldo.

Pode colocá-lo no banco.

Pode lançá-lo aos 60 minutos.

Pode nem sequer utilizá-lo.

Chama-se treinar.

Jorge Jesus pode vir a ganhar tudo.

Pode não ganhar absolutamente nada.

Isso veremos.

Mas há uma coisa que afirmou nesta polémica com a qual concordo totalmente:

as regras têm de ser iguais para todos.

Ronaldo incluído.

Porque quando existe um jogador cuja possível reação condiciona antecipadamente uma decisão do treinador, a Seleção deixou de ter um selecionador.

Passou a ter um gestor de susceptibilidades.

Justiça para Cristiano Ronaldo. Mas justiça também para Portugal

É precisamente isto que defendo.

Justiça.

Justiça para Cristiano Ronaldo.

Que lhe sejam reconhecidos todos os golos.

Todos os recordes.

Todos os títulos.

O profissionalismo.

A longevidade extraordinária.

O sacrifício.

A dedicação.

Tudo aquilo que deu a Portugal.

Que um dia saia pela porta grande.

Que seja homenageado.

Que um estádio inteiro se levante para o aplaudir.

Eu também me levantarei.

Eu também aplaudirei.

Mas façamos justiça aos outros.

A Eusébio.

A Coluna.

A Chalana.

A Futre.

A Figo.

A Rui Costa.

A João Pinto.

A Fernando Couto.

A Pauleta.

A Deco.

A Ricardo Carvalho.

A Pepe.

A Nani.

A Quaresma.

A Rui Patrício.

A Bruno Fernandes.

A Bernardo Silva.

E até ao Éder.

Sobretudo ao Éder.

Porque naquela noite de 10 de julho de 2016, quando Cristiano Ronaldo já não podia jogar, foi um homem de quem quase ninguém esperava nada que rematou de fora da área e colocou Portugal inteiro a chorar.

Essa é a extraordinária beleza de uma equipa.

O herói pode ser qualquer um.

E volto, por fim, àquele miúdo de 17 anos.

30 de junho de 1991.

Velho Estádio da Luz.

Mais de 120 mil portugueses.

Figo marca o seu penálti.

Rui Costa marca o último.

Portugal é campeão do mundo.

E eu descubro ali uma paixão que nunca mais me abandonou.

Passaram 35 anos.

Mudaram os jogadores.

Mudaram os treinadores.

Mudaram os estádios.

Mudou o futebol.

Eu próprio mudei.

Saí de Portugal.

Fui viver para o outro lado do mundo.

Mas há uma coisa que não mudou.

O significado daquela camisola.

Portugal.

Não Eusébio.

Não Futre.

Não Figo.

Não Ronaldo.

Portugal.

Cristiano Ronaldo foi um dos maiores intérpretes da história do futebol português.

Talvez o maior de todos.

E é precisamente por ter sido tão grande que custa ainda mais vê-lo incapaz de aceitar aquilo que todos os grandes jogadores acabam, mais cedo ou mais tarde, por ter de aceitar:

que o tempo passa.

Que surgem outros.

Que às vezes se joga.

E outras vezes se fica no banco.

Que um treinador pode errar.

Mas continua a ser ele quem decide.

E que nenhuma carreira, por mais extraordinária que seja, pode colocar um homem acima da equipa.

Porque nenhum jogador é maior do que a camisola que veste.

Nenhum.

E se Cristiano Ronaldo, um dos maiores intérpretes de sempre deste maravilhoso jogo coletivo, chegou ao ponto de entender que só vale a pena participar quando o jogo gira à sua volta, talvez tenha escolhido a modalidade errada para terminar a carreira.

Porque o futebol joga-se com onze.

E se quer que o cronómetro, a distância, o recorde e a vitória dependam apenas dele…

há sempre o atletismo.

EN232 reaberta ao início da tarde de hoje, junto à Zona Industrial de Gouveia, após acidente

Ocorrência mobilizou vários meios de socorro, incluindo um helicóptero, e obrigou ao corte temporário da estrada nos dois sentidos.
Um acidente rodoviário ocorrido ao fim da manhã desta quarta-feira, 7 de outubro, na EN232, na Zona Industrial de Gouveia, mobilizou vários meios de socorro e levou ao corte temporário da circulação nos dois sentidos.

As imagens recolhidas no local mostram uma viatura capotada na faixa de rodagem, tendo sido mobilizados elementos dos bombeiros e meios de emergência médica. Durante as operações de socorro esteve igualmente no local um helicóptero, tendo a estrada permanecido encerrada ao trânsito enquanto decorreram os trabalhos.

A EN232 foi entretanto reaberta à circulação.
Até ao momento, o Jornal de Santa Marinha não dispõe de informação confirmada sobre o número ou o estado de eventuais vítimas, nem sobre as circunstâncias que estiveram na origem do acidente.

Seia acolhe este domingo tertúlia sobre Cuidados Paliativos

No âmbito das comemorações do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, assinalado a 10 de outubro, a Equipa de Cuidados Paliativos do Pólo de Seia — pertencente à Área de Gestão Integrada de Cuidados Paliativos da Unidade Local de Saúde (ULS) Guarda — vai promover a tertúlia “Cuidados Paliativos: Vamos Conversar?”.

A iniciativa realiza-se no próximo dia 11 de outubro, pelas 16h00, no Conservatório de Música de Seia.

Trata-se de um momento de conversa informal e de proximidade, aberto a toda a comunidade. O evento tem como principais objetivos desmistificar a área, esclarecer dúvidas, proporcionar a partilha de experiências e promover uma maior compreensão sobre o papel e a importância dos cuidados paliativos junto dos utentes, famílias, profissionais e cidadãos em geral.

A participação é totalmente gratuita e não requer inscrição prévia, constituindo-se como um convite aberto ao diálogo num ambiente descontraído.