O que escrevemos e quanto escrevemos é sempre o espelho fiel do que pensamos e a expressão exata da análise rigorosa que produzimos.
Vivemos o 25 de Abril com a alegria, o regozijo e o entusiasmo de quem tinha plena consciência do virar de uma página negra na História do país. Era a chegada da Liberdade, o nascer da Democracia com a certeza absoluta de que, a partir dali, caberia ao povo a responsabilidade de escolher quem queria que o governasse. Temos de ter a noção de que, nestas transformações, profundas e lapidares, há sempre engulhos pelo caminho, contratempos e resistências. Daí, não podermos nem devermos estranhar o 25 de Novembro e as indiscutíveis razões por que foi celebrado. 25 de Abril só há um, na verdadeira aceção do contexto político. E isso ninguém o pode esquecer nem negar. Mas celebrar com pompa e circunstância o 25 de Novembro é um dever e uma obrigação de todos quantos amam a Liberdade e a Democracia. É que sem o 25 de Novembro e o extraordinário papel corporizado por Ramalho Eanes, Jaime Neves e outros, Abril poderia ter sido ensombrado de saudade, e até aniquilado. Cometeram-se muitos erros, alguns exageros, reconhecidos desmandos e desvios dos ideais que o ditaram mas convenhamos que o saldo é francamente positivo e Portugal e o seu povo estão bem melhores.
Nos dias de hoje, olhamos para a casta de políticos que o país possui e não podemos deixar de nos sentir tristes, constrangidos e inexoravelmente dececionados. Infelizmente, não aparece ninguém capaz de nos convencer e arrastar. É, indubitavelmente, uma miséria franciscana! O que é que estes políticos têm a ver com o Sá Carneiro, Cavaco Silva, Freitas do Amaral, Álvaro Cunhal, Mário Soares, Balsemão, Ramalho Eanes e tantos, tantos outros? Absolutamente nada!
Não devemos encobrir esta inegável realidade! Os políticos atuais que nos perdoem mas se forem justos, sérios e isentos terão de reconhecer e afirmar esta incontestável verdade. Não perdemos a esperança de que o futuro nos reserve o aparecimento de alguém que saiba e queira cumprir Abril.
No que concerne à Europa, há que afirmar sem receio de cometer exageros de que o panorama é tão cinzento e preocupante quanto o do nosso país. Voltemos atrás, visitemos a História Europeia e não nos cansemos de repetir o nome de tão grandes e notáveis figuras políticas que outrora tanta notabilidade atingiram e que jamais poderemos esquecer.
Ó tempo volta para trás e traz-nos rapidamente políticos dessa estirpe.



