Invariavelmente temos de voltar a Trump! Agora, aliás, há já algum tempo, impressiona mais Trump que Putin. Diria, até, que em matéria de surpresas, de imprevistos, Putin se tornou previsível nos seus planos e o imprevisível é Trump. Imprevisível e perigoso. Tão ou mais perigoso que Putin. Este, sabemos ao que vem. Aquele, tornou-se difícil adivinhar. Sabemos, é certo, duas ou três “linhas” da sua “personalidade” enquanto político: valoriza a perspetiva monetária, os ganhos, faz a apologia de um nacionalismo persecutório e isolacionista, por um lado, e por outro assume um intervencionismo internacional duvidoso e contraditório e utiliza as relações internacionais para benefício próprio e do seu império empresarial. Veja-se o caso da Venezuela, em que apenas pretendeu efetuar um exercício de poder militar aparentemente sem uma estratégia consistente para substituir Maduro. Ao nível interno, a perseguição obsessiva aos imigrantes tem, além das mortes que já causou, exposto o ridículo das justificações que as e os porta vozes da casa branca têm vindo a dar sobre os acontecimentos mortais. Ao permitir que uma força policial mate impunemente Trump coloca-se ao lado dos líderes criminosos como Putin ou os dirigentes iranianos que fomentam o assassinato de opositores. Já não parece seguro visitar os E.U.A. Desejável será que a Europa tenha acordado definitivamente para a nova realidade e quebre as dependências deste ou daquele mercado e, já agora, invista mais na defesa. É que, atualmente, o Estados Unidos da América são uma espécie da “paria” internacional em que não é seguro confiar. Tal como relativamente a Putin e à Russia, também relativamente aos E.U.A. e a Trump se deve aplicar o “principio da desconfiança permanente.
É mais do que óbvio que António José Seguro será o próximo Presidente de Portugal. Não se trata de uma manifestação de fé, mas antes uma conclusão assente na análise do contexto político em Portugal. Em que o resultado da primeira volta e as suas consequências também entram. O facto de Seguro ter ganho a primeira volta das presidenciais e de os principais protagonistas das candidaturas que ficaram atrás de Ventura terem dito que iriam votar em António José Seguro reforçam em mim a convicção de que a sensatez predominará na jornada eleitoral de 8 de fevereiro. A “bem da Nação”!
O “irritante político” em que se tornou André Ventura e o seu CHEGA têm a sua “causa” naquilo que o líder “chegano” apelidou recentemente de “tacho de interesses”. Efetivamente, tanto o PSD como o PS têm a responsabilidade de terem sido as únicas forças partidárias portuguesas a governarem Portugal na quase totalidade do pós 25 de abril. E, efetivamente, durante os últimos cinquenta anos o aparelho de estado foi utilizado muitas vezes para favorecimentos a amigos e companheiros de partido, e alguma política económica favoreceu, muitas vezes, uma certa clientela política. A utilização de serviços do Estado ou em que o mesmo participa ou está representado tem sido utilizado por, pelo menos, uma das duas forças para “ajeitar” esta ou aquela situação deste ou daquele “companheiro”. É claro que André Ventura e muita gente sabe disto e do resto. O crescimento do CHEGA será sempre proporcional ao crescimento do descontentamento relativamente às governações dos socialistas e social democratas. E quando for absolutamente insustentável a dita governação então o CHEGA será governo.



