Estamos numa época do ano de mudanças no estilo de vestuário, mais leve, claro e solto, em geral. Também associamos, muitas vezes, a dias longos, quentes, socialmente ativos e de maior contacto com a natureza. Supomos, habitualmente, que vivemos dias mais felizes e alegres. Será esta uma realidade transversal a muitos de nós?
Deseja-se que no período de pausa predominem emoções agradáveis, prevê-se momentos alegres, produtivos e relaxados ao mesmo tempo, paradoxo que afasta muitas pessoas da sua realidade emocional. Por vezes, vivem-se dias de tensões emocionais no seio familiar, solidão de muitos que veem as suas relações afetivas de suporte enfraquecidas e mesmo quebradas, quando o até então stress do dia-a-dia camuflava realidades proteladas.
Contrariando a premissa de que o verão é sinónimo de bem-estar, para muitas pessoas esta pode tornar-se uma época de desafios não muito expostos. A quebra de rotinas, a pressão para usufruir “ao máximo” da pausa de verão, os conflitos e tensões familiares e o confronto com silêncios interiores, tornam-se, frequentemente palco para o surgimento de emoções intensas de tristeza, ansiedade e desespero.
Numa região do interior como a nossa, acresce em algumas situações o isolamento, a saudade e a ausência dos jovens que rumam para outras localidades do país ou para o estrangeiro.
É comum ouvirmos frases como “no verão esquece-se tudo”, “é tempo de não pensar”, “deixa lá isso agora”, entre outras. Contudo, a nossa mente não para e o nosso corpo manifesta. Frequentemente é nas pausas que muitas pessoas observam e escutam o seu interior e esta pode ser a oportunidade de se priorizar iniciando um processo de cuidar da sua saúde mental. Sente-se emocionalmente assoberbado, irritado, com falta de foco e pouco sentido de realização? As férias não o/a revitalizam?
Estes podem ser sinais não para uma pausa que “anestesia”, mas para uma ação que mobiliza a melhores dias, com mais equilíbrio e saúde. Não permita que a estação da luz obscureça a sua verdade interior. É sempre uma boa altura para dar espaço ao que sente. Estabeleça pontes e pontos de ajuda. Permita-se ser escutado(a) e cuidado(a).





