Era uma vez!…

Já lá vão muitos anos, mesmo muitos, em que numa região do norte de Portugal, nasceu no seio de uma família abastada, uma criança do sexo masculino, de nome Pedro. Batizada na Igreja Matriz dessa localidade nortenha, é claro que teve como expectável uma festa rija à dimensão das possibilidades da família.

Passaram-se os anos e o Pedro crescia dando claros sinais de que o acompanhava um inegável sonho de se tornar notado quando atingisse a maioridade. Aproveitou bem e sem poder ser considerado génio, revelou-se, no entanto, bom aluno daqueles que não deixa dúvidas quanto às suas capacidades e fixação de ideias. A população da sua terra foi cimentando a ideia de que, a par de um jovem inteligente, o Pedrinho não conseguia disfarçar uma veia de prepotência, de autoritarismo, pouco sadio, e manias de que sabia tudo, que era o único capaz, corajoso e determinado.

O tempo não pára e a vontade do Pedrinho ser notado, mandar na malta, ter poder e ser o principal do grupo, transformou-se em autêntica obsessão. Passados mais uns anos, já com um curso superior, o Pedrinho como era conhecido e tratado pelas gentes do seu povo, virou costas às empresas do pai e avô e quis rumar até uma grande cidade para abraçar uma carreira política. Não foi fácil até porque os concorrentes diretos eram hábeis e experimentados. Apesar disso o Pedrinho, senhor de manhas e atitudes ditatoriais esqueceu, ignorou e desprezou sentimentos de amizade, gratidão e solidariedade. Vai daí procurou tramar o chefe sem apelo nem agravo e sem sequer se ter preocupado com a experiência, a habilidade e o saber do dr. António. É claro, estendeu-se ao comprido.

Mais tarde, quando já no trono de um rancho de gente boa e válida, sem olhar a nomes e a amizades, foi espezinhando “Antónios”, “Joões” e “Franciscos”, poupando e promovendo, apenas, uma menina de leis que apesar de inteligente, não possuía porém, qualidades essenciais e estruturas humanas capazes e necessárias ao sucesso. É claro que deu barraca e a população começou a esquecer as suas origens e a tratá-lo como, na verdade, merecia: com desprezo, riso, chacota etc. E agora, Pedrinho?

Não voltámos ainda àquelas paragens para saber notícias do Pedrinho, mas não é difícil adivinhar o seu irrequietismo, deceção, desilusão e, pior que tudo isso, o divórcio dos amigos sérios, competentes e politicamente reconhecidos e respeitados.

Como diria Henri Lacordaire:
“O orgulho divide a Humanidade; a humildade une-a”.

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