Todos os anos o calendário muda e surge a ideia (socialmente reforçada) de que janeiro também vai mudar a nossa vida. Janeiro é, para muitos, encarado como um botão de “reset”, mas sabias que essa perspetiva pode ser mais frustrante do que transformadora?
A mudança não respeita datas simbólicas e, raramente, surge em momentos de euforia. A mudança exige consciência, plano, tolerância ao erro, repetição e, muitas vezes, exposição ao desconforto. Por isso, o mito do “recomeço” associado a janeiro pode aumentar a culpa (“já não devia estar nesta fase”, “devia estar melhor”) e reforçar a autocrítica.
A proposta para janeiro é que olhes para este mês como um mês de continuação, de consciência, de escuta interna, sem pressa e sem julgamento. Não tentes encaixar-te em ideias sociais e culturas pré-definidas… A saúde mental não se renova com o novo ano e o teu bem-estar não começa quando ouves e/ou observas o fogo de artifício à meia noite.
A saúde mental é um processo que remete para narrativas pessoais, para contextos, recursos internos, perdas, experiências dolorosas e até traumáticas.
Por isso, afasta-te da ideia de que janeiro resolve tudo e aproxima-te de ti, do que merece cuidado, do que precisas de te afastar ou deixar ir. Todos temos as nossas histórias, os nossos tempos internos e existem processos que não seguem os calendários. A mudança ocorre quando há espaço e não quando há pressão.





