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O Pântano do Imobilismo: O Papel da Oposição perante o cenário do “Mais do Mesmo”

Este é um tema denso e, infelizmente, reconhecível em muitas realidades autárquicas. O papel do Vereador sem pelouro (não permanente) num cenário de “asfixia democrática” não é apenas o de fiscalizar, mas o de atuar como o último reduto da transparência e do pensamento crítico. Diz-se frequentemente que a Democracia se renova no voto. Mas o que acontece quando o voto serve apenas para alimentar uma máquina que sobrevive de si mesma há meio século?

Num Concelho onde as paredes das Instituições parecem cristalizadas por 50 anos de governação quase ininterrupta, o papel de um Vereador não permanente, mais conhecido como Vereador da Oposição, deixa de ser meramente institucional para se tornar um ato de resistência democrática.

A Miragem do Betão Eleitoral

Não precisamos de ir longe para encontrar o padrão: a “catadupa de obras” que surge, como por magia, na antevéspera das Eleições. Vimos máquinas nas ruas, pó no ar e promessas de progresso. Contudo, mal as urnas fecharam, o silêncio instalou-se nos estaleiros. O que restou? Obras inacabadas e um rasto de dívida que hipotecou o nosso futuro comum.

Assim, o Orçamento para 2026 não é uma peça de planeamento; é um documento refém. É o resultado de compromissos eleitoralistas que empurraram o nível de endividamento para o limite legal, deixando a margem de manobra para o investimento real reduzida a zero. Estamos a pagar hoje a “festa” de ontem, enquanto os problemas estruturais das nossas gentes continuam à espera de uma solução que nunca chega.

Entretanto, surge agora uma novidade preocupante: deixou de se discutir se a Barragem de Girabolhos serve o interesse público para se falar apenas das contrapartidas.

Uma vez mais este Executivo revela uma inversão preocupante de prioridades, esquecendo ou fingindo esquecer, que as únicas contrapartidas efetivamente negociadas no passado foram precisamente para travar a sua construção.

A Paralisia Criativa e o “Reboque” Intermunicipal

A falta de rasgo nesta governação é gritante. Assistimos a uma liderança que parece ter perdido a capacidade de pensar o território de forma autónoma. Em vez de uma estratégia local forte, o Município limita-se a andar a reboque da Comunidade Intermunicipal da Região Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE). Se a CIMRBSE não dita o caminho, o executivo não sabe para onde caminhar.

Esta falta de autonomia reflete-se em todas as agendas, havendo unicamente um calendário de eventos repetitivo, sem inovação, sem “fora da caixa”. É uma gestão de “copiar e colar” que ignora:

 – As propostas da Oposição (tratadas como ruído e não como contributo);

 – A visão dos Grupos Informais de cidadãos (que são ouvidos por sensibilidade);

 – E, mais grave ainda, o conhecimento técnico dos próprios Dirigentes Municipais, que se veem remetidos ao papel de meros executores de uma vontade política caduca.

O Papel do Vereador: Ser a Voz do Silêncio

E neste contexto, qual é o papel do(s) Vereador(es) não permanente(s)?

Digamos que se trata de uma tarefa ingrata, mas vital para a defesa dos interesses da população.

Quando a maioria fecha as portas ao diálogo, cabe-nos a nós escancarar as janelas.

O nosso papel é o de denunciar o vazio de ideias e a gestão por conveniência.

Não podemos aceitar que o Futuro do nosso Concelho seja decidido entre quatro paredes por quem já não consegue ver o mundo para além dos vícios do Poder.

A Democracia exige mais do que a manutenção do status quo; exige audácia, escuta ativa e, acima de tudo, a coragem de admitir que 50 anos de um modelo único podem ser o maior obstáculo à modernização que tanto reclamamos.

É tempo de libertar o Concelho do peso do passado e de uma dívida que não escolhemos.

O Orçamento de 2026 será difícil, sim, mas que seja o ano zero de uma nova forma de fazer política: com transparência, criatividade e, finalmente, com Democracia. Num ano em que se assinalam os 50 anos da aprovação da Constituição de 1976 e das primeiras Eleições Autárquicas livres, reafirmamos o compromisso com os valores da democracia, da descentralização e da participação que deram sentido ao poder local. É com essa herança e com essa responsabilidade que continuaremos a pugnar por um Concelho mais justo, mais ambicioso e mais próximo das pessoas, capaz de honrar o passado, responder aos desafios do presente e afirmar-se, com visão e coragem, como uma verdadeira

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