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Freguesia de Santa Marinha com inscrições abertas para o voluntariado jovem para as florestas

A Freguesia de Santa Marinha tem abertas, a partir de hoje, as inscrições para o programa Voluntariado Jovem para as Florestas, uma iniciativa aprovada pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), que pretende envolver os jovens na preservação e valorização da nossa floresta.

O programa inclui bolsa de 13€ por dia; participação em horário da manhã ou da tarde; Kit do voluntário e certificado de participação.

As inscrições decorrem na Junta de Freguesia de Santa Marinha e têm um limite máximo de cinco voluntários.


Podem inscrever-se jovens dos 14 aos 30 anos, residentes ou não residentes na Freguesia de Santa Marinha.

5.ª edição do Festival Ocupar a Velga celebra o encontro, a memória e a comunidade em Valezim (Seia)

De 3 a 8 de agosto, Valezim volta a ser palco de criação artística, reflexão e partilha em comunidade.

Um convite à celebração é a proposta do Festival Ocupar a Velga que atinge a sua 5.ª edição. Organizado pela Produção d’Fusão, o projeto ocupa Valezim, de 3 a 8 de agosto, com uma programação que parte da celebração e do encontro como gesto de resistência e de abrir espaço ao desconhecido.

“Num tempo marcado pela aceleração, pela fragmentação e pelo isolamento, reunir pessoas em torno de experiências artísticas continua a parecer-nos um ato profundamente relevante. Os temas que habitualmente atravessam o festival — comunidade, memória, identidade, território e participação — continuam presentes, mas surgem este ano numa abordagem mais leve e festiva. Há uma vontade de celebrar o caminho percorrido, os vínculos criados e a possibilidade de imaginar coletivamente o futuro”, referem os programadores Filipe Metelo, Patrícia Soares e Sandra Cardoso.

Durante seis dias, Valezim recebe espetáculos de teatro, dança, performance, cinema, oficinas, sessões de leitura, conversas e momentos de convívio, reunindo artistas e comunidade em torno de diferentes formas de pensar o lugar, as relações humanas e as paisagens que habitamos.

De acordo com os programadores do festival, “a diversidade de linguagens artísticas faz parte da identidade do evento e resulta da vontade de criar múltiplas portas de entrada para a experiência cultural”.

“Sabemos que diferentes pessoas se relacionam de formas distintas com a arte. Essa diversidade permite-nos chegar a públicos mais amplos e criar oportunidades de descoberta. Ao mesmo tempo, interessa-nos proporcionar experiências que incentivem a curiosidade. Essa possibilidade de cruzamento e descoberta é um dos aspetos que mais valorizamos. Valorizamos também bastante as atividades para um público mais jovem, porque serão eles o público de amanhã, e parece-nos fundamental que desde muito cedo tenham contacto com áreas criativas que ajudem ao seu desenvolvimento, não apenas criativo, mas enquanto ser ativo da comunidade”, explicam.

A programação arranca a 3 de agosto com a 6.ª edição do “MiniLab”, uma oficina de artes performativas orientada por Margarida Mestre, dirigida a crianças e jovens dos 6 aos 13 anos. Sob o mote “Em Valezim Plim! Acontece um lugar”, a oficina convida os participantes a olhar para a aldeia como matéria de construção e invenção, explorando histórias, ruas, casas, pessoas, árvores e fontes.

Entre 3 e 6 de agosto decorre também a recolha de histórias e memórias de Valezim para a criação artística “Novelga”, conduzida por Catarina Requeijo e Manuela Pedroso, num trabalho desenvolvido com a comunidade e integrado numa obra com estreia prevista para 2027.

A programação artística inclui teatro, com o espetáculo “Popular”, de Sara Inês Gigante, apresentado a 5 de agosto, uma criação que cruza autoficção, humor e reflexão sobre os conceitos de popularidade, cultura de massas e participação coletiva.

No dia 6 de agosto, o festival apresenta “Mulher Enciclopédia”, uma criação de Poliana Tuchia e Keli Freitas, um solo autobiográfico que atravessa memórias familiares, silêncio e resistência através do humor, da ironia e da desobediência.

A 7 de agosto, a encenadora Mónica Calle e o Coro das Mulheres da Fábrica estreiam “Descrição de uma paisagem”, uma performance-percurso inédita criada a convite do Ocupar a Velga. A encenadora e mais de 30 mulheres apresentam uma experiência coletiva que procura um lugar de comunhão, questionando o que nos une e como podemos encontrar formas de resistência através dos corpos, das vozes e da memória.

O cinema marca presença no dia 8 de agosto com uma sessão de curtas-metragens infantis, numa parceria com o Festival Play. No mesmo dia, e em jeito de encerramento do festival é a vez de “Também se matam cavalos”, de Francisco Thiago Cavalcanti & Um cavalo disse mamãe, uma criação que explora a liberdade, a resistência e os limites entre loucura e imaginação.

Além dos espetáculos, o festival promove momentos de reflexão e participação comunitária, nomeadamente com uma tertúlia dedicada à biodiversidade da Serra da Estrela, em parceria com o CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens e uma sessão de leitura com Maria Beatriz Seabra.

A 5.ª edição do Ocupar a Velga termina em clima de festa com Mike El Nite, DJ, host e entertainer, num baile que transforma a música num espaço de encontro e celebração coletiva. Conhecido pela sua seleção musical eclética e pela capacidade de criar ligação com o público, Mike El Nite apresenta um set marcado por remixes energéticos e dançáveis, cruzando grandes clássicos românticos, repertório popular português e os grandes êxitos pop do momento.

O Ocupar a Velga regressa assim a Valezim para celebrar o poder dos encontros, das histórias partilhadas e das comunidades que continuam a criar espaço para imaginar outros futuros.

OCUPAR A VELGA

Na tradição oral, a Velga é o nome dado aos campos nas encostas da serra da Estrela onde se cultivava batata, milho e centeio. Inspirado no próprio território e na vontade de o ocupar e de o aproximar das artes performativas, nasceu o Festival Ocupar a Velga. Contrariando assim a ideia de que a oferta cultural de qualidade está reservada aos grandes centros urbanos e “levando programação artística contemporânea a um contexto rural e ao espaço público, onde o encontro acontece de forma mais espontânea e acessível”.

“Fazemo-lo através da apresentação de espetáculos que circulam por algumas das principais salas e festivais do país, mas que aqui são apresentados em contacto direto com a comunidade. Procuramos também desconstruir possíveis perceções de elitismo associadas à fruição cultural, criando contextos de proximidade entre artistas e público, promovendo conversas, partilhas e momentos de convivência.

Mais do que levar cultura a um território, interessa-nos criar condições para que esse território participe ativamente na construção da experiência cultural”, referem.

Em 2023, o festival reforçou as componentes participativas, formativas e de mediação; em 2024, aprofundou a aposta em linguagens contemporâneas e cruzamentos disciplinares; e em 2025, consolidou-se como um projeto que articula criação artística, memória, território e participação comunitária.

“Chegar à quinta edição representa a confirmação de que o projeto encontrou o seu lugar. É um sinal de confiança por parte da comunidade, dos parceiros e do público que regressa ano após ano. Sentimos que existe uma consolidação da identidade do festival, dos seus princípios e da relação construída com o território. No entanto, continua a ser um projeto em construção. Trabalhamos num contexto vivo, em constante transformação, e isso exige capacidade de escuta, adaptação e experimentação”, reforçam.

O “Ocupar a Velga” é financiado por DGArtes Governo de Portugal com o apoio de BPI | Fundação La Caixa, Câmara Municipal de Seia, Junta de Freguesia de Valezim
apoio à produção com Associação de Arte e Imagem de Seia, Festival PLAY, CERVAS, CREV, Salão Brazil, Associação Vallecinus

Parcerias Media RTP2, Antena 2, Gerador, Jornal Santa Marinha e O grito e o cochicho

Apoio à Comunicação Infraestruturas de Portugal (IP), Canal Q, Canal 180, Rádio Boa Nova

A Produção d’Fusão é uma associação sem fins lucrativos, que integra nos seus órgãos sociais vários produtores nas áreas da dança, teatro, artes plásticas e música, sendo gerida por Patrícia Soares e Filipe Metelo.

Programa completo em www.producaodfusao.com.

CCR “Os Viriatos” da Arrifana comemoram 54 anos

O Centro Cultural e Recreativo “Os Viriatos”, da Arrifana (Seia), vai celebrar o seu 54.º aniversário no próximo domingo, dia 2 de agosto, com um programa festivo que promete reavivar o convívio comunitário.

​As comemorações arrancam a partir das 15:00h, com um momento dedicado à animação musical e cultural. O programa prossegue, pelas 17 horas com um lanche convívio e o tradicional porco no espeto. Pelas ​20 horas haverá caldo verde e o corte do bolo de aniversário.
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​O evento terá lugar nas instalações da coletividade em Arrifana, concelho de Seia, convidando associados, residentes e amigos a juntarem-se a esta data marcante da história do clube fundado em 1972.

Freguesia de Santa Marinha promove Reunião/Encontro com emigrantes da comunidade Luxemburguesa

A Freguesia de Santa Marinha está a convidar todos os emigrantes e lusodescendentes ligados à comunidade luxemburguesa a participarem numa reunião de proximidade e partilha, que terá lugar no próximo dia 4 de agosto, às 21h00, na Junta de Freguesia de Santa Marinha.
Este encontro tem como principal objetivo dar as boas-vindas aos emigrantes, reforçar os laços que unem a comunidade e ouvir as suas ideias, sugestões e expectativas. Será também um momento para preparar e dinamizar diversas iniciativas que promovam uma ligação cada vez mais forte entre a comunidade luxemburguesa e a freguesia de Santa Marinha.

“Porque a distância nunca apaga as nossas raízes, queremos construir, em conjunto, projetos que valorizem a identidade, a cultura e a participação de todos aqueles que continuam a levar Santa Marinha no coração”, refere Rafael Abreu, presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha.

Seia assinalou os 50 anos do Parque Natural da Serra da Estrela com exposição de Alberto Martinho e tertúlia

O Município de Seia associou-se às comemorações do 50.º aniversário do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) com um programa evocativo que teve lugar ontem, dia 30 de julho, no CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela.

Integrada no programa comemorativo promovida pela Comissão de Cogestão do Parque Natural da Serra da Estrela, a iniciativa pretendeu assinalar este marco histórico através da valorização da memória, do património cultural e da reflexão sobre o percurso e o futuro desta área protegida.

O programa iniciou-se com a inauguração da exposição “Serra da Estrela: Memórias da Vida Agropastoril”, composta por uma seleção de fotografias e documentos resultantes do trabalho de campo realizado por Alberto Martinho, no Sabugueiro, entre 1970 e 1971, no âmbito da sua dissertação de licenciatura em Ciências Sociais e Políticas.

Natural do Sabugueiro, Alberto Martinho dedicou grande parte da sua vida ao estudo da Serra da Estrela. Sociólogo e antropólogo, é amplamente reconhecido pelo seu contributo para a investigação sobre a pastorícia, as comunidades de montanha e as transformações do mundo rural. Enquanto técnico da equipa fundadora do Parque Natural da Serra da Estrela, teve igualmente um papel relevante na valorização do património cultural da região e na promoção do Queijo Serra da Estrela.

O acervo agora apresentado constitui um valioso testemunho da vida agropastoril da serra da Estrela, preservando a memória de práticas, saberes e tradições que marcaram a identidade das comunidades serranas. A exposição foi precedida de um momento de reconhecimento do trabalho científico e académico de Alberto Martinho, cuja investigação esteve na origem deste projeto expositivo.

A sessão prosseguiu com a tertúlia “Parque Natural da Serra da Estrela: 50 anos”, que reuniu especialistas e personalidades ligadas ao território para uma reflexão sobre a evolução do Parque Natural, os desafios atuais e as perspetivas futuras para a conservação da natureza, a valorização do património e o desenvolvimento sustentável da Serra da Estrela.

Além desta iniciativa, o programa comemorativo do 50.º aniversário do Parque Natural da Serra da Estrela reuniu, ao longo do mês de julho, outras iniciativas em diferentes locais do parque, assinalando este marco histórico através da valorização do património natural e cultural, da memória coletiva, da ciência e da participação da comunidade.

A celebração das cinco décadas do PNSE constitui um momento de homenagem ao percurso desta área protegida, de reconhecimento de todos os que contribuíram para a afirmação dos seus valores e de renovação do compromisso com a conservação e valorização de um dos mais emblemáticos territórios naturais de Portugal.

Seia reforça apoio às famílias e estende oferta de cadernos de atividades a todo o ensino básico

O Município de Seia vai reforçar, no ano letivo 2026/2027, os apoios às famílias na preparação do regresso às aulas, mantendo a oferta de cadernos de atividades a todos os alunos do 1.º ciclo, a oferta dos cadernos de Português e Matemática aos alunos do 2.º ciclo e o apoio de 35 euros para material escolar destinado aos alunos abrangidos pelos escalões 1 e 2 da Ação Social Escolar. A partir deste ano letivo, a oferta dos cadernos de Português e Matemática é também alargada ao 3.º ciclo do ensino básico.

Com este alargamento, o apoio municipal à aquisição de cadernos escolares passa a abranger todos os alunos do ensino básico, reforçando a resposta do Município no apoio às famílias e contribuindo para reduzir os encargos associados ao início do ano letivo. A medida insere-se na estratégia municipal de promoção da igualdade de oportunidades e do sucesso educativo.

A implementação destas medidas representa um investimento municipal de cerca de 55 mil euros, refletindo a aposta contínua do Município de Seia na educação e no apoio às famílias.

Com estas medidas, a autarquia pretende facilitar o acesso aos recursos pedagógicos essenciais, aliviar os encargos financeiros das famílias no arranque do ano letivo e garantir que todos os alunos iniciam o percurso escolar com melhores condições para aprender.

Os cadernos de atividades e o apoio para aquisição de material escolar poderão ser levantados a partir do dia 3 de agosto, diretamente nas papelarias e livrarias do concelho aderentes à iniciativa: Crisfal – Papelaria Unipessoal, Lda.; Galeria Paz de Espírito; Livraria Papelaria Neves; Oficina das Artes – Scrapmemories, Lda.; e Porta Lápis – Livraria e Papelaria, Lda.

Para beneficiar dos apoios, os encarregados de educação deverão apresentar o documento de identificação do aluno, indicar o ano de escolaridade, a turma e a escola frequentada e assinar o documento comprovativo da receção dos cadernos de atividades, emitido pelo Município de Seia.

Santa Casa da Misericórdia de Seia e Câmara Municipal garantem não existir qualquer proposta formal ou estudo sobre a eventual devolução do Hospital de Seia à Misericórdia

Enquanto a União das Misericórdias Portuguesas (UMP) integra o Hospital Nossa Senhora da Assunção no lote de instituições a devolver ao setor social, a Santa Casa da Misericórdia de Seia e a Câmara Municipal garantem não existir qualquer proposta formal ou estudo sobre o processo.

O processo de devolução da gestão de vários hospitais às misericórdias voltou ao centro do debate público após declarações do presidente da UMP, Manuel Lemos, ao jornal Público. Segundo o responsável, o Governo prepara a transferência da gestão dos hospitais de Seia, Pombal e Vila do Conde, servindo-se dos acordos alcançados para São João da Madeira e Santo Tirso como modelos para acelerar os procedimentos.

No entanto, a notícia gerou surpresa e reações imediatas a nível local, (Seia) evidenciando uma falta de articulação entre o plano anunciado nacionalmente e as entidades no terreno.

Em esclarecimento oficial, a Santa Casa da Misericórdia de Seia (SCMS), pelo provedor Paulo Caetano, confirmou ser proprietária do edifício e do terreno — pelos quais recebe uma renda da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda desde a nacionalização, em 1975 —, mas foi perentória: não recebeu qualquer contacto ou proposta formal por parte do Governo.

“Até ao presente momento, a Santa Casa da Misericórdia de Seia não recebeu qualquer proposta formal de transferência da gestão do Hospital, nem foi contactada pelo Governo ou por qualquer outra entidade pública com esse objetivo”, pode ler-se em comunicado da Misericórdia de Seia.

A instituição sublinhou, contudo, abertura para analisar eventuais cenários futuros, desde que fiquem salvaguardados quatro pilares essenciais: a garantia e reforço dos cuidados à população; a manutenção da oferta prestada aos utentes; a salvaguarda dos direitos dos profissionais de saúde e a proteção do equilíbrio económico da instituição social.
A Santa Casa da Misericórdia de Seia reafirma o seu compromisso histórico com a comunidade e assegura à população “que acompanhará com atenção e responsabilidade qualquer evolução deste processo, prestando todos os esclarecimentos necessários sempre que existam factos concretos a comunicar.”

Por fim, reforça que “a população pode estar tranquila de que qualquer eventual alteração futura será avaliada exclusivamente em função do interesse público, da qualidade dos cuidados de saúde e da defesa dos interesses da comunidade de Seia e do seu concelho.”
Na mesma linha, o presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, vincou que a autarquia desconhece a existência de qualquer proposta ou de estudos técnicos, económicos e assistenciais que fundamentem a mudança.

Luciano Ribeiro alertou que uma matéria desta dimensão “não pode ser alimentada por especulações” e defendeu a transparência absoluta perante os senenses priorizando a valorização dos profissionais e a qualidade do serviço público de saúde.


Segue a declaração prestada por Luciano Ribeiro ao JSM

“Acompanhamos com atenção esta situação relacionada com a eventual reversão de vários hospitais das Misericórdias nacionalizados em 1975, entre os quais se inclui o Hospital Nossa Senhora da Assunção, em Seia.

Não sendo uma questão propriamente nova, importa esclarecer que, relativamente ao caso de Seia, não é do nosso conhecimento a existência de qualquer proposta concreta de reversão da gestão do Hospital, nem de qualquer estudo técnico, económico ou assistencial que demonstre, de forma objetiva, que essa alteração representaria uma melhoria para os utentes, para os profissionais de saúde ou para a qualidade dos cuidados prestados à população.

Entendemos que um tema desta dimensão não pode ser alimentado por especulações ou posições avulsas. Qualquer reflexão sobre o futuro do Hospital Nossa Senhora da Assunção deve assentar em dados concretos, numa avaliação rigorosa do interesse público e numa análise transparente dos impactos para o concelho e para toda a região.

A Câmara Municipal de Seia sempre pautou a sua atuação por uma relação de respeito institucional e de cooperação com a Santa Casa da Misericórdia de Seia, princípio que continuará a orientar a sua intervenção. Mas uma matéria com esta relevância exige também total transparência perante a comunidade, garantindo que qualquer eventual discussão decorra de forma aberta, participada e esclarecida.

A nossa prioridade é, e continuará a ser, a defesa de um Hospital cada vez mais qualificado, dotado de melhores instalações, de melhores condições para os seus profissionais e capaz de prestar cuidados de saúde de excelência à população. É esse o compromisso da Câmara Municipal de Seia: defender o Hospital Nossa Senhora da Assunção, valorizar os seus profissionais e colocar sempre os interesses dos cidadãos acima de qualquer outro.”

Obras do McDonald’s em Seia já começaram

Já tiveram início as obras de construção de um novo restaurante de restauração rápida em Seia, confirmando-se, assim, a concretização do projeto anteriormente noticiado pelo Jornal de Santa Marinha.

Depois de alguns atrasos no arranque dos trabalhos, relacionados com os necessários procedimentos burocráticos, as máquinas já se encontram no terreno e começaram os primeiros trabalhos de preparação da obra.

O novo restaurante da cadeia McDonald’s está a ser construído numa zona situada entre a Avenida Dr. Afonso Costa e a Avenida Professora Ester Barata. A antiga habitação devoluta existente no terreno está agora a dar lugar a um novo espaço comercial, que deverá contribuir para a dinamização daquela área da cidade.

Este será o primeiro restaurante da cadeia no concelho de Seia, podendo servir não apenas a população local, mas também residentes dos concelhos vizinhos, nomeadamente Gouveia, Nelas e Oliveira do Hospital, assim como os visitantes que se deslocam à região da Serra da Estrela.

A instalação deste novo espaço insere-se na estratégia de expansão da cadeia de restauração rápida em cidades de média dimensão. Com o início dos trabalhos, o projeto entra agora na sua fase de concretização no terreno.

Estrada de Cabaços (Sabugueiro) com financiamento do Plano de Revitalização da Serra da Estrela

A reabilitação da Estrada Verde do Parque Natural da Serra da Estrela, no troço da CM1125 que liga o Sabugueiro à EN232 (Gouveia–Manteigas), junto à Ponte de Cabaços, será a primeira intervenção a avançar no concelho de Seia ao abrigo do Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela (PRPNSE), criado pelo Governo na sequência dos incêndios de 2022.
A obra, que visa melhorar as condições de circulação e reforçar a segurança rodoviária num dos principais acessos ao Parque Natural da Serra da Estrela, representa um investimento global de 1.247.313,12 euros, acrescido de IVA, beneficiando de uma comparticipação do Estado de cerca de 500 mil euros, no âmbito dos contratos-programa celebrados entre o Governo e os municípios abrangidos pelo plano.
A Câmara Municipal de Seia considera que o arranque desta intervenção constitui um passo positivo, permitindo iniciar, quatro anos após a tragédia dos incêndios, a concretização de um programa estratégico destinado à recuperação e valorização do território. A autarquia destaca, neste contexto, o empenho do Secretário de Estado da Administração Local na aprovação da candidatura submetida pelo município.
Apesar de reconhecer a importância do financiamento agora atribuído, a autarquia considera que o apoio disponibilizado fica muito aquém das necessidades identificadas e do investimento exigido aos municípios. No caso desta intervenção, a comparticipação governamental cobre menos de metade do custo da obra, obrigando o Município a suportar a maior parte do investimento com recursos próprios.
Luciano Ribeiro, o Presidente da Câmara, entende que esta realidade coloca uma pressão significativa sobre a sustentabilidade financeira dos municípios afetados pelos incêndios, defendendo que um programa nacional dotado de 155 milhões de euros para responder aos prejuízos provocados pela catástrofe deve assegurar um nível de financiamento mais equilibrado. Nesse sentido, considera indispensável rever os mecanismos de comparticipação, garantindo uma distribuição mais justa dos recursos públicos e uma maior capacidade de execução dos projetos previstos.
Além da reabilitação da CM1125, o Município de Seia apresentou ao Plano de Revitalização da Serra da Estrela um conjunto de projetos considerados estratégicos para o desenvolvimento sustentável do concelho e da região. Entre eles destacam-se a requalificação da Estrada Verde da EM513, entre a Senhora do Desterro e o Cocharil (ER339), a requalificação do CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela, a beneficiação urbana do Sabugueiro no troço da EN339, a criação de uma Zona Económica Especial e área de acolhimento empresarial no Aeródromo da Serra da Estrela, a instalação do Centro de Competência da Fileira do Queijo Serra da Estrela e a elaboração do Plano de Pormenor e de Requalificação da Torre.
Para a Câmara Municipal, a concretização destes investimentos é determinante para reforçar a resiliência do território, dinamizar a economia local, qualificar a oferta turística e criar melhores condições para as populações e para as atividades económicas, contribuindo para a recuperação e valorização de toda a Serra da Estrela.

As estradas que nos levaram

As partidas nunca são fáceis.

São frias como a Serra no inverno. Tenebrosas como uma noite de trovoada. Por mais que sorriamos em cada abraço de despedida, há sempre lágrimas interiores que nos escorrem pela alma.

Partir exige, por vezes, que sejamos duros como o granito da Serra. Que disfarcemos a tristeza, que guardemos as palavras que ficaram por dizer e que atravessemos a porta sem olhar demasiadas vezes para trás.

A minha partida mais recente não foi muito diferente.

Regressei esta semana a Macau com a minha família, depois de três curtas semanas em Portugal. Já deste outro lado do mundo, revejo os rostos que reencontrei. Familiares, amigos, conhecidos. Pessoas que fazem parte da nossa vida mesmo quando passam anos sem que nos cruzemos.

Volto a sentir os cheiros, os sabores e as sensações. As conversas demoradas. Os encontros inesperados. Os abraços sinceros.

Quando cheguei à minha terra, alguém me disse, em tom de brincadeira:
— Bem-vindo à parvónia.
Respondi-lhe:
— Mas é a minha parvónia.
E é.

Podemos partir para o outro lado do mundo. Podemos viver entre outras línguas, outras culturas e outras formas de olhar para a vida. Podemos habituar-nos ao movimento permanente de uma cidade como Macau, às luzes, aos edifícios e à multidão. Mas nunca esquecemos verdadeiramente o lugar de onde viemos.

A nossa terra vive dentro de nós.
Não importa que esteja envelhecida. Não importa que pareça cansada. Não importa sequer que, por vezes, nos dê a sensação de estar lentamente a morrer. Também nós morremos um pouco com ela.
Nas principais avenidas, sucedem-se os anúncios: vende-se aqui, arrenda-se acolá. Loja atrás de loja. Porta atrás de porta. Memória atrás de memória, fechada, encerrada pelo tempo — ou pelos tempos deste nosso tempo.
Onde antes havia comércio, há agora montras vazias. Onde havia movimento, há silêncio. Onde se encontravam pessoas, acumulam-se papéis amarelecidos atrás dos vidros.

Cada porta fechada representa mais do que o fim de um negócio. Representa uma família que desistiu, alguém que partiu, um projeto que não resistiu ou uma geração que não encontrou quem lhe desse continuidade.

Nas aldeias, o cenário repete-se.
Campos onde outrora vibrávamos intensamente a cada jogo de futebol servem hoje de parques de estacionamento. Lugares onde dezenas de crianças corriam atrás de uma bola estão agora vazios, porque já quase não há crianças que neles possam correr.
Aldeias que chegaram a ter meia dúzia de tascas não têm hoje um único sítio onde se possa beber um copito, encontrar dois amigos e discutir, com a habitual autoridade serrana, os destinos do mundo.

As estradas que nos ajudaram a partir continuam, infelizmente, quase as mesmas. Parecem ter sido feitas num só sentido: serviram para nos levar para longe, mas poucas são hoje capazes de nos aproximar novamente da terra, de nos chamar de volta e de tornar o regresso uma escolha possível. Algumas, pelo estado em que se encontram, deviam envergonhar-nos a todos.

Mas continua a ser a minha parvónia. Continuam a ser as minhas gentes.

Nestas três semanas revi família, amigos mais e menos chegados, antigos companheiros e rostos que julgava guardados apenas na memória. Uns também partiram e, de tempos a tempos, regressam. Outros ousaram ficar. Resistiram. Construíram ali as suas vidas e continuam, todos os dias, a lutar contra o abandono, o envelhecimento e aquela resignação perigosa que nos tenta convencer de que já nada há a fazer.

Talvez sejam esses os verdadeiros resistentes da Serra.
Os que ficaram quando partir parecia mais fácil. Os que abriram uma porta quando tantas outras se fechavam. Os que continuaram a trabalhar a terra, a criar empresas, a manter associações, a preservar tradições ou simplesmente a garantir que ainda existe luz acesa numa casa ao fundo da rua.

Entre os que partiram e os que ficaram não deve existir julgamento. Cada um fez as escolhas que a vida lhe permitiu fazer. Uns procuraram oportunidades longe. Outros encontraram razões para permanecer.

E todos pagaram um preço.
Quem ficou viu partir familiares, amigos e vizinhos. Quem partiu levou consigo uma ausência que nenhuma distância consegue apagar.

Talvez seja por isso que, sempre que regressamos, procuramos uma terra que já não existe exatamente como a deixámos. Percorremos as mesmas ruas, mas faltam pessoas. Entramos nos mesmos cafés, quando ainda estão abertos, mas faltam vozes. Olhamos para as casas, para os campos e para os lugares da infância e percebemos que o tempo também ali passou, mesmo que uma parte de nós esperasse encontrá-los intactos.

Regressar é reencontrar.
Mas é também confirmar tudo aquilo que perdemos.
Depois chega novamente o momento da partida. Fecham-se as malas, repetem-se os abraços e prometemos voltar em breve. Dizemos que são apenas alguns meses. Sorrimos para tranquilizar os outros e talvez também para nos convencermos a nós próprios.

Partimos.
Mas nunca vamos inteiramente embora.
Porque, esteja eu onde estiver, há uma presença que me acompanha. Ergue-se acima das distâncias, das fronteiras e do tempo.
O que nos une é a Serra.
Por ser nossa.
E porque, mesmo quando estamos longe, nunca deixamos verdadeiramente de lhe pertencer.