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Estudante universitária e a dedicação à SMEB

Por Beatriz Oliveira

Ser estudante universitária em Portugal, nos dias de hoje, é sinónimo de exigência, pressão e pouco tempo livre. Mas e quando, para além de tudo isso, se carrega também o peso — ou melhor, o privilégio — de fazer parte de uma banda filarmónica como a SMEB?

No compasso apertado dos dias, entre aulas e projetos académicos, muitos estudantes universitários encontram-se a viver uma realidade de escolhas. Conciliar a exigente rotina universitária com o compromisso que é a SMEB torna-se, para muitos estudantes universitários da nossa terra, numa batalha constante.

É no espaço invisível entre os ensaios e os exames, entre as pautas e o plano de estudo, que nasce uma dicotomia vivida constantemente por muitos jovens como eu. Uma escolha que, na verdade, nunca chega a ser feita de forma definitiva: o coração puxa para a música, mas a razão exige foco nos estudos. É como ter duas vidas a acontecer ao mesmo tempo.

Durante a semana, os dias são consumidos por aulas teóricas, apresentações e relatórios. Há pouco espaço para pausas. Mas chegada sexta-feira à noite, o corpo cansado transforma-se e surge um novo fôlego. O instrumento é afinado e a mente entra noutra cadência – a da música, do coletivo, da tradição.

Mas a verdade é que não é fácil. Muitas vezes um ensaio coincide com a entrega de um trabalho importante ou um concerto coincide com uma época de exames complicada. Nessas horas, a sensação é a de que qualquer escolha é uma renúncia.

A universidade exige exclusividade. A banda, compromisso. Ambas são instituições que moldam quem somos — uma no plano académico, a outra no plano humano. Cresce-se nos dois lugares, mas ao tentar dar 100% a cada um, é inevitável sentir-se a falhar em algum lado.

E, ainda assim, há algo profundamente bonito nisto. Porque a SMEB não é apenas um conjunto de músicos. É uma família. É a escola paralela onde se aprende pontualidade, espírito de equipa, resistência e humildade. Onde se sente o peso da responsabilidade, mas também o calor do aplauso sincero.

É por isso que tantos de nós insistem em continuar. Mesmo exaustos. Mesmo com o horário a rebentar pelas costuras. Porque sabemos que a música também nos forma. Que a SMEB nos dá aquilo que a universidade, por mais importante que seja, não ensina: o valor de estar presente, de tocar para os outros, de fazer parte de algo maior do que nós.

O verdadeiro desafio não está em escolher um lado. Está em conseguir equilibrar os dois, mesmo quando muitos parecem não compreender esse esforço. Talvez, um dia, tanto as instituições académicas quanto a sociedade reconheçam o valor desta entrega dupla — porque quem é capaz de dar tudo na música e no estudo, está seguramente pronto para qualquer desafio que venha a seguir.

Da bazuca ao tiro no pé

Todos se lembrarão da famosa “bazuca”, tema obrigatório nos comícios e debates das últimas eleições autárquicas, ocorridas em 2021. Candidatos a presidentes de câmara gabavam-se publicamente de ter no seu telemóvel o contacto do primeiro-ministro, na altura António Costa, como garantia de obtenção de vantagens na atribuição dos fundos do PRR ou fizeram-se acompanhar, nas suas apresentações de candidatura ou comitivas de campanha, de figuras políticas ou governantes “notáveis”, como o “famigerado” Pedro Nuno Santos.

Sempre fui de opinião que a “bazuca”, termo usado dado o grande volume de investimento, financiado pela UE, para ataque aos efeitos da pandemia, poderia ser um tiro nos pés, por não haver capacidade nem conhecimentos para a “manusear” de forma adequada ou por se desvirtuar o seu propósito. Quando o PRR foi lançado, em 2021, com a previsão de estar concluído em 2026 e com um montante previsto de cerca de 17 mil milhões de euros, o mesmo deveria e poderia ter impacto na economia e mudar estruturalmente Portugal, se o mesmo fosse aplicado em investimento reprodutivo.

Infelizmente, a visão do governo socialista foi investir no sector público pelo que, além de desviar a maior parte do bolo financeiro para esse sector, originou graves constrangimentos e atrasos na aplicação dos financiamentos, por ausência de visão e estratégia dos seus intervenientes e ainda dada a complexidade, burocracia e formalismos da máquina pública. Seia não foi exceção, por falta de dinamismo dos agentes económicos e associativos locais e, nomeadamente, pela comprovada falta de habilidade da autarquia, que não teve visão estratégica e não soube reunir uma equipa com recursos e tecnicamente competente para que, sendo ela mesma promotora ou apoiando, alavancando ou associando-se a outros parceiros, conseguisse apresentar projetos com qualidade e sustentáveis, bem suportados e fundamentados, de modo a garantir a sua aprovação e que pudessem contribuir para o desenvolvimento da economia local, à semelhança do que aconteceu em outros concelhos da região.

Passaram quatro anos e o PRR vai voltar a ser tema nas próximas eleições autárquicas, em que os gastos na recuperação e remodelação de vários edifícios públicos vão servir de bandeira ao executivo local. Luciano Ribeiro deve saber que os dinheiros gastos nestas intervenções pouco ou nada contribuem para o desenvolvimento do concelho de Seia, para a economia e não garantem, por si, o bem-estar da população, mas sabe que essas bandeiras servem para entusiasmar os fiéis. Repetir a mesma falácia pode dar mau resultado e uma coisa é certa, foi mais um momento, como não haverá outro, desperdiçado para o desenvolvimento do concelho.

DA BAZUCA AO TIRO NO PÉ

JSM, um jornal de referência em toda a região! São 33 anos de edições ininterruptas

Estamos no mês em que o Jornal de Santa Marinha saiu pela primeira vez há 33 anos. Uma vida!…. No entanto, sem desfalecer um só minuto, continuamos e continuaremos com a mesma alegria como que o tempo não tenha passado. Muitos colaboradores deram e continuam a dar a sua valiosa colaboração e contributo para se ter chegado a tantos anos de vida deste Jornal. Tudo fizemos para contribuir para o engrandecimento do concelho, de Seia, de toda a região e de todas as Instituições. Aliás foi sempre o nosso propósito. Continuar a nossa marcha será o nosso destino. Não podemos deixar de salientar, uma vez mais, que continuamos, como sempre, abertos a todas correntes de opinião. Se algumas Instituições o não fizeram foi precisamente pelo seu inteiro arbítrio.

Vamos continuar a dar informações fidedignas, com profissionalismo e isenção. Aliás, este é o trabalho que nos caracteriza. Tentamos chegar a todos, o que nem sempre é fácil. Por isso, apelamos para que, sempre que tiverem informações das vossas freguesias, de algum evento, de alguma situação que queiram dar a conhecer, não hesitem. Façam-nos chegar que, depois, nós faremos o nosso trabalho.

Vamos continuar com a mesma garra, por muitos mais anos. Por isso, queremos deixar aqui um agradecimento a todos, sem exceção, que nos acompanham e nos ajudam a crescer. Muito, mas muito obrigado.

Mudemos de assunto. O corrente mês foi um período de afrontas a nível internacional. Muitas guerras eclodiram quase por todo o mundo, e os caminhos que se vislumbram, não vão ser fáceis.

Por cá, as coisas também não estão nada fáceis. Todos ralham e ninguém tem razão, mas todos a querem ter.
Ao nível politico pelo concelho anda tudo muito parado. É possível com a aproximação das eleições autárquicas tudo isto venha animar. Assim esperamos!

Para já são as festas e romarias a cumprirem o seu papel de bairrismo que vão alegrando com as suas músicas e com os seus foguetes, e claro, com a sardinha assada, febras e caldo verde a acompanharem.

Neste mês de agosto, como tem sido habitual ao longo destes anos, o JSM impresso não irá sair. As merecidas férias estão aí à porta. Contudo, mesmo de férias estaremos sempre a acompanhar o que se vai passando por todo este território. As notícias irão continuar a sair diariamente, mas no nosso site e nas redes sociais.

Regressaremos com o jornal impresso a 24 de setembro. Até lá, excelentes férias para todos!

As Invasões Francesas na Serra da Estrela

Entre 1810 e 1811, a 3.ª Invasão Francesa atravessou violentamente os atuais concelhos de Seia e Gouveia, deixando um rasto de destruição. As tropas de Napoleão, comandadas por Massena, cruzaram a região rumo a Lisboa, saqueando aldeias, incendiando casas, profanando igrejas e matando civis. A memória desses dias sombrios foi preservada nas cartas enviadas por párocos locais às autoridades em 1811, e será agora publicada num livro que será brevemente lançado.

Estas cartas descrevem com detalhe o sofrimento das populações. Em Seia, cinco pessoas foram assassinadas. Em Santiago, outras cinco. Em São Romão, 58 casas foram reduzidas a cinzas. Os relatos falam ainda de gado roubado, celeiros vazios e do desespero das populações obrigadas a fugir para a serra, deixando para trás tudo o que tinham. A fome e a doença agravaram a tragédia. A febre tifoide, propagada pela miséria e pelas condições de higiene precárias, matou muitos mais do que as baionetas francesas.

O livro revela também que nem só os invasores foram responsáveis pelas atrocidades. Há denúncias de abusos cometidos por soldados aliados — britânicos e portugueses — que, contrariando ordens superiores, participaram em saques e intimidações. A política de terra queimada, embora eficaz do ponto de vista militar, mergulhou as populações numa crise alimentar sem precedentes.

Mais do que um simples episódio da Guerra Peninsular, a passagem das tropas por Seia e Gouveia foi uma tragédia humana. O testemunho direto dos párocos é um retrato cru da guerra longe do campo de batalha. Este livro, ao dar voz às vítimas esquecidas, presta um tributo à resiliência de comunidades que resistiram com coragem à brutalidade da História.

Como é que se pode acreditar?!…

Uma grande parte dos políticos não tem vergonha, só olha para si e defende, exclusivamente, os seus interesses pessoais em detrimento dos interesses do país e do povo que os elegeu. Começamos a ficar cansados com tanta lata e tanto disfarce por parte da maioria dos representantes do povo que, na Assembleia da República ou nas autarquias, teimam em agir apenas e tão só em função de interesses pessoais e partidários ignorando totalmente o país, os interesses de Portugal e os do seu povo.

Vamos focar-nos em dois ou três aspetos que, por si só, evidenciam e sustentam, com realismo e verdade, os nossos pontos de vista.

Parlamento e deputados

Se percorrermos com atenção os países do espaço europeu, constatamos que, em alguns deles, com importância e capacidade financeira publicamente reconhecidas, o número de deputados é significativamente inferior. E sabem uma coisa? Os transportes que utilizam de e para o Parlamento, são os públicos – autocarro, comboio ou até bicicleta. Nós somos um país “sui generis”, “rico”, “exemplar” e “pioneiro” onde os deputados têm de andar de automóvel do Estado e têm secretária, telefone, gabinete e os partidos não querem prescindir de regalias gritantes e pouco abonatórias num país que vive à sombra dos PPR’s e quejandos! Não é lógico e normal admitir que ninguém ou quase ninguém se preocupe com as despesas de alojamento em hotel relativamente àqueles deputados que tendo casa em Lisboa dão como morada a província, sabe-se bem porquê!…

Quanto ao número de deputados, digam lá, com franqueza, para que precisamos de duzentos e trinta? Apenas e tão só pelas razões que se prendem com os tachos e as mordomias daí resultantes! Que tristeza e que abjetas disposições!

No que se refere aos autarcas – Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, basta mudar de concelho ou freguesia, segundo os casos ou então trocar de posição na lista, em lugar diferente da anterior para se eternizarem nos lugares e porquê? Pelo dinheiro e só por ele! Mas quando a dificuldade parece intransponível, basta apenas tomar outro lugar que não o de Presidente na respetiva candidatura! Bonito, não é?!… E quem paga? Sempre o mesmo, o pobre do Zé.

Está certo tudo isto? É justo? É rigoroso? É normal em democracia? E não querem que com estes procedimentos, André Ventura e o Chega alcancem o Poder?!… Preparem-se porque, a continuar assim, com o beneplácito do Presidente da República, vamos ter Ventura como Primeiro Ministro, daqui a algum tempo.

Ou mudamos de comportamentos ou estamos tramados!

Gaza, a saúde e as autárquicas

Não há tema que deva estar mais na ordem do dia do que a tragédia em Gaza. Ninguém se deve calar enquanto não for restabelecida uma situação de normalidade naquela região. E nenhum governo deveria manter com os atuais responsáveis israelitas uma relação de normal coexistência. O que está a ser feito em Gaza é crime e quem fica indiferente deve ser considerado cúmplice. Bem anda Macron e bem esteve o primeiro-ministro australiano ao dizer que uma criança de um ano não é um militante do Hamas. O que o governo israelita está a fazer em Gaza coloca-o ao mesmo nível de Hitler e de outros chacinadores. A História mostra-nos que não foram apenas os judeus que foram perseguidos. O que aconteceu na Bósnia demonstra-o. Portanto, o dever dos mais fortes é não usarem a força para eliminar os mais fracos, mas sim para ajudar a pôr ordem nas situações. Julgo que também terá sido para isso que o ocidente sempre apoiou a construção do Estado de Israel. Para “controlar” o médio-oriente. Mas o Mundo evoluiu e não é mais tolerável que os palestinianos não vejam reconhecido o seu direito a um País – o seu direito a um Estado. E Israel deve respeitar. E também Portugal deveria deixar o argumento de alinhamento com as posições da União e passar a ter uma “opinião própria” e independente. Perante o crime que acontece em Gaza, ficar indiferente é pactuar, é ser cúmplice, já o disse, e o governo português parece querer alinhar nessa postura de cúmplice de um crime humanitário ao não adotar nenhuma posição firme e ao fazer visitas a Israel. Enquanto a chacina não parar ninguém se deve calar.

O folhetim da saúde continua em Portugal. O que se tem passado e continua a passar deve envergonhar-nos enquanto país desenvolvido e enquanto país membro da União Europeia. O escândalo – porque é um escândalo – do INEM e o encerramento das urgências, sendo áreas tão sensíveis na saúde, qualifica-nos, ao nível da saúde, não como um país desenvolvido, mas por desenvolver. E os escândalos financeiros apenas confirmam que o regabofe continua instalado na gestão da saúde em Portugal. E a senhora Ministra ao pretender “normalizar” situações que em circunstância alguma podem sê-lo, além de insultar os portugueses afunda, ainda mais, a, já de si má, gestão da saúde.

Há por aí algum ruido que vem insinuando que isto está tudo mal a nível local e que tudo tem que mudar. Inclusivamente, com alguma ignorância ou inverdade intencionalmente exagerada, sendo quase um insulto ao bom senso, afirmam que há obras que estão a ser feitas agora porque foram mal feitas de início. Ora, apenas para avivar a memória, e a titulo de exemplo, o edifício do agora serviço de emprego e formação profissional de seia foi construído no tempo da “outra senhora” e remodelado em finais dos anos oitenta do século passado quando o professor Aníbal Cavaco Silva era primeiro ministro, precisamente para acomodar o Centro de Emprego e Formação Profissional de Seia. Portanto, antes de sé escrever ou falar, sobretudo com intenções “inflamatórias”, deverá procurar aprofundar o conhecimento sobre os factos.

Lei de estrangeiros aprovada. A nova lei tira-lhes o sono — porque tira-lhes os votos

Durante anos, Portugal foi um caso de estudo em facilitismo migratório. Um país onde a palavra “critério” era quase um insulto, “controlo de fronteiras” tratado como ato xenófobo — e onde, num acesso de iluminismo ideológico, decidiram extinguir o SEF, numa das decisões mais irresponsáveis de que há memória. Um verdadeiro crime de lesa-pátria disfarçado de reforma humanista.

Até que, finalmente, o Governo de Luís Montenegro ousou alinhar o país com o que é prática comum nas democracias desenvolvidas. E, como seria de esperar, mal a proposta passou com o voto favorável do Chega, a esquerda entrou em alvoroço. Agarraram-se ao espantalho do “xenofobismo” como náufragos ao colete, tentando colar o PSD ao Chega e transformar uma correção legislativa necessária num atentado civilizacional. Tudo isto ignorando — ou fingindo ignorar — que os portugueses já falaram nas urnas e deram à esquerda exatamente o peso que ela merece: pouco mais do que decorativo.

O pacote legislativo recentemente aprovado veio pôr ordem na casa — apertando critérios, fechando brechas legais e acabando com o faz-de-conta que vigorava há anos no acesso à residência e à nacionalidade. E era mais do que urgente. Porque quando se governa com irresponsabilidade e se trata a imigração como campo de experiências ideológicas, o resultado está à vista: mais de um milhão de imigrantes em território nacional, muitos deles mergulhados num limbo burocrático, pendurados à espera de respostas da recém-criada AIMA — a agência que substituiu o extinto SEF, mas herdou o caos.

O Estado deixou de saber quem entra, quem fica e quem deveria sair. Pelo meio, os serviços públicos rebentam pelas costuras: escolas sem recursos, centros de saúde sem médicos, habitação em rutura. Tudo isto em nome de uma suposta generosidade que mais parece desleixo institucional com branding humanista. E o resultado é duplamente cruel: não só agrava as condições de vida de quem cá reside, como falha redondamente na missão de acolher com dignidade quem cá chega — porque receber sem garantir o mínimo é hipocrisia disfarçada de altruísmo.

E o que faz a esquerda? Finge que nada disto existe. Que a entrada descontrolada de imigrantes não tem impacto na habitação, na saúde, na segurança. Que os aumentos da criminalidade violenta nas zonas urbanas mais densamente povoadas não têm qualquer correlação com falhas de integração ou fiscalização. Que os negócios paralelos de falsos contratos de trabalho, máfias de vistos e esquemas de legalização rápida não minam o próprio conceito de Estado de Direito.

Mas basta olhar lá para fora. Austrália, Canadá — todos exigem regras. E não é por isso que são menos democráticos. São, simplesmente, Estados funcionais. Lá, ninguém se torna cidadão só porque “está cá há uns aninhos”. Há entrevistas, exames, provas de integração e uma noção muito clara de que ser cidadão é um privilégio, não um brinde numa raspadinha multicultural.

Portugal foi, durante demasiado tempo, o “bom aluno” do politicamente correto europeu — aquele que não chateia, que recebe todos, que dá tudo a todos e que depois se admira quando os cidadãos mais vulneráveis (sim, os portugueses pobres) se sentem deixados para trás.

A esquerda, que hoje se indigna com estas alterações, é a mesma que durante anos defendeu políticas que incentivaram a imigração ilegal, contribuíram para a degradação dos bairros periféricos e ajudaram a criar um submundo de precariedade onde os imigrantes são explorados — ao mesmo tempo que se impõe ao Estado encargos sociais e habitacionais que já não consegue suportar.

É também a mesma esquerda que, nos discursos inflamados, acusa de racismo tudo o que não seja permissividade absoluta — mas que depois não propõe um único modelo eficaz de integração. Apenas slogans, soundbites e moralismo de cartaz.

Pedir respeito pela casa que se visita não é intolerância. É bom senso. E como emigrante em Macau, sei do que falo. Não me deram nacionalidade. Não me prometeram vistos mágicos. Tive de provar, ano após ano, que era útil, responsável e respeitador das regras. E nunca me senti discriminado. Pelo contrário: senti que me estava a integrar num sistema com critérios — e não a aproveitar-me de uma falha institucional.

O que Portugal está a fazer agora é o mínimo. E ainda assim, tardio.
Mas não se iludam: esta não é uma discussão sobre leis. É uma discussão sobre soberania, responsabilidade e futuro. E quem se opõe a ela — por ideologia ou por cálculo eleitoral — não está a defender os direitos dos imigrantes. Está a defender o caos, a precariedade e a desordem institucional.

A nacionalidade portuguesa não pode continuar a ser distribuída como brindes de fast food.

Chegou a hora de exigir mais. A quem cá vive — e, sobretudo, a quem governa.

O Verão e os animais de estimação

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Chegou o Verão e com ele as temperaturas extremas também. À semelhança do que acontece connosco, também os animais têm de se adaptar às condições climatéricas, por isso trago-vos algumas indicações e conselhos para um verão mais seguro para famílias multi-espécies.

1. O Calor e os Riscos para os Animais
Durante o verão as temperaturas podem subir bastante, os animais de estimação enfrentam riscos sérios associados ao calor. Cães e gatos são muito mais sensíveis a golpes de calor do que nós, e tudo pode acontecer de forma demasiado rápida e fatal. Sinais como respiração ofegante excessiva, fraqueza, vómitos ou gengivas muito vermelhas devem ser sinais de alerta. Para prevenir estas situações, é fundamental garantir que os animais têm sempre acesso a água fresca e limpa, e a locais de sombra, evitando passeios nas horas de maior calor. Um erro comum e perigoso é deixar os animais dentro de carros estacionados! Mesmo com as janelas entreabertas, a temperatura no interior pode atingir níveis fatais em poucos minutos. A prevenção começa com a consciência de que, para os nossos companheiros de quatro patas, o verão exige cuidados redobrados!

2. Cuidados Específicos com Cães e Gatos
No verão, muitos tutores acreditam que tosquiar os cães e gatos os ajuda a suportar melhor o calor, mas nem sempre é verdade. Em algumas raças, o pêlo funciona como isolamento térmico e protege contra queimaduras solares. Animais de pêlo claro ou com zonas sem pêlo devem, aliás, usar protetor solar com alto índice de proteção, especialmente no focinho, orelhas e barriga. Nesta época, também aumentam os parasitas como pulgas e carraças, que podem transmitir doenças graves, pelo que é essencial manter a desparasitação em dia. Ao proteger o seu animal, está igualmente a proteger toda a sua família!

3. Viajar com Animais
Felizmente existem cada vez mais alojamentos “pet friendly”, onde as famílias com animais são recebidas com conforto e boas condições, permitindo que toda a família – de duas e quatro patas – desfrutem das férias juntos. Contudo, é importante frisar que viajar com animais exige alguns cuidados para garantir uma experiência segura e tranquila para todos. Os cães e gatos devem ser transportados em caixas apropriadas ou com cintos de segurança próprios, nunca soltos no carro – para além de ser ilegal, é demasiado perigoso para todos os ocupantes do carro. É importante também levar consigo a documentação do animal, incluindo boletim de vacinas atualizado, medicações habituais e o contacto de emergência do veterinário mais próximo (em caso de necessidade, poupamos tempo). Caso o seu animal fique muito ansioso ou enjoado nas viagens de carro, exponha estas questões ao seu veterinário habitual: existem estratégias (e medicamentos também) para reduzir o enjoo de movimento e a ansiedade associada a este tipo de viagens fora da rotina.

4. O Problema do Abandono no Verão
Durante os meses de maior calor e férias, o abandono de cães e gatos dispara em Portugal — estima-se que mais de 40 000 animais são deixados nos Centros de Recolha Oficial todos os anos, sendo muitos deles durante o verão. Frente a esta triste realidade, torna-se essencial a sensibilização da comunidade para inverter esta tendência. Procure ajuda, o abandono não é nem nunca será uma solução!

5. Dicas de Passeios e Atividades Seguras na Serra
A Serra da Estrela oferece trilhos e paisagens ideais para passeios com cães, especialmente em zonas mais frescas e com acesso a água, como o Covão d’Ametade, o Vale do Rossim ou as margens da Lagoa Comprida. Estes locais permitem caminhadas seguras e agradáveis, tanto para donos como para os seus companheiros de quatro patas. No entanto, é essencial ter atenção ao risco de incêndio, comum nestes meses de verão. Evite caminhar em áreas de mato seco em dias muito quentes ou de vento, leve sempre água fresca para si e para o seu animal e mantenha-o preso por trela para evitar que se afaste ou entre em zonas perigosas. Caso não tenha a certeza de que o piso está demasiado quente para as patinhas do seu cão, faça a seguinte experiência: coloque as costas da sua mão sobre o piso (por exemplo, asfalto) e conte 7 segundos: se a sua mão não tolera 7 segundos, as almofadinhas plantares do seu cão ou gato também não vão suportar!

Em caso de dúvida ou para mais informações contacte-me através do email ritam_costper@hotmail.com ou nas redes sociais @beehaviourbyritapereira.

Bom Verão e boas férias a todos, sempre com segurança. Lembrem-se: a segurança começa com a preparação!

Perfecionismo emocional ou sucesso com (im)perfeição?

Cuidar de ser feliz é um processo aturado, minucioso, mas ao alcance de todos. Esta busca de empenho e dedicação interna inclui-se na lista de tarefas de autocuidado. Um dos principais motivos que impulsiona o recurso a cuidados de saúde, por parte de muitos de nós, são as emoções.

Falar de emoções implica lembrar que as mesmas em tudo dependem das redes de comunicação interneural mais ou menos enriquecidas e adensadas pelos neurotransmissores responsáveis pela disseminação de informações sobre as funções biológicas. Estes neurotransmissores nem sempre atuam sozinhos e, muitas vezes, aliados aos neuromodeladores determinam o tom mais ou menos “entusiástico” com que a mensagem é percepcionada pelo receptor. É neste “bailado” entre mensagens e mensageiros, ordens para “avançar” ou “bloquear” determinados processos e comportamentos que vive a complexa rede neural que compõe o cérebro.

De um modo geral, podemos dizer que as emoções têm como propósito principal cuidar da sobrevivência do ser humano. Porém, se as funções das emoções estão associadas à adaptação e sobrevivência, por que experienciamos dor com elas?

Existem diversos fatores que concorrem para esse sofrimento, tais como a história emocional da pessoa, o contexto em que a reação emocional é ativada, a modelagem sobre a emoção experienciada, as expectativas futuras do indivíduo, as emoções sobre as próprias emoções e as influências culturais.

A capacidade de sentir do ser humano está muito associada à facilidade com que é capaz de atribuir significados. As emoções são geradas segundo uma perspetiva inata e sensorial onde uma ativação automática de resposta emerge integrada numa avaliação do ambiente. Ao longo do percurso de vida essas respostas automáticas vão sendo integradas com as 5 partes da emoção: sensações, crenças, objetivos, comportamentos, e tendências interpessoais. Formam-se, assim, os esquemas emocionais (estruturas de memória) que sintetizam afetos, emoções, cognições e tendências para a ação de forma automática e que estão relacionados aos mecanismos implícitos, inconscientes e idiossincráticos constituídos na “lenda pessoal” de cada indivíduo.

  • Através do cuidar das emoções cada um de nós pode aprender a viver uma vida plena experienciando todas as tonalidades das emoções. A realidade é que não é possível evitar deceções ou fugir da dor. O objetivo é viver uma vida a mais aberta e enriquecida possível, incluindo as emoções mais desagradáveis.
  • O segredo está em aprender a normalizar o que nos parece disruptivo e construir uma vida com significado mesmo com o inevitável sofrimento.
  • O desafio é substituir o perfecionismo emocional pela amplitude e espaço interno para lidar com a imperfeição e alcançar o propósito de vida pessoal com sucesso.

Água Doce – um recurso precioso, mas escasso

A água doce é essencial à vida e constitui um elemento necessário para quase todas as atividades humanas, além de ser uma importante componente da paisagem e do meio ambiente.

Torna-se necessário, por isso, analisar a importância da água doce, a sua distribuição, os desafios que enfrentamos e as soluções que podemos adotar para garantir a sua conservação e o seu uso sustentável.

A água doce deve ser gerida como um bem comum, não como uma mercadoria, dado que considerar a água como um negócio irá deixar para trás os que não podem aceder ou pagar os preços de mercado, sendo a água indispensável à sobrevivência da Humanidade.

De toda a água existente no Planeta, cerca de 97,2% é salgada e apenas 2,8% é água doce. Da água doce existente cerca de 69% encontra-se congelada nas calotas polares e nos cumes das altas montanhas, cerca de 30% localiza-se no subsolo e o restante 1% em rios e lagos.

A água doce tem uma baixa concentração de sais minerais, o que a torna adequada para consumo humano e utilização agrícola tendo, portanto, um papel fundamental no funcionamento dos ecossistemas e na manutenção da biodiversidade e impactando, fortemente, com a saúde e a qualidade de vida das pessoas.

A maior parte da água doce é utilizada na irrigação de plantações (70%), sendo que dos 30% restantes aproximadamente 20% são utilizados pela atividade industrial e 10% são destinados a consumo humano, existindo escassez de água potável em diversas regiões do globo, muito devido a uma gestão inadequada dos recursos hídricos.

Nos últimos anos, o consumo de água no mundo aumentou substancialmente para fazer face ao crescimento populacional e às maiores necessidades em termos de produção agrícola tendo em vista alimentar cerca de 8 biliões de pessoas.

A ONU declarou, em 2010, que possuir acesso à água potável e ao saneamento básico é um direito humano essencial. No entanto, ainda hoje muitas pessoas continuam privadas desse direito dado que, a nível mundial, cerca de 2 biliões de pessoas não têm água potável de qualidade.

A importância deste recurso levou a ONU a decretar o Dia Mundial da Água, que se comemora a 22 de Março de cada ano, sendo que também a sociedade civil se está a mobilizar para esta causa de que é exemplo a iniciativa H2Off: Hora de fechar a torneira.

Esta iniciativa pretende estimular a reflexão sobre o uso da água, consciencializando para que seja mais eficiente e equilibrado. O desafio consiste em fechar a toneira por uma hora entre as 22H00M e as 23H00M de cada dia 22 de Março.

Para responder à crescente falta de água doce e potável vários países têm avançado com centrais de dessalinização que “transformam” a água do mar em água doce.

Por exemplo em Israel, onde a precipitação média anual diminuiu significativamente e a população duplicou nos últimos 30 anos, o País foi obrigado a recorrer à dessalinização em larga escala, com base em 5 centrais dessalinizadoras que produzem cerca de 600 milhões de m3 por ano.

Portugal possui uma central de dessalinização a funcionar desde 1980, na ilha de Porto Santo, que fornece água potável para os cerca de 5 000 residentes da ilha e para os turistas, tendo capacidade para abastecer 35 000 pessoas e, em breve, irá ser construída uma outra central de dessalinização no Algarve.

Uma outra forma de gerir a escassez de água será reciclar as águas residuais e efetuar a sua utilização para a rega de projetos agrícolas e jardins.

Em Israel 85% dos terrenos agrícolas é regado com água de esgotos reciclada e purificada. Portugal, atualmente, apenas recicla 1,2% das águas residuais para rega de espaços verdes, campos de golfe e alguns projetos agrícolas, havendo o objetivo de chegar a 20% até 2030.

É, portanto, imperioso e também urgente fazer uma utilização consciente e eficiente deste recurso essencial e precioso para a vida que é a água doce.