Eduardo Ambrósio
Eduardo Ambrósio
ambrosio.seia@gmail.com

Da bazuca ao tiro no pé

Todos se lembrarão da famosa “bazuca”, tema obrigatório nos comícios e debates das últimas eleições autárquicas, ocorridas em 2021. Candidatos a presidentes de câmara gabavam-se publicamente de ter no seu telemóvel o contacto do primeiro-ministro, na altura António Costa, como garantia de obtenção de vantagens na atribuição dos fundos do PRR ou fizeram-se acompanhar, nas suas apresentações de candidatura ou comitivas de campanha, de figuras políticas ou governantes “notáveis”, como o “famigerado” Pedro Nuno Santos.

Sempre fui de opinião que a “bazuca”, termo usado dado o grande volume de investimento, financiado pela UE, para ataque aos efeitos da pandemia, poderia ser um tiro nos pés, por não haver capacidade nem conhecimentos para a “manusear” de forma adequada ou por se desvirtuar o seu propósito. Quando o PRR foi lançado, em 2021, com a previsão de estar concluído em 2026 e com um montante previsto de cerca de 17 mil milhões de euros, o mesmo deveria e poderia ter impacto na economia e mudar estruturalmente Portugal, se o mesmo fosse aplicado em investimento reprodutivo.

Infelizmente, a visão do governo socialista foi investir no sector público pelo que, além de desviar a maior parte do bolo financeiro para esse sector, originou graves constrangimentos e atrasos na aplicação dos financiamentos, por ausência de visão e estratégia dos seus intervenientes e ainda dada a complexidade, burocracia e formalismos da máquina pública. Seia não foi exceção, por falta de dinamismo dos agentes económicos e associativos locais e, nomeadamente, pela comprovada falta de habilidade da autarquia, que não teve visão estratégica e não soube reunir uma equipa com recursos e tecnicamente competente para que, sendo ela mesma promotora ou apoiando, alavancando ou associando-se a outros parceiros, conseguisse apresentar projetos com qualidade e sustentáveis, bem suportados e fundamentados, de modo a garantir a sua aprovação e que pudessem contribuir para o desenvolvimento da economia local, à semelhança do que aconteceu em outros concelhos da região.

Passaram quatro anos e o PRR vai voltar a ser tema nas próximas eleições autárquicas, em que os gastos na recuperação e remodelação de vários edifícios públicos vão servir de bandeira ao executivo local. Luciano Ribeiro deve saber que os dinheiros gastos nestas intervenções pouco ou nada contribuem para o desenvolvimento do concelho de Seia, para a economia e não garantem, por si, o bem-estar da população, mas sabe que essas bandeiras servem para entusiasmar os fiéis. Repetir a mesma falácia pode dar mau resultado e uma coisa é certa, foi mais um momento, como não haverá outro, desperdiçado para o desenvolvimento do concelho.

DA BAZUCA AO TIRO NO PÉ

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