JORNAL DO CONCELHO DE SEIA E REGIÃO

Eventos, Cultura e Lazer:

Escola Profissional da Serra da Estrela celebra a chegada de 2026 com Concerto de Ano Novo

​O evento terá lugar no Cineteatro da Casa Municipal...

Seia celebra o Carnaval com a 49.ª edição da Feira do Queijo

O Município de Seia promove, de 14 a 17 de...

Associação SenaTuna da ESTH Seia promove III Encontro “Pedro Levita” já esta sexta-feira

A cidade de Seia prepara-se para uma tarde e...
Publicidadespot_imgspot_img

Estudante universitária e a dedicação à SMEB

Por Beatriz Oliveira

Ser estudante universitária em Portugal, nos dias de hoje, é sinónimo de exigência, pressão e pouco tempo livre. Mas e quando, para além de tudo isso, se carrega também o peso — ou melhor, o privilégio — de fazer parte de uma banda filarmónica como a SMEB?

No compasso apertado dos dias, entre aulas e projetos académicos, muitos estudantes universitários encontram-se a viver uma realidade de escolhas. Conciliar a exigente rotina universitária com o compromisso que é a SMEB torna-se, para muitos estudantes universitários da nossa terra, numa batalha constante.

É no espaço invisível entre os ensaios e os exames, entre as pautas e o plano de estudo, que nasce uma dicotomia vivida constantemente por muitos jovens como eu. Uma escolha que, na verdade, nunca chega a ser feita de forma definitiva: o coração puxa para a música, mas a razão exige foco nos estudos. É como ter duas vidas a acontecer ao mesmo tempo.

Durante a semana, os dias são consumidos por aulas teóricas, apresentações e relatórios. Há pouco espaço para pausas. Mas chegada sexta-feira à noite, o corpo cansado transforma-se e surge um novo fôlego. O instrumento é afinado e a mente entra noutra cadência – a da música, do coletivo, da tradição.

Mas a verdade é que não é fácil. Muitas vezes um ensaio coincide com a entrega de um trabalho importante ou um concerto coincide com uma época de exames complicada. Nessas horas, a sensação é a de que qualquer escolha é uma renúncia.

A universidade exige exclusividade. A banda, compromisso. Ambas são instituições que moldam quem somos — uma no plano académico, a outra no plano humano. Cresce-se nos dois lugares, mas ao tentar dar 100% a cada um, é inevitável sentir-se a falhar em algum lado.

E, ainda assim, há algo profundamente bonito nisto. Porque a SMEB não é apenas um conjunto de músicos. É uma família. É a escola paralela onde se aprende pontualidade, espírito de equipa, resistência e humildade. Onde se sente o peso da responsabilidade, mas também o calor do aplauso sincero.

É por isso que tantos de nós insistem em continuar. Mesmo exaustos. Mesmo com o horário a rebentar pelas costuras. Porque sabemos que a música também nos forma. Que a SMEB nos dá aquilo que a universidade, por mais importante que seja, não ensina: o valor de estar presente, de tocar para os outros, de fazer parte de algo maior do que nós.

O verdadeiro desafio não está em escolher um lado. Está em conseguir equilibrar os dois, mesmo quando muitos parecem não compreender esse esforço. Talvez, um dia, tanto as instituições académicas quanto a sociedade reconheçam o valor desta entrega dupla — porque quem é capaz de dar tudo na música e no estudo, está seguramente pronto para qualquer desafio que venha a seguir.

» Onde comprar o Jornal de Santa Marinha «

ARTIGOS DE OPINIÃO

As tuas prioridades também mudam?

Tentamos controlar e antever a maior parte dos acontecimentos...

QUEM PERDEU E QUEM GANHOU PERDENDO

Nesta coluna, na edição anterior, afirmava que a história...

O envenenamento de animais de rua e abandonados não é a solução!

O recente episódio de envenenamento de animais de rua...

Da bazuca ao tiro no pé

Todos se lembrarão da famosa “bazuca”, tema obrigatório nos...

As Invasões Francesas na Serra da Estrela

Entre 1810 e 1811, a 3.ª Invasão Francesa atravessou...

Como é que se pode acreditar?!…

Uma grande parte dos políticos não tem vergonha, só...

Gaza, a saúde e as autárquicas

Não há tema que deva estar mais na ordem...