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Verdades que matam: o perigo de viver num mundo onde nada é o que parece

Já reparou como hoje em dia é cada vez mais difícil saber o que é verdade? Em setembro passado, circularam vídeos com figuras públicas como Luís Montenegro, Mário Centeno ou Paulo Macedo a promoverem esquemas de investimento. Só que aquilo não era real — eram deepfakes, vídeos manipulados com recurso a inteligência artificial. E, mesmo assim, muita gente acreditou. É inquietante pensar que nem o que vemos com os nossos próprios olhos é, hoje, garantia de verdade.
O problema já não se limita às notícias falsas escritas. Agora é tudo: imagens, vídeos, áudios. A tecnologia evoluiu ao ponto de qualquer pessoa conseguir criar conteúdos falsos com uma qualidade impressionante. E, por mais que tentemos ser racionais, o impacto visual é forte. Um vídeo falso pode espalhar-se por dezenas de redes sociais em minutos, muito antes de alguém se aperceber de que tudo não passa de um engano.
Esta realidade tem um efeito perigoso: instala a dúvida permanente. Quando tudo pode ser falso, começamos a desconfiar de tudo, até do que é verdadeiro. Cria-se uma crise de confiança que afeta não apenas a informação que consumimos, mas a forma como nos relacionamos com o mundo, com as instituições e uns com os outros.
Como nos proteger? A verdade é que não existe uma fórmula mágica. Mas existem atitudes simples que fazem a diferença. Antes de partilhar, parar. Perguntar: “Será que isto é mesmo verdade?” Procurar a fonte original. Confirmar se outros meios de comunicação credíveis estão a falar do mesmo assunto. Recorrer a ferramentas de verificação como o Polígrafo ou os dossiês de fact-checking da Lusa. E, quando subsiste a dúvida, não partilhar. Mais vale travar uma mentira do que ajudar a propagá-la.
O maior perigo não é acreditarmos numa notícia falsa isolada. É desistirmos de procurar a verdade. É aceitarmos a confusão como normal e deixarmos de questionar. A partir daí, a mentira deixa de precisar de ser convincente, basta ser repetida.
Estamos a viver uma crise de confiança sem precedentes. Mas cada um de nós tem hoje um papel claro: o de guardião da realidade. Começa em gestos simples: duvidar, procurar, perguntar. Só assim conseguiremos manter um pouco de lucidez num mundo onde, cada vez mais, nada é exatamente o que parece.

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