O recente episódio de envenenamento de animais de rua na nossa cidade é mais do que um título dramático: é um alerta sobre a necessidade de mudar mentalidades. O caso ocorreu na Urbanização dos Martinhos, em Seia, zona frequentada por famílias e animais, junto a uma clínica veterinária onde entram dezenas de animais por dia. Este ato premeditado deve levar-nos a refletir sobre o que ele revela.
A presença de animais de rua no concelho é um problema que nos diz respeito a todos. As associações estão cheias, os voluntários exaustos e o canil municipal faz o melhor que pode, mas a responsabilidade é coletiva. Só com uma estratégia conjunta de resgate, acolhimento, esterilização e adoção poderemos construir um concelho onde todos os animais tenham um lar.
Quem exerce violência sobre seres indefesos ataca um princípio básico de civilização. A lei portuguesa pune maus-tratos e atos cruéis contra animais — e fazê-lo é proteger a vida e a confiança da comunidade num espaço público seguro. A GNR de Seia, com o apoio da equipa veterinária municipal, está a apurar responsabilidades para que a justiça seja célere, não por vingança, mas por respeito à dignidade e à vida animal.
Quem exerce violência sobre seres indefesos ataca um princípio básico de civilização.
Rita Pereira – Médica Veterinária
Mas a resposta não deve ser apenas penal. É preciso transformar a indignação em ações concretas: campanhas de adoção, reforço da esterilização e educação cívica nas escolas e associações. Um bairro que protege os seus animais é também mais seguro para as pessoas.
Se vir algo suspeito, denuncie. Se conhecer colónias não controladas, informe as entidades competentes. Seja voluntário, adote, apadrinhe ou acolha temporariamente. Recuperar a confiança coletiva exige medidas legais, sociais e educativas. Só assim transformaremos este episódio cruel em mudança duradoura — pelos animais e pela nossa comunidade.
Em caso de dúvida, contacte-me através de ritam_costper@hotmail.com ou @beehaviourbyritapereira.





