Eduardo Ambrósio
Eduardo Ambrósio
ambrosio.seia@gmail.com

Jornais no interior

Notícias recentes vieram alertar que oito distritos do interior, onde se inclui o distrito da Guarda, podem ficar sem a distribuição diária de jornais e revistas a partir de janeiro e, no pior dos cenários, vão receber jornais uma vez por semana.
Na verdade, já em setembro último, a VASP, a empresa responsável pelas distribuição de jornais e revistas, tinha alertado que se encontrava numa “situação financeira exigente” e que estaria a reavaliar as rotas de distribuição em distritos do interior, reclamando apoios por parte do governo.
Recentemente, os diretores de todos os jornais de informação generalista diária e de todos os semanários, assim como das revistas de informação geral e temática, e de todos os diários desportivos, assinaram um manifesto, num “alerta à democracia e em defesa da imprensa”, reforçando a chamada de atenção para este risco.
Trata-se, de facto e se tal se confirmar, de um prejuízo imediato para todos aqueles que, no interior, querem e precisam de ser informados, é um atentado à democracia e ao direito à informação e o assumir que existem dois países diferentes.
Mas existe alguma hipocrisia neste assunto. Antes de discutirmos os jornais no interior, deveríamos discutir o problema dos jornais do interior.
Desde há alguns anos que têm vindo a ser desenvolvidos estudos sobre os “desertos de notícias” no interior. Em 2023, esse estudo revelava que 61 concelhos em Portugal, cerca de 20% dos concelhos do país, não tinham qualquer jornal ou rádio, constituindo comunidades abandonadas, porque ficam sem informação local de imprensa e rádio, tornando-se dependentes das televisões e rádios nacionais para informação do país e do mundo e de meios informais.
Sou um forte adepto da imprensa local e regional. Sou assinante das versões impressas de um jornal nacional e de três jornais locais e regionais. Os jornais locais vão desaparecendo, de que Seia é um exemplo, e a maioria dos jornais locais e regionais ainda existentes estão dependentes de associações e fundações que suportam, financeiramente e em recursos humanos, a sobrevivência desses jornais.
Por isso defendo que antes ou, paralelamente, aos apoios à distribuição dos jornais e revistas nacionais, deveriam ser garantidos apoios aos jornais e revistas locais e regionais.
Apoios que não se limitem a garantir a sobrevivência ou adiar a morte dos existentes, mas que também incentivem a criação de novos jornais verdadeiramente independentes, com equipes de jornalistas, gráficos e outros profissionais qualificados.
JORNAIS NO INTERIOR

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