A vida, ao longo de todos estes anos, tem-nos ensinado muito mas do ponto de vista social, foi o hospital e mais recentemente a ABSST, que nos conferiram total legitimidade para falar dum assunto que, pelas piores razões, se tornou, infelizmente, cada vez mais atual e razão de crescentes preocupações.
A velhice ou terceira idade deveria constituir motivo de permanente preocupação e análise por parte do poder político de tal modo que levasse os sucessivos governos a tomar decisões profundas e sérias. Está longe de nós a ideia de que os vários governos do país não tenham voltado o seu olhar para o grave problema social que envolve a terceira idade e as conhecidas dificuldades de vária ordem que o transformam numa autêntica tragédia. Apesar de tudo, urge reconhecer que o poder político se esquece muito das pessoas em favor de outras coisas muito especialmente daquelas que dão votos.
É bom que se diga, sem hesitações nem rodeios que há milhares de camas nos hospitais ocupadas por pessoas idosas que, praticamente, sem eira nem beira, são ali deixadas ao abandono pelas famílias. Uma tal situação constitui um dilema terrível para quem dirige essas instituições de Saúde. Não poder internar doentes cuja indicação médica o exige porque as camas se encontram ocupadas por idosos cujas condições sociais são gritantes, é dramático!
Por outro lado, há muitos outros velhinhos abandonados, esquecidos e marginalizados pela própria família que os mantém em permanente solidão, em casa, sem quaisquer condições, entregues, pura e simplesmente, à ironia do destino com uma agravante, a de que gastam as suas pensões em tudo menos naquilo a que, exatamente, se deviam dirigir. E aqueles que são colocados em lares e de cujas pensões os familiares se apropriam para não falar ainda dos que deixam de ser donos dos dinheiritos que, ao longo da vida, amealharam com tanto sacrifício e privações só porque alguns “espertos” entre filhos ou outros familiares próximos os chamaram a si?
Em resumo; um sem número de situações tristes e degradantes que ilustram com propriedade e realismo, aquilo em que se transformou a nossa sociedade. Há exceções, claro! Bem honrosas e dignas, mas são poucas e tendem a acabar.
Vivemos, infelizmente, num mundo completamente louco e desumanizado, sem respeito por nada nem ninguém onde cada um olha demais para o seu umbigo e pouco, muito pouco, para o próximo.
Razão tinha um velho sábio da nossa terra que proclamava aos quatro cantos do planeta: “Adeus Mundo, cada vez pior”!





