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A lei do mais forte e outros temas

A lei do mais forte é o atual status quo mundial, iniciado por Vladimir Putin e agora impulsionado por Donald Trump. Pelo meio fica Israel, a demonstrar, no Médio Oriente, que o poder das armas é que determina o futuro e a própria existência. Veja-se Gaza e a chacina permanente e sem fim à vista. Com a cumplicidade de Trump – diria, até, com a sua anuência!


A cimeira da NATO realizada em Haia parece indicar mais uma “vitória” de Trump, se conseguir os tais 5% por parte dos países da União Europeia que integram a NATO. Lá se vai o sonho de uma organização de defesa comum europeia, já que não há capacidade para “alimentar” duas soluções na defesa – uma europeia e outra atlântica.

Mas não devem os países da União Europeia deixar de definir uma estratégia de defesa comum, que possa contar com a NATO mas que assegure a defesa dos interesses e do território europeus.

A europa não deve ficar dependente da imprevisibilidade alheia, deve fortalecer-se independentemente da aliança e mostrar-se coesa na defesa dos princípios que caracterizam as democracias europeias e combater a prática da “lei do mais forte”. Claro que só sendo forte é que pode enfrentar os atuais “donos do Mundo”.


As autárquicas são a próxima “disputa” eleitoral em Portugal. No que a Seia, enquanto Município e às suas freguesias, diz respeito, são conhecidos os “cabeças de lista” das principais forças políticas à Camara Municipal, mas pouco ou nada se sabe ainda relativamente aos outros órgãos, pelo menos oficial e publicamente.

Ainda há muito tempo, claro. Aliás, parece que para alguns “dossiers”, leia-se, freguesias, não está a ser fácil “arranjar” candidatos.

O Partido Socialista tem a responsabilidade de ser o Partido que governa Seia, quase ininterruptamente, desde o 25 de abril. Tem, pois, a obrigação de ter, nos seus quadros, militantes capazes de assumirem os lugares a eleger. Tal como os dirigentes estão, no meu entender, obrigados a colocar os militantes em primeiro lugar. Como, de resto, em qualquer outro partido político deverá ser assim.

Os partidos são, constitucionalmente, estruturantes do regime democrático, devendo assegurar o preenchimento das listas para os órgãos a eleger, assegurando, desse modo, o cumprimento da democracia – são os partidos que são votados, pelo que não deverá existir qualquer complexo ou alinhamento na ideia de independentismos.

A Saúde Mental não se retira para férias!

Estamos numa época do ano de mudanças no estilo de vestuário, mais leve, claro e solto, em geral. Também associamos, muitas vezes, a dias longos, quentes, socialmente ativos e de maior contacto com a natureza. Supomos, habitualmente, que vivemos dias mais felizes e alegres. Será esta uma realidade transversal a muitos de nós?

Deseja-se que no período de pausa predominem emoções agradáveis, prevê-se momentos alegres, produtivos e relaxados ao mesmo tempo, paradoxo que afasta muitas pessoas da sua realidade emocional. Por vezes, vivem-se dias de tensões emocionais no seio familiar, solidão de muitos que veem as suas relações afetivas de suporte enfraquecidas e mesmo quebradas, quando o até então stress do dia-a-dia camuflava realidades proteladas.

Contrariando a premissa de que o verão é sinónimo de bem-estar, para muitas pessoas esta pode tornar-se uma época de desafios não muito expostos. A quebra de rotinas, a pressão para usufruir “ao máximo” da pausa de verão, os conflitos e tensões familiares e o confronto com silêncios interiores, tornam-se, frequentemente palco para o surgimento de emoções intensas de tristeza, ansiedade e desespero.

Numa região do interior como a nossa, acresce em algumas situações o isolamento, a saudade e a ausência dos jovens que rumam para outras localidades do país ou para o estrangeiro.

É comum ouvirmos frases como “no verão esquece-se tudo”, “é tempo de não pensar”, “deixa lá isso agora”, entre outras. Contudo, a nossa mente não para e o nosso corpo manifesta. Frequentemente é nas pausas que muitas pessoas observam e escutam o seu interior e esta pode ser a oportunidade de se priorizar iniciando um processo de cuidar da sua saúde mental. Sente-se emocionalmente assoberbado, irritado, com falta de foco e pouco sentido de realização? As férias não o/a revitalizam?

Estes podem ser sinais não para uma pausa que “anestesia”, mas para uma ação que mobiliza a melhores dias, com mais equilíbrio e saúde. Não permita que a estação da luz obscureça a sua verdade interior. É sempre uma boa altura para dar espaço ao que sente. Estabeleça pontes e pontos de ajuda. Permita-se ser escutado(a) e cuidado(a).

A Reconquista

É certo e sabido que quando existem vários protagonistas num acontecimento, sobretudo tratando-se de um acontecimento controverso, cada protagonista conta a história da maneira que mais lhe interessa ou com uma narrativa que lhe é mais conveniente, de modo a defender as razões da sua posição nesse acontecimento.
Assim acontece com as histórias da História que aprendemos na escola, com as quais formatamos as nossas opiniões e linhas de pensamento.

No entanto, com o tempo e à medida que vamos recolhendo mais informação, de fontes mais diversificadas, e a nossa curiosidade e poder de análise objetiva se vai afinando, podemos alterar a nossa visão sobre determinados factos, anteriormente tomados como definitivamente esclarecidos e que não admitiam objeções.

Aconteceu comigo em situações diferentes, tendo alterado a minha visão sobre as cruzadas e, mais recentemente, sobre a presença e influência dos muçulmanos na península ibérica.

Sobre as cruzadas, sobre as quais apenas conhecia a visão do “nosso” lado, do lado ocidental, tida como a parte boa, mudou radicalmente a partir do momento em que li, há cerca de trinta anos, o livro “As Cruzadas vistas pelos Árabes”, do escritor libanês Amin Maalouf. As versões entre os invasores e os invadidos não coincidem, parecendo mesmo relatarem acontecimentos diferentes, nenhuma delas estará correta mas, uma coisa é certa, a versão que nos contaram está longe das boas intenções das expedições militares e das boas práticas cristãs.

Sobre os muçulmanos, após uma recente visita à Andaluzia, mais concretamente às cidades de Córdova e Granada, sobre domínio mouro dos séculos VIII ao XV, é impossível ficar indiferente às marcas da dimensão da sua presença (uma mesquita para 40.000 crentes, em Córdova) e ao rico legado arquitetónico (complexo palaciano Alhambra, em Granada), de características diferentes mas que supera, em minha opinião, em beleza e em pormenor estético, o legado deixado pelos romanos na península.

Mas um outro pormenor não passa despercebido. A forte presença, na rua, comércio, hotéis, restaurantes e locais públicos, de população de origem muçulmana, alguma de longa data, talvez por sentirem o chamamento do passado e outra, tal como em Portugal, com origem na imigração, muito especialmente do norte de África.

Mas há um outro pormenor que apenas se conhece contactando com quem vive em Granada. Tem sido costume comemorar festivamente o dia 2 de Fevereiro de 1492, data em que o último rei muçulmano de Granada, Boabdil, entregou as chaves dos palácios de Alhambra, que deixou intactos, aos monarcas espanhóis Fernando de Aragão e Isabel de Castela, simbolizando a rendição da cidade. Acabou, assim, o último reino muçulmano da Espanha e, com a queda de Granada, encerrou a Reconquista, um longo período de conflitos entre cristãos e muçulmanos na Península Ibérica.

Acontece que tem sido cada vez mais controversa a comemoração anual desta data, dado que a população muçulmana, cada vez mais expressiva, é contrária a esta comemoração, havendo mesmo quem antecipe o seu cancelamento para breve e ainda, numa atitude provocante, antecipe uma “reconquista” em sentido inverso.

É certo que a realidade, em qualquer região de Portugal, é bem diferente daquela que acabo de relatar, mas não deixam de ser sinais bem diferentes daqueles que vínhamos vivenciando e há movimentos que, por serem naturais, são imparáveis pela força.

A RECONQUISTA

Um mundo que não consegue entender-se!

Gostaria que passado um mês desde que publiquei o último Editorial, que os vários conflitos entre países e entre os homens já tivessem acabado. Mas não! Esses conflitos, além de não terem melhorado, cada vez estão mais acesos.
Todos andamos preocupados com o conflito entre a Ucrânia e Rússia e, agora, rebentou outro entre o Irão e Israel. Se o primeiro é terrível o segundo não é menor.

Com tudo isto, o mundo anda todo às aranhas. Fazem-se reuniões, promovem-se e fazem-se encontros e mais encontros e não se chega a lado nenhum, já que todos estão na expetativa que os americanos entrem na guerra. Ai de nós, porque uma guerra a nível mundial seria inevitável.

Embora estes focos de guerra se desenvolvam por Nações longe de Portugal, não quer dizer, que eles não cheguem até nós. Fazemos votos para que isso não venha a acontecer, até, porque, bem basta os 14 anos de guerra no Ultramar, não tendo havido nenhuma potencia que nos tenha ajudado. Por isso, esta guerra não é nossa e não temos obrigação de ter que enviar homens para defender os políticos e as Nações que não se entendem.

Estamos a cerca de dois meses para que Portugal entre em Eleições para as autarquias. Aqui é nosso dever votar, porque o que está em causa é escolher um presidente que governe e saiba governar. Nós, senenses, há quatro anos votámos no Dr. Luciano Ribeiro e não estamos arrependidos, porque tem sabido e tem cumprido, com sabedoria e talento, o papel que prometeu aos eleitores.

Todos nós gostaríamos que qualquer Presidente nos alindasse a nossa rua ou bairro. Ora isso não pode ser tudo feito de um momento para o outro. O que se tem de analisar é que muitas coisas foram feitas durante este tempo de mandato, por isso é que, conscientemente, voto na candidatura do Dr. Luciano. Os outros candidatos, sinceramente não conhecemos nada do seu curriculum ou qualquer obra que tenham feito. No entanto, daremos sempre espaço quando dispusermos de informações e de quaisquer elementos.

Contamos, também, com os presidentes de juntas que vão trazendo para cada uma das suas terras o melhor que cada população deve ter para viver.

Enriquecimento de Urânio, invasões, agressões, tirania, guerras

Israel, Gaza, Ucrânia, Rússia, Europa, Irão, Putin, Trump ou Benjamin Netanyahu? Mentira – Inveja – Destruição – Tragédia!

Podemos dar as voltas que quisermos, arranjar as desculpas que entendermos, argumentar como melhor nos aprouver ou tentar ludibriar a nossa própria inteligência. Tudo isso não conseguirá iludir a verdadeira razão, a clareza de ideias e o realismo do nosso pensamento: o Mundo está louco e as Nações colocaram à frente dos seus destinos políticos que na sua esmagadora maioria, são incompetentes, irresponsáveis, acéfalos, ditadores e facínoras da pior espécie. Com este tipo de gente, infelizmente, o mundo caminha, a passos largos para o seu fim. Com que legitimidade moral, esta “tralha”, invade, assalta, rouba e mata?

É verdade que nós estamos integrados num conjunto de países que constituem o bloco europeu. Não temos quaisquer dúvidas de que apesar de sermos pequeninos e a nossa voz, por isso mesmo, não se poder fazer ouvir com a intensidade de som que seria desejável, temos conseguido melhorias assinaláveis que, doutro modo, não seria possível. Temos de concordar com os que afirmam que a Europa não tem força para impor o que quer seja e tem cometido o erro de escolher responsáveis, na sua maioria, sem classe, sem visão e sem força, para a liderança.
Estamos num beco com uma saída, cada vez mais estreita, entregues à loucura de um Putin que age sem respeito por nada nem ninguém, de um Trump que mais parece um comediante afirmando uma coisa e o seu contrário nem sabendo bem como foi possível a América o ter escolhido para liderar tão grande nação; de um tirano que, à frente de Israel sempre escolheu as armas como seu aliado e de um líder iraniano que, tal como os seus companheiros, vive obcecado pela ideia de submeter toda a população do globo a uma doutrina sanguinária que é a dele.
Vivemos, de facto, tempos de incerteza, medo, ansiedade e pânico em que o respeito, a dignidade, a justiça, a generosidade, a solidariedade e o amor foram apagados do manual de procedimentos quotidianos. Até quando ficaremos sujeitos a toda esta “tralha”? E o que será que nos poderá acontecer?

Que o Papa Francisco bata ao coração de todos eles se é que ainda têm coração e os acorde para as realidades e sentimentos que devem nortear as comunidades, as pessoas e os países que formam a Casa Comum.
Resta-nos ter confiança, fé e esperança no futuro.

“Caresse sur l’Océan – Quando a música educa e transforma”

Em 2004, o cinema europeu presenteou-nos com Les Choristes (Os Coristas), um filme francês que rapidamente conquistou o mundo, não pela grandiosidade de efeitos especiais, mas pela delicadeza de uma história que nos recorda o poder transformador da música. Situado num internato para rapazes problemáticos nos anos 40, o filme acompanha Clément Mathieu, um professor de música que decide formar um coro com os seus alunos como forma de os educar, unir e dar-lhes uma nova visão do mundo.

Entre as músicas mais marcantes da banda sonora, destaca-se Caresse sur l’Océan — uma composição delicada, melódica, quase etérea, que evoca a beleza e a paz do oceano. Cantar ou ouvir esta música é, para muitos, uma experiência emocional. Mas mais do que isso, ela representa a ideia central do filme: a música pode ser um refúgio, uma forma de expressão e, acima de tudo, uma via para o crescimento humano.

Aqui na Sociedade Musical Estrela da Beira, identificamo-nos profundamente com essa mensagem. Embora os nossos jovens músicos não venham de um internato severo, partilham entre si o contacto com uma arte que os educa, os disciplina e os une. Em cada ensaio, há mais do que um trabalho técnico. Há escuta, respeito mútuo, perseverança e descoberta. A música, tal como em Les Choristes, torna-se uma ferramenta poderosa de desenvolvimento pessoal.

Ao longo dos anos, temos visto muitos jovens que entram na banda com timidez ou insegurança, mas que, com o tempo e o apoio da comunidade musical, florescem como pessoas e como músicos. Formar parte de um grupo onde cada instrumento conta e cada silêncio é respeitado é, no fundo, uma escola de vida. A música ensina a esperar, a ouvir, a contribuir — e isso são lições que se transportam para todos os aspetos da vida.

Tal como Clément Mathieu acreditava nos seus alunos quando ninguém mais o fazia, também os nossos maestros e professores acreditam nos jovens que chegam à nossa escola de música. O talento pode vir com o tempo; o mais importante é a dedicação e o gosto por aprender.

Convidamos quem ainda não viu Les Choristes a fazê-lo — é uma lição sobre o impacto duradouro que a arte pode ter na vida de uma criança. E convidamos também a comunidade a continuar a apoiar a Sociedade Musical Estrela da Beira, uma banda onde se pratica diariamente essa mesma crença: que a música não serve apenas para entreter, mas para tocar, educar e transformar.

Próximos serviços da banda:
12 julho: Audições da Escola de Música da SMEB;
18 julho: Marchas Populares (A. R. C. Vodrense) – Vodra;
20 julho: Santo Aleixo – Vodra;
27 julho: Concerto – Grupo Desportivo Recreativo Santa Marinha (GDRSM) – Santa Marinha.

“The 767 Wine Bar” abre portas em São Romão com sabores do Dão

Abre esta quinta-feira, 17 de julho, pelas 17h07, um novo espaço comercial em São Romão que promete dar que falar entre os apreciadores de vinho e não só.

O “The 767 Wine Bar”, localizado na Rua de Santo António, número 7, aposta numa oferta de vinhos de qualidade num ambiente descontraído e acolhedor.

Apresentando-se como um espaço “onde o Dão ganha nova vida”, o “The 767 Wine Bar” pretende ser um ponto de encontro para quem valoriza os produtos locais e a boa companhia. “Cada garrafa conta uma história, cada copo é uma viagem ao coração da Serra”, lê-se na nota de divulgação da empresa nas redes sociais.

A abertura oficial está marcada para o final da tarde, e todos são convidados a brindar a este novo capítulo na vida comercial da vila. Um projeto que alia tradição e modernidade, e que o Jornal de Santa Marinha se orgulha de divulgar, por contribuir para o dinamismo económico e social da região.

https://www.instagram.com/winebar767

Região Centro investe na valorização dos recursos endógenos – Assinatura dos Planos de Ação decorreu em Gouveia

A Autoridade de Gestão do Programa Regional do Centro (Centro 2030) e as entidades líderes das Estratégias de Eficiência Coletiva da Náutica do Centro de Portugal, da Explore: iNature & Center Geoparks 2030 e da Valorização dos Territórios Termais formalizaram ontem, dia 14 de julho, em Gouveia, a assinatura dos Planos de Ação do Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos (PROVERE). Estes Planos de Ação visam promover a cooperação e a inovação em cada uma destas áreas estratégicas, através da implementação de projetos que valorizem os recursos endógenos, fortaleçam a identidade regional e contribuam para o desenvolvimento sustentável dos territórios e comunidades envolvidas.

Isabel Damasceno, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, I.P. (CCDR Centro) explica que «com estes três planos de ação, conclui-se a aprovação dos nove planos de ação para Valorização Económica de Recursos Endógenos da Região Centro, que totalizam um apoio dos fundos europeus de 19,5 milhões de euros. Estes nove planos de ação, que mobilizam parcerias entre instituições públicas, associações, empresas e entidades do sistema científico e tecnológico, pretendem aproveitar as potencialidades territoriais, dinamizando a atividade económica e reforçando a atratividade dos territórios».

A estratégia “Náutica do Centro de Portugal”, que terá um apoio do Programa Centro 2030 de 1,5 milhões de euros, constitui-se como um conjunto estruturado de iniciativas com vista à implementação de uma estratégia inovadora para valorizar e promover as Estações Náuticas do Centro de Portugal, como base para o turismo sustentável, ao estruturar e qualificar a oferta de serviços náuticos, criar destinos náuticos certificados e competitivos a nível nacional e internacional, incentivar o empreendedorismo e o investimento privado ligado ao setor náutico e potenciar a prática desportiva e o contacto com a natureza.

A estratégia “Explore: iNature & Center Geoparks 2030”, que terá um apoio do Programa Centro 2030 de 2,25 milhões de euros, mobiliza tematicamente o património natural para a valorização da Região Centro enquanto destino de natureza, saúde e bem-estar, no contexto dos territórios de grande valor para a conservação da biodiversidade, no âmbito da Rede Nacional das Áreas Protegidas, da Rede Natura 2000 e dos Geoparques aspirantes e já classificados pela UNESCO. Esta estratégia pretende estruturar um modelo sustentável de turismo de natureza, valorizando o património geológico e ambiental através de trilhos, centros interpretativos, capacitação local, experiências científicas e novas plataformas digitais de promoção. O projeto integra a marca iNature e aposta na criação de pacotes turísticos inovadores.

A estratégia da Valorização dos Territórios Termais, que terá um apoio do Programa Centro de 1,5 milhões de euros, reúne 25 territórios termais numa estratégia coletiva voltada para a valorização das águas minerais naturais. O objetivo é promover a inovação, sustentabilidade e competitividade do ecossistema termal, posicionando a Região Centro como uma referência nacional e internacional no termalismo, através do reforço da atratividade turística, da criação de produtos turísticos associados ao bem-estar e à saúde, bem como o aumento da estadia média dos visitantes. Visa também a criação de rotas termais e incentivo à investigação na área.

Loriga – Lançamento do livro “Das Jurisdições Senhoriais Medievais em ‘Terras de Sena’, aos Forais Novos de Loriga, Sandomil e Alvôco da Serra”, da autoria de José A. da Silva Amaro

No próximo dia 2 de agosto, pelas 17 horas, vai ser apresentado, publicamente, na Sala dos Bombeiros Voluntários de Loriga, o livro “Das Jurisdições Senhoriais Medievais em ‘Terras de Sena’, aos Forais Novos de Loriga, Sandomil e Alvôco da Serra”, da autoria de José A. da Silva Amaro.

Segundo o autor, “esta é uma obra densa e rigorosa que resgata a memória institucional, jurídica e política da região demarcada pela “Terras de Sena”, traçando a evolução das jurisdições senhoriais desde os tempos visigóticos até às reformas manuelinas do século XVI.”

O livro percorre um extenso arco cronológico, iniciando-se nas disputas fronteiriças entre Coimbra e Egitânia durante a época visigótica, passando pelos impactos do Califado Almóada e pela retoma cristã com a Reconquista Leonesa, para depois centrar-se no papel estratégico da cidade de Seia, recuperada por D. Fernando I, ‘o Magno’, em 1055. Neste contexto, ganha relevo o estudo do Foral de Seia de 1136, cuja análise minuciosa abrange os aspetos económicos, militares, judiciais e processuais da governação local, oferecendo um retrato vivo da sociedade e das práticas jurídicas no dealbar da nacionalidade.

A obra detém-se na importância do Condado Portucalense e da ação política de D. Afonso Henriques nas “Terras de Sena”, destacando as transformações introduzidas pelas linhagens nobres, em especial os ‘de Trava’, bem como a imposição de autoridade através das inquirições régias e da organização do espaço sob domínio senhorial. Com base nas Inquirições Gerais de 1258 e nos Numeramentos do século XV, o autor examina os mecanismos de contenção do poder feudal e das ordens religiosas, identificando as estratégias régias de verificação tributária, redefinição de fronteiras e afirmação jurisdicional.

No centro da narrativa está a análise comparada dos Forais Novos manuelinos outorgados a Loriga, Sandomil e Alvôco da Serra, com especial atenção às suas cláusulas cíveis, fiscais e penais. O livro evidencia as diferenças e similitudes entre os regimes aplicáveis a cada concelho, refletindo a persistência de costumes locais e a tentativa da Coroa em consolidar uma linguagem jurídica uniforme. Para compreender o contexto da sua promulgação, o autor investiga a influência das linhagens nobres na região, em particular a família Machado, que desde o século XIV deteve as jurisdições senhoriais das três localidades, acumulando prerrogativas significativas na Casa Real da Beira.

A obra conclui com uma reflexão sobre o impacto das reformas liberais do século XIX e a consequente extinção dos forais, encerrando um ciclo histórico que perdurou por séculos no interior montanhoso do reino.

José A. da Silva Amaro nasceu em Lisboa, em 1964, e possui raízes familiares em Loriga. É licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, com pós-graduações em Direito da Proteção de Dados da União Europeia, pelo Centro de Investigação de Direito Privado, e em Direito dos Valores Mobiliários e Mercados Financeiros. Desenvolve uma carreira internacional como consultor jurídico nas áreas do Direito da União Europeia, da cibersegurança e das infraestruturas críticas, com atuação em projetos apoiados pela União Europeia e pelas Nações Unidas. É autor de múltiplos artigos e publicações em revistas internacionais de referência e tem dedicado parte significativa da sua investigação à História do Direito Português, com especial interesse pela interseção entre as esferas jurídica, institucional e identitária.

A obra agora publicada inscreve-se na continuidade de um percurso dedicado à valorização da memória local e do património jurídico da Beira Interior, sendo antecedida pelas publicações “Onde Dormem as Bétulas” e “511 Anos do Foral Manuelino de Loriga”, ambas lançadas em 2025.

Este evento tem o apoio da Junta de Freguesia de Loriga e dos Bombeiros Voluntários de Loriga.

Estes livros encontram-se disponíveis através da Amazon:
https://www.amazon.es/stores/José-da-Silva-Amaro/author/B0FFHFLYLQ

Município de Seia organiza passeio expedicionário à Serra da Estrela inspirado na expedição científica de 1881

O Município de Seia promove, no próximo dia 2 de agosto, mais uma edição do Passeio Expedicionário à Serra da Estrela, com o mote “Vamos aos Cântaros”. A iniciativa convida os participantes a percorrer alguns dos locais emblemáticos cartografados na histórica Expedição Científica à Serra da Estrela de 1881, organizada pela Sociedade de Geografia de Lisboa.

Com início na Torre, o percurso pedonal desenvolve-se ao longo de 8 quilómetros no planalto superior da Serra da Estrela, numa caminhada interpretada que conta com o acompanhamento da historiadora Helena Gonçalves Pinto, autora da obra “Uma Viagem ao Cume do Conhecimento – A Expedição Científica à Serra da Estrela em 1881”, publicada em 2022 pela autarquia senense.

A atividade é organizada pelo Município de Seia e interpretada pelos técnicos do CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela e pela referida investigadora. O percurso inclui a passagem por diversos pontos de elevado valor natural e histórico, como o Covão das Quelhas, Covão de Alva, Covão da Estrela, Covão da Azenha, Covão do Boi e os imponentes Cântaros.

Durante o passeio, serão evidenciados episódios, curiosidades e pormenores sobre a expedição pioneira realizada há 143 anos, a qual permitiu revelar e documentar, de forma inédita, as múltiplas dimensões da Serra da Estrela — geográfica, climática, orográfica, antropológica, etnográfica, arqueológica e médica.

Resultado de um esforço coletivo de reputados investigadores e académicos, a expedição de 1881 representou um marco na história da ciência em Portugal, produzindo um legado notável de conhecimento sobre a Serra da Estrela, que ainda hoje continua a inspirar novas gerações de estudiosos e apaixonados por este território único.

A participação carece de inscrição prévia através da plataforma www.visitseia.pt.