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Hospital Sousa Martins requalifica e amplia Psiquiatria com apoio do PRR

A Unidade Local de Saúde da Guarda (ULS Guarda) avança com um investimento crucial na modernização dos seus serviços, focado na requalificação e ampliação do edifício do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Sousa Martins (HSM). O investimento global, no valor de 2 936 664,15 € (IVA incluído), abrange os anos de 2025 e 2026, sendo financiado em 1 500 000,00 € pelo PRR e em 1 436 664,15 € por recursos próprios da ULS Guarda, E. P. E. e visa melhorar significativamente as condições estruturais, funcionais e assistenciais para utentes e profissionais.

O passo decisivo para a concretização desta obra foi a publicação da Portaria n.º 614/2025/2, que autoriza a ULS Guarda a repartir os encargos financeiros ao longo dos anos de 2025 e 2026.

A intervenção insere-se no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), cujo projeto demonstra um compromisso partilhado entre o financiamento europeu e os recursos da ULS Guarda para a saúde mental na região.

Esta requalificação é descrita pela ULS Guarda como um “investimento estratégico” que visa a modernização da rede de cuidados de saúde mental. A intervenção reforçará a capacidade de resposta do serviço de Psiquiatria do Hospital Sousa Martins, garantindo um ambiente mais adequado e eficaz para o tratamento e acompanhamento dos utentes.

A Portaria n.º 614/2025/2 produz efeitos a partir da data da sua assinatura, permitindo à ULS Guarda iniciar os procedimentos necessários para a concretização da obra e o consequente reforço da qualidade dos serviços prestados na área da saúde mental na Guarda.

Vila Nova de Foz Côa – Quatro detidos por caça em área de proteção

 O Comando Territorial da Guarda, através do Serviço da Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) de Pinhel, com a colaboração do Posto Territorial de Vila nova de Foz Côa, deteve, no dia 2 de novembro, quatro homens, com idades compreendidas entre os 61 e os 73 anos de idade, por caça em área de proteção, no concelho de Vila Nova de Foz Côa.

No âmbito de uma ação de fiscalização ao exercício do ato venatório, os militares da Guarda detetaram os suspeitos, que se encontravam a caçar em terreno não cinegético, nomeadamente, próximo de um Itinerário Principal (IP2), sendo esta zona considerada área de proteção.

No decorrer da ação foi possível apreender diverso material, do qual se destaca:  quatro armas de caça; quatro cartas de caçador; quatro livretes de manifesto de arma e 12 cartuchos carregados com chumbo.

Os detidos foram constituídos arguidos e os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Vila Nova de Foz Côa.

A Guarda Nacional Republicana (GNR) relembra que existem áreas de proteção onde o exercício da caça é interdito, devido ao risco que pode representar para a vida, saúde ou tranquilidade das pessoas, ou pela possibilidade de causar danos materiais. Entre estas áreas incluem-se: praias de banho e respetivos terrenos adjacentes; terrenos adjacentes de estabelecimentos como escolas, hospitais, prisões, lares de idosos, de proteção à infância, instalações militares ou de forças de segurança, entre outros serviços sensíveis; infraestruturas como estações radioelétricas, faróis, portos marítimos e fluviais, aeroportos, instalações turísticas, parques de campismo e desportivos; Instalações industriais e de criação animal, bem como terrenos circundantes a estas áreas, numa faixa de 500 metros de proteção; povoados, numa faixa de proteção de 250 metros e vias de comunicação, incluindo estradas nacionais (EN), itinerários principais (IP), itinerários complementares (IC), autoestradas, estradas regionais das Regiões Autónomas (ER) e linhas de caminho de ferro, numa faixa de proteção de 100 metros.

O cumprimento destas medidas é essencial para garantir a segurança e o bem-estar da população e a proteção dos bens e infraestruturas.

A Guarda Nacional Republicana, através do Serviço da Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), tem como preocupação diária a proteção ambiental e dos animais. Para o efeito, poderá ser utilizada a Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520), funcionando em permanência para a denúncia de infrações ou esclarecimento de dúvidas.

Cineclube de Seia/AAIS abre ciclo com a estreia de “Lavagante”

Os amantes da sétima arte em Seia têm um encontro marcado esta quarta-feira, dia 5 de novembro, na casa Municipal da Cultura de Seia, com o regresso das sessões de cinema do Cineclube de Seia, promovidas pela Associação de Arte e Imagem de Seia (AAIS).

O ciclo tem início às 21h00 e arranca com a exibição de “Lavagante”, o mais recente filme do realizador Mário Barroso (2025).

“Lavagante” é um filme que mergulha o espetador no turbulento início dos anos 1960 em Portugal, durante a ditadura salazarista. A narrativa, descrita como uma “história de amor e enganos”, desenrola-se num cenário de repressão e resistência.

O filme aborda temas como a ação da polícia política (PIDE); a censura e as perseguições e as prisões e a revolta estudantil que marcou a época.

O argumento tem um peso histórico e cultural significativo, sendo o último argumento escrito pelo falecido António-Pedro Vasconcelos, adaptado da última obra literária de José Cardoso Pires.

O elenco conta com nomes de destaque do cinema português, incluindo Francisco Froes, Nuno Lopes, Júlia Palha e Leonor Alecrim.

As sessões do Cineclube de Seia continuam a ser acessíveis a toda a comunidade, com preços simbólicos:

  • Associados da AAIS: 1€
  • Não Associados: 2€

O Cineclube de Seia/AAIS convida assim o público a iniciar este novo ciclo cinematográfico com uma obra que promete não só entretenimento, mas também uma reflexão sobre um período crucial da história portuguesa.

“Sabores que Constroem” em Santiago (Seia) – Almoço Solidário para construção da sede do Grupo de Cantares Casa Velha de Santiago

O “Grupo de Cantares Casa Velha de Santiago” (Seia) está a promover uma iniciativa solidária com o objetivo de angariar fundos para a construção do seu edifício-sede. O evento, denominado “Sabores que Constroem “ é um almoço que promete unir a comunidade em torno de uma causa nobre.​O almoço está agendado para o dia 9 de novembro (domingo), pelas 13 horas, e terá lugar em Santiago. A ementa, tradicional e reconfortante, inclui: ​sopa de peixe; ​lombo com legumes; ​batata loura; ​arroz branco; ​vinhos, sumo, água e café e sobremesas variadas

​Os valores de participação, que se revertem integralmente para o projeto de recuperação, são os seguintes: ​não sócios: 20 “tijolos”; ​sócios: 18 “tijolos” e crianças (6 aos 12 anos) 10 “tijolos”

​A imagem da futura sede da associação, com uma traça moderna mas que respeita a identidade local, ilustra o sonho que a comunidade pretende concretizar. O evento conta com o apoio visível de uma figura pública ligada à culinária.

​”Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado”, é a frase que inspira este movimento, conforme divulgado.

​As inscrições para este almoço solidário podem ser feitas através dos seguintes contactos: 965621838 e 966576538, ou ainda pelo número 963600995 (rede móvel nacional).

​Todos são convidados a participar neste momento de convívio, sabor e solidariedade, contribuindo ativamente para a edificação do futuro espaço do Grupo de Cantares “Casa Velha”.

Crónicas do Oriente — O Camboja, entre a dor e a doçura

Por João Ferrão

Há viagens que não se medem em quilómetros, medem-se em horizontes. E há horizontes que só a Ásia é capaz de oferecer.


A quem tem a possibilidade de o fazer, digo com convicção: visitar a Ásia, nem que seja uma vez na vida, é uma experiência que transforma. Não apenas pelas paisagens de cortar a respiração, pelas praias de postal ou pelos aromas que se misturam entre o incenso, o jasmim e o caos das ruas. Mas, sobretudo, pela oportunidade rara de olhar o mundo através de culturas que nos são profundamente diferentes — e, nesse espelho, redescobrirmos o que somos.

Um dos primeiros países que visitámos neste lado do mundo foi o Camboja.
Foi uma viagem por três regiões tão distintas quanto complementares: Phnom Penh, a capital caótica e vibrante; Sihanoukville, a janela marítima que mistura o exotismo com a ambição moderna; e Siem Reap, onde o passado se ergue em pedra, em templos que parecem suspensos no tempo.

Até hoje, foi uma das viagens mais marcantes da minha vida.

Para quem não conhece a sua história, o Camboja é um país que carrega nas costas o peso de uma tragédia recente. Nos anos 70, sob o regime de Pol Pot e dos Khmer Vermelhos, viveu uma das ditaduras mais brutais do século XX — um genocídio que ceifou a vida de quase dois milhões de pessoas. O país foi reduzido a ruínas humanas e materiais, mergulhando numa pobreza que ainda hoje deixa marcas profundas.

E, no entanto, é difícil encontrar um povo mais afável, mais sorridente, mais genuinamente gentil.

O Camboja é um exemplo de como a bondade pode florescer mesmo sobre as cinzas da dor.
Começamos a nossa viagem pela capital, Phnom Penh — e é exatamente o que aconselho a quem deseje visitar o Camboja.
É aqui, mais do que em qualquer outro lugar, que recai o peso da História.

Entre as ruas barulhentas e o movimento constante, esconde-se uma cidade que vive com as cicatrizes à flor da pele. A visita às antigas prisões, hoje transformadas em museus, e sobretudo aos Killing Fields, é uma experiência que ninguém esquece.

Ali, o silêncio tem uma presença quase física — absorve-nos, consome-nos, e por breves instantes conseguimos sentir, sem nunca o termos vivido, a dor de um povo inteiro.

Por isso, recomendo começar por aqui: porque terminar umas férias com tamanha carga emocional não será talvez a melhor forma de regressar a casa.
Durante a estadia em Phnom Penh, ficámos alojados num pequeno hotel (The Pavilion) de arquitetura francesa, acolhedor e rodeado por um verde refrescante que parecia proteger-nos do ruído e do calor da cidade.

Esse charme colonial, ainda visível em muitas fachadas e avenidas largas, é herança do período em que o Camboja integrou a Indochina Francesa, entre meados do século XIX e meados do século XX.
Os franceses deixaram marcas profundas na organização urbana, na gastronomia e até na forma de viver: cafés com varandas de ferro forjado, padarias onde o cheiro do pão fresco se mistura com o incenso dos templos, e uma nostalgia latente que persiste nas esquinas mais antigas.
É curioso como um país tão marcado pela dor conseguiu preservar também esta elegância serena, uma mistura improvável de Oriente e Ocidente que torna Phnom Penh uma cidade de contrastes — e talvez por isso, inesquecível.
Este hotel onde ficámos situava-se a poucos minutos do Palácio Real, uma das visitas obrigatórias de Phnom Penh.

Erguido no final do século XIX, o Palácio Real é um testemunho vivo da herança khmer e da influência francesa, com os seus telhados dourados e jardins meticulosamente cuidados. Lá dentro, o Pavilhão de Prata, com o chão revestido por milhares de azulejos de prata maciça, guarda relíquias sagradas e uma serenidade quase espiritual.
É impossível não sentir ali uma certa continuidade — como se o país, apesar de tudo o que sofreu, ainda encontrasse na figura do rei um fio de unidade e esperança.
Hoje, o Camboja mantém uma monarquia constitucional, encabeçada pelo Rei Norodom Sihamoni, um soberano de perfil discreto e profundamente respeitado, mais símbolo de equilíbrio do que de poder político efetivo.

O palácio, com a sua imponência tranquila, é o espelho dessa mesma realidade: um país que tenta conciliar a tradição e a modernidade, o passado e o futuro.
Phnom Penh é uma cidade que revela os seus encantos lentamente, e há muito mais para descobrir para além do peso da sua história. O Mercado Central, com a sua cúpula art déco e um colorido que parece desafiar o tempo, é um labirinto de aromas, tecidos e vozes onde se sente o pulso autêntico da vida local.

Vale também a pena visitar o Museu Nacional, guardião das mais belas esculturas do império khmer, ou caminhar ao entardecer pelo passeio ribeirinho junto ao rio Tonlé Sap, onde monges de túnicas açafrão se misturam com famílias, vendedores e viajantes, todos em harmonia com o pôr do sol que tinge as águas de dourado.

Phnom Penh é isso mesmo: uma cidade de contrastes — entre o sagrado e o profano, o antigo e o moderno, a dor e a esperança.
Depois de alguns dias a mergulhar nesta mistura intensa de emoções, seguimos viagem de autocarro rumo a Sihanoukville, no sul do país. Foram várias horas de estrada, atravessando campos de arroz, vilas adormecidas e um verde sem fim que parece acompanhar-nos como promessa de descanso.

O destino: o mar, e com ele, uma nova forma de descobrir o Camboja — mais leve, mais solar, mas não menos inesquecível.
Sihanoukville, quando a visitei, era ainda um refúgio de serenidade.
As ruas eram simples, a arquitetura discreta, e as praias estendiam-se quase desertas, com aquele silêncio de lugares que ainda não foram descobertos. Quase não havia hotéis de luxo, nem o turismo massificado que hoje domina a paisagem.

Desde então, a cidade transformou-se profundamente: onde antes havia coqueiros e areia branca, ergueram-se casinos e torres de vidro, impulsionados por um investimento estrangeiro — sobretudo chinês — que mudou o ritmo e a alma do lugar.
Tive a sorte de conhecer Sihanoukville antes dessa metamorfose, quando o encanto estava precisamente na sua simplicidade, no som das ondas e na ausência de pressa.
Ainda assim, ao sul da cidade subsistem ilhas quase intactas, pequenos paraísos como Koh Rong ou Koh Rong Samloem, onde o tempo parece suspenso.

São o destino perfeito para quem procura uns dias de repouso depois da revolução de sentimentos vivida em Phnom Penh — o lugar ideal para deixar que o mar devolva a leveza ao espírito.
Enquanto estávamos em Sihanoukville, aproveitámos para visitar, durante dois dias, a região de Kampot, uma das zonas mais encantadoras do sul do Camboja.
Entre montes suaves e campos verdejantes, explorámos magníficas quintas de borboletas e as famosas plantações de pimenta preta, consideradas entre as melhores do mundo.

A pimenta de Kampot é uma herança dos tempos coloniais franceses e tornou-se símbolo de qualidade e orgulho nacional. Não é por acaso que, em qualquer restaurante local, o prato obrigatório é o caranguejo com pimenta de Kampot — uma combinação perfeita entre o sabor do mar e o perfume da terra.

A cidade conserva ainda belos edifícios da era francesa, com fachadas coloridas, janelas de madeira e varandas rendilhadas, que nos transportam a uma época em que o Camboja fazia parte da Indochina Francesa e Kampot era um pequeno porto comercial cheio de vida e elegância discreta.

Mas o que mais nos tocou nesta visita não foram apenas as paisagens ou os sabores.
Foi o lado humano, profundamente comovente. Entre cafés e escolas, é comum ver cartazes e programas que convidam os estrangeiros a “adotar” simbolicamente uma criança, tornando-se seus patrocinadores nos estudos.
É uma forma simples, mas comovente, de contribuir para o futuro de um povo que ainda carrega as marcas de um passado cruel.
Ver o sorriso das crianças, o brilho nos seus olhos e a esperança que renasce através da educação é, talvez, a maior lição que o Camboja oferece a quem o visita: a de que, mesmo depois de tanta dor, há sempre espaço para recomeçar.
Finalmente, viajámos para Siem Reap, e que melhor destino para terminar a viagem do que aquele que quase todos conhecem, ainda que apenas através do cinema?

Foi aqui que se imortalizaram as ruínas de Angkor Wat, cenário do filme Lara Croft: Tomb Raider, que levou ao mundo a imagem mágica dos templos cambojanos perdidos na selva.

Mas a realidade ultrapassa em muito qualquer ficção. Angkor Wat, construído no século XII, foi o coração do poderoso Império Khmer e é hoje um dos maiores complexos religiosos do planeta — um monumento dedicado originalmente a Vishnu, mais tarde convertido ao budismo, e que permanece como símbolo máximo da identidade cambojana.

Caminhar entre as suas torres e relevos é viajar no tempo, sentir o eco de uma civilização que ergueu pedra sobre pedra a sua própria eternidade. O nascer do sol em Angkor é uma daquelas experiências que as palavras dificilmente traduzem: quando o primeiro raio de luz atravessa as torres douradas e se reflete no espelho de água, compreendemos porque o povo do Camboja, apesar de tudo, nunca perdeu a fé.

Nas redondezas, é também imperdível a visita às “floating villages”, as aldeias flutuantes do lago Tonlé Sap.
Casas, escolas, igrejas e até mercados erguem-se sobre palafitas ou flutuam sobre balsas de madeira, adaptando-se ao ritmo das águas que sobem e descem com as estações.
É um retrato comovente da capacidade humana de se reinventar, mesmo quando o mundo em volta parece sempre em movimento.

a cidade de Siem Reap é hoje uma mistura perfeita entre tradição e modernidade. De dia, os mercados locais enchem-se de cores, cheiros e vozes — especiarias, sedas, esculturas, sorrisos.
À noite, a famosa Pub Street transforma-se num mosaico de luzes, música e aromas de cozinha de rua, onde se cruzam mochileiros, artistas e curiosos vindos de todas as partes do mundo.
Siem Reap tem a energia vibrante das cidades que vivem para receber e a serenidade das que sabem acolher.

Regressámos a casa com a alma cheia — e com a vontade certa de um dia voltar.
Porque o Camboja, como toda a Ásia, tem esse poder raro: o de nos fazer sentir pequenos diante da sua grandeza, e ao mesmo tempo enormes por termos tido o privilégio de a conhecer.

Viajar por estas terras não é apenas ver o mundo — é descobrir, em cada sorriso e em cada templo, um pedaço de humanidade que nos recorda o que realmente importa.

Mostra de Gastronomia: Aromas e Sabores da Montanha à mesa de 23 restaurantes em Seia

Cerimónia de inauguração decorreu hoje no Mercado Municipal de Seia

A partir de hoje e até dia 9 de novembro , Seia volta a ser o destino de quem aprecia os sabores genuínos da serra da Estrela. A Mostra de Gastronomia “Aromas e Sabores da Montanha” promove o melhor da cozinha regional, num evento que celebra a cultura, as tradições e a autenticidade gastronómica serrana. A abertura oficial do evento decorreu durante a tarde de hoje, no Mercado Municipal de Seia, e contou com a presença de Luciano Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Seia; Rui Ventura, presidente da Comissão Executiva Turismo Centro de Portugal; Célia Gonçalves, Secretária Executiva da  ADIRAM – Associação de Desenvolvimento Integrado da Rede das Aldeias de Montanha; Ricardo Guerra, diretor da Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia (ESTHS) e Cláudio Figueiredo, vereador do turismo da Câmara Municipal de Seia.

Ainda no decorreu da inauguração, a chef Inês Beja, da Escola Superior de Turismo e Hotelaria – IPG, realizou um showcooking para os restaurantes aderentes dedicado à gastronomia serrana. Este momento reuniu, também, alguns produtores e artesãos locais, que apresentaram produtos típicos do território. 

Durante dez dias, o concelho transforma-se no palco de uma verdadeira viagem pelos sabores da montanha, destacando pratos típicos como o cabrito assado, o borrego, o bacalhau com broa, a truta, o afamado Queijo Serra da Estrela, o requeijão, os enchidos, o mel e o icónico Bolo Negro de Loriga, sem esquecer o toque distinto do medronho e os premiados vinhos do Dão, sub-região da Serra da Estrela.

A edição deste ano conta com a adesão de 23 restaurantes, que irão integrar nas suas ementas os produtos e receitas tradicionais, e com um conjunto de iniciativas paralelas, que reforçam a ligação entre o território, os produtores e a gastronomia.

Entre os destaques do programa estão o Mercado de Sabores, as aulas de culinária com a chef Inês Beja e o chef Hélio Loureiro, atividades que convidam à descoberta e à partilha dos saberes e sabores locais.

No dia 8 de novembro, o Mercado Municipal de Seia volta a ser palco do Mercado de Sabores, entre as 9h30 e as 13h00 — um espaço de encontro e partilha entre produtores locais, confrarias e visitantes, onde se celebram os sabores autênticos da Serra da Estrela. O queijo, o requeijão, o mel, os enchidos, o pão e a broa assumem o protagonismo deste mercado, que combina tradição e inovação.

A presença das Confrarias do Requeijão com Doce de Abóbora e da Broa e Bolo Negro de Loriga reforça esta ligação às raízes gastronómicas do concelho, valorizando o saber-fazer local.

Entre os momentos altos da edição, destaca-se a participação especial do chef Hélio Loureiro, embaixador do evento, que estará presente às 10h30, no Mercado de Sabores, para uma demonstração culinária inspirada nos produtos endógenos de Seia, partilhando com o público a sua experiência e paixão pela cozinha tradicional portuguesa.

A Mostra decorre em simultâneo com outras festas e eventos gastronómicos do concelho, que evidenciam a vitalidade e diversidade das tradições locais: a Festa dos Santos em Travancinha, a Festa da Castanha na Lapa dos Dinheiros, a Festa das Sopas nos Bombeiros Voluntários de Loriga (eventos que se realizam a 1 de novembro) e a Noite das Caçoilas no Sabugueiro (a 8 de novembro).

A Mostra de Gastronomia “Aromas e Sabores da Montanha” é uma iniciativa do Município de Seia, em parceria com a Rede de Aldeias de Montanha e a Escola Superior de Turismo e Hotelaria – IPG, e constitui uma oportunidade única para redescobrir a autenticidade da cozinha do concelho de Seia, valorizar os produtos locais e promover o património gastronómico da região.

Entre os aromas da serra e os sabores que enchem a alma, há muitos motivos para visitar Seia e saborear o melhor da montanha

Autárquicas 2025 – A Teoria da Perspetiva (aversão à perda) de Daniel Kahneman e Amos Tversky e os eleitorais locais no Concelho de Seia

Por Paulo Hortênsio

A Teoria da Aversão à perda (ou da perspetiva) de Daniel Kahneman e Amos Tversky pode explicar através de um quadro teórico bastante interessante porque, em contextos eleitorais locais como o Concelho de Seia, os Eleitores podem reforçar o partido no governo apesar das críticas ao seu desempenho.

Em termos práticos, mudar de liderança é percebido pelos Eleitores não apenas como uma possível recompensa (ganhos futuros), mas sobretudo como um risco imediato de perda (serviços, benefícios, estabilidade), e esse medo de perda tende a favorecer a opção menos arriscada, ou seja, manter o já conhecido.

Esse mecanismo explica porque os Eleitores insatisfeitos podem preferir a continuidade quando a alternativa é percebida como incerta.

1. Dados principais

  • Em 2025, o Partido Socialista (PS) obteve 49,44% dos votos para a Câmara Municipal de Seia (6.554 votos).
  • O Partido Social Democrata (PPD/PSD) ficou em segundo lugar com 33,83% (4.484 votos).
  • Outras forças: Chega 8,44% (1.119 votos); Coligação Democrática Unitária (PCP-PEV) 2,43% (322 votos); CDS‑PP 2,11% (280 votos).
  • Comparativo com 2021: PS tinha então ~43,68% (5.618 votos), PSD ~24,59% (3.163 votos), e a lista local Juntos pela Nossa Terra (JPNT) 17,75% (2.283 votos).
  • Taxa de participação: 65,58% em 2025 (13.256 votantes / 20.215 inscritos).

2. Reflexão à luz da Teoria da Aversão à perda

A teoria de Kahneman / Tversky destaca que os Eleitores avaliam potenciais perdas com mais intensidade do que ganhos equivalentes, ou seja, manter o “status quo” pode parecer menos arriscado do que optar por uma mudança, mesmo que essa mudança prometa melhorias.

Neste contexto, no caso do Concelho de Seia:

  • O facto de o PS ter reforçado a sua votação, apesar de haver críticas ao seu desempenho nos últimos quatro anos, sugere que muitos Eleitores escolheram a continuidade como forma de evitar o risco de perda associado à mudança de liderança.
  • O projeto alternativo (PSD com o apoio do JPNT) pode ter sido visto como uma novidade promissora, mas talvez implicasse também maior incerteza e essa incerteza pesa fortemente segundo a aversão à perda.
  • A subida da participação na votação, ou seja, a redução da abstenção para 65,6% sugere que mais pessoas se sentiram mobilizadas, mas mesmo assim a distribuição dos votos favoreceu a continuidade, o que reforça a ideia de que o “risco da mudança” dominou a perspetiva dos Eleitores.

3. Implicações para o mandato 2025-2029

  • Para o PS: o reforço da maioria cria uma margem política confortável, mas a teoria da perspetiva sublinha que o eleitorado espera evitar perdas concretas, isso significa que a governação deve visar resultados visíveis e rápidos, de modo a reduzir o risco percebido pelos Cidadãos de que algo vá piorar.
  • Para a Oposição: o desafio será reconfigurar a narrativa, não bastará apontar falhas à governação, é preciso mostrar claramente o que se deixa de ganhar se a mudança não for feita (apelo à aversão à perda) e o que se ganha concretamente com a alternativa, com menor incerteza.
  • Para a participação democrática: embora a subida da participação seja positiva, a teoria alerta para o facto de que muitos Eleitores votam para “não perder” mais do que para “ganhar”. Por isso, torna-se relevante compreender o que mobiliza esses Eleitores e como reduzir a perceção de risco associada à mudança.

Do ponto de vista da Teoria da Aversão à perda, há vários fatores comportamentais em jogo no Concelho de Seia:

(1) referência à governação – o desempenho passado define o ponto de referência;

(2) avaliação assimétrica de perdas/ganhos – cortes de serviços ou mudanças bruscas ponderam muito mais que promessas de melhorias;

(3) aversão ao risco em domínios de ganho e busca de risco em domínios percebidos como perda – se o eleitorado julga que a mudança implicará perda imediata, tende a evitar a alternativa;

(4) moldura cognitiva e narrativa – a forma como as propostas são comunicadas (enfatizando riscos ou ganhos) modifica decisivamente a escolha; e

(5) sinalização de competência e confiança – governantes bem-sucedidos em transmitir a sua competência diminuem a incerteza associada à sua manutenção. Estes mecanismos ajudam a entender porque um projeto alternativo (o do PSD com apoio do JPNT) pode não ter sido suficientemente persuasivo para transformar insatisfação em voto de mudança.

Esta explicação não é teoria pura pois tem implicações estratégicas claras.

Assim, se a Oposição quiser converter insatisfação em vitória, não basta criticar o passado, sendo preciso reformular a mudança como uma redução de perdas e uma garantia de ganhos concretos e imediatos. Algumas recomendações práticas: propostas-piloto visíveis e de baixo risco (para minimizar o receio de perda), garantias contratuais/cronogramas claros que reduzam incerteza, comunicação que reestruture a mudança como recuperação de direitos perdidos ou proteção de serviços (apelo às aversões à perda), e construção de mensagens que mostrem custos e benefícios num horizonte curto e verificável.

Por outro lado, a governação que quer consolidar apoio deve trabalhar para transformar ganhos discretos (pequenas melhorias tangíveis) em novos pontos de referência, pois assim a perceção relativa melhora e a aversão à perda continua a jogar a seu favor.

Em suma, a leitura prospetiva de Kahneman ajuda a explicar porque é que votantes críticos nem sempre optam pela novidade: a inércia eleitoral muitas vezes é uma decisão racional perante a incerteza emocionalmente amplificada pela aversão à perda.

Em Seia, os números recentes confirmam essa tendência e convidam tanto os governantes como os opositores a desenharem estratégias que tenham em conta não só o conteúdo das propostas, mas sobretudo como essas propostas são enquadradas face ao temor dos Eleitores de perder o que já têm.

Festa de Halloween promete animar São Martinho (Seia)

​O espírito do Halloween está prestes a tomar conta de São Martinho! A noite mais assustadora do ano será celebrada com uma festa que promete muita animação, música e, claro, as melhores máscaras.

​A celebração está agendada para amanhã, dia 31 de outubro, no Polidesportivo de São Martinho. O evento tem início pelas 22:00 horas e conta com a presença do Dj. Meireles para garantir que a pista de dança se mantém animada a noite toda.

​”Só as bruxas ficam em casa,” é o lema do convite, incentivando todos a saírem e a celebrarem.

​Um dos pontos altos da noite será o concurso de máscaras. Os participantes são desafiados a trazer a sua “melhor máscara”, sendo que há uma surpresa para o vencedor. A criatividade e o terror serão certamente premiados.


“Água Responsável, Melhor Floresta”: debate e visita técnica focam sustentabilidade da Serra da Estrela

A floresta e a água, pilares da sustentabilidade na Serra da Estrela, estarão no centro das atenções no próximo dia 10 de novembro, com a realização da ação  intitulada “Água Responsável, Melhor Floresta”. A iniciativa, cofinanciada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pela União Europeia – NextGenerationEU no âmbito do Programa Melhor Floresta, visa promover o debate sobre a gestão sustentável da floresta e a valorização dos Serviços dos Ecossistemas, com particular foco na região da Serra da Estrela.

O evento terá início às 14h30 no Auditório da Unidade Industrial da Sumol Compal, em Gouveia, um dos parceiros organizadores. 

O programa da tarde inclui as seguintes apresentações:

  • 14h30: Boas-vindas.
  • 14h45: “Sustentabilidade do território: Para que nunca acabe”, por Sumol Compal / Água Serra da Estrela.
  • 15h00: Apresentação do “Programa Melhor Floresta e o Campo de Demonstração na Serra da Estrela”, pela 2BForest, entidade organizadora. A 2BForest é especializada em consultoria e promoção de Boas Práticas Florestais.
  • 15h15: Intervenção a confirmar do FSC Portugal (Forest Stewardship Council). O FSC é uma organização internacional dedicada à promoção de uma gestão florestal responsável.
  • 15h30: Intervenção a confirmar do Estrela GeoPark. A Associação Geopark Estrela tem como missão contribuir para a proteção, valorização e dinamização do património natural e cultural, com ênfase no património geológico da região.
  • 15h45: Coffee Break.

O ponto alto do evento será a Visita à área florestal do Campo de Demonstração na Serra da Estrela, agendada entre as 16h00 e as 17h00, permitindo aos participantes conhecer de perto as boas práticas florestais em ação.

A ação é organizada pela 2BForest, em parceria com a Sumol Compal e com a participação do FSC Portugal e do Estrela GeoPark.

O Programa Melhor Floresta visa a sustentabilidade, biodiversidade, fixação de carbono e redução do risco de incêndio, promovendo a gestão e renovação da floresta através de boas práticas. Esta iniciativa insere-se na Componente C8 (Florestas) da dimensão Resiliência do PRR.

O evento em Gouveia promete ser uma plataforma crucial para a partilha de conhecimento e para o reforço da importância da gestão florestal sustentável na Serra da Estrela.

Nova residência de estudantes na Guarda foi consignada hoje e abrirá em setembro

É uma residência estudantil com 152 camas, localizada no campus do IPG na Guarda, um investimento superior a cinco milhões de euros. O Politécnico da Guarda teve de lutar, primeiro para a ver aprovada, depois para conseguir a totalidade das verbas europeias a que tem direito. “É um dia histórico”, afirmou Joaquim Brigas.

O Politécnico da Guarda tem igualmente aprovada uma nova residência estudantil para Seia, onde funciona a sua Escola Superior de Turismo e Hotelaria. Com 100 novas camas, esta residência resultará da reconversão de uma antiga fábrica.

O Instituto Politécnico da Guarda – IPG consignou hoje a empreitada de construção da sua nova residência de estudantes com 152 camas à empresa Irmãos Almeida Cabral, Lda por 5,03 milhões de euros. O auto de consignação foi assinado pelo presidente do IPG, Joaquim Brigas, e pelos dois sócios da empresa de construção de Penalva do Castelo, Diamantino de Almeida Cabral e João Paulo de Almeida Cabral. A nova residência no campus do IPG na Guarda deverá estar concluída a tempo de acolher estudantes do próximo ano letivo, a partir de setembro de 2026.

“É um dia histórico para o Politécnico da Guarda, que teve de vencer muitos obstáculos para conseguir esta infraestrutura para alojar estudantes que se querem matricular nos seus cursos, mas que não conseguem suportar os custos do mercado de arrendamento local”, afirmou Joaquim Brigas no final da cerimónia de consignação. “Primeiro, o IPG teve que fazer valer os seus direitos em 2024 para que a Agência Erasmus+ reconhecesse o seu direito a ser financiado pelo PRR. Depois teve de lutar para conseguir ser financiado pelo montante adequado, o que foi reconhecido e, agora, permite fazer esta obra com um valor superior a cinco milhões de euros”. Segundo o presidente do IPG, “mais vale tarde, do que nunca”.

A 17 de setembro de 2024, o Politécnico da Guarda começou por ser excluído do financiamento a novas residências de estudantes. Nessa altura o IPG contestou a decisão devido à metodologia utilizada na distribuição do financiamento, tendo conseguido, semanas depois, em outubro, que a residência prevista para o seu campus na Guarda passasse a constar da homologação do ministro da Educação, Ciência e Inovação Fernando Alexandre.

Essa decisão apenas atribuía à residência de 152 camas do IPG um financiamento de 2,5 milhões de euros. O Politécnico da Guarda não se conformou com este montante, tendo prosseguido com as reclamações junto da agência e da tutela: em junho deste ano, foi finalmente informado que a sua residência seria financiada com os valores máximos previstos por lei: 4.905.096,62 euros, quase duplicando o montante inicialmente concedido.

Nessa altura Joaquim Brigas considerou que “foi feita justiça ao IPG e à necessidade que esta instituição tem de disponibilizar mais camas a um número crescente de alunos em muitos cursos”. Na ocasião, elogiou a equipa do Politécnico liderada pelo seu administrador, Paulo Tolda, pelo rigor e persistência com que conduziu o processo.

Em todo o país, só cinco candidaturas à construção de raiz de novas residências para estudantes foram aprovadas: em Esposende, Castelo Branco, Oeiras e Lisboa, para além da residência do IPG. O Politécnico da Guarda tem igualmente aprovada uma nova residência estudantil para Seia, onde funciona a sua Escola Superior de Turismo e Hotelaria. Com 100 novas camas, esta residência resultará da reconversão de uma antiga fábrica.